Cultura

Filme brasileiro de diretor paranaense é promessa para 2022 | Valéria Navarro

Geralmente o trajeto para a realização de um filme percorre algum tempo entre a idealização e as filmagens, mas, em função da Pandemia de Covid-19, o longa-metragem “Dor, Fé e Andorinhas”, do diretor Muller Barone, está desenhando um outro caminho que lhe confere uma aura de brilhantismo apontando ao sucesso. “Os temas abordados inicialmente por mim e pela corroteirista, a jornalista Valéria Navarro, são cruciais para a realidade que vivemos no Brasil e no planeta. O que antes era uma ideia inicial de apostasia versus vocação foi se transformando em uma história muito maior, com personagens extremamente densos e temáticas que envolvem muitas reflexões. Hoje temos certeza de que a mesma transformação que nosso elenco passou na fase de preparação – que ainda está acontecendo, será extensiva ao público: não há como assistir “Dor, Fé e Andorinhas” e sair sendo a mesma pessoa”, garante e aposta o diretor brasileiro nascido na capital paranaense, Curitiba.

Escrito no primeiro semestre de 2021 e contando com reuniões virtuais e, recentemente presenciais, o filme tem o início das filmagens projetado para março de 2022 e possivelmente contará com a participação especial de um grande nome da arte brasileira. Entre os atores já escalados para os principais personagens estão: Juliana Tosin, Leonardo Goulart, Tomás Eon Barreiros e Natalie Fronzak. As locações, também já selecionadas, envolvem paisagens de duas cidades litorâneas, Morretes e Paranaguá; bem como a área de um assentamento do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra na Lapa – importante movimento social brasileiro que luta pela Reforma Agrária.

A história envolve a trajetória de uma menina de sete anos e sua mãe em uma pacata cidade do interior, onde recebem o apoio da comunidade e de dois religiosos. Na sequência dos acontecimentos essa trajetória é estremecida e muda o rumo de todos, sobretudo após a chegada de uma promotora que pretende investigar um suposto crime. Os ricos diálogos entre a promotora Valkíria (Juliana Tosin) e padre Antonio (Leonardo Goulart) são os pontos altos de reflexão do longa.

“Seguimos uma proposta um pouco diferenciada na elaboração do roteiro, fugindo um pouco da técnica milimétrica de pontos de virada, por exemplo, dando à narrativa uma roupagem de proximidade da vida para que o público se identifique mais com a história, perceba sua proximidade com os acontecimentos, as dores, as emoções, o viver de cada personagem, fazendo-os mais humanos e menos ficcionais”, afirmam os roteiristas. 

O diretor Muller Barone

Nas palavras da corroteirista Valéria Navarro, o diretor Muller Barone é o nome que reúne as qualidades necessárias para romper os monopólios culturais da capital paranaense e ganhar as telas brasileiras e mundiais. “Conheço o Barone há trinta anos e acompanhei a ousadia dele ao se aventurar do Direito, sua área de formação primeira, para sua grande paixão, o cinema. Seu conhecimento nessa área é realmente invejável e nessa sólida base ele faz percorrer sua criatividade, inquietações, questionamentos e utopias. É realmente um grande aprendizado para mim estar trabalhando ao lado dele nesse impressionante projeto e tenho certeza de que “Dor, Fé e Andorinhas” logrará tocar os corações e mentes”, afirmou a jornalista.

Müller Barone já dirigiu inúmeros curtas, com destaque para “Hoje Jesus Não Vem”, uma história perturbadora sobre o assassinato de crianças e adolescentes no Brasil, que esteve presente em diversos festivais pelo mundo, concorrendo nas categorias de Melhor Filme, Melhor Direção de Arte, Melhor Desenho de Som e Melhor Atriz.

Captação de recursos

Aqui os idealizadores do projeto resolveram ousar também. Certos de que a produção cinematográfica brasileira não visa o fator investimento, sobrevivendo com leis de incentivo estatal, os produtores pretendem buscar investidores privados, não mecenas ou apoiadores. “Queremos fazer arte e negócio; negócio com a arte”, afirma o diretor, endossado por um dos produtores executivos do projeto e pela roteirista e produtora Valéria Navarro.

“Os players do mercado e os agentes políticos ainda não perceberam o potencial social e econômico da indústria cinematográfica. Geração de empregos, lucros, renda, projeção cultural de marcas e nomes. É um mercado gigantesco e inexplorado”, acrescenta o diretor.

“Dor, Fé e Andorinhas” segue, pois, um caminho um pouco diferente do usual no cinema brasileiro, seja propondo a discussão de temas que têm pautado as sociedades em todo o globo, seja inovando em matéria de mercado.

 

Ficha Técnica

Direção: Muller Barone

Roteiro: Muller Barone e Valéria Navarro

Produção: Juliana Caimi e Manu Fuzaro

Direção de Arte: Surian Barone 

Edição: Raphael Bittencourt

Elenco já confirmado: Juliana Tosin, Leonardo Goulart, Tomás Eon Barreiros, Natalie Fronczak Janine Duarte, Sol do Rosário, Ronald Pinheiro, Paulo Matos, Reinaldi Rossato, Kauê Marquetti e Adaile Domingues.

 

Juliana Tosin por Müller Barone

 

Leonardo Goulart por Leonardo Goulart

 

Tomás Barreiros. Foto de Igor Arendt Ramos

 

Natalie Fronczak. Foto de Gabriel Santos

 

Müller Barone. Foto de Luiza Kons

Alexandra. Foto por Valéria Navarro

 

Alexandra. Fotos por Tomás Barreiros

 

Porto de Cima. Foto por Valéria Navarro

 

 

Valéria Navarro, Jornalista profissional diplomada, Mestre em Mídia & Conhecimento e palestrante na área de Comunicação Não Violenta. Autora de “Teorias da Comunicação e Comunicação Não Violenta” e “Mídias e Comunicação nos Direitos Humanos e Movimentos Sociais”, ambos pela Editora Contentus.

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