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TEMPOS DIFÍCEIS | Editorial

O mundo vive hoje tempos difíceis. Face à ameaça de
forças antidemocráticas cujo poder económico e militar está
em crescimento, como é o caso da China e da Rússia, seria de
esperar que os sinais de mudança começassem a ser sentidos
na potência que, até há pouco, detinha a liderança mundial, os
Estados Unidos da América. Mas não: os EUA parecem
apostados em manter, ou reforçar mesmo, o que de pior tem a
sociedade americana, que é a industria de armamento, por um
lado, e o extremismo religioso, por outro.
Nos EUA não é permitido a um jovem de 15 anos comprar uma
cerveja, mas é-lhe permitido comprar uma metralhadora. E
quando, recentemente, o Estado de Nova Iorque pretendeu
restringir a detenção escondida, em lugares públicos, de
armas, o Supremo Tribunal dos EUA declarou nula essa lei
por, alegadamente, violar a Constituição americana, em
particular a sua segunda emenda.
Constituído por uma maioria de juízes conservadores
escolhidos por presidentes republicanos cujas campanhas
eleitorais foram financiadas pelo lobby das armas, o Supremo
Tribunal americano tem sido o garante de que um jovem de 15
anos possa deter livremente uma metralhadora e, com ela,
levar a cabo um massacre numa escola, matando crianças e
professores.
Porém, o mesmo Supremo Tribunal anulou o direito ao aborto
garantido, desde 1973, nos EUA com o seguinte fundamento:
“Nós sustentamos que a Roe e a Casey (decisão de 1992 que
reafirmou o direito ao aborto nos EUA) devem ser anuladas. A
Constituição não faz referência ao aborto, e tal direito não é
implicitamente protegido por qualquer disposição constitucional”.
Esta decisão vai contra o princípio universal de direito de que o
que não é proibido por lei é permitido. E é determinada não pela
interpretação da lei mas por um preconceito ideológico.
Para o Supremo Tribunal americano a constituição permite uso e
porte livre de armas que tem conduzido a uma guerra civil não
declarada com dezenas de milhar de assassinatos por ano, mas
não permite que, uma mulher pobre, que engravidou e tem um feto
com deficiências congénitas, aborte.
Este órgão de poder americano, constituído por apenas nove
juízes, três deles escolhidos por Donald Trump, é o garante
máximo da decadência moral e material da grande nação
americana, dominada pelo cinismo dos ricos que praticam o
aborto mas rejubilam em público com a sua proibição, e por uma
indústria de armamento que é a grande responsável por que os
EUA tenham abandonado o investimento produtivo em benefício
da China.
A esta luz, compreende-se melhor a intervenção dos EUA
em todos os conflitos que têm acontecido pelo mundo fora
nas últimas décadas.

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