ANO 9 Edição 96 - Setembro 2020 INÍCIO contactos

Caio Junqueira Maciel


Algumas notas sobre a Menina de Lá    

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         Nosso intento é abordar a narrativa “A menina de lá”, que integra o livro de contos Primeiras estórias, de João Guimarães Rosa. Esse livro foi publicado em 1962, apresentando 21 narrativas, que já tinham sido publicadas entre 1960-61 na revista Senhor e no jornal O Globo. Reunidas em livro, as estórias compõem um todo harmonioso, obedecendo à profunda coesão interna estabelecida pelo autor, que jamais improvisava: em Guimarães Rosa, tudo é estudado, tudo é minuciosamente arquitetado, obtendo um resultado em que razão, emoção, mistério e elaboração artística se fundem na alquimia verbal.

         A obra de Guimarães Rosa é de ambientação interiorana, sertaneja, porém ultrapassa o caráter regional, universalizando sua temática. O autor incorpora em seus textos elementos filosóficos, esotéricos, psicanalíticos, míticos e místicos. Esse autor é tido como escritor difícil, complexo. Tal complexidade, no dizer de um crítico, reside na abundância de elementos alegóricos, na simbologia densa e no caráter polissêmico da linguagem e das personagens. É com espanto e deslumbramento que se encara a sua obra: Rosa é assim, mistério maior de Minas, poeta da prosa, filósofo do sertão, que nos ensina a tão ser. Sagaz aranha, sagaranha, a tecer fios de estórias. Envereda pelas verdades encobertas, colhe o universo em nonadas e tutameias. Suas estórias são  lições de atordoamento, fábulas ou fragmentos de um milagre maior. A eternidade cabendo num minuto. Um rio tendo três margens. Uma vaca Vitória, em seus passos, levando-nos para o exato lugar de o coração estar. Rosa, criador da Menina de Lá, Nhinhinha, gota de poesia, nenhum, nenhuma outra pessoa há de poder resumir o que ele proseou. O que ele pôs entre as margens da alegria, elaborando benfazeja literatura.

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         Este termo, “estória”, foi introduzido por Guimarães Rosa em nossa literatura, impregnando-o de uma aura mágica, num “halo de maravilhosa ingenuidade”. As narrativas não são “primeiras” no sentido cronológico: remetem à ideia de primordialidade e não de anterioridade. Elas são verdadeiras iniciações que pontuarão o perfil psicológico das personagens. A noção de primordialidade tanto pode estar na figura de uma criança, como a protagonista de “A menina de lá”, ou como numa velha, como Nenha, de “Nenhum, nenhuma”. Aliás, há uma similaridade linguística entre o apelido Nhinhinha e Nenha, essa personagem que é caracterizada como uma velha, uma velhinha-de-história, de estória-velhíssima, a inacreditável. O crítico Paulo Rónai vê aí uma passagem metalingüística em que se pode aproximar o termo estória daquilo que é antigo e inacreditável. Ou, retirando expressões do texto “O espelho”, nas primeiras estórias o narrador põe os bois atrás do carro e os chifres depois dos bois, pois tais narrativas são sucessos muito de ordem íntima, de caráter assaz esquisito. Em seu livro póstumo, Tutaméia, Guimarães Rosa conceitua o “gênero” estória: “A estória não quer ser história. A estória, em rigor, deve ser contra a História. A estória, às vezes, quer-se parecida com a anedota.”

         As estórias são diversificadas: podem ser lidas como anedotas, ensaios, pequenas tragédias, poemas em prosa, contos, estudos. Melhor que sejam lidas como perplexidades e buscas. As personagens outsiders, seres de exceção: alguns, pela faixa etária (infância ou senilidade), ou por atitudes inéditas, transgressões às regras sociais, anormalidade físico-psíquica, ignorantes ou a exibirem oscilação entre “loucura essencial e loucura aparente”, como anotou Lenira Marques Cavizzi. Segundo Rónai, esses protagonistas “são videntes entregues a uma ideia fixa, obnubilados por uma paixão, intocados pela civilização, guiados pelo instinto, inadaptados ou ainda não integrados na sociedade ou rejeitados por ela.” Assim, em vez do raciocínio lógico, elas se guiam pelo saber intuitivo, pelo irracionalismo, pela percepção poética das coisas primitivas. São criaturas que perambulam num mundo rústico, sertanejo, arcaico. Taciturnas, imprevisíveis, “vivem do ensimesmamento ao isolamento, deste à mania. Um dia surpreendem a família com o estouro de sua demência”, observa Rónai. As personagens vêm das fazendas, das roças e arraiais – lugares em que  faltam os mínimos recursos de organização social. Velhas, moços, crianças, loucos que se irmanam liberando a imaginação. adotando paradoxalmente soluções de bom senso que a débil razão não tem coragem de executar.

         Os textos são curtos, mas a brevidade não elimina a complexidade, que se acentua em estórias que são parecidas com ensaios de natureza estética ou científica, já que o narrador se adentra em profundas reflexões sobre a alma humana. Em relação às obras anteriores, neste livro há menos palavras de procedência regionalista, mas o mesmo tratamento artístico dispensado ao material linguístico usado é observado. Nessas estórias, as criaturas questionam a linguagem cotidiana e instauram a poesia, que brota através do inusitado. Os adultos costumam captar apenas o valor material das coisas, mas a criança, vivendo entre as margens da alegria e os cimos da natureza, vislumbra o valor do mundo através da beleza, esteja ela num peru ou nos vagalumes.

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         A estrutura da obra apresenta circularidade, na medida em que o livro começa e termina com estórias de viagem a uma cidade em construção, provavelmente Brasília,  envolvendo a mesma personagem: o Menino. Assim, temos no início e no fim da obra uma criança como personagem, e, na quarta narrativa, “A menina de lá”, também uma criança será enfatizada, como em outros contos, como em “Pirlimpsiquice”  e “Partida do audaz navegante”. Interessante assinalar que a narrativa “O espelho” ocupa exatamente o centro da obra.

         Como também em “A menina de lá” há uma base mística, é preciso assinalar algumas considerações feitas pela ensaísta Heloísa Vilhena de Araújo, que vai buscar na Bíblia uma epígrafe que concentra a temática de estórias de Rosa: “Quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança; uma vez homem feito, fiz desaparecer o que era da criança. Hoje, na verdade, vemos num espelho, de uma maneira confusa, mas então será face a face; mas então conhecerei como sou conhecido.” (I Coríntios, XIII, 11-12). Para Heloísa Vilhena, a narrativa de “O espelho” pode ser resumida com o seguinte postulado: somos feitos à imagem de Deus, logo devemos nos conhecer, assim conheceremos Deus. Fugindo da dimensão épica, da aventura, essa estória roseana é mais uma digressão ou especulação (o termo deriva do latim speculum, de onde também se originou o termo espelho). O narrador, sem nome, dirigindo-se a um “senhor”, fala de sua experiência: olhar no espelho. De início, viu-se como animal, uma onça. Na ocasião, era jovem, vaidoso. Depois, buscou suprimir os traços de hereditariedade e as marcas da contingência, da paixão. Depois, não vê mais nada, só o campo, liso,aberto como o sol, água limpíssima, à dispersão da luz, tapadamente tudo. Foi preciso que o tempo passasse, que viesse uma ocasião de sofrimentos grandes, e que o narrador conhecesse o amor para que a imagem, anunciada por uma pequena luz, retornasse. Mas uma imagem de menino, de menos-que-menino, só. O encontro com o rosto da infância é o retorno às origens, o segundo nascimento. Inteligência, forma, luz igual a Deus. Ao recorrer à esplêndida metáfora do espelho e à imagem da “flor pelágica” (do oceano profundo ), o narrador traça a alegoria de seu encontro com Deus, o nascimento de Cristo na alma, como escreve Heloísa Vilhena: “ O espelho` é a expressão da profunda e tocante experiência de um encontro com Deus”.

 

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         “A menina de lá” é Maria, apelidada Nhinhinha, que morava atrás da Serra do Mim, num lugar denominado Temor-de-Deus. Por esses nomes, já se vê como a narrativa pode abrigar considerações psicanalíticas e religiosas. Conseguia realizar seus mais estranhos desejos. Seus parentes, guardando segredo do fenômeno, querem tirar proveito da menina prodígio. Quando o pai reclama da seca, a menina deseja que apareça o arco-íris. E isso ocorre, após intensa chuva. Um dia, ela deseja um caixãozinho cor-de-rosa, com efeitos brilhantes. Ela deseja a morte, por isso foi admoestada pela sua Tiantônia. Nhinhinha inventa singelas estórias, como a da abelha que voou para uma nuvem. Ela fala da necessidade de se fazer uma lista das coisas que por dia a gente vem perdendo. Ela era cabeçudota, de olhos grandes, gostava de ficar sentada, sem brincar. Cumpre observar o deslocamento lúdico de “senta” para “santa”, pois, no final da narrativa, a menina do tamboretinho será chamada de santa por sua mãe.

         Nhinhinha falava coisas incompreensíveis, como “ele xurugou?” Com seus nem quatro anos, com riso imprevisto, dizia “tatu não vê a lua”. Era calma, cheia de imobilidade e silêncio. Para comer, tinha “artística lentidão”. De seus pensamentos, vinha a palavra pausada, vinha aquilo que, em grego, significa a própria poesia, o “fazer”: “eu...tou...fazendo.” A sua frase: “o passarinha desapareceu de cantar” pode ser lida como um haikai. Chamava o pai de menino pidão e a mãe de menina grande. O narrador, comparando a menina a uma flor inábil, coloca-se no universo da narrativa ao comentar: “E Nhinhinha gostava de mim.” Integrada à natureza, Nhinhinha apreciava o “casacão da noite” e as “estrelinhas pia-pia. Tudo nascendo”. Dizia que o ar estava com cheiro de lembrança. Usava vestidinho com a simbólica cor amarela. Aqui, destaco que a primeira edição do livro apresenta a capa amarela, desejo do autor, por razões que têm a ver com o simbolismo alquímico. Ao longo da curta estória, o narrador vai arrolando expressões pitorescas da menina: “altura de urubuir”, “Quero ir para lá ...[onde?] … não sei”; . Transformava a expressão a avezinha em senhora vizinha. Sua morte foi prenunciada ao afirmar que desejava visitar os parentes mortos. Seu pensamento era um passarinho verde. Depois que morre, a mãe, serenando o choro com um riso bom, imagina sua filha na glória, Santa Nhinhinha.

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         Uma das frases ditas pela menina era “Deixa… deixa..”, sugerindo aos adultos que tenham paciência e esperem a realização do que pretendem, como ocorreu no episódio em que pedem que a cure a mãe ou que a chuva acabe com a seca. Em Guimarães Rosa, aliás, é importante a ideia de que as coisas se resolvem é “devagar e manso”, como se lê numa das estórias de Tutameia. Toda sua obra foi feita sem afobações, suas publicações foram já as de um homem na meia-idade.

         Heloísa Vilhena, ao aproximar a narrativa de “A menina de lá” com a estória nuclear, “O espelho”, afirma que os protagonistas encontram-se no eu por detrás de mim. Anota que o Temor-de-Deus é um dos dons do Espírito Santo. Esse dom  “destrói a soberba e infunde o bem ou virtude da pobreza voluntária.” Morando no Temor-de-Deus, a menina mora com a sabedoria, que é conquistada através do silêncio e da imobilidade. O seu desligamento é o mesmo daqueles que, segundo os místicos, estão próximos de Deus.

         Para o crítico Dácio Antônio de Castro, o pragmatismo dos pais estabelece um confronto com o ludismo da menina: enquanto os adultos alimentavam projetos de desfrutarem economicamente a paronormalidade da filha, esta gasta seus dons em coisas miúdas, gratuitas, como a chegada de uma rã, a possibilidade de saborear pamonhinha de goiabada e de deslumbrar-se com o arco-íris. No caso dessa “mentira metereológica”, como o poeta Augusto dos Anjos designava o arco-íris, também dito “arco da velha” na sertão, é marcante a presença das cores na narrativa, sobretudo o ensolarado amarelo, o verde e o rosa, que, respectivamente, remetem para significados de criatividade, alegria, esperança e inocência. Segundo Dácio Antônio de Castro, a menina “representa o estágio congênito, inato da sabedoria, numa fase irracional, anterior à consciência lógica.” Jung falava de uma “criança primordial”, que possui um sentido de totalidade ou integridade no conhecimento das coisas, que se manifesta antes do aparecimento do ego-consciente, irrompendo através do misticismo e da ilogicidade.

         Willi Bolle afirma que “Guimarães Rosa retoma a loucura (ou o ilogismo) no nível da linguagem, restituindo, na literatura, a possibilidade de um diálogo com a irracionalidade.” Para a poeta e ensaísta Henriqueta Lisboa, que analisa o motivo infantil na obra de Guimarães Rosa, é fundamental observar a relação do autor com os seres primitivos: “a intuição amorosa, o seu gosto pela vida e pela renovação da vida por meio de uma concepção lúdica da arte”. Lisboa fala do sentimento da infância como responsável pelo espírito criador e delirante desse inigualável autor.

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         A narrativa, que começa com algumas singelas indicações da culinária mineira (arroz, feijão, ovo, torresmo, abóbora), e pouco a pouco vai adensando numa atmosfera poética, com as frases daquela menina “perpétua e imperturbada”, a dizer que “a gente não vê quando o vento se acaba” e fala de uma “jabuticaba de vem-me-ver”, refazendo o símile popular para “olhos de jabuticaba”. A menina, que diz estar fazendo saudades, é de lá, mas onde é este lá? É do lugar que ela nasceu (no Temor-de-Deus) ou é um outro lá, para onde ela diz que queria ir. O outro lá, um tra-la-lá, Curioso é que “tralalá” é uma palavra que, no vulgo, significa nádegas e que, metonimicamente, remete ao fato de a menina ficar muito tempo sentada no tamboretinho. O termo popular “bunda” tem sonoridade próxima de Buda, e, se quisermos rastrear o budismo na obra de Rosa, teríamos muito o que dizer, como outros críticos já perceberam, incluindo Walnice Nogueira Galvão, em As formas do falso. A postura contemplativa da menina tem algo a ver com o zen-budismo. Essa ensaísta aproxima os textos búdicos aos aspectos caipiras e sertanejos, além da originalidade originária, ao “caráter primitivo e pré-conceitual da objetivação, em personagens humanos, animais, divinos, inanimados, de príncipios morais” (Galvão,1972, p.118).

         Por outro lado, tra-la-lá também remete à música (o pai da menina toca rabeca) e daí penso que só pode explorar a ideia de que o autor faz, ao longo do texto, uma escala com as notas musicais.

         O está contido nas dores, na doença e no próprio sentido da palavra, relacionada ao luto, à tristeza, compaixão e comiseração.

         O está contido nas rezas da mãe, que não tirava o terço da mão. Aparece também em termos como referia, resto, repente, repentina, escorregar e recado.

         O mi está contido no Mim (da Serra), nos termos miúda, comia, consumindo, e na intervenção do narrador ao afirmar que a menina “gostava de mim”.

         O está contido nas várias vezes em que aparece o verbo falar e fazer.

         O sol está explícito no cenário da seca sertaneja e, simbolicamente, está no amarelo do vestidinho da menina.

         O está contido no título, no núcleo das paLAvras ditas pela menina, no outro lá para onde ela pretende ir e vai.

         O si está contido no termo que caracteriza a profissão do Pai, sitiante, além de sua forma pronominal, “se”, que foneticamente se iguala ao si: “abelha se voou para uma nuvem”; “jamais se saberia”; “nem se acabava”; “precisão de se fazer uma lista”; “não se fazia notada”. E também a nota pode ser notada dentro de silêncios que ela fazia e no nelogismo suasibilíssima.

         Assim como “tatu não vê a lua”, uma vez que se mete em seu buraco, o leitor, às vezes apressado, deixa de perceber a musicalidade do texto, por vezes até com rimas, como na passagem: “O que ela queria, que falava, súbito acontecia”.

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Solfejar o texto ou sol-festejar a menina, gota de poesia. Ela usava vestidinho amarelo e seus pensamentos eram passarinhos verdes. Quando morre, devido à “má água desses ares” (ou mágoa desses lugares?) o caixãozinho que deseja tem “funebrilhos”, neologismo conjuga o fúnebre da morte e o brilho da ascensão, pois a sábia Nhinhinha, que chamava o sabiá de a senhora Vizinha, fala coisas que ninguém entende, pois sua linguagem almeja voos maiores, ascensão e poesia pura. Que está na terceira margem do texto, ou lá, alhures.

 

Bibliografia

João Guimarães Rosa. Primeiras estórias. Rio de Janeiro: José Olympio, 11a ed. 1978

Paulo Rónai. “Os vastos espaços”, prefácio de Primeiras estórias. Rio de Janeiro: José Olympio, 11a ed.1978

Heloísa Vilhena de Arújo. O espelho: contribuição ao estudo de Guimarães Rosa. São Paulo: Mandarim, 1998

Dácio Antonio Castro. Primeiras estórias: roteiro de leitura. São Paulo: Ática, 1993

Chevalier & Gheerbrant Dicionário de símbolos. Rio de Janeiro: José Olympio, 1988.

Lenira Marques Covizzi. O insólito em Guimarães Rosa e Borges. São Paulo: Ática, 1978

Henriqueta Lisboa. “O motivo infantil na obra de Guimarães Rosa”. Suplemento literário Minas Gerais. v.8. n. 351, 19/05/1973, p.2

Walnice Nogueira Galvão. As formas do falso. São Paulo: Perspectiva, 1972

 

 

Caio Junqueira Maciel é professor de literatura e escritor.

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