ANO 8 Edição 93 - Junho 2020 INÍCIO contactos

Julio Inverso


Poemas    

Traducción: Federico Rivero Scarani.
Asistencia técnica: Camila Olmedo.

 

 

XX

El lenguaje nos fue dado como vehículo para establecer un puente aéreo fulgurante desde las cavernas de un ser a las de otro ser. Expresión de emociones sagradas, pensamientos sagrados y de toda cosa salida del corazón y destinada a otro corazón. La confesión hecha desde la zona más pura e incontaminada del alma para provocar, siempre, la risa gozosa y el llanto profundo. La palabra será conmovedora o no será.

 

 

 

A linguagem nos foi dada como um veículo para estabelecer uma ponte aérea fulgurante desde as cavernas de um ser às de outro ser. Expressão de emoções sagradas, pensamentos sagrados e de toda a coisa saída do coração e destinada a outro coração. A confissão feita desde a região mais pura e  imaculada da alma  para provocar, sempre, o riso  alegre e o pranto profundo. A palavra será comovente ou não será.

 

~~~~~~~~~~~|||||~~~~~~~~||||||~~~~~~~||||||||~~~~~~~~~~~~

 

 

 

 

 

 

XX


NO ME TOQUES, ESTOY ENDEMONIADO


No me toques, estoy endemoniado. No puedo
dormir porque los condenados incendian mi cama,
noche tras noche. Tu infravida no podrá comprender
mi éxtasis:
un ángel que empuña un sueño
un sueño que es un arma
un arma que dispara a las tinieblas,


No me toques, mi luz te enceguecerá.
Soy un prestidigitador,
un caballero antiguo de místicos sigilos, un alquimista
con el corazón sobre la piel. Soy el que seré, ahora
mismo viviré mi futuro, mi más allá y mi abismo.


No me toques, estoy endemoniado. Seré la bengala
que rompe a llorar en tu cielo hecho añicos

 

 

 

 

 

 

“NÃO ME TOQUES, ESTOU  DEMONÍACO

 

Não me toques, eu estou  demoníaco. Não posso

 

dormir porque os condenados incendiam minha cama,

 

noite após noite.  Tua infravida  não poderá compreender

 

meu êxtase:

 

um anjo que empunha um sonho

 

um sonho que é uma arma

 

uma arma que dispara às trevas.

 

Não me toques, minha luz te cegará.

 

Sou um prestigitador,

 

um antigo cavaleiro de místicas siglas, um alquimista

 

com o coração sobre a pele. Sou o que serei,
agora mesmovivereimeufuturo, meumaislá emeuabismo.

 

Não me toques, estoudemoníaco.
 Serei o lume que rompe a chorar no teu  céu feito pedaços.

 

//////////////////////////////////////////////////////

 

 

 

 

 

 

"Falsas Criaturas", 1992.


 LA MÁQUINA DE DIBUJAR


los brazos desnudos, las palmas arriba, la tinta en los labios, los labios de pie, los ojos desnudos. el público escupe, se agolpa en las puertas, irrumpe, abuchea. la máquina insomne dibuja una llanta de auto, la tira. el público lucha. alguien pesca el dibuja, se suena con él. el público exige. la máquina arroja, por miles, dibujos de los presentes con la leyenda: VOSOTROS SOIS UNOS IMBÉCILES, jaja, ajajajaja, jajararajaja. la máquina frena, arranca, suelta un chorro de tinta, dibuja da vinci. la máquina abandona el teatro. el público la sigue hasta el museo coreando consignas. el museo explota ¡¡SABOTAJE!! los ministros mueren (dibujados). ESTA MÁQUINA DE MIERDA ES HUMANA. dicen los militares y disparan. agonizante, ella dibuja con su sexo en una página hermafrodita. muere. el público aplaude.

 

FALSAS CRIATURAS, abril 1992, “Vintén Editor”, Montevideo – Uruguai.

 

A MÁQUINA DE DESENHAR

 

os braços nus, as mãos para cima, a tinta nos lábios, os lábios de pé, os olhos nus. o público cuspe, se amontoa nas portas, irrompe, repreende. a máquina está com insônia e desenha um pneu de auto, o atira. o público luta, alguém pesca o desenho, se limpa com ele. o público exige. a máquina arremessa por milhares, desenhos dos presentes com a legenda: VOS SOIS UNS IMBECIS, kaka, akakaka, kakararakaka. a máquina trava, arranca, lança um jorro de tinta, desenha da vinci. a máquina abandona o teatro. o público a segue até ao museu num coro cantando posições. o museu explode. SABOTAGEM!! ministros morrem (desenhados). ESTA MÁQUINA DE MERDA É HUMANA. dizem os militares e disparam. agonizante, ela desenha com seu sexo numa  página hermafrodita. morre. o público aplaude.

 

\\\\\\∆∆∆∆∆\\\\\\\∆∆∆∆∆∆\\\\\\\∆∆∆∆∆∆\\\\\\\\\∆∆∆∆∆∆∆∆\\\\\\\

 

 

 

“Se llega a un momento en que la luz del rostro basta para
todas las tinieblas», (Julio Inverso,
Poema XI, “Diario de un agonizante”, 1995
).

 

 

XI

 

Se chega a um momento em que a luz do rosto é suficiente para todas as trevas.

 

~~~~~~ %%%%% ~~~~~ %%%%%%% ~~~~~~ %%%%%%

 

 

 

 

 

 


"Más Lecciones Para Caminar Por Londres ", 1999



EXPOSICIÓN DEL AMOR AMARGO 


Tan tirano como el cielo
el sentimiento recorre los huesos
como hollín de seda.


No hay bailarinas esta noche
los muchachos miramos hacia el bar
donde alguna vez hubo amor.


El ardor está en la piel de la ciudad
y en los muros elegidos
los mensajes. 


Esperar
qué?
algo que nunca llega?


Tercer mundo
el sol tiene un percance
está descalzo y no sabe de sueños en el plan asignado.


Las estrellas no vinieron para quedarse
alguien controla todo
nuestro desconsuelo tiene precio.


Reptar nunca fue una forma
de parecer una persona respetable


.Una vez vi un tipo ahogarse en la playa
después vi más desesperación por el mundo
y conozco su señal
cuando muerdes aluminio.


Todas las tormentas son mías
puedo convocar al bien y el mal
y hacer un festín como quieras.


Mirando a través de las órbitas vacías del águila
veré luz que me anuncie
como los antiguos.


El agua en trance parpadea
y la cúpula sangra
por eso digo esto
profano el lecho de los amantes
injurio a mi raza
y quiero que me salves de mí.

 

"Mais lições para percorrer por Londres", 1999, Julio Inverso, Montevidéu
1963 - 1999

 

 

 

 

 

 

EXPOSIÇÃO DO AMOR AMARGO

 

Tão tirano como o céu
o sentimento percorre os ossos
como fumaça suja de seda.

 

Não há dançarinas esta noite
os meninos olhamos para o bar
onde alguma vez houve amor.

 

O ardor está na pele da cidade
e nos muros escolhidos
as mensagens.

 

Esperar
que?
algo que nunca chega?

 

Terceiro Mundo
o sol tem um contratempo
está descalço e não sabe dos sonhos no plano atribuído.
As estrelas não vieram para ditar
Alguém controla tudo
Nosso desconsolo tem preço
rastejar nunca foi uma maneira
de parecer uma pessoa respeitável
Una vez olhei um indivíduo afogar-se na praia
Depois olhei mais desespero pelo mundo
E conheço o seu sinal
Quando mordes alumínio
Minhas são todas as tempestades
Posso convocar o bem e o mal
E fazer uma festa como desejas
olhando através das órbitas vazias da águia
olharei a luz que me anuncie
como os antigos
a água em transe pisca
e a cúpula sangra
por isso digo isto
profano o leito dos amantes
injurio a minha raça
e quero que me salves de mim.
      
      Janeiro de 1998

 

~~~~~~/////~~~~~~//////~~~~~~///////~~~~

 

 

 

 

 

 

 

Julio Inverso (1963-1999) fue un poeta e narrador uruguayo.

TOP ∧

Revista InComunidade, Edição de Junho de 2020


FICHA TÉCNICA


Edição e propriedade: 515 - Cooperativa Cultural, ISSN 2182-7486


Rua Júlio Dinis número 947, 6º Dto. 4050-327 Porto – Portugal


Redacção: Rua Júlio Dinis, 947 – 6º Dto. 4050-327 Porto - Portugal

Email: geral@incomunidade.com


Director: Henrique Dória       Director-adjunto: Jorge Vicente


Revisão de textos: Filomena Barata e Alice Macedo Campos

Conselho Editorial:

Henrique Dória, Cecília Barreira, Clara Pimenta do Vale, Filomena Barata, Jorge Vicente, Loreley Haddad de Andrade, Maria Estela Guedes, Myrian Naves


Colaboradores de Junho de 2020:

Henrique Dória, Adán Echeverria, Adelto Gonçalves, Adriano B. Espíndola Santos, Alexandra Vieira de Almeida, Ana Maria Costa, Antônio Torres, Diego Mendes Sousa, Beatriz Aquino, Bruno Brum, Caio Junqueira Maciel, Carlos Matos Gomes, Carmen Moreno, Cecília Barreira, Chris Herrmann, Cláudio Daniel, Danyel Guerra, Deusa d’África, Eduardo Madeira, Elisa Scarpa, Ester Abreu Vieira de Oliveira, Fábio Pessanha, Fernando Andrade, Fernando Huaroto, Hermínio Prates, José Manuel Simões, Julio Inverso, Leila Míccolis, Liliana Ponce ; Rolando Revagliatti, entrev., Luís Giffoni, Marinho Lopes, Moisés Cárdneas, Myrian Naves, Ana Carol Diniz Hassui e Audemaro Taranto Goulart, Ricardo Ramos Filho, Tanussi Cardoso, Vitor Eduardo Simon


Foto de capa:

FRANCISCO DE GOYA, 'Saturno devorando a su hijo', 1819-1823


Paginação:

Nuno Baptista


Os artigos de opinião e correio de leitor assinados e difundidos neste órgão de comunicação social são da inteira responsabilidade dos seus autores,

não cabendo qualquer tipo de responsabilidade à direcção e à administração desta publicação.

2014 INCOMUNIDADE | LOGO BY ANXO PASTOR