ANO 8 Edição 90 - Março 2020 INÍCIO contactos

Luciana Tonelli | Seleção de poemas: Ana Caetano Depoimentos: Adriana Versiani, Carlos Augusto Novais, Gláucia Machado, Hugo Pontes, Luciano Cortez, Marcus Vinícius de Faria, Ricardo Aleixo, Vera Casa Nova.


Marcelo Dolabela: intensidade e rigor, utopia e práxis num mesmo poeta                                         

No momento em que o Brasil enfrenta um contexto extremamente refratário aos ideais progressistas do século XX em todos os terrenos, Minas Gerais – estado do poeta Carlos Drummond de Andrade e lugar tido como “síntese do país”, por sua localização geográfica entre o sul e o norte – perde um poeta que esteve profundamente ligado a essas questões: Marcelo Dolabela, falecido no dia 18 de janeiro, aos 62 anos de idade.

 

Mineiro do interior, Dolabela construiu sua vida na capital do estado, Belo Horizonte, onde teve uma intensa atividade não só como poeta, pesquisador e professor, mas também como alguém capaz de agregar artistas e pensadores em torno de projetos sempre democráticos de difusão da produção poética contemporânea, especialmente a poesia e o rock brasileiro. Para ampliar a divulgação de sua obra no mundo lusófono, a revista InComunidades traz, nesta edição, uma seleção de poemas e a palavra de seus parceiros.

 

 

Marcelo Dolabela fotografado por Marcelo Pinheiro.

 

 

 

 

 

 

[2] Seleção de poemas
Dolabela para iniciantes

 

Marcelo Dolabela foi um poeta profundamente ligado à cidade que escolheu para viver – Belo Horizonte, capital de Minas Gerais – e às questões de seu tempo e lugar. Integrante de uma geração formada nos embates da política estudantil nos últimos anos da ditadura militar no país, Dolabela sempre atuou a partir de valores éticos e estéticos bem claros. Tendo na cultura brasileira e suas contradições um terreno a ser decifrado e cultivado, o poeta levava para a sala de aula as cartografias dessas produções culturais, seus movimentos e desdobramentos. Em suas abordagens ele não deixava nada de lado: tratava da poesia erudita e daquela nascida nas ruas, da música popular brasileira e do rock & seus “descendentes”, das produções contraculturais e de vanguarda. Enquanto professor, sua disposição para o diálogo resultava sempre em novos projetos e novas parcerias.

 

 

Ana Caetano, Marcelo Dolabela e Carlos Augusto Novais - Praça da Estação, Belo Horizonte, 1994. [acervo pessoal]

 

Além de poeta, roteirista de cinema, dramaturgo, compositor e criador de bandas de rock sempre com teor pós-punk e experimental, Marcelo Dolabela foi também um agente cultural importante, deixando na capital mineira a sua marca. Ao lado de companheiros de geração, realizou diversos projetos de estímulo e difusão da poesia na cidade, o que sempre envolveu muita pesquisa, curadoria e edição, sendo que alguns deles puderam contar com o incentivo do poder público.

 

De 1994 a 1997 Dolabela trabalhou no projeto BH 100, concebido para celebrar o primeiro século de Belo Horizonte, a cidade planejada que substituiu a colonial Ouro Preto como capital de Minas Gerais. A foto que ilustra esta seção é desse momento: Marcelo se encontra entre Ana Caetano e Carlos Augusto Novais, poetas e companheiros de geração e de muitos projetos. Juntos eles posam para a foto num lugar emblemático da cidade.

 

Antes de falecer, Marcelo Dolabela manifestou um desejo: que sua obra contasse com o olhar de Ana Caetano em suas publicações futuras. Aqui apresentamos o que pode ser considerado seu primeiro recorte de curadoria: o Pot-pourri Dadalobela, que Ana editou no dia da morte do poeta, em 18 de janeiro. Nessa reunião, ela apresenta a vida & obra de Marcelo em seções cujos títulos constituem, por si mesmos, um poema:
Ao poeta que teve tudo
O amor de todas as musas
A coragem de todos os guerreiros
A ironia e todas as suas garras
A dor e todos os seus avessos
A delicadeza das flechas de porcelana
O fio de todas as navalhas
O tamanho de todas as revoluções
A bandeira da nossa geração
A poesia de todos os bardos

 

O pot-pourri é formado por fragmentos de poemas dos livros Hai-Kaixa (livro-objeto, 1978-1983), Radicais (1985), Poeminhas e outros poemas (1994), Lorem Ipsus (2006) e Acre Ácido Azedo (2015) e apresenta inúmeras facetas deste poeta brasileiro múltiplo. Adicionamos, ainda, entre uma e outra seção, quatro poemas visuais, outra vertente da poesia muito frequentada por Marcelo.

 

 

 

 

 

 

Pot-pourri dadalobela para Marcelo Dolabela

Por Ana Caetano

 

 

 

Ao poeta que teve tudo

 

O amor de todas as musas
Enquanto as musas andarem comigo,
Não me faltarão pão, canção nem vinho.

 

A tudo e a todos, é invisível Tua
Beleza. E nada se iguala ao que só
eu sorvo.

 

céu lua vermelha
duas estrelas anônimas
espelham teus olhos.

 

 

 

 

 

 

A coragem de todos os guerreiros

 

Eu já trouxe minha alma até o precipício
Nada me custou, foi um simples exercício

 

Eu tenho poucas lembranças do que vivi,
Afinal, foi bem rápido chegar até aqui;
Pra viver nesse mundo, não basta uma vida;
Não dá pra viver e ter paz no mesmo turno:
Ou se vê as pessoas ou se vê saturno.

 

Não abro mão do que cunho
minha mão nasce no punho

 

Tire o seu abismo do abismo
Que eu quero passar com o meu abismo

 

 

 


 

A ironia e todas as suas garras

 

Todo inevitável
Nunca se realiza
Nossos furacões
não passam de brisa

 

Viver é descartável
A morte precisa
Somente a solidão
Que nos eternize

 

Pra poesia, a lógica
não existe
se eu quiser ir pro inferno, em nome da poesia,
chegarei, sem dúvida,
dois segundos depois de esgotada as passagens.

 

Que um dia eu receba
Da morte o abraço
E ouça o mote:
Chega de fracasso

 

 

 

 

 

 

 

A dor e todos os seus avessos

 

A dor é sempre completa
é obra que se publica
quando se torna poeta

 

Sofrer
é viver
pelo avesso
é chegar
a um lugar
sem endereço

 

eu estou: nas maravilhas do mundo
no Coliseu da cidade
no naufrágio dos poetas
ouvindo Scheherazade

 

                            pois eu tenho mais versos pra escrever
com o nanquim do tormento

 

faço de fibra e dor
a dor que trago comigo
árido sol sem ter cor
unido ao meu umbigo

 

Felicidade!
Não fostes feita para mim...
e no entanto eu conto as sílabas
para te maldizer.

 

da minha dor
os poetas que amo
já falaram melhor
esta trama
este trema
daqui uma semana
não será mais problema

 

 

 

 

 

 

 

A delicadeza das flechas de porcelana

 

acerto de contas:
a estrela da manhã
refaz suas pontas.

 

espera respira
a voz de safira
da atmosfera

 

primeira poesia do ano
escrever
com a borracha

 

gotas no ladrilho:
conselhos
para o andarilho

 

Um amigo:
A metade de tudo
Mais o perigo

 

Tenho em comum
com os sensatos:
o desespero

 

 

 

 

 

 

O fio de todas as navalhas

 

O poeta não busca obra, mas crise
vive para espalhar fome e problema
abre ao sol sua própria valise
e mostra que nem sempre traz poema

 

Aprendemos a matar desde menino,
no café da manhã, cortando o presunto;
seguimos, à tarde, seremos bons heróis,
que sabem saborear um bom defunto

 

Saibamos manejar cifras, colt, palavras,
como um bom cristão, sensato assassino;
assim, teremos bueiros sobre a cabeça
e vadios cães no nosso verde intestino.

 

 

 

 

 

 

 

O tamanho de todas as revoluções

 

Enquanto, para uns,
vinte e quatro dúzias de quitutes
bastam para o gozo
para mim
multipliquem, só para o desjejum,
os vinte séculos de inquietude
por doze

 

Sim, meu país é a guerra
luz que já não ilumina
presente que não espera
a hora que tudo termina

 

 

 

 

 

 

A bandeira da nossa geração

 

É melhor ser vanguarda que ser kitsch
A vanguarda é a melhor coisa que existe
É assim a luz da revolução
Ponha muito furor numa demência
E vai ver que ninguém no mundo vence
A leveza que tem um furacão
Porque a vanguarda nasceu lá na utopia
e se hoje ela é pop na poesia
ela é dadá no coração

 

 

 

 

 

 

A poesia de todos os bardos

 

Ao deixar a minha vida deserta
Assim a poesia então se apressa
E antes da morte vem e me desperta
Eu, por exemplo, o radical do traço, Marcelo Dolabela
poeta e dadamidia, o pop mais dadá de Beagá
na linha direta de Rimbaud,
A benção Lygia Clark
a nossa Mondrian da Alegria
terra de Hendrix e João Gilberto,
a benção Oswald de Andrade (...)
a benção Bashô (...)
a benção Tzara (...)
a benção Ezra Malarmé (...)
sua benção Hélio Oiticica (meu irmão!)
a benção Wladmir Maiakóvski  (...)
a benção Safo Ono  (...)
a benção, meus maus Glauber Sganzerla
vocês sobrinhos de Vertov
a benção, Tarsila Crepax,
sua benção Lewis Warhol
a benção, todos os grandes tropicalistas do planeta,
pop, dadá e antropófago,
lindo como os olhos moles de Pagu,
a benção Maestro Luciano Klhiébnikov,
parceiro e amigo querido  (...)
a benção, Beüys Lichtenstein  (...)
a benção, Baden & Vinícius  (...)
a benção, Maestro Walter Benjamin
que és tantos, tantos como o meu fuzil de todos os sins
inclusive o de Guimarães Joyce
Saravá!

 

É isto, os ídolos morrem e as drogas acabam
Marcelo foi-se embora para Pasárgada
onde todo hino é um rock balada
onde os lírios nascem da lei
onde todo vento sopra a voz da amada
onde todo amigo é um rei.

 

A benção que eu vou partir
Eu vou ter que dizer a Zeus
Saravá!

 

*Fragmentos em itálico de poemas dos livros/objetos Hai-Kaixa (1978-1983), Radicais (1985), Poeminhas e outros poemas (1994), Lorem Ipsus (2006) e Acre Ácido Azedo (2015) de Marcelo Dolabela.

 

 

[3] Poemas de Marcelo feitos em Lisboa, em 2015

 

 

 

 

 

 

Um mineiro em Lisboa

 

 

Em dezembro de 2015 Marcelo Dolabela fez uma viagem a Portugal com sua mulher, Regina Lage Guerra. Segundo Regina, foi tão feliz o encontro com a cidade de Lisboa que eles sequer conseguiram sair de lá. Hospedados no bairro da Alfama, passaram todo o tempo disponível da viagem entre museus, galerias, sebos e cafés.

 

Marcelo sempre teve grande apreço pela literatura e poesia portuguesas: adorava o padre Antônio Vieira, autor de Os Sermões, como também, naturalmente, Fernando Pessoa e seus heterônimos. Da geração atual, Marcelo era fã da rapper portuguesa Capicua, que viu em show durante a viagem.

 

Entre as garimpagens realizadas pelo poeta em Lisboa, destaca-se, segundo Regina, um livro encontrado no mercado de pulgas e adquirido por um euro: o Manual do Guerrilheiro, de Carlos Marighella, um dos maiores militantes brasileiros contra a ditadura militar, assassinado em 1969. A edição portuguesa data do ano de 1974, logo depois da Revolução dos Cravos.

 

Ele também adquiriu fac-símiles da revista Orpheu, fundada por um grupo de artistas plásticos e poetas, entre eles Fernando Pessoa. É de Pessoa a frase da camiseta que o poeta brasileiro adquiriu, que diz muito a seu respeito: “minha pátria é a língua portuguesa”. Dessa viagem Marcelo e Regina voltaram com duas camisetas, sendo que a segunda Regina vestiu no recital realizado em homenagem ao seu marido no dia 25 de janeiro, chamado “Poesia de Sétimo Dia”: a camiseta com a palavra “Saudade”.

 

 

Regina Guerra durante recital em homenagem ao marido.

Em seguida, apresentamos alguns dos poemas que Marcelo escreveu durante a estadia em Lisboa.

 

2.
Tudo em Lisboa
é Fernando Pessoa
agora entendo o motivo
de tanto heterônimo

 

 

 

8.
Na Rua da Saudade,
o Império Romano
esqueceu
as ruínas
de um teatro.

 

 

 

15.
Em Alfama,
a todo momento,
achava que o Wim Wenders
estava procurando
uma locação
para sua próxima película.

 

 

 

20.
Vamos ficar numa boa
pelas ruas de Lisboa
navegar no Tejo de canoa
ir de Alfama à Mandragoa
andar por aí à-toa.

 

Vamos ficar numa boa
pelas vielas de Lisboa
entre rezas, louvores e loas
lendo Fernando Pessoa
andar por aí à-toa.

 

 

 

21.

 

De Lisboa,
é pleonasmo
sair
com saudade.

 

 

O poeta brasileiro Marcelo Dolabela no café que escolheu para frequentar,
quando esteve em Lisboa em 2015. [fotos do acervo de Regina Guerra]

 

 

 

 

 

 

[4] Dolabela pelos seus contemporâneos
Marcelo Dolabela e o soneto do peixe

Por Luciano Cortêz

 

 

O poeta e artista visual Luciano Cortêz no recital “Poesia de Sétimo Dia”,
em homenagem ao amigo e parceiro. Foto: Clara Albinati.

 

Tudo o que porventura possa vir a apresentar neste depoimento sobre Marcelo Dolabela será sempre muito pouco frente ao que efetivamente foi, construiu, inventou, articulou, criou (a enumeração parece excessiva, mas necessária). Seu trabalho em poesia – realizado ao longo dos últimos 40 anos –, penso que tenha sido uma das mais férteis contribuições para a literatura brasileira no período, não só porque efetivamente de muita qualidade, como também por ter sido, e ser, forma de difusão, na malha de seus versos, das expressões centrais da poesia, das artes plásticas e visuais, do cinema e da música do Brasil e do mundo produzidas ao longo do século que findou e das primeiras décadas do presente.

há-de renovar a glosa que se renova,
entre o sargaço podre dos mares da história,
da marina escura onde o cardume põe sua ova
e a cít’ra do tempo faz do tempo memória

 

Seu comprometimento com a vida, com o existente, fez dele o poeta que foi em sua poesia – espécie de matéria, de assuntos historicamente articulados a um rigor de aparência aleatória; como os pianos preparados de Cage, com um ruído dentro guardado (ali se condensam toda limalha, a terradevastadense, a família monstro, a luta armada contida em toda pólvora digital e nos gomos das lágrimas amargas da felicidade).

há-de, cada verso, trazer de novo à prova
e destruir, do verso, a verve mais ilusória
que reescreve tudo em uniforme trova
mas não transforma a fome de prêmio e glória

 

A plena convicção de que não se deve transformar a paixão em uma profissão permitiu a Marcelo Dolabela uma liberdade difícil de ser alcançada nos limites estreitos da academia, subordinada a normas de produtividade, abstratas, alienantes, é lógico. Antes, procurou incorporar o erro, realizar o acaso controlado, mergulhar no poço escuro de Lupicínio, no corpo sem nome que se desloca na paisagem. Aspirar ao grande labirinto.

há-de garimpar no cascalho ocre de outrora
o que mergulhou, no esquecimento, a matéria
trazendo a ardente brasa que não se evapora

 

Legítimo aluno de Augusto de Campos, e Duchamp, e Rimbaud, e Dolores Duran, e Augusto dos Anjos, e Roy Lichtenstein, e Buñel, e Oswald de Andrade, e Bashô, Marcelo Dolabela inventou a lágrima do peixe, um cão andaluz, a mulher com a bola vermelha, uma escada, as folhas mortas do outono, um transatlântico, o átomo imperfeito, o deserto, a cidade e o próprio Marcelo Dolabela, ready-made de si mesmo, que bem poderia ter dito isso que foi dito, porque hoje, e agora, é o fim e o começo.

há-de gerar no Hades a boca que devora
o ar que se respira e o sangue da artéria,
fazendo história desta interminável hora.

 

 

 

 

 

 

Um poeta no olho do furacão

Por Carlos Augusto Novais

 

Conheci Marcelo Dolabela no final dos anos 1970. O Brasil ainda sob a ditadura militar e o movimento estudantil em intensa mobilização. Poeticamente, o grupo/revista Cemflores, do qual foi um dos fundadores e principais editores, desenvolvia uma atuação marcante no cenário cultural de Belo Horizonte, em conexão orgânica com poetas, músicos, artistas visuais, atores e artistas diversos. Um momento geracional caracterizado por um forte caráter experimental, perpassado pela tensão entre vanguarda, comunicação e participação política.

 

 
Marcelo Dolabela estava no olho do furacão, ou melhor, era o próprio furacão. Sempre inquieto, lançava sua força criativa em todas as direções e sentidos. Dadamídia, como costumava se autodeclarar, transitava pelas várias linguagens e códigos (verbal, sonoro, icônico), nos mais diversos suportes e modalidades (livro, fita K7, CD, cartaz, panfleto, vídeo, etc), em qualquer tempo e lugar onde a poesia se fizesse presente. Gregário e generoso, apresentou-me à poesia concreta e aos seus diálogos com a experiência poética. Meu primeiro livro, no formato artesanal, nos moldes da chamada Poesia Marginal, teve sua matriz (estêncil para mimeógrafo) produzida em sua máquina de escrever, no icônico apartamento da rua Tupis, no centro de Belo Horizonte.

 

Sempre com seu determinado senso do coletivo, ao lado de outros amigos, vivenciamos juntos projetos poéticos construídos a partir de suas múltiplas intuições e ideias, como a Miniantologia da Poesia de BH, a Mostra Poética de Belo Horizonte (10 fascículos), a Bienal Internacional de Poesia de Belo Horizonte, o Cacograma (CD de poesia), a Coleção Poesia Orbital (62 livros de poesia em homenagem ao centenário de BH), o Jornal de Poesia Inferno, a coleção de jornais de poesia e poética Dez Faces, entre tantos outros. Grande amigo e parceiro, Marcelo Dolabela foi, é e sempre será, para mim, uma referência de vida e poesia. Ele tornou a vida mais habitável! Está fazendo muita falta!

 

 

Coleção “Temporada de Poesia”, que contou com o apoio da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte, graças a gestão do prefeito Patrus Ananias (PT), que muito valorizou a cultura. 

 

 

Poetas da coleção Poesia Orbital, projeto idealizado por Marcelo Dolabela em
1997. Marcelo é o 4º na primeira fila, da esquerda para a direita.

 

 

 

 

 

 

Encontro na poesia experimental

Por Hugo Pontes

 

Conheci Marcelo Dolabela no ano de 1978. Em 1980, o então estudante do curso de Letras da UFMG, solicitou-me apoio para realizar a 1ª Mostra de Arte Postal de Belo Horizonte. Desde sempre nossos contatos estiveram voltados em função da poesia experimental.

 

Sobre Marcelo Dolabela, pessoalmente, tenho a dizer que era um ser humano excepcional. Como artista foi múltiplo e de uma inteligência rara. Deixou, sem dúvida alguma, um legado para a literatura, as artes e a cultura de Belo Horizonte que merece um estudo detalhado.

 

 

 

 

 

 

Afeto em forma de linguagem

Por Adriana Versiani

 

Marcelo Dolabela não é só um nome próprio
Marcelo Dolabela é Coletivo.

Nos coletivos que colecionei pela vida,
sempre de mãos dadas
com a literatura e com a arte,
cresci e descobri minha linguagem.
Quando Marcelo morreu,
a sensação era que não havia morrido
apenas uma pessoa,
mas uma parte do que gerou em muitos,
Afeto em forma de Linguagem.
Marcelo Dolabela não é só, nem é apenas.
O texto é longo, difícil resumir em um parágrafo.
A dor é grande, difícil resumir em um parágrafo.
A vida é curta, mas não cabe em um parágrafo.
Obrigada, Marcelo.

 

 

 

 

 

 

Meu dadalobélico amigo
Por Ricardo Aleixo

 

 

 

 

 

 

 

Senhor de sua história

Por Gláucia Machado

 

Boa sorte. Ele sempre repetia, ao final de nossos encontros. Começamos colegas na UFMG: desde 1979, estudantes de Letras, nos tornamos parceiros em diversos eventos. Das revistas ao movimento estudantil, cresceu a amizade forte. Para mim, Marcelo é todo bom humor & ironia, “cultura, meu bem, cultura”, como escrevemos nos cartazes para o Diretório Central dos Estudantes (DCE-UFMG) no início da década de 1980.

 

Marcelo, em todos os sentidos, um cara disposto a ouvir, mas principalmente um mestre capaz de horas de exposição de ideias, inventor de artimanhas, multimídia e vanguarda, tudo ao mesmo tempo agora, criador de linguagens, até mesmo de diversos bordões – “abre aspas”: um pensador extremamente crítico, sedutor. “Conclusão?” Tesão total pela palavra. Marcelo se define: poeta. Marginal. Pop. Dada. P.O.E.T.A.

 

Sempre fora de qualquer padrão, à margem da margem, Marcelo é senhor de sua história. Sua mão esquerda desenhou em mim e em centenas de pessoas, com sua caligrafia pessoal & intransferível, o desejo de experimentar.

 

Seguimos, nas lembranças e desejos de nosso coração malasartes. Seguimos... E, se no começo de 2020 a vida ficou menos interessante sem a possibilidade de uma boa conversa com o Marcelo, por outro lado, cada vez mais o sinto vivo aqui, na certeza de nossa amizade. Em um de seus haikais, Marcelo escreveu: amigo / a metade de tudo / mais o perigo. A metade de tudo está garantida, amigo! E o perigo, ah... O perigo nunca cessa.

 

 

 

 

 

 

Poesia interrompida

Por Marcus Vinícius Faria

 

Não sei medir
Quem se foi
Mas como fica!

 

 

Livros artesanais de autoria de Marcelo Dolabela produzidos durante os anos
80 e 90. Acervo de Gláucia Machado.

 

 

 

 

 

 

Ritornelos dolabelianos

Por Vera Casa Nova

um franzino, baixinho, magrinho.
aquele menino-homem era poeta
e seu estar no mundo
era a poesia.
o rock?
passava ligeiro por entre as linhas mimeografadas ou
digitadas
mas o som era roll.
orbital poesia. poesia orbital.
Os versos pululavam entre os poetas da homenagem a BH. anos 90
No boteco falávamos de livros e livros
Com uma boa cerveja  sobre a mesa o papo era poesia.
Quantos projetos,hein?
Mas os versos contemporâneos mineiros foram escritos para você, amigo ausente.

Marcelo Dolabela dos recitais

 

 

 

Marcelo Dolabela, Francesco Napoli e Silma Dornas, da banda Divergência Socialista, reunidos no recital “Poesia pela Democracia”, o último do qual o poeta participou, em 2018.

 

Marcelo Dolabela sempre teve grande apreço à poesia em sua forma falada, em sua prosódia. Com isso, todos os projetos que idealizou sempre dedicaram espaço e tempo aos recitais. Para apresentar um pouco da  sua verve, disponibilizamos abaixo dois vídeos editados por Emilia Mendes, poeta e parceira de Dolabela em inúmeros projetos. Nos momentos registrados abaixo, Marcelo Dolabela recita os poemas O abismo e Atropos, Cleto & Laquesis ao lado dos músicos Clôde Franco e Otávio Martins.

 

Marcelo Dolabela - O abismo

 

https://www.youtube.com/watch?v=Mdr4g7yGv5s&fbclid=IwAR1CMYjfio_Z8zBRqDlBJ9K4m5x56iPs-PxTKyZAqma9VSWfnkEQtVivDCY

 

Marcelo Dolabela - Atropos, Cleto & Laquesis
https://www.youtube.com/watch?v=uUzJxIGiIhQ&feature=youtu.be&fbclid=IwAR00jFtg9_GzQnFfjMFkjtW5Pup3nIWvizv8bbEbcSxuxNstjwKPMddxm1A

 

Marcelo Dolabela multimídia

 

Simultaneamente à sua atividade como poeta, roteirista e dramaturgo, Marcelo Dolabela desenvolveu também uma intensa atividade como cantor e compositor à frente de bandas de rock, sempre em sua vertente experimental e pós-punk.

 

Assim, tornou-se um “nó de rede” do rock dos anos 80 em Belo Horizonte, e em torno dele vários artistas e bandas se desenvolveram. Um dos mais conhecidos é John Ulhoa, do Pato Fu, que integrou a banda Divergência Socialista, criada por Dolabela, em seus primórdios.

 

Além de compor e tocar, Marcelo também se dedicou à pesquisa nessa área, tornando-se referência para todos os que mergulham na história do rock brasileiro. O autor do famoso ABZ do rock brasileiro, lançado em 1987, esteve mergulhado no tema ao longo de décadas, o que o levou a construir um acervo que é referência para pesquisadores de todo o país.

Para que essa vertente da sua atividade não fique inteiramente descoberta nesta matéria (cujo foco é a poesia), apresentamos a seguir link para vídeo editado por Emilia Mendes e Clode Franco com ênfase em sua produção musical:

Divergência Socialista –Heidegger’s Song #1 e #2

 

https://www.youtube.com/watch?v=RYHMdFr8JUo&fbclid=IwAR05UKoHgrVuu1FTrwwoCgVmLXePjxcStqBQ2E01ZwG2zLAaGzxfF8bFtpk

 

Divergência Socialista, 3ª formação: Rubinho Troll, John Ulhoa,
Silma Dornas e Marcelo Dolabela. Foto: Fabiana Figueiredo.

 

 

 

 

 

 

Marcelo Dolabela – Vida & Obra

 

Marcelo Gomes Dolabela nasceu em Lajinha (MG), em 1957. Pro­fessor, poeta, compositor e pesquisador nas áreas de poesia e música, Dolabela formou-se em Letras pela UFMG e realizou mestrado na área da Comunicação Social pela Universidade de São Marcos. Em seu caminho profissional ele sempre conectou erudição e cultura de massas, um grande tema da cultura brasileira, inclusive problematizado por Caetano Veloso e seus companheiros de geração durante a Tropicália.

 

 

Como Paulo Leminiski, outro grande nome da sua geração, Marcelo Dolabela nunca fez pouco caso do que corria na “corrente sanguínea da cultura”, do que acontecia no momento presente. Assim, ao tratarmos da sua bibliografia, é importante entender suas escolhas: vivendo com intensidade um momento em que os artistas mais inquietos e inventivos colocavam em xeque a cultura instituída e seus caminhos, Marcelo trilhou o caminho da publicação independente, marca da sua geração.

 

Graças a essa escolha radical, todos os seus livros foram publicados por conta própria, ou ainda em parceria com pequenos selos, editoras artesanais ou projetos culturais – isso quando não eram objetos artesanais propriamente ditos, como Palavra Valise e Supercílio. Até mesmo o livro da sua maturidade – Lorem Ipsus – foi uma autopublicação, contando com o projeto gráfico da designer Glória Campos, sua companheira de vida na época, e com a resenha da poeta e professora de Literatura Brasileira Gláucia Machado, da sua rede de amizade e interlocução.

 

 

 

Em seguida, apresentamos a relação das suas produções – ao menos as principais. Antes, no entanto, apresentamos uma lista de links com a obra do poeta disponível na internet atualmente. Importante dizer que Marcelo Dolabela não parava muito para cuidar da própria obra, por isso nunca se dedicou a produzir um site. No entanto, o grupo responsável pela difusão da sua obra estuda esta e outras possibilidades.

 

 

Capa do ABZ rock brasileiro, mapeamento pioneiro
do pesquisador Marcelo Dolabela.

 

 

Marcelo Dolabela em links:

 

Em português:
Marcelo Dolabela na Wikipédia
https://pt.wikipedia.org/wiki/Marcelo_Dolabela

 

Marcelo Dolabela no Dicionário Cravo Albim da Música Popular Brasileira
http://dicionariompb.com.br/divergencia-socialista/dados-artisticos

 

Marcelo Dolabela no site do projeto Cartógrafos da Vertigem Urbana, de Fabrício Marques:
https://cartografosdavertigemurbana.wordpress.com/2015/07/28/305/

 

Marcelo Dolabela no site Tropofonia:
http://imersaolatina.blogspot.com/2009/09/tropofonia-entrevista-com-marcelo.html

 

Página em homenagem a Marcelo Dolabela no Facebook:
https://web.facebook.com/groups/marcelodolabelapoeta/

 

Poesia Visual de Marcelo Dolabela:
http://www.poemavisual.com.br/html/show_poeta.php?id=20&ptitle=Marcelo%20Dolabela

 

Performance poética “Puro Sangue”:
https://www.youtube.com/watch?v=JZ670eK-6AY

 

Marcelo Dolabela no site de Antonio Miranda:
http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/minas_gerais/marcelo_dolabela.html

 

Em espanhol:
O tedioso sonar das víboras. 9+1 poemas do Marcelo Dolabela
Site Vallejo and Company, editado por Mario Pera. Curadoria de Fabrício Marques e tradução para o espanhol de Maíra Buarque.
http://www.vallejoandcompany.com/tedioso-sonar-las-viboras-9-1-poemas-de-marcelo-dolabela/ 

 

M.D. poeta e pesquisador musical > principais livros:

  • Acre Áci­do Azedo, 2015
  • Um mineiro em Brasília – Breve Edições, 2015
  • Puro Sangue – Coleção Leve um Livro, 2013
  • Lorem Ipsus – Antologia poética & outros poemas, 2006
  • Poeminhas & outros poemas, 1998
  • Amônia – Coleção Poesia Orbital, 1997
  • Hai Kaixa, 1993
  • Breve história da música de Belo Hori­zonte, 1993
  • ABZ do rock brasileiro, 1987
  • Radicais, 1985
  • Coração malasarte, 1980

 

M.D. artista postal > exposições:

 

Como ar­tista postal, Marcelo Dolabela tem trabalhos expostos nos seguintes países: Japão, Austrália, Portugal, França, Holanda, Estados Unidos e Canadá, entre outros.

 

E nos seguintes estados brasileiros: Rio Grande do Norte, Paraíba, Ceará, Pernambuco, Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, San­ta Catarina e Rio Grande do Sul.

 

 

 

M.D. roteirista > filmes:

  • Arnaldo Baptista – Maldito Popular Brasileiro, de Patrícia Moran
  • Plano sequência, de Patrícia Moran
  • Uakti – Oficina instrumental, de Rafael Conde
  • A hora vagabunda, de Rafael Conde
  • Sábado da carne – roteiro e direção

 

 

 

M.D. letrista > grupos musicais:

 

Divergência Socialista – Grupo de rock formado por Marcelo Dolabela (texto e voz) nos anos 80 e que passou por inúmeras formações desde que foi criado. Trabalha do "posite-punk" até o minimalismo de John Cage. Em 2013 lançou o CD Divergên­cia Socialista – Marcelo Dolabela & parceiros.

 

 

 

M.D. idealizador e coordenador > eventos e edições:

  • Festival de Poesia / 2o Salão do Livro, ago. 2001.
  • Festival Internacional de Poesia Sonora de Belo Horizonte, ago. 2000.
  • Fes­tival de Inverno de Ouro Preto – UNI-BH – literatura, 2000.
  • Recitais do Inferno, Café com Letras, 2000.
  • Bienal Internacional de Poesia de Belo Horizonte. Belo Horizonte: Secretaria Municipal de Cultura, dez. 1998.
  • Coleção Poesia Orbital, 1997 (62 livretos).
  • Recitais Poesia Orbital. Bar Convento e Cinema Nazaré, 1996-1997.
  • Projeto Poesia em Sintonia, segundo semestre de 1996.
  • Coleção Temporada de Poesia, 1994-1996.
  • Festival de Poe­sia de Belo Horizonte, 1994.

 

 

 

M.D. difusor cultural > programas de rádio:

 

Rock Molotov (Rádio Liberdade FM), Vitrola do Dolabela e Letra Elétrika (ambos na Rádio Lagoinha FM) – Com esses programas, especialmente Rock Molotov, o poeta e rockeiro influenciou fortemente aqueles que começavam a trilhar o caminho do rock em Belo Horizonte.

 

 

 

M.D. difusor cultural > exposições:

 

50 discos que você precisa ouvir para en­tender o Golpe Militar (1964-1985) e Rock no circuito – 2014

 

 

 

A história do rock brasileiro em 1000 discos – 2012
https://www.youtube.com/watch?v=dDR7um80jXo&fbclid=IwAR03gh22ggv9iLqa7K_9qdB1IeofA5Kj_X6DKCsm_L31RFVAflTzSIJjDxI

 

 

 

M.D. colunista de jornal:

 

 

 

Assinou coluna semanal no jornal Hoje em Dia, de novembro de 1999 a fevereiro de 2007, e no jornal do Café com Letras.

 

Adriana Versiani
Adriana Versiani dos Anjos nasceu em Ouro Preto, Minas Gerais. Tem diversos livros de poesia publicados, dentre eles A Físi­ca dos Beatles, Livro de Papel, A Lâmina que matou meu pai, Três Pedras e uma dose de palavra e Arqueologia da Calçada, esse último lançado em 2019. Participou de diversos coletivos de edição de poesia, incluindo o grupo reunido por Marcelo Dolabela para editar a coleção Poesia Orbital (1997) e os jornais Inferno (1998) e Dez Faces (2007-2008).

Ana Caetano
Ana Caetano é poeta, tradutora e professora da Universi­dade Federal de Minas Gerais. Nasceu em Dores do Indaiá, MG, em 1960. Publicou os livros: Levianas (1984) e Ba­bel (1994), ambos com Levi Carneiro, Quatorze (1997) e Inventário (2016). Participou da coordenação dos projetos Temporada de Poesia (1994), Poesia Orbital (1997) e do CD Cacograma (2001). Foi coeditora da revista Fahrenheit 451 e dos jornais Inferno (1998) e Dez Faces (2007-2008). Assinou a coluna de poesia do jornal Letras do Café (2006–2009) e assina a co­luna de literatura estrangeira do mesmo jornal desde 2017.

Carlos Augusto Novais
Carlos Augusto Novais nasceu em João Monlevade, MG, em 1958. Poeta, editor e professor na UFMG. Par­ticipou dos grupos/revistas de poesia Alegria Blues Ban­da, Aqui Ó (Edições Cemflores – 1978-1982) e Dez X Dez. Como coorganizador, participou dos projetos Poesia Orbital (1997), Mostra Poética de Belo Horizonte (1994-1996), Salto de Tigre: miniantologia da poesia contemporânea de BH (1994), Antologia Dezfaces (2008). Como coeditor, participou dos jornais Inferno (1998-1999) e Dezfaces (2006-2011). Livros: A de palavra (1989), Alvo. S. m. (1997). CD: (em parceria): Cacograma (2001).

Gláucia Machado
Gláucia Machado é poeta e professora de literatura brasileira. Graduada em Letras pela Universidade Federal de Minas Gerais (1985), onde também desenvolveu o mestrado, e doutora em Literatura Brasileira pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1999), fez estágio pós-doutoral na Université Lumière-Lyon 2, na França (2002-2003). Atualmente leciona na Universidade Federal de Alagoas, coordena o grupo de pesquisas Poéticas Interartes e desenvolve atividades com ênfase em Literatura Comparada, atuando principalmente nos seguintes temas: poesia brasileira, experimentalismo, literatura e outras linguagens. É autora de Todas as horas do fim – Sobre a poesia de Torquato Neto (2005) e Mundo Torto (2010), um livro de poemas editado artesanalmente pela  Tipografia do Zé, com edição de Flávio Vignoli e Ricardo Aleixo.  

Hugo Pontes
Hugo Pontes (Três Corações, MG, 1945) é formado em Letras – português, francês e respectivas literaturas – com especialização em literatura brasileira. Professor na Universidade de Alfenas e supervisor pedagógico da Prefeitura Municipal de Poços de Caldas. Um dos pioneiros da arte xerox no Brasil, dedica-se à pesquisa do poema visual, e há 10 anos mantém o sítio dedicado ao tema: www.poemavisual.com.br Já publicou mais de 20 livros.

Luciana Tonelli
Natural de Belo Horizonte, onde vive atualmente, Luciana Tonelli é jornalista e poeta. Formada em Comunicação Social, desenvolveu mestrado pelo Núcleo de Estudos da Subjetividade (PUC São Paulo). Participou do coletivo que organizou a coleção Poesia Orbital (1997), na qual estreou com Flagrantes do poço. Em 2011 publicou Flagrantes do tempo – Poema-reportagem na Pauliceia.

Luciano Cortez
Luciano Cortez é doutor em Literatura Brasileira pela Faculdade de Letras da UFMG e professor na PUC Minas. É também poeta e artista plástico, com bacharelado em Pintura pela Escola de Belas Artes da UFMG. A investigação das relações entre imagem e palavra constitui elemento relevante de sua produção poética e plástica.

Marcus Vinícius de Faria
Marcus Vinícius de Faria nasceu em Divinópolis, interior de Minas Gerais, em 1955. Publicou os livros de poemas Armadilha para hábil caçador pegar o bicho quanto antes (1982), Desejo Insano (1987), Ou­tros Tempos (1997) e as plaquetes Dez Poemas de Emily Di­ckinson (2012) e Emily Dickinson Poemas-envelope (2017). Tem traduções de Emily Dickinson publicadas em jornais de 1983 a 2010.

Ricardo Aleixo
Ricardo Aleixo nasceu em Belo Horizonte, em 1960. É poeta, músico, artista visual e pesquisador intermídia. Estreou na poesia em 1992, com Festim. Desde então publicou livros representativos, como Impossível como nunca ter tido um rosto, Modelos vivos e Antiboi. Como performer, já se apresentou em todo o Brasil e em diversos eventos internacionais.

Vera Casa Nova
Vera Casa Nova foi professora da Faculdade de Letras da UFMG (graduação e pós-graduação). Carioca da gema, fla­menguista, mas amante de Minas Gerais, chegou em Belo Horizonte em 1978. Escreveu Canto Zero, Um Q um K, Lu­cia Rosas: textos impuros e Corpos Seriais, com Marcelo Kraiser, Desertos, com A. Klein, Elipses, com Flavio Boaventura, Restos, Rastros, Poemas da página e da tela, Língua plena e Poemas para meu pensamento, entre outros. É ensaísta e organiza publicações sobre a relação texto e imagem com parceiros dessa linha de pesquisa.

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Revista InComunidade, Edição de Março de 2020


FICHA TÉCNICA


Edição e propriedade: 515 - Cooperativa Cultural, ISSN 2182-7486


Rua Júlio Dinis número 947, 6º Dto. 4050-327 Porto – Portugal


Redacção: Rua Júlio Dinis, 947 – 6º Dto. 4050-327 Porto - Portugal

Email: geral@incomunidade.com


Director: Henrique Dória       Director-adjunto: Jorge Vicente


Revisão de textos: Filomena Barata e Alice Macedo Campos

Conselho Editorial:

Henrique Dória, Alice Macedo Campos, Cecília Barreira, Clara Pimenta do Vale, Filomena Barata, Jorge Vicente, Maria Estela Guedes, Maria Toscano, Myrian Naves


Colaboradores de Março de 2020:

Adriana Versiani, Alberto Murillo, Antônio Torres, Atanasius Prius, Caio Junqueira Maciel, Camila Olmedo, Carla Carbatti, Carlos Matos Gomes, Carlos Orfeu, Cássio Amaral, Cecília Barreira, Cláudio B. Carlos, Clécio Branco, Deema Mahmood, Elisa Scarpa, Elke Lubitz, Ender Rodríguez, Fernando Andrade, Gustavo Cerqueira Guimarães, José Arrabal, Leila Míccolis, Leonardo Almeida Filho, Luciana Tonelli | Seleção de poemas: Ana Caetano Depoimentos: Adriana Versiani, Carlos Augusto Novais, Gláucia Machado, Hugo Pontes, Luciano Cortez, Marcus Vinícius de Faria, Ricardo Aleixo, Vera Casa Nova., Luiz Eduardo de Carvalho, Marinho Lopes, Moisés Cárdneas, Myrian Naves, Nagat Ali, Omar Castillo, Orlando van Bredam ; Rolando Revagliatti, entrevista, Prisca Agustoni, Ricardo Alfaya, Ricardo Ramos Filho, Taciana Oliveira, Wanda Monteiro, Wilson Alves-Bezerra


Foto de capa:

EDVARD MUNCH, 'Der Schrei der Natur', 1893 | EDVARD MUNCH, 'Det Syke Barn', 1885-1886.


Paginação:

Nuno Baptista


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