Sociedade

Tantas Desgraças Num Ano Só | Editorial, por Henrique Dória

COVID-19 

O ano de 2021 que acaba de terminar foi um ano de grandes desgraças para o mundo. A primeira delas, universal, foi a pandemia de codid-19 e, em particular, a sua variante Delta. Foram cinco mil e quinhentas mil vidas ceifadas no mundo pelo terrível vírus e, novamente, se viu a injustiça que deveria corroer a consciência dos homens através da enorme desigualdade da distribuição de vacinas entre países ricos e países pobres. Entre os cerca de 87% de cidadãos vacinados em Portugal, e os menos de 2% de vacinados no Chade está o escândalo da desigualdade no mundo. Mas, no meio, está também a negação da ciência e, com ela, a contestação das vacinas contra a covid-19, inventando perigos que de modo algum estão provados mas que servem aqueles grupos neonazis em todos os países, sobretudo nos EUA, que querem praticar a eugenia, isto é, o apuramento dos mais fortes que conseguirem sobreviver a esta tragédia mundial que é a covid-19. É um projeto inconfessado mas que, não tenhamos dúvidas, é um projeto de seitas como a QAnon e de políticos como Donald Trump e Jair Bolsonaro, e pseudo-filósofos como Olavo de Carvalho. 

Contra esses criminosos o mundo deve estar alerta. 

COLAPSO DOS EUA NO AFEGANISTÃO 

Se o covid-19 foi uma tragédia para toda a humanidade, a humilhante derrota e a caótica retirada americano do Afeganistão, foi o acontecimento marcante do ano de 2021. Não tanto por ter sido uma derrota – os EUA já tinham sofrido outras sem danos definitivos de maior – mas por representar o fim do domínio absoluto da América sobre o mundo e a sua incompetência em respeitar e proteger os seus aliados. 

Perante uma China cada vez mais ditatorial e cada vez mais poderosa, os EUA que, apesar das sua enormes contradições, eram uma esperança para os que amam a liberdade, deixaram de merecer confiança. Os seus aliados europeus deveriam perceber que se não estão agora entregues a si mesmos, têm um aliado pouco confiável, e deveriam tirar daí as suas consequências. 

A  verdade é que a América tem, desde há muito, cavado o seu declínio. O domínio da economia  pela finança, a sua fragilidade perante a corrupção protagonizada pelo complexo militar industrial, com a indústria das armas e a farmacêutica à cabeça, a iliteracia e a arrogância da maior parte do povo americano que acredita que ainda está no tempo do far west, em que o primeiro a sacar a pistola dominava o território, estão a destruir essa grande nação que nasceu sob o signo da liberdade, da igualdade e da fraternidade. 

Infelizmente não tem dirigentes que percebam isso. 

BOLSONARO OU A QUEDA DE UM MITO 

O ano de 2021 trouxe para o Brasil a queda sem remédio do grande mito da direita brasileira que foi Jair Bolsonaro. 

Prometeu o fim da violência e o crime, e a violência  e o crime continuam a devastar o Brasil. Prometeu o fim da corrupção, mas a corrupção grassa nas mais altas instâncias, a começar pela família do presidente e pelos seus ministros, que, como Paulo Guedes, metem em paraísos fiscais o fruto da corrupção. Prometeu o crescimento económico, mas o Brasil passou de 7ª economia mundial para 12ª. Grande parte do povo brasileiro  passa fome e recorre aos ossos para se alimentar. Prometeu dignificar o Brasil, mas o Brasil é desprezado no contexto mundial e os seus cidadãos refugiam-se no estrangeiro, particularmente em Portugal, e só não se refugiam muitos mais porque a moeda brasileira vale cada vez menos no estrangeiro. O seu negacionismo perante a covid-19 custou ao Brasil 620 mil mortes, a maior percentagem em todo o mundo. 

A tragédia de Bolsonaro foi orquestrada pela finança ( que pode, agora, cobrar juros a 900 %), pelo agronegócio e pelo grande varejo, com a cumplicidade de uma classe média maioritariamente ignorante, arrogante e covarde.   

Que Lula da Silva, que tudo indica será o novo Presidente do Brasil, tenha a coragem para enfrentar estes poderes selvagens que destroem a grande nação brasileira. 

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