ANO 9 Edição 95 - Agosto 2020 INÍCIO contactos

G Morantt


Resumo da obra Memórias de uma Curitiba egressa    

 

Resumo da autora.

Esse romance, na linha erótico/psicanalítica busca resgatar a ideia de Perversão do senso comum onde surge de forma altamente depreciativa e moralista e, por outro lado, propor a sua retirada da classificação Freudiana banalizante e muito mal compreendida até pelos próprios psicanalistas.

Tal como aconteceu com o rotulo da Homossexualidade, há bem pouco tempo retirada da Classificação Internacional das Doenças (CID), a Perversão, enquanto fenômeno existencial e mais cotidiano do que se imagina, reclama uma abordagem mais humana e atualizada ( vide a questão do infantilismo). Maria Thereza ( a Dama de Curitiba) narra na primeira pessoa e, ocultando seus “predicados físicos” machistas, procura dar voz e inserção identitária àqueles que se voltam à pratica de sua sexualidade fora dos cânones judaico-cristãos e psicologizantes, numa contemporaneidade que, apesar de hedonista e “liberada”, é altamente hipócrita, mal informada e excludente.

Permite, assim, a partir de sua viuvez liberta de preconceitos e economicamente estável, que seus “amigos” oriundos da alta oligarquia de uma Curitiba retrógada e quase quatrocentona realizem seus desejos inconfessos e recalcados. Com isso, passam a se sentir menos párias, menos rotulados e menos discriminados por uma sociedade que lhes reserva um lugar de profunda exclusão, pecaminoso e mal compreendido que se apresenta.

Os demais personagens, masculinos, foram construídos com base em anos de observação e experiência na aérea educacional e de Saúde da autora, e lastreados por minuciosas entrevistas e pesquisa de campo.

Trata-se do que o semiólogo Umberto Eco denomina “obra aberta” que, ao final, apesar de redentora quanto às amarras e preconceitos, abre um espaço quase pedagógico para a compreensão menos emparedada por clichês das sutilezas da sexualidade humana.

A obra está inserida numa coleção de quatro romances protagonizados por mulheres e situados em um imaginário libertário, que questiona por diversos prismas a condição da mulher egressa de anos de um patriarcalismo, sempre machista, debochado impositivo e colonizador.

Sobre a autora
 
A catarinense G Morantt, escritora e trabalhadora Social em Saúde e Educação, tem 46 anos é mãe de três filhas e avó, também declama poesias da escritora e dramaturga Hilda Hislt em suas mídias sociais num formato original e inovador.

                                       Orelha
 
Na linha Brevidades, não apenas na extensão, mas nas elipses, hiâncias e concisão, esse romance surge de uma pesquisa profunda das condições humanas que traz à tona, bem como da intensidade que provém de casos reais ali narrados. Não há como discernir o ficcional de um certo naturalismo seco, isento de descrições excedentes e profundamente humano, de carne-e-osso. A propósito, mais carne do que osso.

Por Marco Antônio de Araújo Bueno
Psicanalista lacaniano e ficcionista- SP

Contra capa

 “Você já parou para pensar na palavra Perversão? Para a psicanálise: desvio de comportamento; está no tripé que perfaz, junto à  Neurose e à Psicose, o espectro dos, assim denominados — ‘sofrimentos da alma’. Na bíblia, é o mal! E quando se busca sinônimos, deparamos palavras como: “corrupção, imoralidade, pecado, anomalia, malignidade, contaminação, degeneração”; (sic disc: “perversidade. malignidade, maldade, corrupção, abastamento, contaminação, degeneração, degenerescência, infecção, vício, depravação, corrução, desmoralização, dissolução, envilecimento, libertinagem, licenciosidade, relaxação, avacalhação, podridão, imoralidade, acinesia, apatia, devassidão...”). E tudo piora quando a palavra ‘doença’ surge. Então, além de imorais, eles são doentes! Mas quem e quando se pode afirmar o que é uma relação sexual saudável, a igreja? A sociedade? Quem? Até pouco tempo, por exemplo, a homossexualidade era considerada e rotulada como perversão, uma doença e atualmente não o é mais, pela própria sociedade médica e psicanalítica.

Prefácio.

A autora discorre numa linguagem assertiva sobre a inversão dos valores femininos a partir de uma decisão de sua própria vida, livre de compromissos assumidos com a família e viúva no momento, repensa a sua vida e decide dedicar-se ao prazer do sexo livre e pleno de fantasias. Troca a indumentária de ingênua e suave donzela até então, segundo ela, imposta pelos cânones do bom comportamento feminino, pela vestimenta sensual e amoral para assumir o papel da dominante e não dominada, autora de seus próprios desejos. Seus personagens masculinos passam a submeter-se à sua vontade e fantasias, numa espécie de resposta aos abusos masculinos sempre desculpados pelas sociedade. Suas aventuras, revigorantes na sensação do prazer, trazem a todas as mulheres, a certeza de que é chegada a hora da contestação da teoria de Spinosa de que o desejo na mulher é doença incurável.

A autora transforma essa teoria na absoluta certeza do poder feminino quando posta em prática a supremacia do desejo feminino à dominação masculina. Porém, a sutileza do tema não coloca o homem como oponente, mas sim, o acolhe como parceiro na certeza de que o amor e o prazer dependem da  cumplicidade entre os protagonistas do gozo usufruído entre o sexo e a sedução. A personagem principal - a Dama de Curitiba - surge na história. Talvez, senão, a inspiradora da trama, mas a personagem que dá voz ao parceiro. E, finalmente, quem  é, na verdade, a Dama De Curitiba, principal personagem da história - a amante de seu pai esquecida até sua morte, a encarnação da ideia em suas fantasias, ou a decisão de ser livre ao extremo desafiando sutilezas e revelando a devida realização sexual, destruindo todo o mistério que cerca a relação, na crueza e exaltação oculta da sociedade?

Deixo ao leitor e à leitora a resposta. Que encontrem, na leitura, a solução a  todos os seus prazeres e  o desafio da verdade suprema, na gratificação amorosa, pois, cúmplice  do amor e do sexo, sempre será o prazer.

 

Nilza Amaral. ( Academia Campineira de Letras e Arte)

 

 

A catarinense G Morantt, escritora e trabalhadora Social em Saúde e Educação, tem 46 anos é mãe de três filhas e avó, também declama poesias da escritora e dramaturga Hilda Hislt em suas mídias sociais num formato original e inovador.

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Revista InComunidade, Edição de Agosto de 2020


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Colaboradores de Agosto de 2020:

Henrique Dória, Adán Echeverria, Adelto Gonçalves, Adriano B. Espíndola Santos, Antônio Torres, Artista Moçambicano Qualquer, Audemaro Taranto Goulart, Caio Junqueira Maciel, Calí Boreaz, Carina Sedevich; Rolando Revagliatti, entrevista, Carlos Alberto Gramoza, Carlos Barbarito, Carlos Barroso, Carlos Eduardo Matos, Cecília Barreira, Claudio Parreira, Deusa d’África, Eunice Boreal, Fabiano Silmes, Fernando Andrade, Flávio Sant’Anna Xavier, G Morantt, Godofredo de Oliveira Neto, Henrique Dória, Hermínio Prates, Hirondina Joshua, Juan Manuel Terenzi, Katia Bandeira de Mello-Gerlach, Leandro Rodrigues, Leila Míccolis, Maria Azenha, Marinho Lopes, Miguel Ángel Gómez Cortez ; Moisés Cárdenas, entrevista, Milton Lourenço, Nelson Urt, Nuno Rau, Reynaldo Damazio, Ricardo Ramos Filho, Waldo Contreras López


Foto de capa:

SALVADOR DALÍ, 'Sueño causado por el vuelo de una abeja alrededor de una granada un segundo antes de despertar', 1944


Paginação:

Nuno Baptista


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