Cultura

A Ponte | Nahid Ensafpour

A Ponte

“para A”

Da outra margem do rio

veio um alto grito

confuso, desconhecido

como poderia eu ajudá-la

ninguém mais veio em seu socorro

mais alto e mais alto ainda chorou

até que uma força furiosa

tomou conta de mim

e eu cresci e cresci

muito além de mim

e estendi-me sobre o rio

para me tornar uma ponte

mas quando ela estava prestes a atravessar

Eu parti-me.

 

 

Nada é tão harmonioso como parece.

Com um sorriso suave

a vida abraça-me

paz e contentamento

esmagam-me

Fecho os olhos

e sinto mundo balancear-me

A felicidade planta um beijo

na minha fronte

e ouço

a música de ser

tudo é harmonia

que me envolve

Então, de repente

das profundezas do meu ser

vem um grito que me diz

nada é tão harmonioso

como parece.

 

 

Desespero

Desespero este momento congelado no tempo

segurando rápido com uma pega de ferro

naquele momento dominando

todo o nosso ser como se fosse para a eternidade.

 

 

Música

Música, que ressoa

funda dentro da nossa alma

leva-nos a outro mundo

Um mundo místico

que metamorfoseia

a verdadeira música do nosso ser

na melodia da linguagem

Como é adorável…

gentil e cativante

orquestrando suavemente

a melancolia da vida

A transitoriedade que nos transporta,

dança aos sons da música

moldando e imortalizando

a sombra da nossa vida

com a transformação do nosso ser.

 

 

Em ser humano

Eu flutuo no tempo e no espaço

para toda a eternidade sonhando

num momento fugaz

sobre como moldar

o que me tornei

esta vida humana na terra

com um hálito,

com a marca da minha vida.

 

 

Liberdade

Como uma lagarta derramando a sua pele na

sua terna metamorfose para uma borboleta

assim sou eu perpetuamente derramando a minha pele

cada vez com medo de que vou perder-me

Ainda assim, sempre

encontro o meu caminho para a liberdade.

 

 

Sabias que?

Sabias que

há uma cor

mais negra que o negro?

Sabias que o branco

não é tão branco e puro

como acreditamos?

Sabias que a beleza

é apenas uma falsa máscara?

Sabias que as mentiras

veem em cores bonitas?

Sabias que as palavras

perderam o seu significado?

Sabia que?

algumas pessoas se tornaram

o diabo encarnado?

Sabias que?

 

 

Escrito por Nahid Ensafpour, traduzido do alemão para o inglês por Marion Godfrey.

Tradução para o português por Henrique Dória

 

 

Nahid Ensafpour nasceu em Teerão e vive na Alemanha, desde 1985. Ao chegar à Alemanha, Nahid ficou impressionado com a estreita ligação entre Goethe e a poesia persa, em particular, com a obra do poeta Hafez, que é especialmente evidente como inspiração para a West-Eastern Divan de Goethe, uma coleção lírica de cerca de 235 poemas. Motivada pelo desejo de contar aos outros as suas experiências e história, a própria Nahid começou a escrever poesia.

Aos 18 anos, teve uma educação em canto persa clássico. Em 1991,  licenciou-se pela na Universidade de Munique, tendo obtido o certificado oficial de língua alemã das Autoridades de Educação Alemãs e do Ministério das Relações Exteriores. Em abril de 2015, completou os seus estudos por correspondência na Cornelia Goethe Academy, Frankfurt/Main, com uma licenciatura em Escrita Criativa.

Atualmente estuda Nova Literatura e Filosofia Alemã na Universidade de Hagen, à distância.

Nahid é membro da Associação de Escritores Mundiais “Liceo Poetico de Benidorm” e da Associação Schiller, de Leipzig, e da Sociedade Goethe, em Colônia.

Escreve poesia e prosa, e traduz poesia. A sua poesia foi publicada em inúmeras antologias alemãs e internacionais. Muitos dos seus poemas foram traduzidos para vários idiomas.

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