Política

Lucas | Xico Simonini

  Por tudo… Para tudo… Pelo tudo… 

 

     A primeira das Sete Palavras do Filho do Homem, em seus derradeiros instantes, segundo Lucas 23:33 e 34: “Pai, perdoai-lhes, pois eles não sabem o que fazem.” 

 

     Ah! E com a devida licença do Camarada, Companheiro e Confrade Lucas, é fundamental que se acrescente: … O que fazem, o que deixam de pensar, o que deixam de ler, o que deixam de aprender e o que deixam de entender… 

 

     Ah! E licença outra vez, Camarada, Companheiro e Confrade Lucas: O que veem, o que cheiram, o que degustam, o que ouvem e o que tocam. 

 

     Ah! Camarada, Companheiro e Confrade Lucas, sem querer ser irritante, mas estou sendo, licença para um derradeiro acréscimo: E o que eram e viveram, o que são e vivem e o que serão e viverão. 

 

     Ah! Pobres daqueles que não sabem o que estão fazendo! Infelizes daqueles das ideias e dos pensamentos monotemáticos. Integrantes de uma orquestra mambembe, tal e qual, de único tema musical. Sem o ecoar dos aplausos oriundos do Bravo! Bravíssimo! Porém, dialeticamente, com o ecoar dos desaplausos oriundos do Apupado! Apupadíssimo! Repertório sofrível despido da trilogia Melodia… Ritmo… Harmonia…  

 

     Porém, um fenômeno! Quem sabe? Provavelmente… Por acaso… Um esquema ou uma tática ou ainda um artifício desenvolvido pelo Tenebroso, O Tenebroso das Trevas! Tenebroso este useiro e vezeiro de artimanhas inimagináveis, conseguindo, ora e outra, burlar sacrossantos preceitos, normas, desígnios e leis do Pai.  

 

     Em sendo assim e assim sendo, aquela súcia se dividiu. Minoria e Maioria. Sem saberem o que estão fazendo. Estão fazendo sem saber. Será? E divididos naqueles dois grupos. Bisando, de um lado, a Minoria, do outro, a Maioria.

 

     Minoria Esperta, composta por pastores conduzindo a Maioria Estúpida de ovelhas tosquiadas, traficando ópio ungido e moído, dizimando e arruinando bolsos esgarçados e rasgados. 

 

     Maioria Imbecil, rebanho das ditas cujas ovelhas tosquiadas, cheirando, fungando e aspirando o ópio ungido e moído, tendo os bolsos dizimados e arruinados, esgarçados e rasgados. 

 

     À revelia, à margem, à rebeldia da verdade testemunhada pelo Companheiro, Camarada e Confrade Lucas, a grandeza e a verdade da Primeira Palavra do Filho do Homem, a Minoria Esperta e a Maioria Imbecil, Babaca, Idiota souberam, sim, se transformarem em Pastores e Ovelhas. E O Tenebroso gargalhando a mil e a mis gargalhares. 

 

     Encheram cantos, recantos e clausuras, nos quatro quadrantes da Terra, de Templos, Igrejas, Mosteiros, Basílicas e Abadias e o ópio, traficado pela Minoria Esperta, se fez Deus Eterno! E a narina inocente da Maioria Imbecil, Babaca, Idiota se fez Eterna Vítima!   

 

     E de fungada em fungada, de aspirada em aspirada, de cheirada em cheirada, as asperezas desta terrena vida foram esquecidas, sufocadas e adormecidas. E a Maioria Imbecil, Babaca, Idiota – Dizimada –, vagando em ilusório Mundo. 

 

     E de dizimada em dizimada, de dose em dose, de porção em porção, de ração em ração as benesses desta terrena vida foram compradas, obtidas, adquiridas. E a Minoria Esperta e Dizimadora, vagando em opulento Mundo, sob os olhares decepcionados do Companheiro, Camarada e Confrade Lucas. 

 

     E, nesta altura do campeonato, Lucas, pedindo o boné, tristeza profunda, sentimento de dor, amargura, desencanto e desesperança, questiona o Pai: Foi por isto, por tudo isto e para isto, Pai, o sacrifício de Seu Filho?

 

     Sem resposta do Pai, até o momento presente, o Companheiro, Camarada e Confrade Lucas, totalmente, completamente, inteiramente, mergulhado em profunda depressão, caminha pelos caminhos da vida, sem eira, nem beira, nem tribeira.

 

Francisco Simonini da Silva (Xico Simonini)  nasceu em Viçosa, MG, no dia 18 de novembro de 1941. Em sua cidade natal, em Belo Horizonte (MG), Florestal (MG), Pará de Minas (MG), Divinópolis (MG), Piracicaba (SP), Assis (SP), Primeiro de Maio (PR), Juiz de Fora (MG), Cataguases (MG), Ponte Nova (MG) e, recentemente em Santo Antônio de Pádua (RJ) construiu sua trajetória de professor e administrador do sistema educacional, além de marcante atuação na imprensa e na militância político-partidária. Aposentou-se como professor-adjunto na Universidade Federal de Viçosa (UFV), onde exercia suas funções no Departamento de Educação, do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes. Vem atuando, há mais de cinquenta anos, no sistema educacional público e privado (da educação infantil à pós-graduação), no ensino, pesquisa, extensão e administração. Por iniciativa individual ou coletiva participou da fundação de uma dezena e meia de escolas e cursos em todos os níveis. Sua trajetória é marcada por vigorosa atuação política, partidária e sindical e em campos diversos, como músico, desportista, comentarista esportivo, escritor, poeta, chargista e responsável pela publicação do semanário viçosense “Muzungu”.

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