ANO 9 Edição 97 - Outubro 2020 INÍCIO contactos

Henrique Dória


EDITORIAL: PRÉMIOS NOBEL    

O prémio Nobel da Literatura, recentemente atribuído à poetisa americana Louise Gluck, mais uma vez mostrou o tráfico de influências que existe no comité que o atribui. Sem querer retirar o mérito como poeta a Louise Gluck, a verdade é que, poetas que mereciam o Nobel antes dela há vários. Poderia citar os espanhóis António Gamoneda ou Maria Victoria Atencia, ou, até, da brasileira Adélia Prado. Mas a maior injustiça foi o ter sido preterido o grande poeta sírio ADONIS, que, ao longo de vários anos, tem sido indicado como candidato ao Nobel da Literatura e frequentemente apontado como favorito. Adonis renovou totalmente a linguagem da poesia árabe, e a sua obra é incomparavelmente superior à de Louise Gluck, e muito mais à do também nobelizado Bob Dylan.  Foi Prémio Goethe. Só o receio de desagradar ao fanatismo muçulmano ou, em particular, ao criminoso poder instalado na Arábia Saudita, justifica esta injustiça. Porque, além de uma poesia divinamente bela, ADONIS é autor de obras de combate ao islamismo, que considera o responsável pelo atraso e miséria dos países que professam a religião muçulmana. Ainda recentemente escreveu uma carta ao ditador sírio Bashar al- Assad onde afirmava:
"Não podemos defender o regime que está no poder. Não podemos defender nenhum regime árabe. É preciso que todos os regimes mudem. É preciso perguntar: ‘Porquê isto? O que estão a fazer?' E já o disse, mas volto a repetir: se a mudança não for uma mudança na sociedade, se não houver uma separação total entre a religião e a sociedade e se a mulher continuar prisioneira da Sharia, a mudança do regime não significa nada. Pelo menos para mim. É como alguém que tenta substituir um fascista militar por um fascista religioso."
O grupo  que escolhe o Nobel da Literatura, além de corrupção já assinalada por motivos sexuais, mostra também até que ponto é manobrável pelos interesses políticos americanos ao premiar Louise Gluck e Bob Dylan, bem como a irrelevante bielorussa Svetlana Alexijevich, como já premiara os franceses Sully Prudhome e Fédéric Mistral ( quem os lê, ou sequer conhece os seus nomes, hoje?), em vez de Tolstoy ou Ibsen.
Mas não só na literatura se tem mostrado o tráfico de influências na atribuição do Nobel. O Nobel da Paz é, também, um exemplo claro da atribuição frequente do Nobel por motivos políticos, com clara influência americana. Os exemplos mais flagrantes são os de Henry Kissinger, um belicista notório, responsável por massacres em Timor, Chile, Camboja e Uruguai, nomeadamente, e o de Barack Obama, responsável pelo prolongamento da guerra no Iraque e pela guerra civil e invasão da Síria, que levou a destruição deste país.

Mas não devemos admirar-nos: além de ser  dirigido por conservadores, o Prémio Nobel, foi instituído pelo inventor da dinamite.

 

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Revista InComunidade, Edição de Outubo de 2020


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