Política

Pirâmide social | Xico Simonini

Estes brasis varonis de desencantos mis e vis, por determinação da Milícia que se apoderou da Nação, desenvolvendo uma política de destruição em massa e de submissão ao Tio Sam Fado, exigiu mudanças na nomenclatura e nos estratos da Pirâmide Social Brasileira. Atropelando, é de se espantar, o eficiente e competente Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O processo seguiu os trâmites legais e correu nas burocracias da Casa Branca sob os olhares do Trumpvírus de Cá ou Bozovírus de Lá… O Bozovírus de Cá ou Trumpvírus de Lá… Tanto faz, como tanto fez. A berda-merda é a mesma!

 

Nada mais daquela coisa comunista, subversiva e agitadora. 

 

Chega, pois de Classe Alta ou A… De Classe Média ou B/C… De Classe Baixa ou D… De Classe ainda mais Baixa ou E, aquela que se encontra abaixo da linha da pobreza. 

 

Fora Esquerdopatias! Fora Classe Alta! Fora Classe Média! Fora Classe Baixa!

 

Aprovado e sancionado o processo pelo Trumpvírus, sob os colonizados olhares do Bozovírus, a população brasileira, de agora em diante, estará assim estratificada:

 

Classe dos Abastados retratada pelos Poderosos ou Abonados, Endinheirados e Recheados. Deus acima de tudo e nós acima de todos! Ou seria? Ganância acima de tudo e de todos. Sem compaixão… Sem piedade… Sem comiseração… 

 

Classe dos Engravatados constituída pelos Políticos do Poder Executivo e Legislativo, os Mascarados, Enfeitados, Fantasiados. Aqueles corruptos eleitos, não pelos eleitores vítimas da corrupção, mas eleitos pelos eleitores cúmplices da corrupção.  

 

Classe dos Togados formada pelo Poder Judiciário ou por Magistrados, Julgadores e Mediadores. Aqueles mesmos que não se acham deuses, têm a certeza. Galera que faz a Deusa Têmis, patrona da Justiça, corar de vergonha, sempre obrigada a dar uma piscadela por debaixo da Venda, cortar com um só fio da Espada e violar a imparcialidade da Balança.

 

Classe dos Fardados representada pelas Forças Armadas, amadas ou não, odiadas ou não, lídimas defensoras – Pois sim! – da Soberania Nacional representada material e imaterial pelas Fronteiras… Independência. Estatais… Dignidade. Base de Alcântara… Honra. Pré-Sal… Riqueza. 

 

Classe dos Apostolados integrada pelos Pastores, Doutrinadores e Pregadores. Tudo gente ungida pelas águas do Rio Jordão, espantando Cornudos, Tinhosos e Chifrudos, dizimando os dizimados bolsos dos dizimados irmãos. Amém!?!? Aleluia!?!?  

 

Classe dos Lascados composta por aqueles que integram a Escumalha, o Enxurro, a Plebe ou, então, os Ferrados, Arregaçados e Fudidos. A Vaca que adora o açougueiro e odeia o leiteiro. A barata tarada pelas borrifadas do inseticida. O Rato apaixonado pelo cafuné da ratoeira.  

 

Eis, pois, uma nova estrutura e nomenclatura nova para uma nova Pirâmide Social.   

 

Exemplo lapidar de Distribuição… Igualdade… Democracia… Liberdade… 

 

Sem comunistapatias! Sem cubapatias… Sem esquerdopatias… 

 

E, fechando a obra, o papo do fecho da obra, entre os dois artífices:

 

Trumpvírus de Cá ou Bozovírus de Lá… O Bozovírus de Cá ou Trumpvírus de Lá… Tanto faz, como tanto fez. A berda-merda é a mesma!

 

E o submisso Bozovírus, curtidor de dejetos e nojeiras: É isso daí, porra! Taokei, Trumpvírus? Gostou, Chefia Minha?  

 

E o insubmisso Trumpvírus, também produtor de dejetos e nojeiras: É isso daí, porra! Taokei, Bozovírus! Eu gostei, Capacho Meu! 

 

E o Tio Sam Fado, do alto de suas invasões, ocupações, assaltos e ataques, aplaudiu de montão a eficiência, a aptidão e a competência do Trumpvírus, seu embaixador-capacho de plantão.

 

Fotografia de Xico Simonini

 

Francisco Simonini da Silva (Xico Simonini)  nasceu em Viçosa, MG, no dia 18 de novembro de 1941. Em sua cidade natal, em Belo Horizonte (MG), Florestal (MG), Pará de Minas (MG), Divinópolis (MG), Piracicaba (SP), Assis (SP), Primeiro de Maio (PR), Juiz de Fora (MG), Cataguases (MG), Ponte Nova (MG) e, recentemente em Santo Antônio de Pádua (RJ) construiu sua trajetória de professor e administrador do sistema educacional, além de marcante atuação na imprensa e na militância político-partidária. Aposentou-se como professor-adjunto na Universidade Federal de Viçosa (UFV), onde exercia suas funções no Departamento de Educação, do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes. Vem atuando, há mais de cinquenta anos, no sistema educacional público e privado (da educação infantil à pós-graduação), no ensino, pesquisa, extensão e administração. Por iniciativa individual ou coletiva participou da fundação de uma dezena e meia de escolas e cursos em todos os níveis. Sua trajetória é marcada por vigorosa atuação política, partidária e sindical e em campos diversos, como músico, desportista, comentarista esportivo, escritor, poeta, chargista e responsável pela publicação do semanário viçosense “Muzungu”.

 

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