ANO 9 Edição 95 - Agosto 2020 INÍCIO contactos

Carlos Eduardo Matos


Uma aventura em Évora    

Tudo começou com uma festa na casa de uma brasileira em Lisboa.  Não lembro de quem era o apartamento, minha memória está uma lama, mas essas reuniões da, digamos, esquerda festiva (e não tão festiva) brasileira em Portugal eram comuns, no ano de graça de 1975.

 

Eu não era (mais) militante, estava na periferia desse movimento. Fazia em Paris um doutorado na École Pratique des Hautes Études e morava com minha mulher na Maison du Brésil. Meu trabalho acadêmico ia mal, meu casamento idem.  Nós dois já havíamos visitado Portugal em 1974, logo após a derrubada do regime pós-salazarista, e ficáramos encantados com a coisa.  Então decidi voltar, sozinho, no ano seguinte. Cheguei, vi e me perdi, mergulhei de cabeça na festa móvel que era Lisboa dos comícios e das bandeiras vermelhas. 

 

E à noite havia outro tipo de festa, muito álcool, algumas drogas, discos de MPB e intermináveis discussões políticas. Foi então que ouvi dois carinhas conversando, não lembro quem eram. Um deles perguntou se o outro aceitaria dar aulas em uma faculdade de Évora, no Alentejo. Para sorte minha, o carinha no 2 recusou. Eu estava perto, entrei no papo, e minutos depois estava com os contatos para iniciar uma carreira de professor universitário. Lembro de havermos dito, o carinha no 2 e eu, que era essencial impor condições de rigor acadêmico e político aos dirigentes da faculdade, antes de aceitar qualquer proposta de trabalho. Mais politicamente correto, impossível. Quanto a ele, não sei; quanto a mim, era uma mentira deslavada, eu venderia a alma para deixar de ser turista e me tornar um intelectual orgânico (Gramsci oblige) de um país em ebulição.  Meu tipo ideal, naquele momento, não era Lênin nem Trostky, e sim John Reed. Eu estava decidido a, no mínimo, testemunhar de maneira participativa aqueles dias que abalariam a Europa (cuíca o mundo).

 

E foi assim que comprei passagem no comboio para Évora e, 1h30 depois, desembarquei no Alentejo. À medida que me afastava da estação, o calor me golpeou, como um soco no peito. Fui criado nas praias fluminenses, e achava que tiraria de letra qualquer verãozinho europeu. Mas o calor vinha da África, momentaneamente amenizado pela brisa das praias do Algarve, para em seguida avançar, querendo vingança, rumo ao Alentejo central. O ar quente e seco tornava difícil respirar; meu relacionamento com a cidade começava mal.

 

Mas logo me apaixonei pelas casinhas, de telhado vermelho e um branco reluzente ao Sol. As ruas tinham nomes encantadores, como Rua do Imaginário (dos fabricantes de imagens religiosas). Afinal, cheguei à grande praça do Giraldo, bem no centro da cidade, com seus arcos em curva. Alguns desses arcos davam acesso a um misto de botequim e bar, mais sombrio e mais fresco que o exterior. Ele tornou-se um point, um local para preparar minhas aulas e beber imperiais (chopes, para os não iniciados).

 

Mas nesse primeiro dia não houve imperiais. Continuei a andar e logo cheguei ao centro histórico. Ali, no Largo de Vila Flor (obrigado, Google) ficava a Escola Superior de Estudos Sociais e Económicos Bento de Jesus Caraça, onde eu daria aulas. Fora criada depois que a Revolução dos Cravos levara a faculdade jesuítica existente no local a suspender suas atividades. Era a segunda vez que a Companhia de Jesus se dava mal por ali. As instalações abrigaram a Universidade de Évora – fundada em 1559 e controlada pelos jesuítas até 1759, quando o marquês de Pombal a extinguiu e expulsou os padres.

 

Junto à Escola Bento de Jesus Caraça, entre outros monumentos magníficos, estavam a Sé de Évora, o antigo Tribunal da Inquisição, a Igreja e Convento dos Lóios e a Biblioteca Pública. Mas o monumento mais próximo, coladinho à faculdade, estava em ruínas. Eram os restos do templo romano de Évora – a única coisa que eu conhecia da cidade, ainda que o chamasse erroneamente, como tanta gente boa, de Templo de Diana. Não era de Diana, era dos meus alunos e meu. Ou logo viria a ser.

 

Apresentei-me na secretaria, expus minhas credenciais acadêmicas – eu fazia mestrado sob a orientação de Francisco Weffort e doutorado com Alain Touraine –, fui contratado, soube quando daria minhas primeiras aulas, pra quais turmas, e quanto receberia. O pagamento não era nenhuma maravilha, mas os administradores acrescentaram que eu teria uma ajuda de custo por ter de me deslocar da capital até à distante Évora. Grana extra por 1h30 de viagem? Eu quase pagaria para dar aulas no Alentejo vermelho! Sou Flamengo, mas lembrei-me do hino do Grêmio: “Até a pé nós iremos..”. Eu não chegaria a tanto, iria de comboio, não a pé, mas o espírito era esse.

Eu ficaria com uma turma do 4º ano e outra do 5º, ensinando, respectivamente, Sociologia do Desenvolvimento e Sindicalismo. Para esta última não havia problema: eu escrevera, na pós-graduação brasileira, um paper em que abordava ideias de Lênin, Trotsky, Rosa Luxemburgo e Gramsci, somando-as à organização sindical e aos movimentos sociais do proletariado europeu nas décadas de 1910 a 1930. O texto mereceu elogios e eu, todo pimpão, levei-o comigo para a Europa. Foi só xerocar o documento, distribuir cópias entre os alunos e encomendar seminários e discussões sobre os diversos tópicos. Este documento foi depositado na Biblioteca de Évora, bem perto da Escola do Caraça – era como meus alunos designavam a alma mater, por motivos óbvios.

Para Sociologia do Desenvolvimento, porém, o buraco era mais embaixo. Eu não tinha livros sobre o assunto, nem grana para comprá-los. Afinal, meu pouco dinheiro era para cigarros, muito álcool, comida barata, tomar o Metro (metrô) de Amadora, onde eu morava com um casal de amigos, até o centro de Lisboa, onde tudo acontecia. E também para jornais, obrigatórios, e um eventual hotel quando eu tinha companhia feminina. Sem outro recurso, entrei na Livraria Luso-Brasileira (acho que o nome era esse), peguei o livro Sociologia do Desenvolvimento, da Zahar, e saí na maior cara de pau. Ninguém me perseguiu, os deuses protegem professores iniciantes.

Veio então a preparação das aulas. Eu não tinha experiência e muito menos didática, então cronometrei minha exposição, os momentos de introduzir piadas para tornar mais leve a coisa e por aí foi. Tive a ideia de explorar uma fórmula de Lênin – socialismo = poder dos sovietes + eletricidade – e compará-la aos projetos desenvolvimentistas latino-americanos e portugueses, que enfatizam a eletrificação e outras políticas mas se omitem na questão do poder de classe. Em outras palavras, não se encontram por aí fórmulas do tipo capitalismo = poder da burguesia + eletricidade. Daí era possível criticar, pela esquerda, as políticas dos generais dos cravos, também omissos quanto a esse poder. Era assim que se pensava na época, e olhem que meu côté trotskista me tornava mais sofisticado e flexível que os comunistas casca grossa.

Na véspera de meu début professoral, saí com uma turma para festejar. No final, quando eu, bebaço, me dirigia ao Metro, tropecei e senti uma dor lancinante no pé esquerdo. Aparentemente, ele estava quebrado, o que me imobilizaria em Lisboa. Mas desistir de Évora, nem pensar. Repeti para mim mesmo que era apenas uma entorse – e por sorte era mesmo, senão meu pé teria gangrenado –, manquitolei até o Metro e fui para Amadora, gemendo que nem alma penada. No dia seguinte, eu estava na Escola do Caraça, com o pé super inchado, pronto a enfrentar minha primeira turma.

Achei que foi um sucesso. Escrevi na lousa a fórmula leninista, os alunos copiaram, quebrei a tensão com observações divertidas nos momentos previstos, os alunos riram, discuti a questão do poder de classe, os alunos, sérios, pareceram concordar. Cumpri o cronograma até o último segundo. Meses depois, soube que, devido ao meu sotaque brazuca, eles não entenderam pissirongas, mas eram educados demais para me pedir que repetisse algum ponto ou que falasse mais devagar.

Alguns momentos dessa primeira aula são inesquecíveis. Uma aluna do 4º ano se encantou comigo, invadiu minha aula pro 5º ano e me encarou o tempo todo, embevecida. Chamava-se Antónia e era uma alentejana típica, meio feia, mais forte do que gorda. Meses depois, minha futura ex-mulher foi comigo até Évora e assistiu às minhas aulas. Antónia bufava de ódio. Se olhar matasse, haveria uma filósofa brasileira a menos no mundo.

E, finalmente, veio a confraternização com os alunos, todos sentados nas pedras gastas do templo romano. Os alentejanos eram maioria, mas havia rapazes e moças de todo o país, de Trás-os-Montes ao Algarve. Convenci-os a não me chamar de Sr. Professor Dr. apenas de professor, ou de Carlos, ou de Eduardo, ou de Carlos Eduardo ou de Cadu. E instiguei-os a entoar os lindos cantares alentejanos. Muitos deles achavam cafona, preferiam MPB ou rock, mas eu recebia uma Antónia rápida e ficava embevecido, ouvindo-os.

Entre uma toada e outra, paqueras e discussões políticas não cessavam. Os primeiros a se aproximar foram dois transmontanos que se diziam anarquistas, o Rato e o Bica (não lembro seus primeiros nomes). Vinham de aldeias conservadoras do Norte, e o anarquismo deles, a meu ver, era um recurso para continuarem a se opor a comunistas e socialistas. Mas havia um professor libertário, de ideias enraizadas e um fino senso de humor, com quem tive divertidas discussões políticas. Claro que não lembro seu nome.

Simpatizante trosco, eu até tentei catequisar a moçada, no melhor estilo Escola com Partido – algo prejudicado por eu não ser militante de um partido nem em Portugal nem no Brasil –, mas não converti ninguém. Nem Antónia, que dava mostras ostensivas de querer abraçar as ideias de Leiba Bronsterin, desde que pudesse também abraçar meu frágil corpinho. Pobre Antónia! O máximo de intimidade que tivemos foi um jantar num restaurante chique de Évora. Depois alguns alunos me felicitaram por ter comido apenas o jantar, não Antónia, mas outra coisa seria abuso, e dos grandes.

Mas minhas tentativas de proselitismo não tinham muita convicção. Em Lisboa eu participava de intermináveis discussões, escrevia pequenos artigos às vezes publicados na imprensa trotskista – infelizmente num jornal da minoria da 4ª, não da maioria, a Liga Comunista Internacionalista, que eu apoiava –, bebia porradas de imperiais no Rossio e tentava transar adoidado. Eu me sentia livre, leve e solto, embora meu casamento, de papel passado, ainda subsistisse formalmente, apesar de ter subido no telhado. Já em Évora, bastavam-me o templo romano e os cantares.

Talvez eu tenha dado a impressão de que, mal entrava na classe, os rapazes recebessem um coral alentejano rápido, colocassem lenços no pescoço e bonés na cabeça, no melhor estilo local, e saíssem disciplinadamente para cantar junto às colunas milenares. Não era bem assim. Nem sempre havia cantorias – mas, quando havia, era mágico.

E nem todos cantavam. Os alunos do 5º ano eram mais reservados, interessados basicamente em se formar. Segundo eles, eu era um excelente professor, provavelmente porque lhes apresentei, mastigadinho no meu texto, algo do pensamento de Rosa Luxemburgo (de Greve de massas, partido e sindicatos). Trotsky e Gramsci. Já para os do 4º ano – os cantores – dei aulas medíocres. Isso não os impediu de me considerarem um professor legal, “porreiro”

A verdade é que desperdicei o Alentejo. Enquanto eu punha meus alunos para cantar, ou ensinava sobre as lutas operárias da primeira metade do século XX, ocorria uma profunda revolução agrária na região, com a ocupação dos latifúndios. Isso simplesmente passou batido por mim e pela moçada. Nem tentei estabelecer contato com os sindicatos rurais e os grupos de ocupação das fazendas. Sinto um profundo arrependimento disso.

Quando não estava em classe ou orquestrando cantares, eu ficava num hotel barato, perto da praça do Giraldo. Ali começava a preparar minhas aulas, mas logo seguia para a Taberna do Giraldo (acho que o nome era esse). Ali minha produção aumentava, assim como a dosagem etílica no meu organismo.

Havia ocasiões em que eu recebia namoradinhas em Évora. Trocava então o hotel de terceira pela magnífica Pousada do Convento, bem pertinho da Escola do Caraça. Com esse comportamento, não é de espantar que os demais professores me olhassem meio atravessado. Não recordo o nome de nenhum deles. Além do anarquista, com quem eu convivia bem, a maioria mantinha-se cortês mas reservada, bem à portuguesa. E havia um fóssil remanescente da faculdade jesuíta expulsa em 1974, que certa vez tentou atingir-me com sua ironia, observando: “Vossa Excelência vai muito a Paris...”. Respondi de imediato: “Talvez eu vá demais, talvez Vossa Excelência vá de menos!". Troscos sabem manejar, além das armas da crítica, as adagas da ironia, e o pobre nunca havia posto as patinhas fora do Alentejo...

Tudo isso levou meus alunos (e eu mesmo) à conclusão de que, paralelamente ao meu viés trotskista, eu possuía um côté marialva. Derivado do 4º marquês de Marialva, flor da nobreza mais reacionária e considerado o melhor cavaleiro de sua época, o termo designa “aquele que, sendo de boa família, só vivia com fadistas, alquiladores e outra gente desprezível”. De boa família tudo bem, fadistas não conhecia nenhum, alquilador, aprendi guglando, é um termo antigo para negociante de cavalos, eu tampouco conhecia, mas gente desprezível? Eu só queria ser feliz, participar da revolução, traçar mocinhas militantes, ouvir cantares no Alentejo e fados em Lisboa, escrever meus artiguinhos. É, não cheguei aos pés de John Reed.

Mas eu desempenhava minhas funções docentes e políticas da melhor maneira possível. Certa ocasião, Alfredo e José Luiz, porta-vozes dos alunos e dirigentes da Escola, convocaram-me para comparecer a uma reunião de escolas de Economia em Lisboa. Eu morava em Lisboa, devia falar em nome do Caraça enquanto eles não chegassem. Era um critério tão bom quanto qualquer outro para escolher delegados, e na hora marcada comecei minha intervenção. Estava em pauta a gestão socialista da economia portuguesa; eu considerava que não era o momento disso, pois a revolução estava longe de terminar. Quando comecei a expor essa ideia, ouvi risos de todos os cantos. Ao terminar, perguntei o motivo, e me explicaram: “És o quarto brasileiro a falar em seguida, pá”. A Legião Brazuca estava presente, encabeçada pelo pé frio Márcio Moreira Alves (um discurso feito por ele, em 1968, deu o pretexto para os militares fecharem o Congresso brasileiro), para quem estava na hora de parar com mimimi e gerir o polo socialista da economia. Coitado, meses depois ele perdeu mais uma.

Se minha intervenção provocou risos, também mereceu elogios. Depois de chegarem, Alfredo e José Luiz disseram-me que eu havia “mandado falas porreiras”, representando bem a Escola.   

Mas havia momentos em que a revolução se impunha, além das falas. Permanece indelével a lembrança de uma passeata noturna pelas ruas de Évora. Não lembro o motivo da manifestação. Lembro-me das bandeiras vermelhas, das tochas acesas que iluminavam o branco das casas, da multidão serpenteando pelas ruas estreitas, do luar – tudo isso compôs uma cena de enorme beleza.

À medida que as forças políticas radicalizavam e que aumentava o risco de guerra civil, notei que mudava a atitude dos meus alunos para comigo. Os cantares praticamente desapareceram. Os dois jovens anarquistas tornaram-se desdenhosos, depois agressivos; Antónia, não seduzida e não abandonada (embora ela achasse que sim), aderiu a eles.

Certo dia de novembro, um deles me disse que eu estava em Portugal, tirando emprego dos portugueses, por não ter perspectivas no Brasil. A xenofobia, o sentimento “Brazuca, go home”, crescia conforme a direita se organizava. Aquilo me deu uma gastura imensa e, tão logo terminou o ano letivo, disse adeus a Évora. O resultado foi que conquistei fama como analista político, capaz de prever a derrota da esquerda no entrevero do final de novembro.

Só fui rever “meu” templo romano meses depois, já em 1976. Passei na Escola para pedir demissão formalmente, despedir-me e receber alguns salários atrasados. Tive então a grata surpresa de saber que, como fora professor por menos de um ano, eu pagaria apenas o imposto do selo sobre meus rendimentos. Esse imposto existiu no Brasil desde o período colonial e em meados do século 20 deu lugar a formas mais modernas de tributação, mas em Portugal continuava vivo, forte e mexendo os bracinhos. Graças a esse anacronismo luso, recebi os atrasados com um desconto mínimo. Tendo no bolso uma pequena fortuna – para os padrões de um turista brasileiro pobre –, uma quantia que me permitiu passar vários meses em Portugal pairando a uns 15 cm do solo, levemente alcoolizado com bom vinho e malt whisky, despedi-me definitivamente de Évora e, em especial, do templo romano. Eu abri mão das velhas pedras e colunas, com pesar; Diana podia ficar com elas.

 

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Revista InComunidade, Edição de Agosto de 2020


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Foto de capa:

SALVADOR DALÍ, 'Sueño causado por el vuelo de una abeja alrededor de una granada un segundo antes de despertar', 1944


Paginação:

Nuno Baptista


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