ANO 9 Edição 95 - Agosto 2020 INÍCIO contactos

Artista Moçambicano Qualquer


O Homem é um texto narrativo    

O homem é um texto narrativo. Numa bela manhã, adornada por prantos de uma cadela em cio, o universo cuspira o pó, o deus do vento soprara e se fez a introdução da narrativa, se destacando parágrafos e períodos durante a noite toda, que abalaram terras como Haiti, construindo a destruição das terras sem anuência dos seus supostos proprietários. Alguns doadores ofereceram mantimentos como retórica, concordância, entre outros em solidariedade ao seu homólogo, o homem.

Passando a bola aqui e acolá em ruas nuas, ferira a terra, rasgando as suas entranhas, o Milho e o Feijão foram os calos do solo intrépido, tendo sido afogados pelo estômago do dilúvio que se prosseguira, crescendo a época da miséria, a que fora destinado o homem, o que nascera do pecado para pecador, mesmo Cristo tendo levado todos os pecados à cruz para a salvação do mesmo homem.

Houve sede na garganta da terra, raras vezes o deus da chuva aceitara as preces e oferendas levadas ao Hélicon, aí se construíra o momento de pausa, a seca tomara o planeta terra, sobretudo as terras africanas, cuja agricultura coloniza-nos à medida em que exige seu dízimo para ser executada, morrendo estéril por falta de recursos financeiros, para demandar serviços de inseminação artificial, como forma de garantir a multiplicação das espécies vegetais e o sustento humano.

Se mostrando robusto e disputando o espaço com os coqueiros na competição pela luz.

Contudo, inúmeros cocos perfizeram Mukapatas dentro e além-fronteiras dos machuabo. Tendo sido de maior sucesso além-fronteiras onde o prato mais se apreciara que dentro do território nacional.

Crias cresceram com a crista na cabeça, kikirigons inventaram o relógio do tempo que passara a seguir os passos do seu patronato, aumentando necessidades que nem constam na pirâmide de Maslow, gestão de tudo na vida e na morte.

Crocodilos viram os ânus nus limpos e sujos mergulhando no Limpopo, poluído não só pela lixeira em seu redor, mas também pela mediocridade humana. Levitando crânios dos devorados em sacrifício da mãe natureza, assim construíram o momento de avanço.
Alguns idiotas aliados aos invejosos, tentando cobrir o sol, sem medir as consequências ou pensando que pudessem escapar dos efeitos da ausência do astro, cortaram os galhos do cachorro tentando ser cão, inventando modestamente a conclusão!

 

 

Artista Moçambicano Qualqueré pseudónimo de Afonso Marceta. Nasceu a 01 de Janeiro de 1953 na Província de Sofala, Distrito de Chibabava. Oriundo de uma família tradicional, seu pai sonhava que seu filho se tornasse um abade, mas o seu carácter intolerante e de insubordinação o fizeram abandonar este sonho. Após a conclusão da quarta classe, dedicou a vida à luta incessável pela paz. Um guerrilheiro de bravura e invencível.

Poeta, Cronista e Crítico literário com um sentimento patriótico agudo, tem publicações em jornais e revistas nacionais. Foi Antologiado em 2016 em Galiza “Galiza-Moçambique: numa linguagem e numa sinfonia” e na antologia poética de Xitende “Fique em Casa, Amor!” em 2020.

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Revista InComunidade, Edição de Agosto de 2020


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Foto de capa:

SALVADOR DALÍ, 'Sueño causado por el vuelo de una abeja alrededor de una granada un segundo antes de despertar', 1944


Paginação:

Nuno Baptista


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