ANO 9 Edição 96 - Setembro 2020 INÍCIO contactos

Carlos Eduardo Matos


Shoshana 1    

Andan por las calles escribiendo y viendo y viendo lo que ven lo van diciendo y siendo y siendo ellos poetas a la vez que se pasean, pasean, pasean van contando lo que ven, y lo que no, lo fantasean.
Leo Maslíah, “Biromes y servilletas”
 

O tempo, a memória e o amor
 

Esta é uma história de amor e desejo – e nem podia ser diferente, com protagonistas de 20 e 21 anos. Porém é mais do que isso. À medida que o relato se desdobra, duas outras grandes forças o moldam, canalizam-no, apontam caminhos: a memória e o tempo. 

A memória, claro, está presente em todos os relatos, romances, contos e assim vai. Alguém lembra o que aconteceu, edita essas lembranças com cuidado e, se possível, algum estilo, e as escancara urbi et orbi. Nesse processo, elas são cuidadosamente selecionadas, algumas enfatizadas, outras descartadas, a ponto de o conjunto guardar poucos laços com o que efetivamente aconteceu. Mesmo quando a ação é descrita em tempo presente, os autores editam ao contar o que veem – y lo que no,lo fantasean, como ensina Leo Maslíah na bela canção uruguaia “Biromes y servilletas”.

No cinema, esse procedimento é manifesto. Utilizo, no segundo relato, a palavra marienbadagem. Trata-se de uma referência canibalesca a O Ano Passado em Marienbad, de Alain Resnais, com uma trama de amor que se desenrola em uma série de saltos no tempo e no espaço, mesclando cenários reais (para ele, para ela ou para os dois) e imaginários (para ele, para ela ou para os dois). Pois bem, acho que poderia ter inventado outros substantivos, como morangagem silvestre – referência a Morangos Silvestres, de Ingmar Bergman, ou duiliagem, do filme Viagem aos Seios de Duília, de Carlos Hugo Christensen. Nos três casos, a memória prega peças, de mãos dadas com o seu velho companheiro, o tempo. Peças cuidadosamente lavradas pelo autor, ou cineasta, tanto faz.

Se a memória está mais presente nos dois primeiros relatos, que descrevem/editam situações passadas há 52 e 32 anos, o tempo é protagonista de todos eles. Costumo dizer que o tempo é uma pantera, e utilizei essa metáfora em referência à devastação provocada por suas garras e presas nos protagonistas. Com o avançar do texto, elas viraram quase (almost, but not quite) bichinhos de estimação, que rolavam no chão de tanto rir e rugiam de fastio ou frustração, pero sin jamás perder la ferocidad.

Nessas referências, as panteras basicamente remetiam ao tempo passado e a sua devastação, de efeitos permanentes ou irreversíveis. Mas verifiquei, à medida que a trama avançava, que elas também remetiam ao tempo presente, cujos efeitos podem ser minimizados. Em outras palavras, é possível, se não domesticar, pelo menos controlar as bichinhas. É o que pretendemos fazer, nos anos que nos restam, Shoshana e eu.

Retomando, com algumas modificações, a frase inicial, esta é uma história de amor e desejo, tempo e memória. Não sobre o reencontro de um amor passado, embora essa dimensão esteja obviamente presente; é antes uma história de amor atual, entre um homem e uma mulher que estão aprendendo a gostar um do outro e a se envolver – embora o façam pela segunda ou terceira vez na vida, depois de muita quilometragem. Como escrevi no trecho final de Shoshana 4, é a história de um casal bem rodado entregue à descoberta do querer bem: não à redescoberta, que o tempo havia passado e isso era impossível, mas à descoberta mútua de duas pessoas que, por acaso, têm uma enorme cumplicidade existencial, uma longa trajetória juntas. 
      
Espero que vocês gostem da história, se possível tanto quanto gostei de escrevê-la. E que em certas passagens fiquem comovidos. Parafraseando Drummond, uma Lua, um conhaque e um sabonete de eucalipto ajudam.  
          

 
Shoshana 1
 
Morrer no mar eu não sei, mas é doce ter 20 anos. Estar na ponta dos cascos, com os hormônios a mil, e ao mesmo tempo sentir os neurônios a todo vapor, descobrindo literatura, poesia, política, tudo ao mesmo tempo. Uma sensação de plenitude e imortalidade, de encantamento com o mundo. Eu tinha 20 anos no início de 1967, cursava o quarto ano de Direito, havia trancado minha matrícula em Economia e me entregava de corpo e alma à luta pela derrubada da ditadura e pela revolução socialista.

Com tudo isso, não me sobrava muito tempo para ter uma vida “normal” e curtir minha juventude; em termos de vivências, minha rotina era pobre de marré marré marré com agravantes de marré de si. Eu jamais havia colocado uma mochila nas costas e partido, nas férias, para o Nordeste ou qualquer outra região do Brasil – como tirar férias e viajar, se meus companheiros operários continuavam nas fábricas, sob o jugo do patrão? Viajar para outro país, então, nem pensar; seria um imperdoável desvio pequeno-burguês. Pelo mesmo motivo, jamais fui a um show de Caetano ou Gil, que acabavam de lançar a grande revolução do tropicalismo. Eu não tinha uma namoradinha; namorar era perder um tempo mais bem empregado na luta política revolucionária. Nas férias escolares, não ia nem na esquina, passava o tempo em intermináveis discussões políticas em reuniões dia sim, dia também. 

O que me salvava da insanidade absoluta era ter um círculo relativamente grande de amigos, com os quais bebia muito e às vezes fumava um baseado (minha geração era mais etílica que outra coisa) e em raras ocasiões acampava numa praia. No mais, apesar de uma profunda revolução sexual estar em curso no mundo inteiro, a todo vapor, levava uma vida sexual tão medíocre quanto o restante de minha existência. Eu tinha um carro, o que era relativamente raro para alguém de 20 anos em 1967. Isso me dava uma certa mobilidade na paquera, ampla, geral e irrestrita. Porém, sabia que, mais cedo do que tarde, eu iria recolher as guampas, arranjar uma namorada firme e casar: afinal, advogados de 22 anos não costumam ficar solteiros em Niterói por muito tempo. Isso, é claro, se eu não conseguisse derrubar a ditadura militar do poder e enveredar, com meus companheiros, rumo à aurora socialista e à edificação do poder operário.

Foi então que ela chegou, e mudou tudo. Seu nome era (é) Shoshana, lindo nome hebraico que significa lírio ou rosa. Irmã de um amigo meu, amiga de meus amigos, mais deles do que minha. Argentina, tinha um dos rostos mais judaicos, móveis e expressivos que já vi. Desceu como de uma nuvem em plena pracinha de Icaraí, em frente à Gruta de Capri e ao barzinho onde batíamos ponto. Lembro do cabelo, pintado de vermelho com mechas brancas, e que ela vestia pulôver – em pleno calor de Niterói! – e calças compridas. Com seu belo nariz judaico, seios generosos e, admitamos, pouca bunda, lembrou-me um pinguim da Patagônia. Mas meu pinguim era de Buenos Aires, mais ao norte. Achei-a deslumbrante. 

E a voz, Senhor! De uma rouquidão acariciante, parecia insinuar segredos que eram só dela, tudo com um sotaque niteroienseportenho. Como se não bastasse, tinha 21 anos, era artista plástica e morara sozinha em outro país, enquanto meus amigos e eu vivíamos com papai e mamãe. Em resumo, era areia demais pro meu caminhãozinho, e eu tinha plena consciência disso.

Meu único recurso foi sorrir muuuito. Afinal, eu tinha clareado os dentes na semana anterior e meu sorriso estava bonito pra dedéu. Funcionou, pois em pouco tempo estávamos nos beijando.

Não lembro de quem foi a iniciativa do primeiro beijo. Nem de como transamos pela primeira vez. Lembro-me bem, em contrapartida, de nossa pegação no ano anterior, quando eu tinha 19 aninhos. Como sempre acontecia, eu dava carona aos amigos no fim da noitada, e Shoshana me falou, baixinho, que queria ficar comigo. 

Fiquei apavorado, Seria não uma trepadinha, mas minha primeira mulher. Bem ou mal, deixei os outros em suas casas, fiquei sozinho com ela e levei-a até sua casa, em Pendotiba.

Não transamos naquela madrugada, acho que estava nervoso demais para isso. Sentamo-nos em um banco, um dos vários que havia na entrada da casa. O luar fazia tudo deslumbrante. Nós nos beijamos muito e falamos de tudo que veio à cabeça – de revolução, de arte, do irmão dela, coitado, que havia emigrado pra Israel em fevereiro/março de 1964 e foi responsabilizado, nos depoimentos da moçada diante dos militares, por TUDO que a esquerda havia feito ou planejado. E, claro, também de nós dois e daquele delicioso ensaio geral de relacionamento.

Depois não nos vimos mais, nem soube que havia voltado à Argentina. Porém, mais que meus sorrisos, a pegação de 1966 preparou o terreno para o envolvimento do ano seguinte. En poco tiempo, la pinguinita de Buenos Aires estava en mis brazos.

Amar Shoshana foi uma lição de vida. Sentia-me como argila em suas mãos, algo a ser moldado; felizmente, para sorte minha e dela, havia algumas partes durinhas naquele material dúctil. Em seus braços descobri canções folclóricas argentinas, baladas de Joan Baez e Bob Dylan. E fixei meu tipo de mulher: exótica, independente, perigosa, pronta para voar. Depois dela, as jovens casadoiras de Niterói me davam o maior tédio. 

Lembro-me que, certa ocasião, enquanto Shoshana organizava uma exposição de arte em um navio, ela me mandou um telegrama. Dizia apenas: Te quiero, Shoshanita. Carinhas de 20 anos de Niterói não recebem telegramas, e meus pais caíram matando; privacidade era algo que não existia em nossa família. Meu pai me olhou com um misto de preocupação e inveja, como se eu estivesse nos braços de uma sensual hispano-americana bem mais velha, intérprete de tangos ou boleros.  

E por último, mas não menos, conheci sua casa e sua família. 

Também artista plástico, seu pai, Samuel, ia do oito ao oitenta: ou não tinha um tostão no bolso ou estava organizando feiras internacionais pagas em dólar. A mãe, Sara – eu e a torcida do Flamengo a chamávamos, claro, de Sarita –, tinha o rosto ainda mais judaico e expressivo que a filha. Eu flertava com ela descaradamente, e ouso dizer que ela correspondia. Mas ficou só nisso, infelizmente. 

Foi com Sarita que conheci um pouco da dimensão familiar-religiosa do judaísmo. Não que ela me convidasse para a ceia do Sabá, algo ignorado pela família. Mas Sara me contou de sua mãe, que dizia não ousar comparecer diante de seu Deus com a cabeça descoberta. A palavra-chave aí é comparecer; mulheres de outras religiões cobrem a cabeça com véus ou mantilhas e por vezes mantêm uma relação íntima com o Senhor, mas a obediência a normas de recato não por imposição familiar ou do grupo, mas para um encontro pessoal com a divindade ficou, para mim, como uma dimensão tipicamente judaica.

Outra lembrança de Sarita: em um réveillon em que estavam praticamente todos os meus amigos, levantamos as taças para brindar – e a minha, não sei como (sei sim, minha falta de coordenação motora é famosa), saiu voando de minha mão e se espatifou no chão. Sarita explodiu: que lo parió, querés quebrar todas mis tazas de cristal de Bohemia? Mas isso foi dito com um sorriso meio cúmplice, com um subtexto: Você me ama demais para fazer uma barbaridade dessas, e eu amo você demais para ficar com raiva, mesmo se fizesse. 

Outra ocasião, quando Shoshana voltou da exposição no navio, avancei com os olhos brilhando de desejo em direção a ela, diante da família toda. Sarita me olhou meio suplicante, como se dissesse: Pelo amor de Deus, não se fechem no quarto para transar. Mas não proibiu nada, seus olhos não expressaram indignação, apenas um pedido (que, diga-se, foi atendido). Assim era a mãe de Shoshana. 

A casa era uma antiga sede de fazenda colonial em Pendotiba, no topo de um terreno pontilhado de árvores seculares, cobertas de musgo e lianas. No interior, pai e filha criavam magia e beleza a custo quase zero, transformando velhos ferros de passar roupa em objetos decorativos e por aí vai. Certa ocasião, uma parte do assoalho quebrou e revelou, sob ele, magníficas lajes coloniais. Outra vez, foram descobertos, incrustados no tronco de uma árvore, grilhões de ferro com que, provavelmente, prendiam escravos.

Tornaram-se peças de um balanço. Essas coisas viviam acontecendo.

Havia ainda uma irmã adolescente, Gabriela. Indiferente a tangos, milongas e carnavalitos, ela adorava os Beatles. Cantava todas as músicas e, como não sabia inglês, reproduzia todos os sons – da letra da composição ao pulsar das guitarras e da bateria do Ringo. 

Sob determinada iluminação e as circunstâncias, certas, Gabriela parecia bastante com Shoshana. Certa ocasião acordei, meio bêbado, no quarto de minha amada e vi aquela flor judia perto de mim. Avancei de lábios entreabertos, para consternação da hermanita. Não a beijei por pouco. O que provavelmente me salvou de um olho roxo, Gabriela não tinha o menor senso de humor.

Se aquela casa era linda e mágica, outra, em Friburgo, seria fundamental para nós dois: era o nosso hotel serrano exclusivo, o refúgio onde transávamos como dois coelhos. Ali desbravei detalhes do corpo feminino que haviam passado batido em minhas trepadinhas no carro. Foi em Friburgo que aprendi a namorar, a curtir a dois um restaurante pitoresco, a degustar um bom vinho, a amar uma mulher. 

Nesse contexto, outros lados de minha vida, como a militância e os estudos, foram praticamente descartados. Eu ainda ia a passeatas e militava numa organização clandestina, mas sem nenhum tesão, que ele estava reservado para Shoshana. Provavelmente isso me salvou a vida ou, no mínimo, me poupou alguns anos de prisão, pois meu grupo tentou enveredar pela luta armada e se deu mal. Quanto aos estudos, passei para o 5º ano em segunda época por faltas. A verdade é que eu só cursava Direito por pressão familiar, por ser neto e filho de advogados, detestava aquilo.

Mas há momentos em que a realidade insiste em se intrometer nas histórias de amor. Havia uma padaria em Friburgo, colada à igreja principal, diante da praça central, em que sempre tomávamos café. Certa manhã, enquanto encarávamos duas vitaminas de banana, o rádio começou a transmitir notícias sobre uma vitoriosa ofensiva israelense diante dos países árabes vizinhos. Era o dia 5 de junho de 1967, o primeiro da Guerra dos Seis Dias, Dois dias antes, eu completara 21 anos. 

Voltamos direto para Niterói. Em um momento como aquele, a identidade judaica de Soshana – e de todos os judeus materialistas, ateus ou agnósticos que eu conhecia, e não eram poucos – se intensificava.

Em certa medida, nossa lua de mel terminou naquele dia. Ela tinha trabalho – muito negligenciado – e eu, estudos ainda mais descartados. Não se podia fazer indefinidamente o trajeto NiteróiFriburgo-Niterói, com um pernoite para doces prazeres. Havia projetos na ordem do dia, como arranjar um trabalho, sair da casa de meus pais, morar com ela – e eu recuei, a areia continuava a derramar do meu caminhãozinho. 

Sem falar que havia momentos em que meu coração apertava no peito. Shoshana fazia questão de proclamar sua independência. Estava comigo porque queria, e que isso bastasse; palavras de amor raras vezes eram pronunciadas entre nós. Mas eu queria mais, ou melhor, minha educação sentimental convencional achava pouco. 

E havia o círculo em que ela transitava, cheio de empresários seguros de si e arrogantes – os financiadores das feiras e exposições – e artistas plásticos meio loucos, criativos e atraentes. Eu, estudante de Direito sem vocação e revolucionário com vocação mas meio aposentado, ficava inseguro, mas não tinha o que fazer, era a vida dela. Certa vez, Samuel levou um jovem ceramista argentino para jantar. Shoshana começou a conversar com ele, em porteño, naturalmente, e os vos dás cuenta e carajo se cruzavam pelo ar. Eu fiquei mudo como uma coruja desajeitada, que tivesse três asas e não soubesse onde enfiá-las (mesclas de metáforas são sempre perigosas, mas foi mais ou menos isso aí).   

Nossa relação azedou, terminávamos, voltávamos e íamos direto para o refúgio de Friburgo, onde podíamos esquecer a realidade. Devo confessar que eu também ia a Friburgo para transinhas, nos períodos, cada vez maiores, em que estávamos separados. Em um desses intervalos de malquerer, outro carinha ficou com minha pinguinita. Era ainda mais jovem que eu e, até então, um de meus melhores amigos. Avançou como um trator, sugerindo morar juntos, propondo casamento – tudo que eu não ousara fazer. E eles casaram de papel passado, ponto.

Mas não ponto final. Meus orixás são vingativos, o primeiro casamento de Shoshana foi uma merda e durou pouco. Teríamos recaídas e reencontros.  Mas isso fica para outro capítulo.

 

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Paginação:

Nuno Baptista


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