ANO 9 Edição 97 - Outubro 2020 INÍCIO contactos

Deusa d’África


Contos    

Segundas Intenções

 

Mala cheia de sangue é puxada num aeroporto internacional, adentro fora feita com mortes encomendadas que encheram de lucro ao patronato e ao serviçal, trabalho que é bom por obséquio de uns lançam-se vagas nas indústrias de processamento da morte, assegurados os trabalhadores, mesmo que matem e sejam flagrados a lei pode ser alterada, ah, não há norma sem excepção na minha terra. Mata o morto que se vitimara pela aparição a um momento importuno a que devia ter consultado aos deuses da vida a sua chegada a um mundo de outrem para viver incessantemente.

Jogos de azar vendem sorte, que dinheiro é esse que enche a boca de sorrisos e é branco como o esmalte que cobre a dentadura, um sorriso que cheira a dinheiro tem que ser feito a ângulo obtuso sem mensurar a forma como se tonifica o sorriso em boca que sorri porque ama o cálice da morte bebida de dia numa mesa de bilhares.

 

 

 

 

 

 

Um sorriso incendiou a cidade

Estava enlutada a noite que não ousara sair de seus aposentos, prantos e prantos prontos em seus filhos como a neblina e frio, um homem chamado coragem sentou-se à mesa do finado. O homem grotesco irrompeu a madrugada rasgando a página da noite com as mãos da boca que desataram a sorrir incendiando a cidade que andava às escuras já há tempo.

 

 

 

 

 

 

Manhas das Manhãs

 

São doces embora tristonhas as manhãs do Índico, quando uma criança põe-se aos prantos enchendo o oceano de água.

São salgadas as manhãs do Índico, quando um homem viril põe-se a urinar sobre os mangais e as águas destruindo o panorama dos navios e avios submarinos.

São corrompidos os ouvidos do mar quando um viaduto dentro da cidade, desgovernado, atravessa os braços do mar.

Deusa d´Africa

 

 

Deusa d’África nasceu aos 05 de Julho de 1988 em Moçambique, é mestre em Contabilidade e Auditoria e actualmente é professora na Universidade Pedagógica e na Universidade Politécnica. É Gestora Financeira do Projecto Global Fund – Malária. Começou a escrever poesia em 1999. A autora é representada pela agência literária “Capítulo Oriental”. Possui várias obras (prosa e poesia) publicadas na imprensa como é o caso de "Jornal Notícias”, “O País”, “Pirâmide”, “Diário de Moçambique”, em revistas tais como “Xitende” e “Varal do Brasil”, foi antologiada pela “Colectânea Veríssimos” editada em 2012 por Alpas XXI, Antologia Brasileira “Mil Poemas para Gonçalves Dias” em 2013, pela Academia de Letras e Artes Luso – Suíça “Caravelas em Viagem” em 2016.

Viu alguns dos seus trabalhos traduzidos para sueco. É Coordenadora Geral da Associação Cultural Xitende, é palestrante, activista cultural, promotora do direito à leitura e mentora do projecto Círculo de leitores. É colunista do Jornal “Correio da Palavra”.

 
É autora de obras como “A Voz das Minhas Entranhas” (poesia) editado pelo Fundac em 2014, o romance “Equidade no Reino Celestial” e “Ao Encontro da Vida ou da Morte” (poesia) pela Editora de letras de Angola em 2016. Coordenou a Antologia poética “Vozes do Hiterland” publicando escritores de Gaza e Niassa, editada pela Editora de Letras de Angola em 2016. Em 2016 foi Coordenadora para Moçambique da Antologia editada em Galiza “Galiza-Moçambique: Numa Linguagem e Numa Sinfonia” sob coordenação geral do escritor José Estevez publicando escritores de Moçambique e Galiza.

Foi distinguida pelo Governo Provincial de Gaza como Personalidade do ano 2016 em reconhecimento do seu patriotismo e pela sua contribuição no desenvolvimento e promoção das artes e cultura. Foi premiada como vencedora absoluta na modalidade de poesia e foi vencedora do segundo lugar em contos nos Concursos Literários Internacionais lançados na República Federativa do Brasil por Alpas XXI em 2012. Em Março de 2017 representou Moçambique no Festival Literário de Macau. Em 2018 foi antologiada pelo Festival Literário de Macau “Seis em ponto, contos e outros escritos VI”, traduzido em inglês “Six on the dot, short stories and other writings VI” e depois traduzido em chinês. Ainda em 2017 foi antologiada em “À Margem da Literatura” pela UCCLA. Foi antologiada em Macau no “Rio das Pérolas” livro de poesia em 2019.

Em Julho de 2019 participou no Festival Internacional Poetas d´Alma em Maputo.

 

Participou no primeiro encontro realizado em África e em Moçambique, de Poetas del Mundo em Outubro de 2019, como Embaixadora do Movimento Poetas del Mundo para Gaza.

Foi antologiada em Macau no “Rio das Pérolas” livro de poesia em 2020.

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Revista InComunidade, Edição de Outubo de 2020


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Foto de capa:

EDVARD MUNCH, 'Perto do leito da morte (febre)', 1915.


Paginação:

Nuno Baptista


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