ANO 8 Edição 93 - Junho 2020 INÍCIO contactos

Myrian Naves, Ana Carol Diniz Hassui e Audemaro Taranto Goulart


Tânia Diniz, memorial    

Myrian Naves

 

 

 

Tânia Diniz

 

 

 

Tãnia Diniz, poeta brasileira, contista, haicaísta, produtora cultural, foi criadora e editora do jornal mural poético “Mulheres Emergentes: o sensual em cartaz”. Foi colaboradora de InComunidade em diversas oportunidades. Faleceu em 03 de abril de 2020.


Com o seu Jornal Mural Mulheres Emergentes iniciou sua trajetória de ativismo cultural em 1989. Foi o ano em que ocorreu a queda do Muro de Berlim e em que, na China, desarmado, um homem de camiseta branca enfrentava tanques de guerra, protesto solitário durante lei marcial após o massacre na Praça da Paz Celestial. Eram imagens que coriam o mundo e chegavam ao Brasil através das mídias. Sarney era o presidente do Brasil e Collor de Mello foi eleito para substituí-lo. Madonna ainda ressoava o Like a virgin da década e hoje continua a caminhar sob críticas, buscando quebrar padrões ainda vigentes. Roupas coloridas e crucifixos negros se tornavam um clichê da moda feminina que hoje busca inspiração na mulher contemporânea, em sua forma de ocupar o espaço público e lutar por seus valores. A mulher vivia a urbanização crescente, as relações com o mercado de trabalho, as novas formas de se relacionar, a visibilidade e os cerceamentos, mas suas criações atingiam densidade representativa e viajavam pelos espaços públicos e institucionais. Não bastava, a desigualdade no desenvolvimento sociopolítico e cultural deixava espaços não ocupados, temas não desenvolvidos, questões evitadas, além de ter diminuta visibilidade nas mídias. Não seria um ponto de virada que modificaria a cena, mas uma caminhada até um ponto sem volta e para o qual ainda caminhamos. No país, em Belo Horizonte não seria diferente. Para fazer crescer a visibilidade de seu trabalho com o ME em vários meios, mesmo com seu trabalho bem aceito, Tânia Diniz buscou manter a autonomia, a independência na distribuição de seus trabalhos buscando em parcerias diversas, oportunidades de levar seu jornal ao público leitor, garimpando parcerias nacionais e internacionais. O Mulheres Emergentes, painel de poesia feminina, de publicação periódica trimestral em formato de cartaz é simples na concepção, efetivo em sua visibilidade, sutil em sua estratégia. A forma discreta e efetiva de marcar a presença do Mulheres Emergentes, com elegância e sutileza, perseverança e efetividade em suas ações e projetos, além de uma atitude criteriosa, tudo concorreu para tornar conhecida a trajetória da poeta Tânia Diniz. O ME ocupou um espaço existente, preencheu uma lacuna cultural por mais de  trinta anos de atividade do veículo cultural. Uma estudante de pós-graduação de Literatura Brasileira, poeta inédita, ao encontrar o cartaz nos corredores da PUCMINAS em 1989 saberia ter encontrado algo raro então, um espaço de visibilidade sob gestão de uma mulher que trazia ao espaço público a poesia de mulheres que enfocavam a sensualidade, a diversidade. Dava espaço a inéditos, lado a lado de nomes reconhecidos pela crítica. Em sua trajetória, migrou para a web, resistiu aos escassos recursos reservados à Cultura utilizando diferentes formas de comunicação virtual. Leva ainda a poesia feminina aos espaços públicos, recebe boas críticas, resenhas internacionais. Segue ocupando esses espaços, e ainda agrega novos valores ao Mulheres Emergentes Edições Alternativas. Nos 25 anos do ME, víamos a poesia da mulher, a poesia feminina confortavelmente instalada na web, disseminada por blogs, sites, revistas eletrônicas, publicações virtuais que traziam público crescente, seguidores. O ME chega aos seus mais de 30 anos como um painel demonstrativo dos caminhos que tomou a poesia de autoria feminina no Brasil desde 1989, não só a poesia feminina. O ME é matéria para os Estudos Femininos, para o contexto histórico da poesia da cena atual. E efetivamente contribuiu, preparou o público, para a qualidade, a visibilidade e a bem-vinda diversidade da poesia contemporânea que é produzida por poetas brasileiras. Poesia agora exposta em todo lugar. Mesmo que a poesia feminina ainda sofra cerceamentos advindos das diversas formas e dificuldades em coexistir com a autonomia da mulher contemporânea. O depoimento pretende ser uma forma de agradecimento à coerência, sensibilidade e persistência da poeta Tânia Diniz.

 

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Vozes da mulher

 

 

Audemaro Taranto Goulart  

 

                                                                 
A voz feminina demorou muito para se fazer ouvir. É só dar um passada pela antropologia e pela psicanálise para se perceber que a falocracia está nas origens mesmas da sociedade. Lévi-Strauss mostrou como se deu a inserção social nos tempos primevos. Tudo decorreu da passagem do animal à emergência do ser humano, momento em que a proibição do incesto fez-se uma regra básica de comunicação, na medida em que estabeleceu, a partir do que era proibido ou permitido, os elos entre pessoas de famílias diferentes.


É por aí que se pode perceber como a troca de mulheres, essência da proibição do incesto, comandou processo de interação entre sujeitos, marcando o modo como se estabeleceram os movimentos fundadores das relações sociais. Esse é também o cenário que Freud pôs em circulação ao criar o  mito do pai-totêmico, muito bem exposto no seu Totem e Tabu.
Mas como adverte Lévi-Strauss, a troca de mulheres não se faz impunemente. Ela ocorre a partir de um pacto singular em que dois homens agenciam uma troca, numa prática  específica em que um renuncia à fêmea de sua família a favor de um outro que a reivindica. É nesse movimento desproporcional, nesse dois a um, que tem início a sociedade organizada. Lévi-Strauss destaca que não há qualquer impedimento para que, ao reverso dessa postura, fossem as mulheres que trocassem os homens, mas o fato é que em todas as sociedades as trocas se fazem com a predominância do masculino. E é aí que nasce o patriarcado, uma instituição que instaura valores pétreos através dos quais se dá a condução da sociedade, marcada no domínio e na opressão feita contra a mulher.


Esse cenário é também discutido pela psicanalista neozelandesa Juliet Mitchel, no seu Psicanálise e feminismo. Apontando todos os problemas advindos do patriarcado com instituto das relações sociais, Mitchel destaca que a superação do domínio do homem poderia desaparecer se se criassem novos processos de inserção social, vale dizer, se a organização social se fizesse sem a troca de mulheres. Mesmo advertindo que isso seria algo de projeções indefinidas e não muito claras na atualidade, a psicanalista chama a atenção para que se criem projetos que representem um movimento de superação. Um dos pontos que serve como aceno para essa proposta é dada por Mitchel quando fala da necessidade de uma revolução cultural e isso implica a necessidade da mudança de um sistema que só terá chance de ocorrer se entrar em cena uma prática política. Mas essa prática não será suficiente em si mesma se não for sustentada em uma teoria. Supõe-se que esses aspectos estejam em construção conforme se pode ver em inúmeras manifestações, ações e propostas que vêm se fazendo nos últimos tempos. Isso significa que a demora em se ouvir a voz feminina, tal como se colocou no início deste texto, hoje ganha projeções animadoras para que essa voz alcance a escuta em alto tom. E se a mudança da inserção social é algo difícil de ser vislumbrado hoje, nos termos de se abolir a troca de mulheres,  que pelo menos uma sociedade não patriarcal seja viável a partir de uma proposta que promova a entrada na cultura, organizada diferentemente das implicações que hoje sustentam o mecanismo da troca de mulheres. Isso pode ter êxito quando se pensa que tal ação se conduz de forma a aninhar seus predicamentos nas profundidades do inconsciente. Seria oportuno, então, citar textualmente a colocação de Juliet Mitchel: “As mulheres devem se organizar enquanto mulheres, para mudar a ideologia fundamental da sociedade humana. Para ser efetiva, essa ação não pode ser uma oposição dirigida simplesmente contra a dominação do homem (embora isso desempenhe um papel tático). A luta deve ser fundada numa teoria que mostre que nessa etapa, as leis instituídas pelo patriarcado não são socialmente necessárias”. Acho que esse Mulheres Emergentes é uma contribuição que se oferece para discutir e buscar alternativas nesse cenário ora vivenciado.


É o que se pode ver com os vinte e cinco anos dessa publicação produzida por Tânia Diniz,  reveladora de alternativas importantes para se pensar e discutir, com fundamentos, a candente questão de gênero".


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Biografia

 

Ana Carol Diniz Hassui

 

Poeta brasileira, contista, haicaísta, produtora cultural e professora de idiomas. Criadora e editora do jornal mural poético “Mulheres Emergentes: o sensual em cartaz”.

 

Ingressou na Faculdade de Letras da UFMG e se graduou em Português, Francês, Espanhol e Italiano. Já casada e com duas filhas, em 1988 lança seu livro de estreia, o Mágico de Nós, com grande sucesso e a primeira edição esgotada rapidamente. A segunda edição foi lançada em 1989. 

 

Divulgada e prestigiada pela mídia, após a leitura da obra A Mulher Emergente, de autoria da psicóloga norte-americana Natalie Rogers, nasceu seu trabalho mais marcante: o Mulheres Emergentes, o sensual em cartaz em 1989. O mural poético, em formato  inovador, abriu espaço para as mulheres se expressarem por sua arte e sem nenhum custo, isso, num mundo tão masculino.

 

O número 0 (zero) foi lançado no BDMG, com uma festa ótima, muita polêmica e também muitos elogios. O grande objetivo de Tânia foi dar voz às mulheres, divulgar autores novos junto aos já conhecidos, além de unir a poesia mineira e a brasileira ao resto do mundo.

 

Já a partir do número 1, ela abriu espaço para os homens que, claro, devem caminhar ao lado das mulheres.

 

“Eu quis fazer um espaço para publicar só mulheres e que não fosse pautado por nenhuma cobrança. E eu fiquei eufórica com essa ideia. Logo comecei a fazer contato, consegui um patrocínio e lancei o número zero, que já trouxe textos de autoras muito boas. Por exemplo, Adélia Prado, Lúcia Castello Branco e Maria Esther Maciel, que estava começando – todas elas mulheres maravilhosas”, disse Tânia em uma entrevista.

 

Um trabalho feito com amor e paixão ao longo de 30 anos. Com parcos e espaçados patrocínios, Tânia não desanimou. Como dizia, andava “armada” sempre com jornais e livros debaixo do braço e distribuía, vendia, colava nas paredes. Assim o ME se consolidou.

 

O primeiro concurso de poesia e ilustrações Mulheres Emergentes, em 1992/1993, para comemorar os 3 anos de existência do mural, contou com 1.600 inscritos e mais de 200 ilustrações e foi aceito em 5 idiomas: português, espanhol, francês, italiano e inglês. Com um juri renomado, composto por Affonso Romano de Sant’Anna, Antônio Barreto, Lúcia Castelo Branco, Nelly Novaes Coelho para avaliar as poesias e Ângela Lago, Lor e Yara Tupinambá para ilustrações, este concurso consolidou o Mulheres Emergentes e o nome de sua fundadora.
Ao todo, foram sete concursos internacionais de extremo sucesso, numa época em que nem existia a internet. Pelos cartazes do Mulheres Emergentes, carinhosamente chamado de ME, já também passaram grandes nomes da literatura e artes visuais mundiais. De lá pra cá, tantos outros feitos, inúmeras parcerias com o ME estampando páginas de Jornais e revistas no Brasil e Exterior.


 
Tânia lançou outros livros. Rituais - Contos (1997), Mulher EmBalada - Poemas (1992), Bashô em Nós - haicais (co-autoria/ 1996), Relato de Viagem à Marmelada - haicais (1997), Flor do Quiabo - haicais, (2001), Corpo de Sonho - poesias (2019).

 

Deixou obras inéditas a serem publicadas.

 

Em 1992, o Mulher EmBalada, ofereceu aos leitores, uma série de cartões poemas embalados e amarrados com fita, para presente. No ano de 1994, Tânia lança sua coleção de camisetas poéticas pela grife ME. Em 1997 em comemoração ao centenário de Belo Horizonte, lança pela Mulheres Emergentes Edições Alternativas, a coleção Almanach de Minas com livros de 17 autores. Em 1998, a convite da Secretaria de Cultura de MG  foi secretária, tradutora e intérprete na I Bienal Internacional de Poesia de BH.

 

Em 1999, um baque. Tânia foi diagnosticada com câncer de mama e travou uma batalha pela vida ao lado da família e amigos queridos, sem deixar-se abater.

 

Em 2001 lança a segunda coleção de livros pela editora Mulheres Emergentes: Milênio, que reuniu autores brasileiros de diferentes estilos.  

 

Em seu Flor do Quiabo, Tânia publica seu primeiro trabalho bilingue.

 

Já em 2007, em comemoração aos 18 anos do Mulheres Emergentes, Tânia lançou a Antologia ME 18, que publicou autoras que já tinham passado pelos murais e realizou um feito inédito, juntando três filhas às suas mães poetas no ofício da escrita: Elza Ramos Amaral e sua Beatriz, Raquel Naveira e sua Letícia e a própria Tânia Diniz e sua primogênita, Ana Carol. Ainda comemorando, lançou a Coleção ME 18, com livros individuais de 18 poetas que fazem parte desta história.

 

Em 2007/2008, colaborou com o Leitura para todos, da UFMG e A tela e o Texto, que divulgava textos da Literatura Brasileira em ônibus. Também teve trabalhos publicados, no Leitura no metrô, em parceria com a Companhia Brasileira de Trens Urbanos – CBTU.

 

Ainda em 2008, organizou, com sucesso, uma mostra itinerante, a I Mostra Mineira de Haicai Mulheres Emergentes, pelo centenário da imigração japonesa no Brasil. A exposição circulou por inúmeros espaços culturais de BH e interior. Neste mesmo ano, foi convidada para expor seus haicais em evento nacional.

 

Nas comemorações dos 20 anos de ME, em 2009, o lançamento da Antologia Meninos ME, composta unicamente por trabalhos de homens..
Em 2014, para festejar os 25 anos, lança o blog - mulheresemergentes.com, a Saga ME 25 recontando parte desta história. Entre 2014 e 2017, nova luta brava contra o câncer.

 

Em 2018 e 2019 tem um quadro quinzenal em programa de rádio. Em 2019, teve poemas pintados nos muro das cidade e comemorou os 30 anos do Mulheres Emergentes com eventos e homenagens, entre elas, comenda da Câmara de Vereadores de BH.

 

Foi homenageada na Academia Mineira de Letras. no programa Universidade Livre com a  palestra " #Mulheres Emergentes Presente",  homenagem a Tânia Diniz e ME 30 anos, com a professora Constância Lima Duarte, da UFMG. Participou deProgramas de TV, saraus, da exposição do Mulheres Emergentes em parceria internacional com Grito de Mujer - protesto poético contra a violência contra nós, mulheres -movimento da poeta Jael Uribe, de Santo Domingo, República Dominicana.

 

No evento Beagá Psiu Poético lançou novos números dos ME e produziu a exposição ME 30 anos. Participa do Sarau pela Confraria dos Poetas, com lançamento do livro Confraria Muro dos Poetas & Poesias, com cobertura em rádio e TV. Em lançamento coletivo da Coleção 32, faz parceria de Mulheres Emergentes 30 anos e a Sangre Editorial. Participa de palestras na UEMG - Universidade de Educação de Minas Gerais, como jurada em concurso de Poesias.

 

Foi homenageada em Evento Mulheres pela Paz Frauen für Frieden. Na Casa de todas as Gerações, em Göggingen, Augsburg (Alemanha), poetisas & poetas celebrararm o fim do Mês Internacional da Mulher no Café da Diversidade homenageando 30 anos do projeto Mulheres Emergentes em BH.

 

Ao longo da carreira participou e organizou inúmeros eventos, saraus, lançamentos, exposições, oficinas de poesias e haicais, projetos e badalações, como as Terças Poéticas do Palácio das Artes (BH), Psiu poéticos, Pão e Poesia, Nós da Poesia, entre tantos.

 

Foi publicada pelos 4 cantos do planeta em antologias, estudos, jornais, revistas, zines e premiada em concursos literários nacionais e internacionais, tendo trabalhos traduzidos para outros idiomas. Entre eles, se destacam estudos em Universidades como a de Lisboa, a de Nantes, na França, ou na Frederictown, no Canadá e publicações em Angola, Itália e República Checa e tantos outros.

 

Também ampliou sua contribuição com a cultura e as mulheres palestrando não só pela história do Mulheres Emergentes, mas também com a sua história e vida no combate ao câncer, inspirando mulheres e também homens de todas as idades.

 

Faleceu em 03 de abril de 2020 depois de 20 anos de luta contra o câncer.

 

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Audemaro Taranto Goulart, professor e crítico literário brasileiro,   possui graduação e licenciatura em Letras Anglo-germânicas pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (1963-1964), Mestrado em Literatura Brasileira pela Universidade Federal de Minas Gerais (1985) e Doutorado em Teoria Literária e Literatura Comparada pela Universidade de São Paulo (1993). Atualmente, é professor titutlar nos cursos de graduação e de pós-graduação da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais.

Ana Carol Diniz Hassui, filha de Tânia Diniz, publicitária e escritora.  http://www.mulheresemergentes.com/

Myrian Naves, poeta brasileira, escritora e professora de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira. Autora e organizadora do conteúdo, pelo Conselho Editorial.  

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Revista InComunidade, Edição de Junho de 2020


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FRANCISCO DE GOYA, 'Saturno devorando a su hijo', 1819-1823


Paginação:

Nuno Baptista


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