ANO 8 Edição 92 - Maio 2020 INÍCIO contactos

Eduardo Rennó


Recordando o início: poemas de uma vida poética incipiente    

Novo dia, novo ano

 

O pé na areia
Branca, amansa
Uma brisa descansa
A maré da um tom
De lascívia e leveza
O dia requentado
Cai a tarde

 

Cai a noite
Tudo enegrece
Tudo é vagareza
Movimento crescente
Pessoas, pessoas e gente

 

Começa a contagem...
3, 2, 1...
Salpicam luzes coloridas
Reluzentes
Espetáculo de cores
Explosões no céu
Vermelho, amarelo,
Verde, azul
Tudo é brilho
Parece quase dia

 

O bebê chora
A criança sorri encantada
E as cores dançam
Felizes no céu estrelado
Uma faísca, lentamente,
Vai caindo no mar

 

Feliz ano novo!

 

...

 

 

 

 

 

 

O que é? O que é?

 

Para achar o arco-íris
No fundo do pote de ouro
Basta sonhar colorido
Basta sonhar com gosto

 

O sonho é ter seu gosto de sensível paladar
Viajar, viajar...

 

Se quiser ir ao fundo, basta sonhar.

 

Para mergulhar no colorido, basta deslizar.

 

Veja que cor suave, o arco-íris, descendo entre as nuvens
A chuva dissipa e os pingos são notas de música
Cada nota no seu lugar
Sol é já bem tarde
Ré vai e desce até acabar
Mi faz mais uma curva
Mas o arco-íris é seu olhar.
Falta ainda o si, o lá e
Vá, vá olhando
Dó até acabar

 

Falha minha, faltou uma nota
As cores nunca se dividem, só no seu olhar de arco-íris
Descem tantas cores
Descem e vão brincando deixe-me lembrar
Azul, anil, ou seria o contrário,
Vermelho, laranja...
Perco a conta, o sonho começa a embolar...
Sim, são muitas cores...
É um arco-íris inteiro,

 

O sol já chega
Não há mais pingos, nem brisa...
O sol já raia
Venha, a manhã já raiou
Foi-se embora o luar

 

...

 

 

 

 

 

 

         Brincadeira de chapéu e fraque

 

Caí na areia
Desse bom retiro
Atirado na rede
Que balançava
Balançava...

 

Chamaram-me a uma brincadeira
Coloquei chapéu e fraque
E te segui
Passo a passo

 

Teu “x” estava lá
Na mesma areia
Em que puxaste meu tapete

 

Bananeiras cocos paineiras

 

...

 

 

 

 

 

 

Espera de um momento

 

A cidade dorme
Tempo vazio
Tudo parece ruir
Tensão espacial
Finita

 

Brinco sem rir
Brinquedo sem graça
Tudo despedaça
O sino repousa

 

Bandeiras recolhidas
Dobradas
Guardadas
Esperada a hora angustiada
Tensão envolta

 

Prendo na garganta
Algo de perigo
Nada que segura
O vício aflitivo

 

O vento dobra o tempo
A onda balança o senso
O equilíbrio se torna pequeno
Frente ao círculo que se arma
Além de fronteiras
Além do próprio pêndulo

 

Fujo do abrigo
O conforto acho no recanto
Cortinas não são mais vistas
Vejo horizontes lado a lado
Esperanças sobreerguidas

 

A cidade retumba em cisma
Tudo chora tudo cria
Vai-se mais um dia
Vai-se mais uma rima
Procura-se achar o ponto
Que desate em harmonia

 

Entro de regresso
Com certezas que já tenho
O prado vai longe
O movimento é único
Como um só, caminham todos
No encontro de um domingo

 

...

 

 

 

 

 

 

Ponto Retumbante

 

Recolho ao vazio
Aqui silêncio absurdo
Tudo cessa
Tempo de espera
Imensidão de penso
Lá fora retumba o burbúrio

 

O inferno dá voltas
E eu paro na beira do círculo
Seguro de nada
Brigo com a dança
Que observo do quarto

 

Vou ao espetáculo
Perco a poesia
Assisto a multidão
A guerrilha nunca muda
Volto do front
Ferido no pescoço
Um laço lascivo endiabrado
Não cura sozinho
Nem cicatriza

 

Volto e observo pensativo
Mais um tempo esvaído
Mais um sol posto
Mais uma imensidão de vazio
O silêncio vago conforta o descanso não adormecido

 

 

Eduardo Rennó nasceu em Belo Horizonte, Minas Gerais, em 1979. É bacharel em Letras e Comunicação Social pela UFMG. É revisor, escritor e poeta. Já publicou o livro Eu & ti em Portugal (Corpos Editora, selo Worldartfriends), e possui alguns poemas publicados em Antologias. Já fez trabalhos também com curtas-metragens, especialmente Super-8, e fotografia. Acadêmico da ALG e membro dos PoetasdelMundo. E-mail para contato: edurenno@yahoo.com

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Revista InComunidade, Edição de Maio de 2020


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Foto de capa:

YUE MINJUN, 'Hats series: Armed forces', 2005 || AI WEIWEI, 'White House - The Skateroom', s/d


Paginação:

Nuno Baptista


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