ANO 9 Edição 94 - Julho 2020 INÍCIO contactos

Godofredo de Oliveira Neto; Maria Eugênia Boaventura, Myrian Naves


Marcelino    

Myrian Naves,
Pelo Conselho Editorial

 

 

 

O autor, a obra, o “Marcelino”, por Maria Eugênia Boaventura e um excerto da obra.

 

 

 

O autor, a obra

 

O escritor brasileiro Godofredo de Oliveira Neto nasceu em Blumenau, Santa catarina em 1951.   A história particular  do autor permitiu a construção de uma obra em que o universo de Santa Catarina – da cultura portuguesa-açoriana no  Marcelino   à colonização alemã e italiana no O Bruxo do Contestado   passando  pela documentação sobre o conflito do Contestado  e visitas a várias cidades do estado como  Florianópolis, São Francisco, Camboriú e Lages,  - vem profundamente retratado  e  pensado. Mudou-se para o Rio de Janeiro aos 16/17  anos, mas manteve permanente sua escrita voltada para o que ele chama de catarinensismo.  “O Bruxo do Contestado”, “ Marcelino”  e “ Amores exilados”  são denominados pela crítica a sua Trilogia Catarinense. Seu romance  “Menino oculto”, em grande parte também ambientado em Santa Catarina, recebeu uma estatueta no Jabuti 2006. “Marcelino” e “O Bruxo do Contestado” foram elogiados pela revista Veja, Folha de São Paulo,  O Globo e O Estado de São Paulo, entre outros e finalistas de premiações nacionais. “ Amores exilados “ e “ Menino oculto “  foram publicados na França. O jornal  Le Figaro, de Paris,&nbs; dedicou meia página ao livro e  Le Monde comparou  “Menino oculto” à obra de Almodóvar. Seu  livro “Ilusão e mentira”,  com dois contos em que o autor se apropria da literatura machadiana,  tem um desses contos  -  “O galo Adamastor”, tirado do “Ideias de canário”, do Machado  - ambientado em Florianópolis. O romance “Ana e a margem do rio”,  com tradução  publicada  na Bulgária, faz um vasto mosaico da mitologia dos índios da Amazônia (mas a alma da obra está aqui na Reserva Duque de Caxias) e recebeu o selo de Altamente Recomendável da Fundação Nacional do livro Infantil e Juvenil . Foi exposto em Bolonha e consta do catálogo White Ravens. Segundo Godofredo, a história da Ana foi colhida em uma visita à  reserva indígena Duque de Caxias, em José Boiteux, quando o autor tinha 14 anos . Conheceu aí a jovem  Ana e puderam conversar por poucas horas. Mas bastou. Ana está no seu romance. Sua obra é estudada em instituições escolares e universitárias  de todo o país, “O Bruxo do Contestado” foi leitura obrigatória em  vestibulares.  Seu último romance, “Grito”, foi premiado pela Academia Catarinense de Letras (melhor  romance de 2016),  também prêmio de melhor romance de 2016 pela União Brasileira de Escritores e considerado pelo Jornal Extra/ O Globo  entre os 13 melhores romances brasileiros de 2016. “Grito" é ambientado em Copacabana, no Rio de Janeiro, nos dias de hoje. Godofredo é professor Titular de Literatura Brasileira na Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde leciona desde 1980, com Doutorado e Mestrado nas Universidades da Sorbonne e na UFRJ e com estudos de  Pós-Doutorado na Georgetown, em Washington. Passou por vários cargos administrativos na área de educação universitária. Para o autor, Educação e Literatura são a mesma coisa e  seu compromisso educacional, político e social se dá por aí: fazer literatura. Acaba de passar um semestre como Professor-Visitante de Literatura Brasileira na Universidade de Veneza. O seu  romance que mais mergulha na cultura portuguesa-açoriana no Brasil  é Marcelino, ambientado em Florianópolis nos anos 40 do século XX, às vésperas da entrada do Brasil na II Guerra Mundial. O livro acaba de ser editado em Portugal, lançado no recente festival de Óbidos. Artigo na  revista Educação em Linha faz minucioso  levantamento de trechos, no romance,  da vida na ilha de Santa Catarina naqueles anos de guerra, particularmente dos traços  da cultura dos Açores transpostos para Florianópolis com a chegada de seis mil açorianos (homens, mulheres e crianças) vindos do Porto de Angra na Ilha Terceira entre 1747 e 1753. A cerimônia da Coberta da Alma, hoje quase inexistente,  é um desses exemplos entre dezenas.  Ivan Junqueira, Ledo Ivo, Eduardo Portella, da Academia Brasileira de Letras, fizeram elogios  explícitos a respeito da obra, além de críticos da literatura contemporânea como Silv iano Sant iago – que dedicou uma página inteira do jornal O Estado de São Paulo – e Beatriz  Resende. 

 

 

[Carta de Ivan Junqueira ao autor, sobre a obra,“Marcelino”.
Correspondência entre Ivan Junqueira e Godofreto de Oliveira Neto.]

 

 

O “Marcelino” de Godofredo de Oliveira Neto

 

Maria Eugênia Boaventura

 

         A epígrafe do novo livro Marcelino – uma citação de Emparedado de Cruz e Souza homenageia o conterrâneo famoso e sugere a tradição literária que Godofredo de Oliveira Neto persegue. Constrói um artefato linguístico refinado, competente e sedutor, desvia-se dos clichês  e da platitude da linguagem comum de parte da ficção atual num intenso trabalho de reescritura da primeira versão do texto de 2000. Prática esta incorporada e praticada por vários escritores, entre eles, lembraria dois modernistas: Oswald e Mário de Andrade, incansáveis autores de reelaborações de suas obras.
         Oliveira Neto entremeia lances dos bastidores políticos, durante a ditadura Vargas com o ritual de passagem para a vida adulta do jovem pescador (18 anos), Marcelino Nanmbrá dos Santos, neto de escravo, açoriano e índio, na praia do Nego Forro, em Santa Catarina, onde o romance começa e acaba. O torneio lúbrico na disputa pelo belo cafuzo, o melhor pescador de lagostas, envolve, de um lado, as adolescentes Sibila e Martinha, do outro, a balzaquiana Eve, e é responsável por passagens hilárias.
         Tudo se passa durante a Segunda Guerra Mundial, em 1942, ano em que um navio brasileiro é torpedeado e interrompe o veraneio de um ex-senador, alto funcionário do governo federal, Nazareno Correa da Veiga de Montibello, sua mulher Emma Alencastro do Nascimento Silva Azambuja de Montibello, os filhos Sibila, Pedrinho, mais a governanta Eve, na sua propriedade, Villa Faial, frequentada pelos líderes políticos do momento e por Marcelino, encarregado para brincar com o filho pequeno do senador e de amigos seus. A imponência dos nomes revela muito sobre as personagens. Emma pertence à alta burguesia da capital, forçada a trocar, todo o verão, Londres ou Petrópolis pela Praia do Nego Forro, em virtude dos interesses políticos de seu marido na região.
         No cotidiano daquele vilarejo (uma vila de pescadores), onde campeiam o descaso do poder público, a ignorância,  a credulidade e as crendices, o destrambelhamento ético e moral do ex-senador e seus colegas, flanando no Cadillac Fleetwood do governo estadual, torna-se patético.
         Godofredo transforma em ficção a vivência da sua terra natal. Os diálogos dão movimento ao enredo e o escritor explora na medida, sem exibicionismo, a riqueza vocabular da língua, através da qual comparecem a culinária, a paisagem natural e humana da região praiana. Estes elementos ganham vida própria pela manipulação do léxico e da sintaxe locais, sem prejuízo da fruição da obra por parte de um leitor externo àquele mundo. O narrador dá voz aos nativos como Tião, à confusa consciência política de Lino voador, Martinha, à professora Ednéia, ao protagonista e a seus amigos pescadores. Do mesmo modo a vida da “corte” nos capítulos passados no Rio de Janeiro, nas conversas da dona Emma com sua amiga, nas falas da governanta Eve e no inconformismo pacato da entediada, Sibila, 19 anos, temporariamente suspensa, a contra gosto, do convívio de suas colegas cariocas.
         Chico Alves, Lamartine Babo, Ari Barroso e Almirante, Chevalier, Piaff ecoam no rádio da venda do Seu Ézio e nas casas da família rica. Os ícones da nossa história recente circulam nas conversas dos personagens (Seleções, Diretrizes, Rádio Tupi, DIP, Getúlio, os Konders, Nereu Ramos, Filinto Muller, Lourival Fontes, etc). O Repórter Esso informa sobre o desenrolar do conflito mundial e o rádio diverte os moradores do isolado lugarejo, um dos poucos momentos de lazer, afora os dias de missa. Mas o trinado dos pássaros é o melhor companheiro do arredio Lino voador, o único perdedor nesta singular história de emoções, medos, dúvidas, politicagens e também de singular escrita, capaz de proporcionar uma leitura cheia de surpresas e de muito prazer e informar sobre a engrenagem daquela sociedade racista e corrupta daquele momento.

 

 

[Contracapa, Marcelino, Godofredo de Oliveira Neto]

 

 

 

Excerto da obra:

 

         “Marcelino foi interrogado com violência na sede da polícia do Distrito Federal. As perguntas, segundo se soube, eram respondidas de forma desencontrada pelo perigoso cafuzo. Torturas de toda sorte surtiam pouco efeito. O até um certo momento frio e calculista espião, de acordo com as palavras de um funcionário da Delegacia, só falava em vó Chiquinha. Algumas vezes tinha pronunciado o nome Martinha. O resto eram códigos secretos como peixe voador, Divino Espírito Santo, Maroca, Zequinha, Chico, sabiá preta, Tião. O nome
 Martinha, aliás, corrigiu um detetive informante, voltou várias vezes, só perdia para vó Chiquinha.
         A quadrilha inteira de Marcelino acabou desmantelada. Fotos surpreendentes foram publicadas em todos os jornais. Algumas retiradas dos arquivos, com um bando de crianças sorridentes, a bandeira nazista ao fundo. Outras mostravam revoltosos do Contestado numa conhecida pose em que os protagonistas pareciam jogadores de futebol após a vitória, mas com espingardas e garruchas nas mãos. As redações dos jornais estavam tão perdidas quanto o serviço de espionagem da Presidência da República. Algumas até relembraram do programa americano, “A Guerra dos Mundos”, com Orson Welles, que apavorou a América com descrições de marcianos invadindo a terra. O público acreditou e a rádio CBS teve que desmentir e explicar: tudo não passava de uma brincadeira. Não seria agora também uma piada de mau gosto?  
         Ao entardecer do dia da investida da polícia ao apartamento do senador Di Montibello, deu-se um assalto a uma agência bancária  numa rua do centro do Rio de Janeiro. Um cliente do Banco do Brasil carregando uma pasta recheada de libras esterlinas foi abordado na calçada da Gonçalves Dias e esfaqueado. Os ladrões conseguiram fugir com a pasta. Os assaltantes acabaram presos logo depois no morro do Livramento. As rádios do Rio apressaram-se a vincular o assalto da Gonçalves Dias à organização nazifascista recém-dissolvida. Mas a especulação durou pouco. Os bandidos confessaram o roubo. Eram ex-empregados da agência bancária e trabalhavam a soldo de notório chefe de quadrilha especializada nesse tipo de ação criminosa.

 

100

 

AS FOTOS dos quatro representantes das profundezas da nação brasileira saíram estampadas nos jornais de todo o Brasil. Os rapazes vinham do Nordeste, de Minas e de Santa Catarina e descritos como vítimas inocentes de uma vil e perigosa falange nazifascista que, manhosamente, aliciava incautos jovens representantes da jovem nação brasileira, nação justamente - como se insistia - caracterizada pela harmonia social, pela democracia  racial e pela grande cordialidade.
         Os membros da quadrilha, que se reunia clandestinamente num sobrado da rua dos Andradas havia mais de um ano, passavam-se por defensores da causa dos aliados. Eles mantinham, não obstante, como se pôde verificar nos documentos apreendidos, entranhável ligação com o movimento nazista e fascista no Brasil. Mais de trinta pessoas no Rio de Janeiro, de São Paulo, da Bahia, de Minas Gerais, de Santa Catariana, do Rio Grande do Sul e de Pernambuco foram detidas. Os ex-chefes integralistas defenderam-se alegando ser impossível controlar indivíduos que continuavam a lutar pela causa do partido, partido injustamente posto na ilegalidade há mais de três anos, como não cessavam de reclamar.

         Marcelino foi trancafiado numa delegacia da rua do Lavradio, após passar uma noite internado na Santa Casa de Misericórdia, onde o medicaram e trataram das feridas e hematomas, resultado do interrogatório policial. (...)”

 

Godofredo de Oliveira Neto

 

Godofredo de Oliveira Neto; Maria Eugênia Boaventura, Myrian Naves

 

Godofredo de Oliveira Neto
O escritor brasileiro nasceu em Blumenau, Santa catarina em 1951.   A história particular  do autor permitiu a construção de uma obra em que o universo de Santa Catarina – da cultura portuguesa- açoriana no  Marcelino   à colonização alemã e italiana no O Bruxo do Contestado   passando  pela documentação sobre o conflito do Contestado  e visitas a várias cidades do estado como  Florianópolis, São Francisco, Camboriú e Lages,  - vem profundamente retratado  e  pensado. Mudou-se para o Rio de Janeiro aos 16/17  anos, mas manteve permanente sua escrita voltada para o que ele chama de catarinensismo.  “O Bruxo do Contestado”, “ Marcelino”  e “ Amores exilados”  são denominados pela crítica a sua Trilogia Catarinense. Seu romance  “ Menino oculto”, em grande parte também ambientado em Santa Catarina, recebeu uma estatueta no Jabuti 2006. “ Marcelino” e “ O Bruxo do Contestado” foram elogiados pela revista Veja, Folha de São Paulo,  O Globo e O Estado de São Paulo, entre outros e finalistas de premiações nacionais. “ Amores exilados “ e “ Menino oculto “  foram publicados na França. O jornal  Le Figaro, de Paris,&nbs; dedicou meia página ao livro e  Le Monde comparou  “ Menino oculto” à obra de Almodóvar. Seu  livro “ Ilusão e mentira”,  com dois contos em que o autor se apropria da literatura machadiana,  tem um desses contos  -  “ O galo Adamastor”, tirado do “ Ideias de canário”, do Machado  - ambientado em Florianópolis. O romance “ Ana e a margem do rio”,  com tradução  publicada  na Bulgária, faz um vasto mosaico da mitologia dos índios da Amazônia ( mas a alma da obra está aqui na Reserva Duque de Caxias) e recebeu o selo de Altamente Recomendável da Fundação Nacional do livro Infantil e Juvenil . Foi exposto em Bolonha e consta do catálogo White Ravens. Segundo Godofredo, a história da Ana foi colhida em uma visita à  reserva indígena Duque de Caxias, em José Boiteux, quando o autor tinha 14 anos . Conheceu aí a jovem  Ana e puderam conversar por poucas horas. Mas bastou. Ana está no seu romance. Sua obra é estudada em instituições escolares e universitárias  de todo o país, “ O Bruxo do Contestado” foi leitura obrigatória em  vestibulares .  Seu último romance, “ Grito”, foi premiado pela Academia Catarinense de Letras (melhor  romance de 2016),  também prêmio de melhor romance de 2016 pela União Brasileira de Escritores e considerado pelo Jornal Extra/ O Globo  entre os 13 melhores romances brasileiros de 2016.  ' Grito" é ambient ado em Copacabana, no Rio de Janeiro, nos dias de hoje. Godofredo é professor Titular de Literatura Brasileira na Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde leciona desde 1980, com Doutorado e Mestrado nas Universidades da Sorbonne e na UFRJ e com estudos de  Pós- Doutorado na Georgetown, em Washington. Passou por vários cargos administrativos na área de educação universitária. Para o autor, Educação e  Literatura são a mesma coisa e  seu compromisso educacional, político  e social   se dá por aí: fazer literatura. Acaba de passar um semestre como Professor-Visitante de Literatura Brasileira na Universidade de Veneza. O seu  romance que mais mergulha na cultura portuguesa-açoriana no Brasil  é Marcelino, ambientado em Florianópolis nos anos 40 do século XX, às vésperas da entrada do Brasil na II Guerra Mundial. O livro acaba de ser editado em Portugal, lançado no recente festival de Óbidos. Artigo na  revista Educação em Linha faz minucioso  levantamento de trechos, no romance,  da vida   na ilha de Santa Catarina naqueles anos de guerra, particularmente dos traços  da cultura dos Açores transpostos para Florianópolis com a chegada de seis mil açorianos ( homens, mulheres e crianças) vindos do Porto de Angra na Ilha Terceira entre 1747 e 1753. A cerimônia da Coberta da Alma, hoje quase inexistente,  é um desses exemplos entre dezenas.  Ivan Junqueira, Ledo Ivo, Eduardo Portella, da Academia Brasileira de Letras , fizeram elogios  explícitos a respeito da obra, além de críticos da literatura contemporânea como Silv iano San tiago – que dedicou uma página inteira do jornal O Estado de São Paulo – e Beatriz  Resende.             

 

Maria Eugênia Boaventura
Ensaísta brasileira, professora titular de literatura brasileira do Departamento de Teoria Literária da Unicamp. Sua especialidade é a literatura brasileira como um todo, embora seja referência nos estudos sobre o modernismo e a literatura contemporânea. É pesquisadora relevante também sobre fontes primárias e arquivos pessoais. Dentre suas obras estão, O Salão e a Selva, A Vanguarda Antropofágica, Movimento Brasileiro, 22 por 22.

Myrian Naves, pelo Conselho Editorial

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Paginação:

Nuno Baptista


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