ANO 9 Edição 94 - Julho 2020 INÍCIO contactos

Chris Herrmann


PECCATUM: Novo romance, lançamento    

Lançamento brasileiro
Myrian Naves, pelo Conselho Editorial

 

Arribaçã Editora publica novo romance da escritora brasileira Chris Herrmann

 

 

A escritora Chris Herrmann lançou em março deste ano, virtualmente, o livro Peccatum, seu novo romance. O lançamento nacional da obra seria no mês de julho, em João Pessoa; mas Chris, que está radicada na Alemanha, preferiu cancelar o evento em função dos cuidados recomendados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) por conta da disseminação do coronavírus. O lançamento virtual aconteceu na página “Peccatum”, no Facebook, e a obra está sendo vendida no site da Arribaçã Editora: www.arribacaeditora.com.br/peccatum/

 

De que trata Peccatum? O que significa o pecado? Carolina passa sua vida às voltas com esta pergunta. Aquela mulher católica, com uma fé inabalável e engajada nos projetos sociais promovidos pela igreja, era admirada por uns e invejada por outros no município de Coleirinhos, interior da Bahia. Casada com um militar em plena época da ditadura, ela se apaixona secretamente por uma mulher no ano de 1973. A partir daí, seu mundo de valores começa a desabar. Mas ela não pode dar a perceber.

 

“Trata-se de um romance realista, escrito em linguagem quase coloquial, fluida, em alguns momentos poética, como não poderia deixar de ser levando-se em conta o currículo da autora, sobre a paixão entre duas mulheres, uma delas casada com um militar e extremamente religiosa, com princípios rígidos e uma noção muito estreita de pecado”, define Rosângela Vieira Rocha no prefácio de Peccatum.

 

 

Excerto do romance Peccatum
(Ed. Arribaçã, 2020 – prefaciado por Rosângela Vieira da Rocha) de Chris Herrmann

 

A hora do almoço se aproximava e a de Bertinho chegar. Carolina começava a ficar tensa, mas não triste. A alegria da manhã se transformara em ansiedade com as badaladas do meio-dia. Faltavam apenas três horas para que aquela casa se enchesse de cores novamente. Ela podia esconder esse sentimento de Margarida e do mundo, mas não mais de si. Seu coração batia mais e mais forte. Era uma estranha felicidade. Os minutos se arrastavam e ela não sabia mais o que fazer para que o tempo andasse mais rápido. Bertinho chegou, mas ela pouco o notou. Estava como que entorpecida pelo desejo de rever Teresa. No almoço, fez uma oração apressada e quase não sentiu o gosto da comida. Estava de poucas palavras. Margarida percebeu algo diferente nas atitudes da sua patroa, mas não ousou perguntar nada. Ela nem se lembrou em dizer ao filho para escovar os dentes após o almoço. Este foi para o seu quarto descansar e preparar o material para a aula da tarde. Carolina foi trocar de roupa, pentear os cabelos e retocar a maquiagem, desta vez, mais suave com um batom claro. Escolheu um vestido mais decotado e mais curto de cor branca e flores rosadas, combinando com o batom. Deu preferência a uma sandália baixa, que destacava seus pés pequenos e bem cuidados. Não se esqueceu do perfume de alfazema, seu preferido para andar em casa e receber visitas.
 
Pouco antes das três horas, o coração de Carolina batia forte e parecia antecipar o carrilhão da parede da sala. Margarida estava entretida na cozinha com seus afazeres costumeiros e Bertinho estava na sala sentado à mesa com o seu material. De repente, o som da campainha adentra a sala e o peito de Carolina, que, rápido, corre para a porta. Naqueles décimos de segundo, ela sentia seu corpo estremecer. Quando abre a porta, não vê somente a Teresa, mas a mulher dos seus sonhos. Suas mãos suavam e seu coração parecia querer sair pela boca. Teresa agora estava ali de verdade. E a verdade é que ela ainda estava mais linda aos olhos de Carolina. As duas se entreolharam encantadas. Eram olhares e sorrisos que pareciam contracenar um diálogo e, ao mesmo tempo, uma lista de perguntas sem respostas. Após um longo aperto de mãos e dois corações aflitos, Teresa entrou na sala e se dirigiu ao Bertinho, que esperava a professora com o caderno nas mãos. Carolina ficou triste por não poder ficar ali perto dela, mas estava feliz pelo cafezinho que iria oferecê-la depois. Subiu as escadas com seus olhos descendo furtivamente ao encontro de Teresa, que também a olhava disfarçadamente. Teresa teve a sensação de que aqueles minutos em que ficou aguardando o término da aula em seu ateliê ou em seu quarto ajeitando novamente a maquiagem e seus cabelos no espelho, foram horas. Ansiava o momento de poder descer e estar novamente com aquela moça que a fascinava. Vigiava com aflição o relógio de pulso. Quando, enfim, o relógio lhe deu a alegria do ponteiro grande quase encostar em doze, desceu as escadas feliz e sorridente. Era uma felicidade que há muito tempo não experimentava. Não sabia ainda bem explicar a si mesma o porquê, mas naquele momento, pouco lhe importava.

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Com selo da Arribaçã Editora, a obra, com 110 páginas, tem prefácio da escritora Rosângela Vieira da Rocha, capa de Leonardo Guedes, programação visual de Aristóteles Alves e impressão da gráfica Ideal.

 

 

Chris Herrmann é escritora/poeta carioca, musicista e musicoterapeuta. Reside na Alemanha desde 1996 e possui, hoje, dupla nacionalidade. Estudou Letras na Universidade Federal do Rio de Janeiro, Teoria Musical e Piano no Conservatório Brasileiro de Música e a Pós-Graduação Musikgeragogik (Educação Musical e Musicoterapia para 3ª Idade) na Universidade de Münster, Alemanha. Publicou os livros de poemas Voos de Borboleta (1ª edição, Protexto, 2009 – 2ª edição, Tubap/Clube de Autores, 2015), Na Rota do Hai y Kai (Tubap, 2015), Gota a Gota (Scenarium, 2016), Cara de Lua (Sangre Editorial/Mulheres Emergentes, 2019); e o romance Borboleta – a menina que lia poesia (Patuá, 2018). Em junho de 2019, teve sua prosa-protesto “Dizem que não podemos falar” publicada na edição especial do Zine Bellzebuuusob o tema Censura, lançado em Belo Horizonte. Editora de blogues, organizou e participou de diversas antologias de poesia no Brasil em parceria com o Congresso Brasileiro de Poesia (2006 e 2007). Idealizou a capa e foi uma das organizadoras da antologia Sobre Lagartas e Borboletas, juntamente com Adriana Aneli, Adriane Garcia e Maria Balé (Tubap/Scenarium, 2015). Participou também de antologias nos EUA e Espanha. Foi colunista do portal literário Blocos Online e nos últimos anos tem colaborado com prosa e poemas publicados nas revistas eletrônicas como Mallarmargens, Zona da Palavra, Scenarium Plural, Algo a Dizer, Ruído e Manifesto, Revista Caliban, Germina, Literatura & Fechadura, Mirada, Escrita Droide, entre outras. Criadora e editora da Revista Ser MulherArte - www.sermulherarte.com

Site pessoal: www.christinaherrmann.com

 

SOBRE A ARRIBAÇÃ EDITORA

 

Criada pelos jornalistas e poetas Lenilson Oliveira e Linaldo Guedes, a Arribaçã Editora tem suas raízes fincadas no Alto Sertão da Paraíba, mais especificamente em Cajazeiras. A editora trabalha com obras literárias, acadêmicas, biografias, entre outras. Criada no segundo semestre de 2018, já tem diversos livros publicados. Contatos podem ser feitos na página da editora no Facebook, Twitter e Instagram ou pelo email: arribacaeditora@gmail.com . A editora também tem canal no Youtube. Endereço do site: www.arribacaeditora.com.br

 

 

Chris Herrmann é escritora/poeta carioca, musicista e musicoterapeuta. Reside na Alemanha desde 1996 e possui, hoje, dupla nacionalidade. Estudou Letras na Universidade Federal do Rio de Janeiro, Teoria Musical e Piano no Conservatório Brasileiro de Música e a Pós-Graduação Musikgeragogik (Educação Musical e Musicoterapia para 3ª Idade) na Universidade de Münster, Alemanha. Publicou os livros de poemas Voos de Borboleta (1ª edição, Protexto, 2009 – 2ª edição, Tubap/Clube de Autores, 2015), Na Rota do Hai y Kai (Tubap, 2015), Gota a Gota (Scenarium, 2016), Cara de Lua (Sangre Editorial/Mulheres Emergentes, 2019); e o romance Borboleta – a menina que lia poesia (Patuá, 2018). Em junho de 2019, teve sua prosa-protesto “Dizem que não podemos falar” publicada na edição especial do Zine Bellzebuuusob o tema Censura, lançado em Belo Horizonte. Editora de blogues, organizou e participou de diversas antologias de poesia no Brasil em parceria com o Congresso Brasileiro de Poesia (2006 e 2007). Idealizou a capa e foi uma das organizadoras da antologia Sobre Lagartas e Borboletas, juntamente com Adriana Aneli, Adriane Garcia e Maria Balé (Tubap/Scenarium, 2015). Participou também de antologias nos EUA e Espanha. Foi colunista do portal literário Blocos Online e nos últimos anos tem colaborado com prosa e poemas publicados nas revistas eletrônicas como Mallarmargens, Zona da Palavra, Scenarium Plural, Algo a Dizer, Ruído e Manifesto, Revista Caliban, Germina, Literatura & Fechadura, Mirada, Escrita Droide, entre outras. Criadora e editora da Revista Ser MulherArte - www.sermulherarte.com

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Colaboradores de Julho de 2020:

Henrique Dória, Adelto Gonçalves, Alberto A. Arias ; Rolando Revagliatti, entr., Álvaro Alves de Faria, André Giusti, Antonio Manoel Bandeira Cardoso, Antônio Torres, Beatriz Aquino, Caio Junqueira Maciel, Cecília Barreira, Chris Herrmann, Clécio Branco, Danyel Guerra, Deusa d’África, Edimilson De Almeida Pereira, Fernando Andrade, Fernando Huaroto, Godofredo de Oliveira Neto; Maria Eugênia Boaventura, Myrian Naves, Hélder Simbad, João Rasteiro, Leila Míccolis, Leonardo Almeida Filho, Leonardo Morais, Lia Sena, Luciana Siebert, Ludwig Saavedra, Marinho Lopes, Moisés Cárdenas ; trad. Sayanbha Das, Myrian Naves, Myrian Naves, Heitor Schmidt, André Nigri e Sérgio Sant’Anna, Nagat Ali, Nilo da Silva Lima, Ricardo Ramos Filho, Silas Correa Leite, Waldo Contreras López


Foto de capa:

HENRI MATISSE, 'Le desserte, Harmonie rouge', 1908.


Paginação:

Nuno Baptista


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