ANO 9 Edição 96 - Setembro 2020 INÍCIO contactos

Álvaro Alves de Faria


Lygia Fagundes Telles, a dignidade da palavra    

 

Numa pequena entrevista publicada em livro (Rocco, Rio de Janeiro, 2007), Clarice Lispector perguntou o seguinte para Lygia Fagundes Telles:

         -Como nasce o conto? E o romance?  Qual é a raiz do texto?

         Lygia respondeu assim:

         -Algumas imagens podem nascer de uma simples imagem. Ou de uma frase que se ouve por acaso. Um sonho. Uma tentativa vã de explicar o inexplicável, de esclarecer o que não pode ser esclarecido no ato de criação. Tudo é sombras e mistério. O artista é um visionário. Um vidente que passa livre no tempo que ele percorre de alto a baixo no seu trapézio voador que avança e recua no espaço: tanta luta, tanto empenho que não exclui a disciplina. Vontade de ser amado. De permanecer. Nesse jogo ele acaba por arriscar tudo. Vale o risco? Vale, se a vocação for cumprida com amor. É preciso se apaixonar pelo ofício, ser feliz nesse ofício. Se em outros aspectos as coisas falham (tantas falhas) que ao menos fique a alegria de criar.

                 Essa pequena entrevista foi feita quando Clarice Lispector não era ainda a Clarice Lispector que hoje conhecemos. Tantos anos depois as palavras continuam iguais, em outros tons, mas iguais. Revelam a coerência em tudo que Lygia fez na vida de escritora consciente de seu ofício de escrever. Uma mulher que percorreu todos os caminhos da escrita, como se cavoucasse as palavras em busca de uma perfeição que nunca a deixava satisfeita. Quem conviveu com ela, como eu, sabe dessa preocupação com o texto. A cada prova de uma nova edição de um livro, ela passava dias fazendo alterações, mudando palavras, excluindo até parágrafos inteiros e, muitas vezes, até excluindo sua obra, como se nunca tivesse existido, como fez com os primeiros livros, a que chama de “ginasianos” e que, portanto, não merecem consideração.

         Não se sabe se Lygia está realmente feliz com a reunião de seus contos, num belo volume de 754 páginas, publicado pela Cia. das Letras, com um posfácio competente de Walnice Nogueira Galvão. Prefere não dizer nada sobre o livro àqueles com que ainda conversa, apenas algumas frases curtas que, no fundo, resumem tudo:

         -Poeta, segurar um livro assim é como ter a vida inteira nas mãos.

           A frase de algumas palavras é dita em voz baixa. Lygia sente mais do que nunca o peso das coisas, de todas as coisas, de tudo que a cerca e, ao mesmo tempo, é alguma coisa que a sufoca. Os contos reunidos revelam uma vida, sim. Uma vida inteira de uma mulher escritora que batalhou sempre pela qualidade literária em tudo que fez e ainda pensa fazer.

            -A vida inteira nas mãos...

 

            Lygia Fagundes Telles, 97 anos, nasceu em São Paulo em 19 de abril de 1923. Membro da Academia Brasileira de Letras, eleita em 24 de outubro de 1985. Prêmio Camões de 2005. Passou grande parte de sua juventude em cidades do interior paulista. Não gosta de ser chamada de a dama da literatura brasileira. Não gosta que digam que ela é a maior escritora brasileira viva. Nada disso lhe interessa. Mas viu com algum entusiasmo a reunião de todos seus contos no livro publicado pela Cia. da Letras. “Os Contos” tem 754 páginas de encantamentos, contos que se tornaram famosos e necessitavam, mesmo, ser reunidos num único volume.

         A ensaísta e séria crítica literária brasileira Walnice Nogueira Galvão observa, no posfácio que assina, ser difícil ler Lygia Fagundes Telles sem visualizar uma mulher. Uma impressão, certamente induzida por uma narradora sub-reptícia, suja voz mal se distingue no texto fortemente entretecido de cortes, eclipses, interrogações, dúvidas, com mudanças bruscas do interlocutor, o que acontece mesmo no meio de uma frase.

         Walnice tem razão em tudo que escreveu no livro de Lygia - contos com muitos personagens mulheres -  porque vai fundo nesse universo feminino, descobrindo nuances que não estão a olho nu, não de maneira clara, mas nas entrelinhas, naquele espaço que, muitas vezes, o leitor passa por cima sem notar:

         -Nesse confinamento as mulheres voltaram-se para dentro de si mesmas, com uma percepção de espaço vendo com maior acuidade tudo ao seu redor, especialmente os laços humanos, bem como a clarividência sobre sua própria psiquê, tornando-se dados à introspecção.

          Walnice chama a atenção para a elegância de “uma escrita quase minimalista” de uma mulher que escreve como mulher tendo como personagens figuras femininas de todos os tipos e são essas mulheres que sempre falaram por ela mesma. O que tinha a dizer, suas personagens diziam. E isso começou a acontecer na sua narrativa quando as mulheres tinham seus direitos cerceados. Eram seres que iam para a igreja e da igreja para casa. E só. Mas a literatura de Lygia, com suas personagens, se insurgiu contra esse cenário que durou muito tempo. As figuras femininas começaram a falar o que sentiam e chamou a atenção de uma crítica especialmente masculina.

            Lygia não pode falar muito. Seus 96 anos pesam. Não fala muito. Quase monossilábica. Recebe ainda um grupo bastante pequeno de pessoas amigas. Reserva-se a frases curtas como respostas que, muitas vezes, referem-se a lembranças de um tempo vivo em sua memória que consulta às vezes sem querer, porque muitas cenas já passadas há tantos anos saltam de si mesma e se mostram inteiras, algo que não se alcança mais, mas que vive ainda no pensamento:

         -A literatura da mulher é diferente da do homem!

         -Por que, Lygia?

         -A mulher é mais intuitiva. A mulher é uma vidente!

          Depois de um longo silêncio, o olhar atento na sala, Lygia guarda um pequeno sorriso na boca. Hoje não usa mais aquele batom vermelho que acentuava a beleza de seu rosto, uma bela mulher que sempre chamou a atenção por sua beleza, desde quando estudou na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, quando conheceu seu professor Goffredo da Silva Telles Jr., com quem se casou em 1950. Mesmo casada, decidiu fazer a Faculdade de Educação Física e Esporte. O casamento com Goffredo durou dez anos. Em 1963, casou-se pela segunda vez com Paulo Emílio Sales Gomes e com ele viveu até 1977, quando faleceu. Dois nomes notórios na história recente brasileira repleta de contradições e desencantos. Duas vozes que eram ouvidas em tempos obscuros.

         A importância da mulher na sociedade foi tema de muitas palestras que fez e nos livros que escreveu. Muitas vezes repetiu que Jesus, o maior de todos os homens, tinha dedicação especial pelas mulheres. Tanto que sempre esteve rodeado por elas. E quando ressuscitou, apareceu primeiro para duas mulheres, Maria Madalena e a seguir Maria, de acordo com o Evangelho de São Mateus.

         Sou capaz de dizer que sinto uma certa tristeza no semblante de Lygia Fagundes Telles. Não me atrevo a lhe perguntar, seria como querer entrar num universo que não me pertence. Os caminhos foram tantos ao longo destes anos todos que um dia de juntam. Publicou o seu primeiro livro “Porão e sobrado” em 1938, custeado por seu pai. Tinha 15 anos de idade. De lá para cá passou por vários movimentos literários pelos quais não foi contagiada, como afirma. Preferiu seguir sendo ela mesma. Foi a terceira mulher eleita para a Academia Brasileira de Letras e a única brasileira indicada pela União Brasileira de Escritores para o Nobel de Literatura, em 2016. Lygia renegou esse primeiro livro e alguns outros que vieram a seguir. E os que conservou passaram por alterações que não terminavam nunca. Um dia, estando no apartamento dela, na rua da Consolação, em São Paulo, cheguei a lhe dizer em forma de pergunta:

         -Lygia, por que você muda tanto o texto a cada edição de seus livros? Você não para de alterar. Por que?

         -É preciso poeta, a gente tem de mudar sempre. À medida que o tempo passa o texto passa também. Nunca vou deixar de alterar.

 

           E assim foi sempre. Muitas vezes, para mudar uma única palavra, pensava horas seguidas. E sentia a mesma sensação de quando escrevia romance ou conto. Oitenta anos de literatura. Ao todo, são 19 livros de contos e quatro romances. Lygia acha que os jovens escritores de hoje são muito ansiosos para aparecer. E fazem de tudo. A ansiedade num jovem escritor é um perigo. Pode acabar com tudo. Lygia nunca pensou em escrever suas memórias. Seus personagens falam por ela. Também nunca escreveu diários, por uma razão bastante simples: acabaria por inventar tudo. Transformaria toda a realidade em ficção.

         -A literatura me ajudou a não enlouquecer. Salvou-me do desespero. Ao escrever fico em estado de plena paz.

         Afirma, com seus 96 anos, que escrever é um mistério, um grande mistério. A natureza humana é angústia e raiva também. Garante que criar personagens é alguma coisa mediúnica que a ciência não sabe explicar. Os personagens têm alma. Lygia gosta de lembrar o pensador italiano Norberto Bobbio (1909-2004), para quem a revolução da mulher foi a mais importante do século 20. Aquela “rainha do lar” tomou conta de quase tudo, das fábricas, das universidades, do jornalismo, passando, também, a participar ativamente da vida cultural e das artes, quase tudo que pertencia somente aos homens. A mulher conquistou sua liberdade e tudo se transformou rapidamente.

         Na entrevista que fez com Lygia décadas atrás, Clarice Lispector iniciou fazendo uma rápida apresentação, dizendo que Lygia é um best-seller no melhor sentido da palavra. Seus livros são comprados por todo mundo. O jeito que ela escreve é genuíno, pois revela seu modo de agir na vida. “O estilo e Lygia é muito sensível. Uma sensibilidade que capta seus enredos no ar, muito femininos e cheios de delicadeza”.

         Lygia comentou:

         -A arte é uma busca e a marca constante da busca é a insatisfação. Na hora em que o artista botar a coroa de louros na cabeça e disser que está satisfeito, nessa mesma hora ele morre como artista. Ou já estava morto.

         A coletânea ”Os Contos” de Lygia Fagundes Telles na verdade representa um verdadeiro documento histórico e literário escrito por uma grande escritora brasileira que trabalhou arduamente a vida inteira para deixar uma obra consistente nestes tempos brasileiros de tantos equívocos. Não é assim. A Literatura é um caminho difícil de percorrer. É preciso persistir sempre, garimpando as palavras para transformá-las em literatura que retrate um tempo, uma época. Os contos reunidos de Lygia descrevem todos os sentidos da vida do homem, suas angústias, perdas, solidão, desesperos, a falta de rumos, o desencanto, o amor, o desamor, o esquecimento, a vida, a morte, os ferimentos. 

         O volume reúne contos de todos os livros da autora no gênero, como “Porão e Sobrado” (1938). “Praia Viva” (1944), “O Cacto Vermelho” (1949), “Histórias do Desencontro” (1949), “O Jardim  Selvagem” (1965), “Antes do Baile Verde” (1970), “Seminário dos Ratos” (1977), “Filhos Pródigos” (1978), reeditado em 1991como “A Estrutura da Bolha de Sabão”, “A Disciplina do amor” (1980), “Mistérios” (1981), “Venha ver o pôr do sol e outros contos” (1987), “A Noite escura mais Eu” (1995) e “Oito Contos de Amor” (1996). 

         Com razão, Walnice Nogueira Galvão observa que ao mesmo tempo que cativa, a literatura de Lygia Fagundes Telles desnorteia o leitor. Há mulheres personagens com olhar inclemente e impiedoso, mas não isento de compaixão, sem que essa compaixão consiga turvar a lucidez. Nada de sentimental, essa mulher é dura e sagaz nos seus diagnósticos: “Senhora de seu ofício nos conta que podemos chamar de realistas, nos quais não há o que objetar em questão de fidelidade. Lygia nos dá exemplares muito bem realizados do conto fantástico”.

         O texto corre normalmente, mas, de repente, o fantástico explode tudo, deixando os fragmentos de uma prosa mágica com enredo que explica a vida do homem. Cuidadosa com o zelo por sua literatura, Lygia sempre percorreu os caminhos mais difíceis. Uma busca constante, que não para nunca. Avança sobre ela mesma a conduzir uma narrativa das melhores produzidas pela literatura do Brasil. Walnice Nogueira Galvão acentua que um dos grandes achados de Lygia é uma imagem que estrutura internamente seus contos: “Essa imagem é um concentrado ou condensado de sentido, uma síntese extremada de tudo que conta ou insinua. De tal modo que, quando aparece, traz consigo um senso de revelação, iluminando em rastilho toda a narrativa”.

           A esta altura da vida, Lygia não tem mais a desenvoltura física de se expor. Não está isolada de tudo. Não. Mas são poucas as pessoas que conseguem falar com ela. Poucas. E de uma conversa amiga vai-se separando o que pensa da vida e da literatura, sempre a literatura no fundo de sua vida. Ensina ser preciso ter esperança sempre. Um escritor sem esperança representa uma grande contradição. Lygia é espiritualista. Não é com todos que fala sobre esse assunto. Será preciso ganhar sua confiança. Para ela, a alma permanece. Não sabe onde, mas permanece.

         -Não acho que tudo termina com a morte. Acho até que muitos amigos que já morreram vêm nos visitar.

         Creio que cabem aqui alguns trechos de longa entrevista que fiz com Lygia para meu livro “Palavra de Mulher” (Editora Senac, SP, 2003) até para que mostrem a coerência dessa mulher dona de uma literatura que nunca se rendeu às facilidades, procurando, sempre, revelar o que poucos conseguem ver.

         Seguem esses trechos:

           Ah!, a necessidade de mudar as frases, as palavras. Sempre foi assim em relação à sua obra. A cada reedição de seus livros as alterações são inevitáveis. Lygia se diz uma escritora inconformada e insatisfeita. Até gostaria de ser um daqueles escritores que permanecem no alto de sua montanha contemplando a própria beleza. Mas não. Não será. Sempre terá a necessidade de buscar o inatingível. Sempre desejará a perfeição. É uma exigência que se impõe. Por esse motivo já matou seus primeiros livros. Não existem mais. Desapareceram de sua cabeça. Desapareceram de sua alma. Eram livros sem alma. Agora é diferente. Agora tem de buscar sempre. Sempre. Sempre. Quer falar como falam os jogadores de futebol, depois de uma partida:

         -Dei tudo de mim!

         Quer falar assim, com um ponto de exclamação. Lygia chama essa inquietação de “inspiração”. É um momento de desespero, de alegria e tristeza:

         -Nesse momento se juntam os anjos e os demônios. É a hora da paixão. É assim que escrevo. Depois vem a calma. Então eu corto, acrescento, rasgo, esqueço. É a hora do artesanato, na qual me torno minha pior inimiga.

            Percebe, então, como não é nada generosa consigo mesma. Nem afetuosa. É para si mesma uma pessoa estranha. Não se contempla, não se dá perdão, não se aceita. É o instante da autoflagelação:

         -Tenho vocação para santo. Eu me chicoteio até cair. Mas esse é também o momento de celebração, porque estou percorrendo minha literatura com minhas ferramentas para que me conheçam melhor. Essa é a recompensa. Lygia costuma chorar ao ver, por exemplo, as legiões de crianças abandonadas à própria sorte. O Brasil tem acenos de primeiro mundo de seus mandatários, mas caminha para o quarto mundo, um estado de plena miséria. Essa pobreza contaminou quase tudo. Cita a televisão, essa fábrica de boçalidades.
        
         Lygia confessa ter paixão pelos poetas e pela poesia:

         -Todos meus grandes amigos são poetas. Sempre convivi com poetas. Sempre dividi minha vida com poetas. Não sei como me transformei em prosadora. Fico muito feliz quando alguém diz que minha prosa é poética.

         Lygia Fagundes Telles tem em Deus o seu refúgio. Tem paixão por Deus. Recorre a ele nos momentos aflitos. Esse é seu lado espiritual. Uma face intensa. Que lhe dá alegria. Essa paixão por Deus se estende a Jesus, por tudo que ele fez na sua vida de 33 anos. Como homem e como filho de Deus. E Jesus é importante para o planeta enfermo, que cada vez mais necessita de luz. Um planeta que se destrói, que vai se exaurindo. Ela recorre a essa luz que é Jesus para se iluminar. E se ilumina. Consegue, então, pairar sobre a grande escuridão que é a natureza humana. Esse escuro da vida que precisa clarear, escrevendo sempre entre os caminhos secretos e dos descaminhos do homem. Sempre com o pensamento de ajudar o próximo. Sempre, de alguma maneira, cultivando a solidariedade entre as pessoas. De alguma maneira, é preciso saber-se útil.

         -Nada é em vão, embora tudo pareça provisório. Mas não é. Nunca será. Por isso sempre preciso seguir em frente. Será sempre preciso subsistir. Sempre será preciso.

         Quando se olha no espelho, Lygia não se diz nada. Apenas se observa, percorre seu próprio rosto com o olhar possível, a medir  distâncias, ausências, histórias, angústias, silêncios. As pessoas que partiram para sempre, mas permanecem. Estão presentes, como se nunca tivessem partido. Ela se olha no espelho e pensa ser preciso sempre se olhar com dignidade:

         -Minha face no espelho nem me alegra nem me entristece. Meu rosto é como uma máscara que uso, que preciso usar. Talvez seja até cômodo usá-la. Uma máscara contornável. Suponho que seja agradável.

          Assim falou Lygia, para o livro de entrevistas “Palavra de Mulher”, publicado por mim em 2003. A mesma palavra. A coerência. As palavras em chama. Hoje vejo Lygia quieta em sua poltrona. Os olhos continuam meigos. As mãos delicadas. As palavras faladas agora vagarosamente. Sílaba por sílaba. Mesmo a esta altura da vida, Lygia vê o leitor como um cúmplice nas suas histórias. A palavra ajuda a pensar melhor na vida. A velhice complica, torna tudo mais difícil. Na juventude, a gente se atira pela janela e sai voando. Já na velhice, sente-se medo.

         Lygia lembra Einstein, para quem, como dizia, por trás da vida existe algo inexplicável. Para ela, trata-se da alma. Pouco se aproximou dos computadores. Gosta mesmo é do barulho da datilografia, o barulho de sua velha “Olivetti”. Não gosta de comentar sua idade. Tudo agora é passado. Mas continua a pensar como sempre pensou. Por exemplo: vê três espécies em extinção: o índio, as árvores e o escritor. No entanto, observa que sempre reagiu, porque aprendeu a trabalhar com esperança no coração. Mesmo assim, às vezes ri de si mesma. Do signo Áries, afirma receber energia do sol, o que significa receber energia de Deus. E Deus é sua grande paixão, uma paixão que sempre cultivou. Hoje está tudo longe. Uma paisagem distante de quase tudo. Acha que agora vivemos um tempo de vulgaridades. E nessa vulgaridade, infelizmente, de alguma maneira, está na figura da mulher que se expõe de toda maneira, em busca de fama, uma exposição que cresce cada vez mais nos meios de comunicação. A mulher que não se respeita como mulher. Resume tudo numa única frase de algumas palavras:

         -Poeta, é um tempo de toda vulgaridade. Eu sinto vergonha.

 

 

Álvaro Alves de Faria, jornalista, poeta e escritor – São Paulo / Brasil

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Revista InComunidade, Edição de Setembro de 2020


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