ANO 9 Edição 96 - Setembro 2020 INÍCIO contactos

Mabanza Xavier Esteves Kambaca


Para no final dizer o quê?    

Surgiu-me sonhar de novo com esta afirmação apontada com a Pátria no modo mais imediato de acontecer.

 

TUNDA e depois a VALA. Foi a única coisa que eu disse. O resto era uma crónica da margem para, no final, dizer o quê? O primeiro poema que construi foi de pau-a-pique, durável como deus! Mas, ultrapassava os destinos ou pelo coração, ou pela memória ou, ainda, mesmo, pelo corpo. As inúmeras palavras, tomei-as de modelo para compor a música com o ritmo nos versos ou seguir os sonhos marcando as idades antes e depois porque agora obedeço a uma regra guardada no indivulgo. Vivo adjacente, doutro lado, o mundo e o inverso como erro, é este silêncio com que beijo o destino dos dedos.

 

A minha monologia peripatética chama-se íntimo, poder ou margem abordada e começa assim: o certo como se achou melhor errar com o livre direito de ser e produzir, é uma alienação que se faz com a linguagem designada" Céu aberto" ou a forma das palavras que dão ao homem a possibilidade de segurar o tempo. Eu sou e não sou. Produzo-me no grupo, por isso, a minha natureza é uma expressão de lugar medido, um verdadeiro objecto de indefinições e a esperança que se data nas mãos com a tal ideia de lado-a-lado, o lugar no corpo ou o corpo no lugar. Estou a caminho à procura dos sinais com que se diz o nome das coisas.

 

A literatura, de revelar o tempo, só há, neste permissivo. Porque noutros contempos não chega o prazer de lhe contar com o amor e dignidade. Pode perceber-se sem pouca razão este caminhar veloz pelas correntes que a eleva à liberdade, mas, a poesia não é problema de tempo, sim de lugar e de como se cria. Neste meu discurso, a lápis com a idade do papel, literatura é o texto e não o inverso, como esta tarde percepção que me acossa a verdade. Ela tem, sobretudo, esta linguagem empírica com que se corta o silêncio por via de desacordos.

 

E mesmo aquela literatura feita por um senso justiceiro a qualquer ideal societário é sempre um rasgo de bifurcações com argumentos mais do que apenas humildes, antagónicos e deixam uma marca de rios com fiadas margens, por isso, não ser acto de espanto, este jazigo de dotes sobre ela mesmo nas bocas sem línguas. Hoje tecer uma palavra em torno de literatura é uma passagem de rua aberta. A literatura, stritu sensu, é a praia mais alargada para todos os seres e o homem. Aqui, vale, também, pela sua brincadeira. Escrevo a educação com a história na mão. O que preciso dizer mesmo é outra coisa.

 

Este passo de dom é o exercício do artífice com os quais medes louco com a tinta na mão e esta parada é o último rasto porque depois sumo com o vosso entendimento. Vírgula, excepto o universo, a minha vida tem caminhos e paro neste verso. Aliás, separo-me na luz dos homens e o que fica é um grande passeio: não é preciso experimentar toda a compreensão, às vezes, o mundo diz-nos o toque da nossa passagem mas, não encontramos a terra de relação e sentimos o parágrafo na mão. Só que é difícil possuir o último verbo.

 

Uma linguagem de margem com uma determinada miragem no olhar, saio já neste lugar de deus-pai-todo-poderoso, com as suas falhas e um estado de guerra é a única forma de passagem que me resta. A minha boca sabe do Norte deste curso porque a visão da esquerda é uma arte do pé ou para me constituir só me falta uma arma.

 

Não. Não Negar com pleonasmo a ideia do absurdo. E deixem-me ultrapassar, mais do que as passadas vezes, esta conformidade.

 

Ouvir dizer que “o tempo, presente, é uma corrente literária” (modernidade!).

 

                   Assim, lixar-me o mais correcto.
                   E todos, nesta noite:
                   Mesmo
                   Os que vão
                   Todos estão parados
                   Ou a caminho desta luz escura
                   Ou com a primeira palavra nua
                   E o resto ser
                   (o resultado que se espera)
                   Por exemplo parar por aqui? Não.

 

Na língua, falar sobre tudo confere uma cultura ao presente. A próxima natureza começa com a palavra TUNDA e só vale o lugar do vosso desejo.

 

Vrummmmm!      Até lá é preciso consentir esta doação. Afinal ninguém sabia! Que se precisa um voto de confiança para continuar contra a Covid-22, nas calmas vou arrancando esse véu que me venda os olhos e o meu sinónimo é justiça de onde? De direito à cela, de direito à rua da insônia, de filosofia da liberdade condicional, da filosofia da prosperidade, da igreja dona de nenhuma escola, de emprego dos sonhos, sonhos formais, de língua portuguesa angolano, tal absurdo dos escritores, minha língua é 'angolano' roubei com jugo essa hora de mudança para dizer com as mãos apertadas contra o sangue dos mártires da minha polícia irracional, que me enfiam por dentro o dedo do gatilho e quando sai, sai com três homens deste mundo, e os tiros bebem a água vermelha dos corpos indefesos. Rufino já não rumina aqui, apenas cafrique há para matar mais a coragem das quitandas de suor, mulher que deixa essa luz do mundo com suas lâmpadas acesas no clítoris. Que reapareça a viagem do angosat, que venha chuva, que venha sol, angosat do meu coração, do meu voto de confiança e secreto, da minha Covid-22, crónica do emprego para no final dizer o quê?

 

Para dizer: à corrupção, tenho escolas, kilambas, céus e terras, sou o único filho no palácio de ferro, compro um espaço com tamanho de dois portugais para no final dizer o quê? Julgas todos e ninguém te julga para no final dizer o quê? Vivas anos e anos na cê catedral e na terça-feira santa do 27 de março de 7719, quando nasci com bombas nos pés da minha mãe, assinei páginas de livros que leio hoje com outras redes sociais, com outras pessoas amantes da Literatura. A literatura é a pura putaria, política de todas manobras militares e de Evas com Adão esvaido de arrogância do senado e federal Deus do Egipto. Estou sentado aqui no rio luembe, a ver água passar com todas promessas, vejo governadores nessa água que vai e vem, que vem e vai. Vejo o ministro da saúde pública do estado de emergência em colapso, quase a tombar com as suas majestosas pernas, apoiada na sobra das mulembas xiangola, nas mabubas de peixe podre, sem cheiro por natureza final das contas a prestar pelos meus serviços de parlamentar. 

 

Mulher fiel de puta dos homens do executivo. Para uma margem de sul a norte, dizer o quê importa. Não se cala com essa fala nos intestinos, com esse nome do futuro ninguém sabe. Ninguém sabe o que se diz no final de todos os empregos.

 

 

Mabanza Xavier Esteves Kambaca, filho de Esteves Kambaca e de Fátima Xavier, a 18 de Dezembro de 1991, natural de Milunga-Uíge, nacionalidade angolana, residente em Luanda;

Licenciado em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade Agostinho Neto, na especialidade de Jurídico-Civis. Pós-Graduado em Políticas Públicas e Governação Local pelo Centro de Pesquisa em Políticas Públicas e Governação Local da Universidade Agostinho Neto;

Advogado com inscrição em vigor na Ordem dos Advogados de Angola (O.A.A). Especialista em Consultoria e Assessoria Jurídicas. Professor de Introdução ao Estudo do Direito e Filosofia. Aprendiz de Crítico Literário, poeta e cronista.

Coordenador Geral do Movimento Litteragris e do Círculo de Estudos Literários e Linguísticos Litteragris (CE3L).  

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Paginação:

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