ANO 9 Edição 96 - Setembro 2020 INÍCIO contactos

Miguel Ângelo


Humano    

Humano
 
Demasiadamente cru
Demasiadamente verdadeiro
 
Sem temperos, sem ídolos.
 
Quebrando os espelhos, remexendo a terra atormentada, sem escrúpulos, pelas frestas da vida cheia de recantos perfumados, sem ideias, sem flores.
 
Despojando a loucura fresca da manhã, em vagas doces, iluminando da janela a vida de Cesariny.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Luz do fim do dia.
 

Não sabes onde eu moro, mas a minha rua é inundada pelo sol, e a luz do fim do dia tenta entrar pelas vidraças.
 
Não convido ninguém, porque o barulho é só meu, como a luz do fim do dia, só minha e dourada.
 
O meu casulo é dourado, como a luz do fim do dia que tenta entrar pelas vidraças.
 
Estou sentado no sofá, e sinto a luz do fim do dia a entrar em fogo e a arder os fios de seda, que se soltam do meu casulo dourado e me libertam de mim.
 
Os fios de seda dourados, como a luz do fim do dia surgem como uma mensagem tão simples, tão vaga, tão dispersa, que ocupa todo o chão da sala, dando aos meus pés uma santificação episcopal.
 
Na minha rua, repleta de sol, repleta de silêncio, repleta de filhos de ninguém, é onde começa o mundo sempre que saio pela porta, e não me importa a luz do fim do dia dourada, nem os fios de seda dourados como a luz do fim do dia.
 
Na minha rua, inundada pelo sol, não há destino para quem passa, não há entusiasmos, e se nos fios de seda dourados não se consigam equilibrar, que a luz do fim do dia, dourada, entre de vez!
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Amor Eterno
 
Não te deixo partir!
Não te deixaremos partir!
 
É no mais denso silêncio que escuto a tua voz, Na dor das lágrimas, como nunca sentidas.
Este sal da vida que não encontra razão.
 
Sinto-me perdido, procuro-te, mas sei que no nosso coração permanecerás eternamente repleto do nosso amor.
 
 
 
Ao meu irmão Nando
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Às vezes os estranhos, 'que se mostram' são o que nos dão sentido...os que nos conhecem acham que é tudo normal em nós.
 
Abro a caixa de fósforos vazia e vejo o infinito tranquilamente só! Abrupta escuridão, onde as janelas da sabedoria permanecem acorrentadas nas fossas cerebrais.

Inúmeras caras, inúmeros nomes, inúmeras ilusões a correrem no mesmo rio.

São sete os iluminados nas folhas de Blake.

E quando a última palavra se estende, tudo termina, em trevas.

Espreito bem lá no fundo, onde existe montes de espaço livre e vislumbro o estranho prazer da descoberta, sem limite.

 
Ainda bem que a merda desta luz divinal fica de fora deste universo humano, real, repleto de palhaços de batina.

Sim! Entendo perfeitamente, quando as ovelhas são poucas o pastor só prega durante meia hora!

30 minutos que nunca mais se esgotam.

Irritante a estátua do homem crucificado pendurada lá no alto, como, irritantes são as imagens dele, mas desta vez com outro rosto, e do outro lado da parede, alguém se ajoelha entre as pernas de alguém suscitando algumas dúvidas.

Ridículas aquelas mãozinhas coloridas que se encaminham pela grande mentira.

Esta cegueira corrompe com todas as virtudes, com o absoluto da lucidez.
 
Os olhos estão dentro de casa perseguindo no labirinto a imobilidade das horas.

Rodo o botão do rádio, esta emissora não passa a minha música. Quero a multidão de Piaf, quero o acordeão de Vesoul e pendurar-me na loucura de Nietzsche.

E depois, depois, quero respirar a minha nudez antes de entrar em Amesterdão.
 
Esta conspiração absurda que inocenta o prevaricador e os seus afilhados.

O livro está fechado, preso na estante que me distancia do mundo.

Aperto o gatinho e só ouço os mistérios da vida a esfumarem-se. Quero o culto de Edie, quero dançar no fogo de Weller e um bocado de amor de Zeppelin.

E depois, depois, só quero um beijo antes de adormecer.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Não reconheço estas sombras.
 

Pérolas negras a rolar no tabuleiro, jogando a sua sorte.

Num salto, quebrando a barreira da velocidade, num golpe marado, um sentimento de imortalidade que abrange toda a vida.
 
Deixa-me sair.

Dou-te o momento mágico, dois lingotes de ouro se abrires a porta.

Em troca de uma fechadura nova, de uns parafusos soltos, de um alicate. Dou-te dois lingotes de ouro e uma colher de pau.
 
O aloquete no gradeamento da ponte simboliza o fim das fronteiras descoloridas. Veludo nas nádegas.

Sem condição, sem alaridos estapafúrdios, veludo nas nádegas torna o mundo mais apetitoso, fantasioso, quase inebriante, mesmo de olhos fechados.
 
Procuro nos livros a escrita perfeita que não encontro dentro de mim, o que faz reaparecer na leitura as palavras simples, ausentes de cheiros ou cores, porque, mesmo de olhos fechados, veludo nas nádegas me fazem vibrar.
 
 
 
 
 
 
 
 
Não interessa a distância. Se estivemos muito mais longe, ainda que fisicamente mais perto!
 
 
As palavras não têm cor, já a primavera do nosso florir, encanta porque é gira como as frases.
 
E se as frases tiverem imagens, que sejam as mais antigas, de quando éramos crianças, sem saber o que éramos, tão perto, quase a roçar, tão longe, pela distância, de não sabermos quem éramos.
 
E se as frases tiverem imagens, que sejam a preto e branco, tão distantes, tão além, que embelezem o nosso rosto, velho, mas cheio de vida, cheio de amor.
 
Se as palavras tiverem som, o vinil, estridente de pureza negra, magicamente a estrelar.
 
Não interessa a distância. Se estivemos muito mais longe, ainda que fisicamente mais perto!
 
Não interessa o sabor intenso do que desconhecemos, interessa sim, o intenso sabor do que conhecemos, mas ainda não provamos.
 
Nunca pensei ser necessário trazer-te para tão perto de mim.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Quem te leva no pensamento e sonha contigo é melhor despertar, pois o caminho tornou-se num pesadelo.
 
Apaga o farol e deixa-me navegar no meio desta tempestade.
 
A vida traz luz para todos nós.
 
Se a noite não existisse, qual de nós seria uma estrela?
 
Para além disso, podemos imaginar que nada realmente importa se alguém desenhar um raio de luz para nos guiar pelo misterioso.
 
Estarei a salvo da liberdade que me prende?
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 

No limite, ao lado do buraco negro, pendurado por anzóis.
 
A carne a rasgar, a mente estilhaçada.

Desculpa incomodar.

Estaremos todos bem quando a morte chegar.

Estaremos bem enquanto a morte não estiver por perto.

A estrela nasceu no espaço vazio deixado pela escuridão. Deixo a pele na orla do teu corpo e tudo me fará sorrir.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Vivo nas sombras, os meus tons cinzentos refletem o tempo a parar.
 
Nada disto seria real se eu não estivesse cego de vida, tão pronto para o final.

Espectro humano arrancado ao tronco da árvore, renascer do nada numa luta desumana, balançar no arco e olhar com precisão a flecha.

Nada é real na tua ausência.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 

II
 
Assalto a memória
 
No fundo do tudo
Onde nada existe.
 
Resisto ao choro E em cada pedaço O caminho aparece infindável.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Sou eu
 
Preso por ti neste olhar infinito à procura de luz.
 
É o reflexo a contemplar a escuridão de onde fugi.
 
Entro a dançar, o fruto a rebeldia, porque a música é a que eu quiser escutar ou inventar.
 
Quebra-se a noz.
 
E no conteúdo a empatia surge como a salvação da loucura, nesta louca multidão tão vazia como um relógio que deixou de ter sentido.
 
Uma parte sou eu, outra parte és tu, separados pela leveza, mas inquebráveis por natureza.
 
Se te procuro é só para não deixar vencer a solidão, da sombra que se embrenha no meu ser,
Pela ausência dos corredores labirínticos de que é feito o nosso fruto, seco, que se mistura no mel,
Cor luminosa na pele de quem se alimenta de júbilo, assim como quem vê a aurora chegar em passos de dança, porque é onde eu entro. O fruto a rebeldia, e a música: sou eu a fantasiar.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Danças no limbo, sobre um cordão suspenso.
 
Adoras as alturas mas tens medo da queda, por mais que as tuas asas te digam, voa, desconfias do que queres e confortas-te em ideias criadas para tua proteção.
 
Sabes que se caíres o teu escudo é frágil, demasiadamente frágil.
 
Mas ainda assim, espreitas pela janela à espera que algo surja do céu, se a luz entra pela janela, algo de colorido também pode entrar, e esperas.
 
E danças à chuva, por prazer.
 
Molhas o cabelo no mar salgado, para limpar a tua áurea.
 
E depois...
 
...e depois fazes o caminho na areia da praia, e escutas o teu coração sem ouvir o mar.

Porque a tua natureza é o coração.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Descascamos as pedras da tua estátua fria e colorindo o teu rasto para que me sigas, em teu redor sou, não o poema, mas as palavras que voam e se afogam. 
 
Onde?
 
O mundo acaba de entrar em modo OFF.
 
Fechas os olhos e nada vês.

E o escuro cura-te de toda a luz.
 
Por momentos és uma pedra que ganha uma estranha vida.
 
És um movimento linear e não tens nada de sexo em ti.

O sexo requer movimentos pensados, às vezes animalescos.

Quero entrar no teu sexo para que nunca se feche a gruta onde Zaratustra cria o super-homem.
 
És o meu poema, o único com asas para poder voar.
 
Descascamos as pedras da tua estátua fria, e ganhas a forma de anjo, os anjos não têm sexo, mas têm uma estranha forma de foder.
 
 
 
 
 
 
 
 
Versão original
 
Enigmática surge a imagem a preto e branco.

Assim que a porta se abre surge enigmaticamente a imagem original.
 
Originalmente a imagem não tem cor.

E surge o abstrato interior.
 
O ego abstrato, enigmaticamente original, originalmente abstrato, a preto e branco, surge assim que a porta se abre.
 
Deste lado sou eu, sei inequivocamente que sou eu, desse lado não hesito em dizer que sou eu. 
 
Originalmente eu estou do lado de cá, abstrato.
 
Enigmaticamente do lado de lá sou abstrato.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Se existes és apenas uma ficção óbvia.
 
A falsidade faz-te viver, e só assim podes ter inspiração.

Um pássaro no arame. Uma superstição, Uma alma.
 
Um tiro certeiro para não causar dano à verdade!
 
Descasca a laranja.

Os gomos são todos iguais.

Mas qual deles será o mais saboroso, ou antes, qual deles te vai saber melhor?
 
É sempre assim!
 
Uma luta em que ganha quem usar a falsidade.
 
É preciso ser um ás na esgrima para se viver na verdade.

E depois...
 
Há um piano, onde se toca em loucura!
 
 
 
 
 
 
 
Vazio
 
O filho de deus está lá dentro!

Vou manter a porta fechada. Fixo o olhar pelo buraco da fechadura, vejo luz, e uma nudez feminina. Esta mistura estonteante, deixa-me atónito e cria em mim uma falsa fé! Tenho fé de que, se não abrir a porta, a nudez, será apenas uma ilusão imaginária.
 
E a luz, afinal, é só ligar e desligar o interruptor!
 

Dizem que o filho deus está lá dentro!

Mantenho a porta fechada.

Através da fechadura, vejo a luz, e uma nudez feminina.

Este imaginário estonteante, deixa-me atónito, e cria em mim uma falsa fé! A salvação é acreditar que se não abrir a porta, a nudez é só uma ilusão, E a luz!

Afinal é só desligar o interruptor!
 
••

Dizem que o filho de deus fugiu!

Que levou a lâmpada com ele.

E todas as formas de luz, que veem nele, são fruto de uma lâmpada!
E assim o espaço ficou na escuridão, e já não faz sentido ter o interruptor!
 
•••

Mas a nudez feminina voltou a surgir no meu imaginário.
 
Tem a pureza de uma nuvem.

A leveza do algodão.

E é doce como o mel!
 
Está agora coberta por um pano branco, dos pés a cabeça.

E a minha preocupação, é, que andam três crianças nas redondezas, e ainda começam a alucinar, novamente!
 
 
 
 

 

 

 

 

Eyes in the night
 
No fio da noite, cortando o rebordo de prata onde se encheu de desilusão o olhar faminto.
 
Uivos de lobo, garras deslizando a luz que não se vê, não se toca, em fogo se sente.
 
E no golpe nu, o fim em suspiros cavalgando o meu peito dentro da morte, assim será a morte!
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A lua estava tremenda.
 
Parecias um poema, a fugir de quem te quisesse ler.

Não te li.

Só te vi.

Só tive tempo de ver que és mesmo bonita, tímida, como um poema que foge para ninguém o ler.
 
Se eu soubesse escrever como os poetas, escrevia em ti um poema sem medo, e deixava que o lesses, e ficava eu a ler-te, para deixares de fugir da beleza dos poemas simples, que fazem viver, como tu.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Adorar
 
É olhar a distância entre as pontes e sentir que o vazio não é um monstro. Além o outro lado, sem limite, numa invulgaridade adocicada, impossivelmente adocicada.

É sentir sem estar perto, sem conhecer, sem ver.

É desenhar no sofá formas mágicas, que se espalham pela sala e fazem sonhar.

É criar sorrisos e silêncios completamente apaixonados.

É o toque exato na pele que se esconde atrás da orelha, é o toque errado perto do umbigo, onde se pode mergulhar.

Adorar é jogar sem ases e conquistar a rainha de copas sem conhecer o país das maravilhas.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Encontramos as ruas, sem voz, no silêncio da noite, sem olhar.
 
O carrocel dentro de mim leva-te em voltas e mais voltas, tu tão perto e eu tão louco.
 
Flutuamos nas ruas e deixamos para trás as esquinas paradas, onde a sombra não quer ficar.
 
A porta aberta espera para nos brindar com vinho numa mesa para dois.
 
A silhueta ajusta-se na lã onde se encaixa o teu corpo e se queda a cor do verão.

Soltas as amarras e em sopros de ternura tudo se torna mais leve.
 
No meio da agitação dou por mim a desejar que a tua voz sussurre.
 
 …' nada até mim, nada até mim'.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

¡Te iba a decir que voy a lamerte todas las gotas, las que van a correr por tu piel y entrar en tu ombligo!

¡Encontraré un bote para hacer este viaje en la locura del placer, juntos! Ninguna tormenta puede romper la revolución sexual, dos cuerpos se fusionaron en uno.
 
Solo caeremos cuando mis labios se pierdan en los tuyos, ¡pero ahí es cuando vengo a los tuyos!

Si mis manos van dentro de ti, dibujaré mi voz justo al lado de tu pecho, ¡me escucharás como si fuera tu corazón!
 
Querrás que devore tus entrañas y que la sangre corra por tus venas.
 
No moriremos, pero nos moveremos a un nivel donde solo los amantes se desnudan y el mundo explotará una y otra vez!
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A ilusão
 
Azul sem céu, sem mar.
Luz sem sol, sem lua.
Infinito sem olhar, olhos sem cor.
Sombra sem movimento.
Não sou eu.
Céu sem lua, sem azul.
Mar sem sol, luz sem azul.
Olhar sem movimento, não sou eu, é o infinito.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 

Ainda bem que as letras não têm peso!
 
 
Serão assim desnudadas na placidez dos campos sombrios, E os livros permanecerão eternamente leves, sem peso algum.
 
Na perfeição das linhas retas, perfilarão, umas atrás das outras, para criarem palavras e soberbamente fecundar frases feridas de morte na aproximação ao ponto final.
 
Nenhuma crueldade poética iluminará este erotismo crescente que se estende no prazer devorador da leitura, de quem as lê!
 
Estas letras sem peso algum.
 
Às vezes fico com a ideia de que conseguia aguentar com metade dos livros que existem no mundo!
 
Porque não haveria de conseguir!?

Se as letras não têm peso, absolutamente nenhum!
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Esse lado
 
Na tragédia dos dias contados, um sinal, por mais breve que seja pode diluir a angústia de quem fica à espera que o pensamento ganhe cor.
 
Este é o lado bom porque existe um sentido.
 
Esse lado é demasiado trágico se não tiver um fim.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 

Agora tenho de ir.
 
 
Entre as árvores que o vento faz bailar, existe um caminho que vive em silêncio e desata a correr se sentir os teus passos.
 
Não te vale de nada chegares descalço, as tuas marcas são pegadas de elefante e mesmo em câmara lenta, a única coisa que te faz seguir é o vento quando não está!
 
Prendes as folhas que encontras no chão, todas têm a sua história, todas foram bailarinas fantásticas em noites de vendaval.
 
Querias ser uma estrela, nem que fosse por uma só noite, e no meio da escuridão contemplar o caminho silencioso que se faz calmo e por onde desejavas passar.
 
Falta-te o silêncio que faz pensar e cheiro das camélias!

Escolhi a Camélia por causa do seu brilho púrpura e do aroma subtil.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
No piano

Amassos, leves toques, impressões digitais sem corpo.
Sussurros, sopros, sons sem beijos.
Degraus, patamares, escadaria horizontal a preto e branco.

Vestido negro luzidio, sem cauda, corpo tenso como a multidão, ansiedade, explosão!

Pedal submisso, equilibrando o tom, sem dança, sem balanço, com o crepúsculo no olhar.

O Deus negro da solidão, a magnitude soberbamente só, dez mandamentos encantadores, no toque leve, na ponta do dedo, na mais bela percussão interior.

 

 

Miguel Ângelo, nascido a 31 de Maio de 1972, numa das duas únicas cidades onde as ruas não têm nome.. Espinho.

Outrora Migueli, onde a bola rolava a seus pés, onde o mundo era um rectângulo verde com duas balizas que se olham de frente. Entre o espectro do golo, foram surgindo poemas onde o caminho se estende até aos dias de hoje. No fascínio de Herberto Hélder, até Ulisses de Homero, eis cada vez mais Humano.

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Revista InComunidade, Edição de Setembro de 2020


FICHA TÉCNICA


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Foto de capa:

HIERONYMUS BOSCH, 'Cutting the stone' (circa 1494)


Paginação:

Nuno Baptista


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