Cultura

“O Regresso de Júlia Mann a Paraty”, de Teolinda Gersão | Gerson Valle e Décio Torres Cruz

Gerson Valle

 

 

“O regresso de Júlia Mann a Paraty”

       (Em Portugal, Porto Editora, 2ª edição em 2021

 

Em 1939, Thomas Mann, escritor alemão detentor de Prêmio Nobel, refugiado nos Estados Unidos devido aos horrores nazistas, publicou em Estocolmo o romance “Lotte in Weimar” (no Brasil, traduzido por Vera Mourão, “Carlota em Weimar”, Ed. Nova Fronteira, 1984). O local de sua publicação justificava-se por querer divulgar seu original em alemão, na Suécia podendo ser melhor distribuído para os leitores dessa língua, estando proibido na Alemanha de Hitler, onde era visto como “decadente”. O que escrevia era muito mais representativo da cultura humanista alemã que as então posturas fascistas. Sua origem familiar era de ricos industriais protestantes. Não era, portanto, judeu, nem como seu irmão, o também escritor Heinrich Mann, comunista, razões pessoais, raciais e políticas mais encontráveis entre os refugiados.  Seu “germanismo” o fez defender, nos ensaios do livro “Considerações de um apolítico” (1918), durante a 1ª guerra mundial, sua formação (“Bildung”) que o identificava com os pensamentos de filósofos como Schopenhauer e Nietzsche, escritos de Goethe, e visões artístico-musicais de Wagner. Chegou a mostrar que sua composição literária seguia em muito a estrutura dos dramas líricos wagnerianos, com uma linha continuada entrecortada por motivos condutores, a ação assim se desenvolvendo gradativa e evolutivamente dentro de limitações temáticas. Seriam características alemães, da “formação” individual contrária à “política” coletivista francesa, por exemplo. A lentidão acarreta maior extensão e aprofundamento. Seu posicionamento evoluiu para uma aproximação “mais política” alguns anos depois, na defesa da República de Weimar, e por fim à total oposição ao nacionalismo nazista, mostrando, na prática, a mudança lenta decorrente de reflexões em sua própria trajetória individual. 

 

Em “Carlota em Weimar” a ficção se faz com personagens reais do passado, tirados da novela “Os sofrimentos do jovem Werther”, de Goethe, com o próprio poeta e seu idealizado amor da juventude entre os personagens, quarenta anos depois do relato. O conhecimento de Mann sobre Goethe e seu tempo aí se faz presente, tendo, inclusive, um capítulo onde constrói um monólogo do grande poeta com suas características intelectuais. “O regresso de Júlia Mann a Paraty” (Em Portugal, Porto Editora, 2ª edição em 2021, e no Brasil, Oficina Raquel, 2021), de Teolinda Gersão é constituído por três relatos de figuras históricas dentro de suas perspectivas individuais próprias, “Freud pensando em Thomas Mann em dezembro de 1938”, “Thomas Mann pensando em Freud em dezembro de 1930” e “O regresso de Júlia Mann a Paraty”. Tal procedimento narrativo, tanto no exemplo que cito de Thomas Mann como no recente livro de Teolinda Gersão, coloca elementos presentes em “formações” intelectuais dentro de novas ficções, numa coerência também intelectualizada, possibilitando reflexões. Há, evidentemente, muitos casos similares na literatura, desde exemplos clássicos de romances históricos. Mas chamo a atenção ao fato aqui pela verossimilhança de um grande realismo atingir a personalidade de escritores tornados personagens. É verdade que Freud não foi ficcionista, mas de qualquer forma narrou casos de pacientes e ele mesmo cogitou na representatividade da ficção em suas conclusões psicanalíticas, seguindo leituras do teatro grego, Dostoiévski, Arthur Schnitzler, Stefan Zweig, Thomas Mann, etc.

 

 

“O regresso de Júlia Mann a Paraty” 

(Brasil, Oficina Raquel, 2021).

O procedimento mais usual na obra de Thomas Mann traz a possibilidade de reflexão sobre seu tempo e a própria condição humana, a partir de sua experiência de vida transformada em ficção. Isto bem acentua a sua contemporaneidade com Sigmund Freud e a preocupação que levou este a desvendar caminhos do inconsciente, das contrastantes pulsões erótica e de morte, etc. O escritor se expõe ao público, como o paciente o faz perante o psicanalista. A finalidade é o conhecimento do ser humano e seu contexto, possibilitando reflexão. Desde seu primeiro grande sucesso, aos 26 anos, “Os Boodenbrooks”. No caso foi a narrativa do declínio de sua família. O mesmo logo ocorre em “Tonio Kröger”, onde se vê como um estrangeiro nos tempos de colégio, à procura de si e dos colegas, com confessado fascínio homossexual por um deles (e aí já se encontra a exposição do escritor em busca da compreensão do ser humano, a partir de si).

 

Exemplo mais conhecido, sua novela “Morte em Veneza”, onde a beleza da cidade encontra ameaças de aparições aqui e ali de tipos demoníacos, acabando por uma epidemia, como a que grassa no mundo atualmente, levar à morte o principal personagem, escritor Gustav Aschenbach. O contraste entre beleza, decadência e morte evidencia-se. O lindo filme de Lucchino Visconti transformou o personagem em músico, o que, de certa forma, até condiz com o texto de Mann, tendo o filme como trilha sonora o sonhador Adagietto da 5ª sinfonia de Gustav Mahler, com quem o ator se parece, quando Thomas Mann pusera-lhe o mesmo nome Gustav e chegou a declarar que Mahler foi o único gênio que conheceu pessoalmente. Há uma sintonia do escritor com o compositor quando se atenta para a obra do segundo rever todo o passado musical ocidental entrecortada por agressões trágicas, que, tal como na literatura de Franz Kafka, parece prever os horrores do holocausto judaico. Dentre a admiração estética representativa da vida, oposta à morte trazida pela peste, há a atração homossexual pedófila, que não é tema central, mas exemplo do fascínio estético na vida e na arte. A novela foi escrita logo após o escritor ter passado uma temporada num hotel em Veneza com a mulher e filhos, ficando fascinado pela beleza de um adolescente de uma família polonesa que se hospedava no mesmo hotel. 

 

Perto de se casar com a rica judia Kátia, que nutria grande afeição pelo irmão gêmeo, escreve o conto “O sangue dos Völsungs”, em que um casal de irmãos gêmeos assiste à “Valquíria” de Wagner, emocionando-se, de mãos dadas, no primeiro ato descritivo do amor incestuoso de Siegmund e Sieglind. O ato se encerra com o irmão abraçando sexualmente a irmã, e proclamando: “Que floresça o sangue dos Völsungs!”. Wagner choca plateias com o romantismo colocado num incesto pecaminoso.  Thomas Mann estica a corda, com o protagonismo da noiva e seu futuro cunhado. Não é só a natureza humana que tais observações pessoais vão trazendo, mas mesmo sociais, como ocorreu quando, já casado com Kátia, esta adoeceu e foi internada num sanatório na Suíça, e ele, após visitá-la, descreveu no romance “A montanha mágica” um sanatório suíço cujos hóspedes são de diferentes nações como se estas passassem por crises (doenças) com posicionamentos antagônicos, e, efetivamente, a Europa entrou na primeira grande guerra. 

 

Bem significativa é sua posição contrária à perseguição de judeus promovida pelos nazistas, com a construção da tetralogia dos romances “José e seus irmãos” publicados entre 1933 e 1943, onde a saga judaica bíblica caracteriza-se numa narrativa distanciada, provocando não só a impressão de um passado lendário, como a reflexão, um tanto como a Tetralogia do “Anel do Nibelungo” wagneriana, com “leitmotive”, descrições lentas e detalhadas que oferecem um prazer similar à musical para os leitores, dentro de aspectos existenciais simbólicos. 

 

Talvez um dos pontos mais altos de toda a literatura no século XX dá-se, após a segunda guerra mundial, no romance “Doutor Fausto” em que o tema de Goethe retorna com a descrição da vida de um compositor moderno doentio que leva a música a uma linguagem puramente cerebral, enquanto a Alemanha é conduzida pela loucura do nazismo, como se a venda da alma ao demônio fosse descrita de forma simbólica pela agonia cultural da civilização, simultaneamente artística e política. Na verdade, pela descrição teórica que faz, seguindo correspondência que manteve com Schönberg, a música fria, cerebral corresponde ao dodecafonismo. E aqui não posso deixar de comentar que tanto a vida pessoal quanto dos familiares ou de pessoas de relacionamento próximo, ajuda a veracidade e compreensão humanística em sua obra! O que, em si, é uma lição à literatura do entretenimento em que os autores se escondem na chapada cortesia da conveniência, muito encontradiça hoje em dia, quando a literatura não atinge a importância da perquirição do universo, como a filosofia ou qualquer ciência. 

 

Teolinda Gersão, em sua bem elaborada construção literária, leva o leitor à intelectualidade alemã da primeira metade do século XX. Isto, por si, é meritório, dado o grau de humanismo diferenciado da prosa meio jornalística e superficial, acentuada pela cultura “pop”, dominante nos tempos correntes por influência do domínio econômico-cultural norte-americano. A honestidade na procura da essência do ser e da sociedade obrigava, então, os intelectuais, a começarem pelas suas próprias imperfeições o caminho a qualquer reflexão sobre a realidade. Freud descobriu, praticamente, esconderijos do inconsciente que levam ao complexo de Édipo e significados dos sonhos. E ele não escondeu seu próprio machismo e certo patriarcalismo na conduta, não reconhecendo sequer os caminhos que pudessem desviar de seu traçado nas pesquisas por parte de discípulos. Lembro que já com câncer na garganta continuava com seu charuto interminável, arraigado aos hábitos adquiridos, incoerente com o raciocínio científico. Sua vida e obra não eram atuações estereotipadas. Buscavam o encontro com a realidade.

 

O mundo todo, pela literatura tão confessional, teve conhecimento de algumas complicações na família Mann. Os irmãos escritores Heinrich e Thomas Mann nunca esconderam a rivalidade em posições literárias e ideológicas, volta e meia reencontrando-se amistosamente. Thomas também não escondeu seu homossexualismo, mesmo enrustido, tão contrário à postura que sempre procurou transmitir dentro do convencionalismo da sociedade burguesa e tradicional, tendo o pai por parâmetro, apesar da carga irônica usada com o personagem que o reflete em “Os Boodenbrooks”. Seu filho Klaus Mann sentiu dificuldade em afirmar-se como escritor, sempre com ele, glória internacional, comparado, e foi declaradamente homossexual, no que Thomas Mann não parecia concordar. Klaus suicidou-se em 1949 sem que o pai, chocado com o fato, lhe fosse ao enterro… Sua filha Erika, também homossexual e com várias ligações heterossexuais, vivenciando praticamente tudo nas artes teatrais, envolveu-se com drogas e certa marginalidade “pesada” boêmia da época. Enfim, a modernidade pretendia revolucionar a intelectualidade na Alemanha, contestando tradições estratificadas e rígidas. A estética expressionista (no teatro, artes plásticas, literatura, cinema) ainda pode ser vista como mais avançada que grande parte de certa arte ou literatura atuais mais ingênuas, ainda nas pegadas do domínio sociocultural norte-americano. De certa maneira, tal atitude revolucionária alemã remonta mesmo ao aparecimento do Romantismo com o já referido “Os sofrimentos do jovem Werther” de Goethe em 1774, onde o suicídio se mostra a única escapatória em uma sociedade cujo rigor e obediência a princípios estanques impedem um jovem de realizar seu amor. 

 

A mãe dos escritores Heinrich e Thomas Mann, Júlia, nasceu em 1852, curiosamente na região de Paraty, Brasil, filha de um imigrante alemão dono de uma fazenda em frente ao mar, Mata Atlântica ao redor, com mãe brasileira descendente de portugueses e indígenas (sobrenome Silva). Morta sua mãe, aos seis anos seu pai a leva com os irmãos e a mucama negra que a acompanhava sempre, Ana, para sua terra, à cidade de Lübeck, um porto hanseático, voltando em seguida ele com a mucama para o Brasil. Júlia foi deixada para ser educada lá junto aos avós paternos. A sociedade dessa típica cidade industrial de luteranos conservadores e de inflexível comportamento tradicionalista trata Júlia e irmãos com severidade, com algum preconceito racista. De início ela só falava português, ignorando o alemão. Com os anos isto se inverte, esquecendo sua língua natal. Não deixou nunca, no entanto, de ter um comportamento mais espontâneo que o local, num temperamento artístico que a levou ao piano e canto. Aos 18 anos casa-se com um industrial de família tradicional, Thomas Johann Heinrich Mann. Os dois filhos escritores para sempre guardarão o contraste comportamental dos progenitores, que em grande parte vai gerar suas dúvidas existenciais e diferenças entre eles, tendo o pai evitado ao máximo que a tendência às artes e literatura que a mãe lhes passava os desviasse das obrigações burguesas que achava fundamentais. Mas, as fantasias e recordações maternas que os transportavam a histórias e paisagens “do outro lado do mundo” foram mais fortes em suas tendências naturais.

 

Sem “spoiler” ao leitor, quero somente acentuar a notável construção novelística de Teolinda Gersão que junta no livro as tradições preconceituosas, datadas, ligadas ao caráter dos narradores-escritores Freud e Mann. Para Júlia Mann a sociedade cobradora de um comportamento austero, dentro de regras rígidas, castradora, chegou-lhe quando aportou criança na cidade alemã da família do pai, Lübeck. Continuou com seu casamento na mesma cidade, obrigando-a a ser a mulher do burguês senador industrial dentro do estamento em que estas posições se encaixam. Assim que enviuvou, mudou-se de lá para Munique, uma cidade sem os vínculos dessa família sisuda e com mais arejamentos artísticos e de lazer.

Numa piada, Thomas Mann, cuja pátria era a Alemanha, costumava ver o distante Brasil, onde nasceu sua mãe Júlia, como sua “mátria” (“mein  Mutterland”). Confessou que, quando criança, nas férias, recostava-se numa “chaise-longue” numa praia ao norte da Alemanha, imaginando sair pelo mar até alcançar o Brasil criado a partir das narrativas maternas. Assim teria desenvolvido o dom de ficcionista. De uma forma geral seus romances são de “formação”, os progressivos aprendizados indo formando o caráter. Ao morrer na Suíça em 1955, para onde se mudara por se incomodar com o macarthismo que achava estar fascistizando os Estados Unidos, deixou incompleto o romance “As confissões do impostor Felix Krull”, onde a formação do personagem ladrão, proxeneta, bandido, desenvolve-se de forma picaresca. Sob vários aspectos diferente do resto de sua obra. Ele prevera seis partes das quais escreveu a metade. Difícil saber aonde daria. Mas, a mudança de cenário para o sul abre espaço para alguma especulação. O personagem passa por Lisboa, que é descrita como simpatia. E havia a intenção do final ser na Argentina, com passagem pelo Rio de Janeiro. Prometeu que iria visitar o Brasil, de que havia lido, quando saiu publicado, o “Brasil, país do futuro”, de Stefan Zweig. Seria um caminho de abertura a um novo mundo para o personagem vigarista? 

 

Teolinda Gersão encontra o caminho para Júlia Mann liberar-se da empáfia de uma sociedade opressora. Deseja regressar a Parati de seus primeiros anos, de pés descalços na areia, apanhando cocos largados pelo quintal sob o sol aconchegante, o verde da Mata Atlântica, a informalidade carinhosa de pessoas como sua negra mucama Ana… E mais não “spoilo”.

  • Um lírico triângulo psicanalítico

 

Décio Torres Cruz

Uma obra-prima! Não há outra definição para este novo romance da escritora portuguesa Teolinda Gersão, autora de tantos livros primorosos, como A cidade de Ulisses, A árvore das palavras e Alice e outras mulheres. A autora se supera a cada novo lançamento. E agora ela nos brinda com este belíssimo romance O regresso de Júlia Mann a Paraty.

 

Misto de história e ficção, bem ao estilo de Marguerite Yourcenar e seu Memórias de Adriano (1951), de Gore Vidal e Juliano (1964), ou de Antônio Torres e Meu querido canibal (2000), a autora consegue misturar a história de três personagens famosos da nossa cultura contemporânea em uma linda e poética narrativa cuja beleza estarrece o leitor. 

 

E é assim que ela confronta o psicanalista Sigmund Freud e o escritor Thomas Mann numa trama que envolve a mãe do último, a teuto-brasileira Julia da Silva Bruhns (autora de Da infância de Dodô [Aus Dodos Kinderheit], livro de memórias sobre sua infância no Brasil). Dividido em três partes, “Freud pensando em Thomas Mann em dezembro de 1938”, “Thomas Mann pensando em Freud em dezembro de 1930”, e “O regresso de Julia Mann a Paraty”, o livro estabelece um diálogo em forma de cartas entre os dois primeiros personagens e culmina com a narrativa da mãe de Thomas Mann que fecha o triângulo narrativo. O incrível jogo textual estabelecido por Teolinda Gersão reflete a teoria freudiana do complexo de Édipo de forma invertida. No modelo freudiano, baseado na peça Édipo Rei de Sófocles, o desejo do filho pela mãe ocasiona o desejo da morte do pai. No romance, Freud se transforma no duplo de Thomas Mann, uma espécie de pai substituto a quem ele deseja, assim como, inconscientemente, deseja a morte da mãe, essa figura vinda de terras selvagens cuja origem de certa forma envergonhava os filhos e que se transformou em personagem de diversos livros do autor.

 

Teolinda é uma mestra da escrita. Sua sensibilidade poética e estética se extravasa neste livro, assim como sua paixão pelos seres humanos. Assim, além de teorias psicanalíticas desvendadas pelas tramas da ficção, neste livro encontramos diversas críticas ao colonialismo europeu e sua arrogância, à escravidão, ao racismo e ao preconceito racial, ao machismo estrutural exacerbado, à exploração do ser humano e à subjugação das mulheres. E claro, de forma bastante criativa, a autora nos leva a passear pelas obras de Freud, de Thomas Mann, de seu irmão Heinrich e da própria Júlia. Tudo isso, através de uma linguagem bastante poética. Não há como não se apaixonar por este livro. Ele é simplesmente encantador! No Brasil, pode-se encomendá-lo no site da Editora Oficina Raquel. Em Portugal, o livro encontra-se em sua segunda edição nas livrarias físicas e online ou no site da Porto Editora.

 

Sobre a autora

 

Natural de Coimbra, a contista e romancista Teolinda Gersão estudou nas Universidades de Coimbra, Tübingen e Berlim. Foi leitora de português na Universidade Técnica de Berlim e lecionou Literatura Alemã e Literatura Comparada como professora catedrática na Universidade Nova de Lisboa. Além de Portugal, onde vive atualmente, a escritora morou em outros países, tendo passado três anos na Alemanha e dois anos em São Paulo, Brasil, cuja estada se reflete em alguns textos de Os Guarda-Chuvas Cintilantes (1984). Além disso, passou dois meses como escritora residente na Universidade da Califórnia em Berkeley e também conheceu Moçambique e a cidade de Lourenço Marques, onde transcorre o romance A árvore das palavras (1997)

 

Considerada uma das maiores escritoras portuguesas da atualidade, publicou 19 livros e a sua obra encontra-se traduzida em 20 países. Recebeu os mais renomados prémios literários nacionais, dentre os quais, destacam-se o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores (1995), o Prémio do PEN Clube (1981 e 1989), o Grande Prémio do Conto Camilo Castelo Branco, o Prémio Fernando Namora (2001 e 2015) e o Prémio Literário o Prémio Literário Vergílio Ferreira 2017 pelo conjunto da sua obra. Alguns dos seus contos e livros têm sido adaptados ao cinema e ao teatro e encenados em Portugal, na Alemanha e na Roménia. Em 2018, foi-lhe atribuído o Marquis Lifiteme Achievement Award.

Fotografia de Gerson Valle

 

Fotografia de Décio Torres Cruz

 

O escritor brasileiro Gerson Valle formou-se pela Faculdade de Direito Cândido Mendes, Rio de Janeiro, em 1969. Fez pós-graduações na França, Holanda e Portugal. Foi vice-diretor da Faculdade de Direito Estácio de Sá e diretor de ensino da Sociedade de Ensino Superior e Assistência Técnica – SESAT, ambas no Rio de Janeiro. Lecionou Direito Internacional Público, Noções de Direito, Política Internacional e Cultura Brasileira, em faculdades do estado do Rio de Janeiro. Assessor Jurídico da Fundação Nacional de Arte-FUNARTE (Ministério da Cultura) durante 16 anos. Transferiu sua moradia da cidade do Rio de Janeiro para Petrópolis em 1985, tendo aí participado de diversas ongs de cunho ambiental e cultural. É membro da Academia Brasileira de Poesia – Casa Raul de Leoni, cadeira nº 31 e da Academia Petropolitana de Letras, cadeira nº 29, onde exerceu a Presidência de 2017 a 2021.

Publicou: 6 livros de Poesia, 5 livros de ficção, tradução de Gustavo Adolfo Bécquer, um livro sobre arte e política, 3 livros sobre Direito e mais de 500 artigos em periódicos do Brasil, da França, Itália e Áustria (sobre Música, Literatura, entre inúmeras resenhas, Política, Cinema, crônicas, contos, poemas).

Recebeu alguns prêmios literários, como os primeiros lugares (em poesia) da Accademia Internazionale “Il Convívio”, da Itália, e da Associação Nacional dos Escritores – ANE (em livro de contos), com sede em Brasília; Notório reconhecimento do Prêmio Maestro Guerra Peixe de Cultura 2018, do Instituto de Turismo e Cultura da Prefeitura Municipal de Petrópolis.

Seus poemas foram musicados por vários compositores (Ricardo Tacuchian, Ernani Aguiar, Guilherme Bauer, etc), sendo levados em concertos e gravados. É autor do libreto da ópera “Olga”, com música de Jorge Antunes, encenada no Teatro Municipal de São Paulo em 2005, em 2013 do Teatro Nacional de Brasília e em 2019 na Ópera Báltica de Gdansk, na Polônia.

Décio Torres Cruz é escritor, crítico literário, poeta, professor universitário e pesquisador brasileiro. Ex-bolsista da Fulbright, obteve seu Ph.D. em Literatura Comparada na State University of New York em Buffalo, EUA. É mestre em Teoria da Literatura, especialista em Tradução e bacharel em Letras/Língua Estrangeira, com concentração em língua e literaturas de língua inglesa pela Universidade Federal da Bahia. Fez pesquisa pós-doutoral sobre as adaptações de Shakespeare para o cinema na Leeds Metropolitan University, Inglaterra, patrocinado pelo CNPq. 

É autor dos livros: “Paisagens interiores” (Patuá, 2021); “The Cinematic Novel and Postmodern Pop Fiction” – parte da série da Fédération Internationale des Langues et Littératures Modernes [FILLM] da Unesco (John Benjamins, 2019); “Literatura pós-colonial) caribenha de língua inglesa” (Edufba, 2016); “Postmodern Metanarratives: Blade Runner and literature in the age of image” (Palgrave Macmillan, 2014); “English Online: Inglês instrumental para informática” (Disal, 2013); “O pop: literatura, mídia & outras artes” (Quarteto/Uneb, 2003; 2013); “Idea Factory: 100 Games and Fun Activities for your English Classes” (Edufba, 2012; 2013); “Inglês para Administração e Economia” (Disal, 2007); “Inglês para Turismo e Hotelaria” (Disal, 2005); e “Inglês.com.textos para informática” (Disal, 2003). 

Publicou, ainda, poemas no jornal “The Buffalo News” (EUA, 1995) e nas coletâneas “A nova poesia brasileira” (Shogun, 1985) e “Valores literários do Brasil II” (Ed. Brasília, 1986), além de contos, traduções e diversos artigos e capítulos de livros em português e em inglês em diversas áreas.

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