ANO 9 Edição 94 - Julho 2020 INÍCIO contactos

Beatriz Aquino


Caligrafia selvagem    

 

 

EDITORA LARANJA ORIGINAL


Sinopse: livro Caligrafia Selvagem, de Beatriz Aquino

A escritora Beatriz Aquino é sem favor, uma das revelações da Literatura brasileira contemporânea. Em pouco mais de três anos escreveu e publicou por diferentes casas editoriais, dois romances, um livro de crônicas e agora, pela Editora Laranja Original lança seu Caligrafia Selvagem, reunião de 47 textos de poesia em prosa. Sobre a autora, a crítica literária Alexandra Vieira de Almeida escreveu que ela “consegue a difícil proeza de dedilhar a efemeridade do cruel com dedos de fada, ao misturar o lírico ao cotidiano. São quadros da existência que ganham contornos profundos a partir de sua voz plurilinguística. Estendendo uma corda entre o limite e o transbordamento, comporta em seus textos a fina e frágil flor dos segredos ao inextinguível mar dos desejos.” E, o atual Presidente da UBE - União Brasileira de Escritores,  Ricardo Ramos Filho, em prefácio a esta caligrafia de cunho docemente existencialista, alerta aos leitores “Preparem-se para ler um texto forte. Beatriz Aquino não está brincando de escrever. Da alcateia de escritores, ela sobressai-se como loba apta a permanecer entre alguns lobos mais velhos. E uiva, amaldiçoando nosso pertencer a esse universo imenso, escuro e impiedosamente eterno…”

Sobre a autora: Beatriz Aquino é formada em Publicidade e Propaganda e é atriz de teatro. Tem publicados os livros: Apneia (romance), A Savana e Eu (crônicas) e Anne B. – Sobre a Delicadeza da forma (romance). Vive atualmente em Portugal.

Livro: caligrafia Selvagem – Poesia em prosa de Beatriz Aquino – Editora Laranja Original, São Paulo – SP, 2020, 96pg. 23 cm. ISBN 978-65-86042-07-8

Contatos para compra e imediato envio: beapoetisa@gmail.como ou ainda em:  https://www.laranjaoriginal.com.br/product-page/caligrafia-selvagem

 

O lugar das almas que amam

 

Algumas leituras nos surpreendem pelo manejo das palavras, elaboração do texto, forma como as coisas são ditas. Beatriz Aquino nos fala bem de perto, com intimidade. Estabelece conosco, os leitores, um diálogo fluido, rapidamente nos coloca à vontade e nos enlaça, puxando-nos para o seu mundo, do qual passamos a fazer parte. Como bem diz ao falar de sua caligrafia, percebe com extraordinária sensibilidade a necessidade de ser relevante. Relata, ao terminar a apresentação, ter pensado em pedir desculpas pelo muito já escrito e a escrever, talvez preocupada em não ter chegado ao lugar pretendido, mas para nossa satisfação conclui afirmando não desejar escusar-se. Ótimo. Seria injusto, um descalabro. Como escreve bem!

Ao nos tornar cúmplices de seus pensamentos, a autora nos carrega para um mundo ao mesmo tempo lírico e distópico. O lugar das almas que amam e, contudo, ao mesmo tempo, nos exibe almas que espelham o nada. Seu monólogo interior nos revela uma consciência jovem, embora nos deparemos, muitas vezes, com uma senhora experiente a perceber a realidade do seu entorno. Tal jogo, exibidor de uma narradora em primeira pessoa ora surpresa com certas peculiaridades da vida, ora irônica ao constatá-las, embora sempre crítica, nos aproxima no avançar das páginas do livro, dessa personagem tão peculiar: a narradora protagonista.

Não há um enredo propriamente dito. Classificar o material em mãos é difícil, inútil, desnecessário. Nem romance, conto ou livro de poesias. Ao mesmo tempo temos tudo na prosa poética contida neste Caligrafia selvagem. O suficiente para percebermos que é preciso encontrar um amanhecer do lado de dentro mesmo que a cidade não acorde.

Em tempos em que o mal domina a nossa política, uma pandemia nos aprisiona solitários e amedrontados internados entre muros, acovardados em um estranho universo que fomos incapazes de prever, ou mesmo imaginar, é fundamental ler e introjetar algumas das frases encontradas aqui: quanta ingênua ignorância nos serve de bússola; morrer em trânsito, transitório que somos, faz todo o sentido; enrubesço com elogios e fico enormemente tímida na frente de homens bons; escritores são uma alcateia bem estranha; agora que a esquerda caiu apodrecida de corrupção e culpa; vi ainda um beija-flor que não gostava de beijar; transformaram o amor em uma novela e as novelas em boletins policiais; e todos dançam fartos e famintos a dança da alienação; estamos todos mortos.

Preparem-se para ler um texto forte. Beatriz Aquino não está brincando de escrever. Da alcateia de escritores, ela sobressai-se como loba apta a permanecer entre alguns lobos mais velhos. E uiva, amaldiçoando nosso pertencer a esse universo imenso, escuro e impiedosamente eterno...

           
Ricardo Ramos Filho
30/03/2020
Escritor e atual Presidente da União Brasileira de Escritores.

 

 

Beatriz Aquino é formada em Publicidade e Propaganda e é atriz de teatro. Tem publicados os livros:  Apneia (romance), A Savana e Eu (crônicas) e Anne B.  - Sobre a Delicadeza da forma (romance). Caligrafia Selvagem, o seu próximo livro, será lançado em Julho deste ano.. Vive atualmente em Portugal.

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Revista InComunidade, Edição de Julho de 2020


FICHA TÉCNICA


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Colaboradores de Julho de 2020:

Henrique Dória, Adelto Gonçalves, Alberto A. Arias ; Rolando Revagliatti, entr., Álvaro Alves de Faria, André Giusti, Antonio Manoel Bandeira Cardoso, Antônio Torres, Beatriz Aquino, Caio Junqueira Maciel, Cecília Barreira, Chris Herrmann, Clécio Branco, Danyel Guerra, Deusa d’África, Edimilson De Almeida Pereira, Fernando Andrade, Fernando Huaroto, Godofredo de Oliveira Neto; Maria Eugênia Boaventura, Myrian Naves, Hélder Simbad, João Rasteiro, Leila Míccolis, Leonardo Almeida Filho, Leonardo Morais, Lia Sena, Luciana Siebert, Ludwig Saavedra, Marinho Lopes, Moisés Cárdenas ; trad. Sayanbha Das, Myrian Naves, Myrian Naves, Heitor Schmidt, André Nigri e Sérgio Sant’Anna, Nagat Ali, Nilo da Silva Lima, Ricardo Ramos Filho, Silas Correa Leite, Waldo Contreras López


Foto de capa:

HENRI MATISSE, 'Le desserte, Harmonie rouge', 1908.


Paginação:

Nuno Baptista


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