ANO 8 Edição 93 - Junho 2020 INÍCIO contactos

Caio Junqueira Maciel


Os olhos do gauche    

(Homenagem aos 90 anos do primeiro livro de Carlos Drummond de Andrade, Alguma poesia)

 

O "gauche"

 

Carlos Drummond de Andrade (Itabira, 1902; Rio de Janeiro, 1987) viveu em Minas Gerais até 1934, escrevendo, durante esse período, seus dois primeiros livros de poesia: Alguma poesia (1930) e Brejo das almas (1934). São obras marcadas por um intenso individualismo, compondo o perfil de "um eu todo retorcido", expressão com a qual o poeta classifica o seu eu-lírico "na deleitação ingênua do indivíduo".

 

Em seu primeiro livro, Drummond assume, ostensivamente, a postura gauche, termo francês que significa esquerdo. A palavra tem sua significação ampliada para torto, esquivo, arredio, desadaptado, deslocado, desajeitado. O "Poema de sete faces", texto que abre o volume, eixo de nossa breve abordagem, exibe, na estrofe inicial:

 

Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser “gauche” na vida.

 

O nascimento poético dá-se numa atmosfera de paródia, pois o poema retoma o nascimento de Cristo, substituindo o iluminado anjo da anunciação por um outro, torto e sombrio, impondo ao "Carlos" um destino de viver na contramão. Na estrofe inaugural desse seu livro, Drummond, ao instaurar uma marca temporal (o nascimento), recorre à dessacralização, enfeando um ser celestial que, em verdade, é também projeção de seu eu-retorcido. O anjo torto tem parentesco com o diabo que, com seu olho torto, por uma frincha, espreita "virgens tresmalhadas", como se lê no terceiro poema da coletânea, "Casamento do céu e do inferno". Em Alguma poesia, anjo e demônio estão presentes literalmente de cabo a rabo: no primeiro poema, no primeiro verso, há o anjo torto. No final desse poema, o poeta fala do diabo. No último poema do volume, "Poema da purficação", há a vitória do anjo bom sobre o anjo mau.

 

 

 

Uma das marcas dessa poesia, presente nessa estrofe, é a dramatização do eu, a teatralização do sujeito poético em seu poema-palco, "teatro de operações metafóricas, linguísticas, lúdicas", como vê o crítico Ítalo Moriconi. A primeira pessoa (eu-lírico) recorre ao discurso direto e empresta a voz ao outro, que trata o poeta na segunda pessoa. As três pessoas do discurso (eu, tu e ele) formam a multifacetada fisionomia do poeta, cujo olhar é faminto de pernas, faminto de desejos, chegando até a olhar a história de viés, como no trecho de "Outubro 1930", a respeito do marco histórico que pôs fim à velha república:

 

Olha a negra, olha a negra,
a negra fugindo
com a trouxa de roupa,
olha a bala na negra,
olha a negra no chão
e o cadáver com os seios enormes, expostos, inúteis.

 

Olhar modernista

 

Alguma poesia reúne 49 poemas, escritos na década de vinte. É um livro que já nasceu modernista. Predomina, nessa obra, o registro linguístico coloquial, a fixação do cotidiano (de preferência, urbano), o poema-piada. como a "Anedota búlgara": "Era uma vez um czar naturalista/ que caçava homens./ Quando lhe disseram que também se caçam borboletas e andorinhas,/ ficou muito espantado/ e achou uma barbaridade."  Já no primeiro poema, verifica-se a incidência do ato de ver, aqui anotado pelo bem mineiro verbo “espiar”:

 

As casas espiam os homens
que correm atrás das mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.

 

Embora a pessoa poética não apareça explicitamente, a subjetividade impregna o texto, uma vez que a limpidez e a pureza da tarde acabam sendo manchadas pelo desejo. Nesse livro, com efeito, é frequente o olhar vir acompanhado de desejos, a ideia de sexo superar o amor. O verbo espiar, tão comum em Minas, sugere aquele olhar oculto, furtivo, de espionar mesmo. Drummond o utiliza várias vezes, explorando o reforço poético, como neste trecho de "Moça e soldado", poema em que soldados e mulheres se alteram no campo visual do poeta, acabando por se fundir:

 

Meus olhos espiam espiam
espiam espiam
soldados que marcham
moças bonitas
soldados barbudos.

 

O olhar modernista de Drummond é, principalmente, urbano. No “Poema das sete faces”, o bonde passa com pernas multicoloridas, captadas pelo desejoso olhar:

 

O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.

 

O jovem poeta é feito de desejo, que o leva ao descomedido “Quero me casar”: "Quero me casar/ na noite na rua/ no mar ou no céu/ quero me casar.// Procuro uma noiva/ loura morena/ preta ou azul/ uma noiva verde/ uma noiva no ar/ como um passarinho.// Depressa, que o amor/ não pode esperar!"

 

O leitor há de perceber a forte incidência de pernas e coxas ao longo do livro. Por exemplo, em "Sabará", há "pernas morenas de lavadeiras"; em "Iniciação amorosa", o poeta confessa que "vivia namorando as pernas morenas da lavadeira"; em "Igreja", há as "pernas de seda"; em "Explicação", o poeta brinca com a palavra perna, falando de "atrizes de pernas adjetivas que passam a perna na gente". Até mesmo os braços da mulher serão vistos como coxas, como em "Música":

 

A mulher de braços redondos que nem coxas
martelava na dentadura dura
sob o lustre complacente.

 

Além da erotização, o olhar modernista abrange objetos não poéticos, como, no caso, a dentadura. Ao longo do livro, o poeta arrola elementos prosaicos, como vemos em "Família":

 

A espreguiçadeira, a cama, a gangorra,
o cigarro, o trabalho, a reza,
a goiabada na sobremesa de domingo,
o palito nos dentes contentes,
o gramofone rouco toda noite
e a mulher que trata de tudo.

 

O olhar modernista caracteriza-se, principalmente, por enveredar pelas noções de nacionalismo, rever o país sob aguda percepção crítica. Ítalo Moriconi observa que "do modernismo nasceram as bases contemporâneas da autoestima brasileira. O afeto multirracial, a ideia de uma cultura brasileira popular como bem a ser preservado e vetor determinante de nossa identidade". O olhar de Drummond, em "Também já fui brasileiro", ironiza a corrente nacionalista que se atinha às marcas superficiais da brasilidade:

 

Eu também já fui brasileiro
moreno como vocês.
Ponteei viola, guiei forde
e aprendi na mesa dos bares
que o nacionalismo é uma virtude.
Mas há uma hora em que os bares se fecham
e todas as virtudes se negam.

 

Nesse como em outros poemas, Drummond lança um olhar desmistificador tanto do nacionalismo quanto do romantismo. Seus olhos, ao sonharem exotismos, como em "Europa França e Bahia", traçam um esboço irônico dos países (que, em verdade, o poeta jamais conheceu), para, no fim, contemplar a própria terra, apropriando-se do emblemático poema de Gonçalves Dias:

 

Chega!
Meus olhos brasileiros se fecham saudosos.
Minha boca procura a "Canção do Exílio".
Como era mesmo a "Canção do Exílio"?
Eu tão esquecido de minha terra...
Ai terra que tem palmeiras
onde canta o sabiá!

 

Esse olhar modernista é conciso, além de irônico, como se vê no poemeto sobre a Bahia, em que a metalinguagem aparece de forma humorística: "É preciso fazer um poema sobre a Bahia.../ Mas eu nunca fui lá." Drummond nunca foi à Europa, no entanto fez um poema falando de suas viagens sonhadas a Paris, Londres, Hamburgo...É preciso entender que a contradição faz parte dessa multifacetada personalidade poética, que ora se confessa forte, ora se diz fraco, que faz o casamento do céu e do inferno, misturando anjo e diabo no corpus de seu trabalho.

 

Olhar a própria poesia
 

 

Em Alguma poesia, a modéstia do título metalingüístico já exibe um gostinho modernista, expresso, geralmente, em versos curtos, em tom de piada, como o célebre "Cota zero" (Stop./ a vida parou/ ou foi o automóvel?). Aqui, além da incorporação do estrangeirismo (de resto, já presente em gauche), a extrema concisão que lembra o hai kai. É recorrente versos que se voltam para o próprio fazer poético, como estes exemplos:

 

Se meu verso não deu certo,/ foi seu ouvido que entortou./ Eu não disse ao senhor que não sou senão poeta?

 

Gastei uma hora pensando um verso/ que a pena não quer escrever./ No entanto ele está cá dentro/ inquieto, vivo./ Ele está cá dentro/ e não quer sair./ Mas a poesia deste momento/ inunda minha vida inteira.

 

A mão que escreve este poema/ não sabe que está escrevendo/ mas é possível que se soubesse/ nem ligasse.

 

A famosa pedra no meio do caminho, que aparece no poema mais polêmico dessa coletânea, provoca, inclusive, uma leitura metalinguística – e a pedra será abordada de forma poética e pedagógica, mais tarde, por João Cabral de Melo Neto. Podemos apontar, voltando ao primeiro poema do livro, que o meio do caminho dessa composição é uma curiosa estrofe em que o poeta fala de seu duplo:

 

O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
O homem atrás dos óculos e do bigode.

 

Observa o crítico Francisco Achcar que essa face apresenta o confronto com o outro que, ao mesmo tempo que é semelhante, é também diferente: nas outras faces, o eu-lírico era um gauche, desajustado e cheio de desejos, mas aqui o "homem"( máscara do eu-lírico) é o burguês convencional, forte, sério, seguro, comedido. Na estrutura dessa estrofe, dois aspectos nos chamam a atenção: a construção metonímica e a técnica do reforço poético. O bigode e os óculos são metonímias e máscaras do homem sério. Nessa estrofe, se o bigode e os óculos apontam para o lado sério e forte do poeta, a repetição do verso "O homem atrás dos óculos e do bigode" imprime a dimensão lúdica; o reforço poético torna-se sua importante marca estilística.

 

Para Gilberto Mendonça Telles, a poesia de Drummond se projeta como resultado de uma luta contínua para exprimir mais e mais, sendo que a repetição é a base dessa ânsia de superação do indizível. Seria exaustiva a tarefa de demonstrar os muitos exemplos da repetição em Alguma poesia, por isso vamos nos contentar com o célebre "No meio do caminho":

 

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.

 

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.

 

O leitor há de considerar "o bigode e os óculos" desse poema, isto é, a sua fisionomia grave e séria: desde seu título, já há seríssimas ressonâncias intertextuais. Por exemplo, Dante Alighieri (1265-1321), em A divina comédia, inicia sua viagem pelo inferno, purgatório e paraíso com esse verso: " Nel mezzo del  cammin di nostra vita". O poeta parnasiano, Olavo Bilac (1865-1918), admirado no início do século XX, escreveu, em seu livro Sarças de fogo (1887) um famoso soneto com o título em italiano: "Nel mezzo del cammin", explorando, em sua estrutura, a repetição ("Cheguei. Chegaste. Vinhas fatigada/ E triste, e triste e fatigado eu vinha, Tinhas a alma de sonhos povoada,/ E a alma de sonhos povoada eu tinha...") Nesse soneto, Bilac recorre três vezes a termos relacionados com o olhar (olhar, vista, olhos), o que, por certo, explica a presença das "retinas fatigadas" em Drummond.

 

Pode-se perceber uma alusão a Olavo Bilac em uma das estrofes do poema "Casamento do céu e do inferno", na referência às virgens tresmalhadas incorporadas à via-láctea, vaga-lumeando. "Via-láctea" é um célebre poema do poeta parnasiano, admirador das estrelas. Aliás, Drummond ironiza a poesia lírica tradicional nessa estrofe de "Também já fui brasileiro": Eu também já fui poeta./ Bastava olhar para mulher,/ pensava logo nas estrelas/ e outros substantivos celestes./ Mas eram tantas, o céu tamanho,/ minha poesia perturbou-se."

 

As retinas fatigadas exigem o uso dos óculos. Às vezes, até os óculos são insuficientes, e o poeta recorre à luneta, como se lê no "Casamento do céu e do inferno", com o eu-lírico projetando-se no diabo que "tem uma luneta/ que varre léguas de sete léguas". Nesse poema, a figura do diabo contrasta com o ambiente burguês, entrevisto na "sala de estar", onde pende a gravura da "lua irônica/diurética".

 

 

 

No meio de seu caminho, nem sempre os olhos do poeta gauche vão precisar de óculos ou de lunetas, pois, repleto de lirismo e sensibilidade, vão olhar para baixo- que é uma forma oblíqua de olhar para dentro de si. É o que vamos encontrar em "Explicação", no trecho em que o urbano e o rural acentuam a ambivalência do poeta, criando uma de suas tensões:

 

Estou no cinema vendo fita de Hoot Gibson,
de repente ouço a voz de uma viola...
saio desanimado.
Ah, ser filho de fazendeiro!
(...)
No elevador penso na roça,
na roça penso no elevador.

 

Um olho em Deus e outro no diabo

 

Em Alguma poesia, Deus será evocado algumas vezes, em discursos híbridos, ou seja, mescla do estilo alto com o estilo baixo, a seriedade com a ironia, a linguagem poética misturada com a coloquial. Por exemplo, em "Rio de Janeiro", o poeta evoca o nome de Deus para se proteger da violência da capital federal, da imoralidade e da malandragem do carioca:

 

Mas tantos assassinatos, meu Deus.
E tantos adultérios também.
E tantos, tantíssimos contos-do-vigário...
(Esse povo quer me passar a perna.)

 

Deus aparece com letra minúscula em "O que fizeram do Natal" (o deus menino no presépio, desprezado pelas filhas das beatas, que preferem os clubes às orações). Em "Igreja", há ironia no olhar do poeta, pois fixa um "padre que fala do inferno/ sem nunca ter ido lá". Há um jogo de palavras (paronomásia) envolvendo Deus e o ateu: um fica no adro, outro, no alto.  A expressão "meu Deus" torna a aparecer no desfecho irônico de "Cidadezinha qualquer". Mas, em "Outubro 1930", o nome de Deus aparece três vezes, evocado de forma séria, num contexto mais político do que existencial. Entretanto, no verso final, há um certo "rebaixamento" da linguagem:

 

Um novo, claro Brasil
surge, indeciso, da pólvora.
Meu Deus, tomai conta de nós.

 

Deus vela o sono dos brasileiros.
Anjos alvíssimos espreitam
A hora de apagar a luz de teu quarto
para abrirem sobre ti as asas
que afugentam os maus espíritos
e purificam os sonhos.
Deus vela o sono e os sonhos dos brasileiros.
Mas eles acordam e brigam de novo.

 

Nos dois últimos poemas do livro, "Romaria" e "Poema da purificação", vamos encontrar o divino sendo tratado com ironia e com lirismo. No primeiro, ao subirem a ladeira que leva a Deus, os romeiros "vão deixando culpas no caminho" e fazem tudo quanto é pedido ao Bom Jesus: amor, dinheiro, coragem de matar, e, na estrofe final, o ceticismo do poeta é transferido ao Filho de Deus:

 

Os romeiros pedem com os olhos,
pedem com a boca, pedem com as mãos.
Jesus já cansado de tanto pedido
dorme sonhando com outra humanidade.

 

Em "Poema da purificação", o poeta retoma um tom lírico, como que se desculpando do anjo torto que aparecera no início da obra e da vida, e coloca dois anjos bons: um, que mata o anjo mau, e outro, que vem "pensar", isto é, cuidar das feridas do anjo batalhador. Embora o "eu" não apareça explicitamente, pode-se fazer uma analogia entre o sujeito poético e esse "anjo batalhador":

 

Mas uma luz que ninguém soube
dizer de onde tinha vindo
apareceu para clarear o mundo,
e outro anjo pensou a ferida
do anjo batalhador.

 

Nesse poema, o anjo mau é jogado no rio, seu cadáver polui as águas de um sangue "que não descorava/ e os peixes todos morreram". É possível enxergar aí uma alegórica abordagem metapoética: os combates entre os anjos são os textos de Alguma poesia: o anjo mau, que surgiu como torto, no primeiro poema, vai reaparecer em outros versos, numa espécie de contraponto com Deus. É bom observar que, já na última face do primeiro poema, o verso final cita o diabo – é verdade que não é uma evocação, mas ...força de expressão:

 

Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.

 

Ele devia dizer sim, e o disse, não apenas em alguma poesia, mas em tanta poesia, até fechar definitivamente os olhos, em 1987.

 

Referências bibliográficas

 

ACHCAR, Francisco. Carlos Drummond de Andrade. São Paulo: Publifolha, 2000.

ANDRADE, Carlos Drummond de. Reunião. 2ªed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1971.

BILAC, Olavo. Poesias. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1977.

MORICONI, Ítalo. A poesia brasileira do século XX. Rio de Janeiro: Objetiva, 2002.

TELES, Gilberto Mendonça. Drummond: a estilística da repetição. Rio de Janeiro: José Olympio, s/d.

 

 

Caio Junqueira Maciel é professor de literatura e escritor.

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