ANO 8 Edição 90 - Março 2020 INÍCIO contactos

Elisa Scarpa


O ar aqui na terra    

As igrejas não deviam ter tecto. Porque é que os anjos não gostam das planícies? Talvez gostem e até muito! Não há obstáculos a cortar o horizonte. Deitados de barriga para cima, a olhar para o alto, nunca há obstáculos. Não haverá? Estamos saturados dos anjos, saturados de uma defesa artificial. Saturados do deserto cheio de fortins, muralhas, casas de arresto, sarcófagos, balcões, fossos, promontórios, barreiras em todas as escalas. Uma tradição desconhecida.

 

Os anjos estão cada vez mais parecidos com os operários, são muitos, os nomes deles repetem-se e confundem-se, são necessários e desprezados numa mesma operação simultânea do toma lá dá cá.

 

Eles não vão descer, o tecto é o mais próximo que conseguem estar do céu, da visibilidade integral colectiva excepcional que procuram.

 

Compreendemos facilmente que estarão nos sítios mais altos, satélites impávidos a olharem a confusão desmesurada, ostentatória que é um todo que se vê de longe. Muitos estão nas igrejas colados aos tectos, adormecidos no rebotalho das tintas.

 

As igrejas não deviam ter tecto para eles poderem subir mais. Então porque é que elas têm tecto?, e porque é que eles estão nas igrejas?, ou estão escravizados em todo e qualquer sítio? Peões cativos grotescamente ligados aos objectos que têm que proteger.

 

Quando estou na planície entedio-me, sinto-me um meio novo, um meio recém-nascido sem arquitecto, ou mãe favorita, disfarçado de monumento ao vento, um espantalho sem esposo ou esposa, um cósmico aluado a perguntar, fui negligenciado, fui favorecido? A planície retira-me qualquer alegria sensível, é uma narradora rodopiante, não pára e o céu deitado sobre ela parece um papiro asfixiante que desce e deambula malcursivo lapidar; é assim, oh múltiplos, pensáveis ser um, ser uns, e sem evocação não sou mais nada que o pronúncio artificial de uma mutação constante e inelutável. Sou os insectos das planícies, quando elas são alimento e o vôo é uma  expedição natatória pelo caldo integral da sobrevivência. Os insectos podem crescer e transformarem-se em anjos. À medida que ganham dimensão as formas vão-se tornando mais mamíferas. Brincamos com coisas sérias?! A seriedade não tem níveis, é uma designação comum para se atribuir valor. Nas planícies não há pontos de elevação, algo que possa servir de trampolim. Onde há montanhas há possibilidade de ascenso, está-se mais perto do ar que é puro, se é que é puro! Se é que é tragável!

 

O ar aqui na terra é muito pesado, escuro, eles estão na periferia. As asas ganham mais densidade, cobrem-se de penas e humidade, a ascensão é difícil. Eles têm penas como as galinhas, os pavões e outras aves, e há pouco tinham sido insectos em vias de se mamiferizarem. As asas podem ser só de pele, desprovidas de qualquer protecção. Parece que são mais parecidos com os homens, independentemente das parecenças com estes ou aqueles.  O problema dos anjos  que andam por aqui, é que depois de chegados têm dificuldade em voltar, tão subordinados ficam à repetição mental de que têm de voltar voltar, voltar, que não têm o mínimo de disponibilidade para escutar quem fala com eles.

 

Lavoratori de todo o mundo reconheçam que a essência de ser fecundo é trabalhar muito e falar pouco. Para além de não meter os dedos na boca, não desatarrachar as orelhas quando se lava a cabeça e deixá-las no lavatório, não fumigar o mijo para o purificar, pois ele é mestre em ser dejecto, não orquestrar a peidorrice em momentos inoportunos, como por exemplo quando nos alimentam ou falam com condescendência, a condescendência dos que acham que são o mundo porque nasceram mundanos.

 

Não perturbeis a essência da fecundidade, o deus dos campos não é a relva, nem o misantropo que espalha caganitas de cabra para o fertilizar, o deus da fecundidade é o que não tem o grito inútil de dizer – dói-me, se não há maneira de contrariar a dor.

 

Devoção pessoal, metrópole individual, ser um chorrilho de asneiras e sentirmos que somos os fundadores do Nilo, a virtude adquirida por imanência do direito do mais forte à liberdade. O Anjo Gabriel tem um cão de guarda, presas de bom marfim e coleira burocrática que o assinala como cão de Gabriel. Há um oásis expressivo, isso é tão óbvio como a anexação do Tibete pela China, mas por entre o fru-fru das modas languescentes, uma imagem do Dalai Lama colada na chaminé afasta-nos da vala dos que não valem nada, um retrato do Kofi Annan na porta do frigorífico e adquirimos o bilhete para a civilização pré-original, que ainda não teve origem, da incultivável Barbárie.

 

Por amor de Deus, tirem-nos daqui!, ai os núbios são tão belos, os egípcios eram de uma inteligência Dakhler, como eles tiravam as vísceras e decoravam os seus guerreiros com gargantilhas de matérias negociáveis, o pior foram o estupor desses ingleses e franceses, franceses que andaram a roubar aquilo que era dos egípcios. Por amor de Deus o sol é tão carnal!, e agora dizem que mata. Séculos e séculos de múmias, e elas ali limpinhas, e sem tomarem banho, sem apanharem ar, sol ou chumbo. É o triunfo dos mistérios, as águas inundam as caves, foram os extra-terrestres de mitra branca que desceram às caves e tanto salivaram a comer os gelados Häagen-Dazs que lhes deram no heliporto, que o líquido nas caves subiu. Se um ser vivo conseguir manter os seus contornos inalteráveis não envelhece, silicone  e argila húmida e certos episódios da vida póstuma nunca poderiam vir a suceder.

 

Oh cães da Ásia foi algum de vocês que veio a pertencer ao anjo Gabriel?, qual era esse, o que punha os anúncios, travestido de luz? Não!  Entre os grãos de areia os anjos são estéreis, não anunciam. Os nomes deles têm tendência para acabar em EL, há quem diga?, nenhum dos anjos que conheci, ou li, ou de que me falaram, nenhum deles se chamava Gabriel, nenhum deles tinha um nome terminado em EL .

 

O que vos posso oferecer são calamidades em papier mâché, bruxas de fibra óptica, palmeiras de pedra, godés de água, cavilhas de tecido esponjoso, tintas incolores que pintam sem enganar, sobrepõem-se e misturam-se, nem o negro do carvão as seduz, nem o branco dos seixos as denuncia, nem o ocre vermelho da terra as sacrifica. Ofereço a arte mágica de ser um colosso e abdicar de o ser. Amplamente policromado, pés de tijolo, imagens litúrgicas, cosmogónicas , ou guerreiras, cenas rituais dos meus dogmas e fantasias. Essas não posso oferecer no mobiliário fúnebre que sou. Desse esforço fasto basta que me reconheçam.

 

Mas ainda a propósito dos trabalhadores quem foi o sânscrita que os tocou como tal?, quando os extra-terrestres inundaram de saliva as caves não houve ninguém que os tivesse adorado, como é que apareceram os trabalhadores que drenaram as caves? Juro, estou a ser justo, para honrar os que me cultivam, só me resta a justiça transcendente. Apressem-se a renovar-se, sem modernização não há sobrevivência, sabem, é aquele estigma da mutuação cultual.

 

Arranja-se um arrogante tenso, dá-se uma trincadela na bochecha, lava-se com água bem fria e depois uma entaladela forjante na panela de pressão, temos arrogante, ou não temos? Brincamos às faculdades supra-humanas, ah os ambiciosos  não existem!, a ambição é o motor da pompa. Não se critica um arrogante, face a face. Um arrogante convence-se que a sua largueza de espírito dava para tornar o pico Everest nas Bahamas. Não se deve ter rancor à crueldade, não se deve ter rancor à crueldade, não se deve ter rancor à bestialidade de uma suite com dez mil andamentos, quando acabar acabou, quando chegar ao fim o gongo encerrará a cerimónia. Não há beleza sem exaltação, pois, pois, honra e liberdade ecos de uma formalidade que alguns pensaram palaciana. Mas o mundo não é um palácio? Facécias à parte quem é que deu as respostas todas ao Torquemada?, aquele que tinha unhas do dedo mindinho até no fígado?, até no pâncreas?, para a chancelaria da tortura que tal um prato de tripas à moda do Porto confeccionado com as próprias tripas?

 

Havemos de dizer tudo o que sentimos, a unidade original não é uma caterva de tretas. A vida quotidiana existe, com não sei quantas horas, não sei quantos reinos, não sei quantos sopros de honorabilidade e respeitabilidade. Perco o amar porque me inspiro no mundo, porque no momento próprio em que me sentar na retrete, o meu rabo vai escoar pela pia e encontrar uma marmota no rio. O rabo vai casar com a marmota, vão ter filhos cheios de comiseração pelo rio e pela pia, a história das fundações vai-lhes dizer que eles não existem, não há registos de filhos de marmotas e de rabos, e nem mesmo em Marte, Júpiter, ou num quasar de recompensas eternas e etéreas há registo do meu rabo. Não ofendo ninguém ao falar assim, faculdades supra-humanas é disso que eu falo, com a determinação que justifico por não saber o que é ser. Uma delegação de marmotas para falar, pontuar, flatular com os netos do meu rabo. Querem saber as origens: quem coisou com quem? Para quê? Com que intento? Se foi um momento feliz ou não, se o evangelho segundo S. Mateus tinha palavras ou não, se o pânico dos caçadores é perderem os cães ou levarem um tiro dos camaradas de caçada? De que lado da costa vivem os inteligentes, quem foi o último aborto a ser encontrado no lago do Princípe Real?

 

Juro que o crómio faz mal, afecta as pestanas dos ursos que hibernam durante o Verão, e provoca fissuras nos dentes das rémoras que desinfestam as focas de parasitas, as águas milenares sabem que o crómio desfez as fezes e que os perdigueiros perdem o olfacto quando bebem água nos rios cromiogenizados.

 

Não chores linha número 3 dos versos satânicos, Salmon Rushdie foi libertado, pode tocar piano quando quiser, com ou sem candelabros em cima do instrumento. Tiraram-lhe o açaime e os guarda-costas, Roma e Pompeia não se fizeram na cadeia, sabes que o bem amado dos versículos tombou de amores por uma rosa também ela satânica, e está agora a arder na pira da liberdade? Livrai-nos deste canal e deste marinheiro, aleluia pelas epopeias que marejam no fundo das ravinas, e que só às vezes, muito raramente, os abutres, que comem carne, resgatam.

 

Cheira a veneno neste maravilhoso éden. Tenho extracto de veneno na pele das asas, tenho veneno nas pálpebras, e não chove cedo este ano. Água que lavasse este magma de impudicícia, água que agitasse o pânico que vacila sobre a minha impaciência.

 

Se souber as canções de recolhimento talvez consiga. Se as escrever sobre um papiro translúcido. Se as escrever com pena de pavão atormentado. Se o pavão tiver sido atormentado neste vale de penas. Se escrever as canções com a pena do tal pavão.  Talvez consiga. Talvez consiga ascender. Ascender sem desígnios reptilários. Talvez  ascenda como o vento e a água nos meus olhos.

 

Prenderam um fauno a uma tabuleta de stop num dos ancoradouros de Cacilhas. É uma plena época de anarquia, as caravanas passam e o fauno ali continua preso, tem o torso martirizado pelas correntes. Falei ontem com ele. Acreditas que a polícia lhe cuspiu em cima?, antes de lhe fazer o interrogatório, ele perguntou o porquê daquele cuspo e um dos valetes da justiça respondeu-lhe que era para evitar as infecções. As infecções de quê? Das noites frias que lhe ratam o pêlo, da voragem da fome que o consome, da fúria dos abelhões que lhe pica os olhos todo o santo dia?

 

As infecções! As derradeiras fases das infecções, há a sublinhar, que vêm todas de África, que é sabido que não há faunos em África, que não é divertido ser um fauno vilipendiado num ancoradouro fétido de Cacilhas, que as virilhas de um fauno precisam de ser tratadas, que o uso de moela de galinha para sarar as feridas provocadas pelas abelhas durante o dia nos olhos dos faunos, que o uso dessas moelas de galinha só aumenta a febre do globo ocular provocando na córnea úlceras dolorosíssimas. Santos!, cuspo para cima das infecções, cuspir no preso antes de o interrogar, mas o que é isto? Isto é a configuração actual dos hoteleiros prósperos do mundo unido – um ser fantástico em cada porto, em cada ancoradouro. Belas e monstros a dar com um pau, um pau, não, um fueiro bem aguçado para espetar a palha, quando se atravessar as terras obscuras onde há animais que ainda comem palha.

 

Estou atónito, nem a minha curiosidade cinéfila me levaria a tal desvario, cuspir em cima de um fauno acorrentado por causa das infecções.

 

A maturação da vida, da responsabilidade, depois da longa evolução a desvolução. Circuitos inter-continentais de paranóias, zonas cultuais, paletes de idiotia, magra, meia gorda e gorda para distribuir por cada servente desta civilização pré-neuee. As harpas lamentam, pois não hão-de lamentar?, não é época para instrumentos com muitas cordas, mesmo para instrumentos com muitas plumas as coisas estão complexas. Pega na bacia, vai lá para dentro e lava os pés e depois enxuga-os bem por causa das infecções, está bom de ver.

 

Depois da confissão negativa generalizada vem o salmo maltratado dos animais injuriados, qual foi a espécie mais blafesmada?, os pigmeus que morrem enregelados na Baixa da Banheira ou os  mortos, os defuntos do cemitério de Agromonte?

 

Triliões e triliões de espécies, quem foi o inventor fútil de toda esta diversidade devia estar cheio de sono quando criou esta Specio-Welt. Justifica-se que os vassalos teóricos tirem a crina quando se ajoelham perante essa diversidade reproduzida milenarmente?

 

Somos agapetas criadas por Geppeto. Destruo a evolução, a pirâmide da concepção não tem anexos, vai tudo em linha recta, sem trechos secundários.

 

De todas estas inovações a que me chamou mais a atenção foi a pistis dos ofitas. Quem é que sabe quem são os ofitas, uns adoradores de serpentes mal amanhados, com os corpos em degrau, para ser mais fácil as cobras rastejarem por eles acima e por eles abaixo. E eles renascerem das peles escamosas ressequidas e ardidas, renascerem e serem uma novidade que subsiste. Quem tem pistis tem tudo quem não tem pistis não tem nada. No caldeirão o João Ratão e a Carochinha, e ninguém chora, o rato morreu cozido, ela só pergunta onde é que está a pimenta para condimentar, e ninguém chora. Não, claro que não, há algo de mais hiperbolicamente divertido, que dê prazer às meninges do que três ãos seguidos a cair num caldeirão, que cai em si? Moral da história, 8 marchas fúnebres pelo João Ratão, funerais nacionais, réplicas de todos os tamanhos e com o fogo de artifício colorido da comoção nacional que o mundo sofreu, quando as torres gémeas de Cacilhas caíram, esta mesma comoção generalizada pela queda do João Ratão no caldeirão. ÃO-tão-eirão. Quem de muito alto cai e mais fundo se esvai ganha o reino do Havai. O caldeirão é pilhado depois do enterro do João Ratão, quando Eurico o Presbítero por lá passa só resta meia cenoura e um rodapé de ervilhas coladas ao fundo do panelão. Resto da panela: a sopa de pedra dever-se-ia chamar sopa de João Ratão.

 

Quando as torres gémeas de Cacilhas caíram uma das vítimas não foi o fauno agrilhoado, esse subsistiu em anexo, destruição quase completa, e no quase lá ficou ele.

 

É ou não é um ser abençoado? O pilha-galinhas que tiver a coragem de me contradizer não arranja para as ventas nem mais um pintaínho. Desta vez houve um resultado duradouro, fizeram-lhe uma festa de jubileu, é certo, e desta feita sem cuspo, nem outra tentativa de exoneração das infecções. Os abelhões organizaram-se em grupús-culos, vestidos de cores diferentes numa concepção de estruturas baléticas e procederam também eles às comemorações do jubileu do fauno. Orto-Praxis na agonia como na folia. O que me vale para compreender tudo isto foi o ter andado na escola com a Coalescência. Entendo o que são os batimentos fictícios, como se prende uma estátua em pleno céu aberto, qual é o ponto comum entre uma boa tenda de campismo e um padre, a Coalescência explicou-me estas integridades cerimoniais.

 

Junta uma estátua ao céu aberto e ficas com um estaberto. O céu está aberto, há quem eleve a voz para o alto para falar com os anjos. Eles estão bem mais próximos do que o céu. Alguns! Os que estão no céu ouvem tudo e muito bem. Essa informação é-lhes completamente inútil. Não podem concretizar, não podem descer e agir.

 

A impraticabilidade da descida radica em duas razões, para os que nunca desceram: 1ª na falta de vontade de o fazerem (não encontram razões suficientes para tal deslocação), 2ª no medo terrível que têm de não poderem voltar novamente.

 

As preces não os incomodam ao ponto de se sentirem pressionados a deixarem o recato dos seus lares e descerem à terra. O medo de não poderem voltar novamente está bem fundamentado: muito poucos são os que tornaram ao lar. Não por falta de desejo. Impossibilidade de o fazerem, isso sim! Não conseguem ascender!

 

Anjos de nacionalidade trocada é um espinho que dói bem dentro da carne/matéria, os monólogos dos anjos querem ascender ao lar, os monólogos dos homens querem ascender ao lar dos anjos, ascen-dem, e não há resposta, ora é a indiferença ora é o medo, as preces acabam por perder-se no firmamento.

 

Coalescência– Não poderão ir mais tarde?

 

Eu- Não me importo nada.

 

Coalescência- Sim senhor, vou comunicar-lhe!

 

Eu-Queira aguardar um momento!

 

Coalescência- Tem a certeza disso?

 

Eu- Percebi.

 

Colaescência- É muito importante.

 

Eu- Para mim não é, mas digo-lhe...

 

Coalescência- Não perca tempo.

 

Eu- Descubra!

 

Coalescência- Não vejo motivo para tanta excitação.

 

Eu- Deve ter ido para lá?

 

Coalescência- Certamente.

 

Eu- Querem saber!

 

Coalescência- Nem calcula a diferença!

 

Eu- Se tivessem saído.

 

Coalescência- Não desligue.

 

Eu- Só você!

 

Coalescência- Está a fazer-se muito tarde!

 

Eu- Acontece que por causa das moscas!

 

Coalescência- Que sucedeu?

 

Eu- Ao diabo!

 

Coalescência- Oh não!

 

Eu- Quer dizer?

 

Coalescência- Bem,nas presentes circunstâncias...

 

Eu- Vire-se e não se lembre de nenhum disparate.

 

Coalescência- É um golpe proíbido!

 

Eu- Nunca me senti tão feliz!

 

Coalescência- Você tem queda!

 

Eu- Ora! Ora!

 

Coalescência- Creio que é melhor ficar chocada!?

 

Eu- Acho que...

 

Coalescência- Não se saiu tão bem?

 

Eu- Selei o sobrescrito e meti-o na algibeira.

 

Coalescência- Aquele seu vôo fez imenso estardalhaço.

 

Eu- Quem sabe o que virá a acontecer-me!

 

Coalescência- Refugiam-se nas igrejas?

 

Eu- Os que caem...

 

Coalescência- São monumentais, clareiras de luz

 

Eu- As que são!

 

Coalescência- Nas pequenas o ar é viciado, basta uma vintena de pulmões...

 

Eu- Uma vintena! Dez almas e já se transpira!

 

Coalescência- Há as que recebem multidões.

 

Eu- Em dias agendados, nos outros dias dos séculos são as campas dos anjos.

 

Os anjos reptilizam nos tectos, esperam sentir um fluído térmico que os avise que a hora de ascender será bem sucedida se a tentarem naquele preciso instante. Os avisos são raríssimos. E mais rarissimamente são ouvidos, porque eles ignoram que são alérgicos às tintas dos tectos, e mesmo às das paredes. Ao preocuparem-se, em extremo, em permanecer o mais próximo possível da fronteira entre o céu e a terra, ao permanecerem tanto tempo no tecto da igreja, compram uma alergia dos diabos que os deixa insensíveis. Desconhecem que a fronteira os condena. A alergia inibe-lhes os sentidos, e eles não conseguem perceber, entender o aviso. O aviso da hora H, a hora em que poderiam voltar ao céu natal.

 

Razão têm aqueles que bebem e se enfiam nas salas de cinema a verem filmes sobre si mesmos!

 

Coalescência- Deixaram os tectos?

 

Eu- Pois.

 

Coalescência- E foram para as cadeiras de cinema?

 

Eu- Completamente.

 

Coalescência- Para quê?

 

Eu- Para verem filmes sobre anjos.

 

Coalescência- Qual é o gozo?

 

Eu- Sentirem-se retratados.

 

Coalescência- E sentem?

 

Eu- Não fazem ideia, não sabem como são...

 

Coalescência- Tens cães no sotão?

 

Eu- Não faço ideia.

 

Coalescência- Reles ondeiam e os olhos deles parecem serpentes?

 

Eu- Hoje, um dormiu com a cabeça enterrada na terra.

 

Coalescência- O que é que usam nas patas traseiras?

 

Eu- Técnicas de sapateado!

 

Coalescência- Brilham?

 

Eu- Não há perigo de incendiarem o sótão.

 

Coalescência- Ontem estava frio?

 

Eu- Quando?

 

Coalescência- Quando fostes ao cinema. O vento descia dos gelos inquebráveis do Norte.

 

Eu- Ouvia-se nas fendas do edifício.

 

Coalescência- Se nem todos os ventos são frios, também nem todos são quentes.

 

Eu- Bebes?

 

Coalescência- Nunca, antes da noite cair.

 

Eu- Como queiras.

 

Coalescência- Deixemos isso de parte. Estou certo que estarás à altura da missão  de que te incumbo... és honesto. E quando precisares de mais é só pedires? Chega? Vê lá se queres mais?

 

Eu- Não achas que qualquer tipo teria dificuldade em esquecê-la?

 

Coalescência- Macho ou fêmea?

 

Eu- Pode ser anjo?

 

Coalescência- Vai ficar cá muito tempo?

 

Eu-Depende da forma como os autóctones me tratarem.

 

Coalescência- Oh vai ver que o tratam bem.

 

Eu- O elevador chegou. Entre.

 

Coalescência- É no terceiro piso.

 

Eu- Sinto-o a respirar no meu pescoço.

 

Coalescência- Por que é que está interessado na minha pessoa?

 

Eu- Posso contar consigo na próxima semana?

 

Coalescência- Claro, o prazer é todo meu.

 

Eu- O prazer!

 

Coalescência- Depois logo se vê ao que está disposto.

 

Tive consciência que ela se apoderava de mim, a boca solar sujugava-me no elevador, a mão dela perdeu-se, o incenso é cativante. A humidade nos lábios é quase verdejante, a lúxúria das suas pálpebras domina-me, anseio as trevas, as crisálidas que se oferecem em troca, as borboletas abertas que ronronam em broca, as natas com mel polvilhadas com jasmins adormecidos, e estas raízes do céu leves e oblíquas que suspensas me adormecem o receio.

 

Um homem encurvado veio ter connosco. Casaco cor de areia, alpegartas sujas, e uma pele amarela esticada. Parecia precisar urgentemente de uma sessão de hemodiálise.

 

Coalescência- O que é que ele quer?

 

Eu- Não faço ideia.

 

Coalescência- Queres ir para a cama?

 

Eu- Fico distendido no colchão, não é?

 

Coalescência- É, tenho medo de ser morta a dormir, sabias?

 

Eu- Quando isso te acontecer, enfia a cabeça no lavatório, em água fria.

 

Coalescência- Com todo o prazer.

 

Eu- Tomas duas aspirinas com água fria.

 

Coalescência- Porquê a água fria?

 

Eu- Vais ficar encantadada. Não te esqueças de nada!

 

Coalescência- De quê?

 

Eu- É sexta feira, não te esqueças de trazer as velas.

 

Toda a minha existência me parecia um panfleto, um panfleto que eu tentava queimar e persistia em apagar-se. Não sei quantas vezes a minha Coalescência me esbofeteou para eu voltar a mim. Eu já me obedecia, parecia estar a obedecer-me. Incoerentemente tentava agarrá-la. Um intruso forçava-me a agarrá-la e impedia-me de falar. Pensei se quero continuar a usar esta cara, mesmo depois de ascender, tenho de esquecer-me como é que ela se chama.

 

Ouço um ruído insólito vindo do lado do elevador, faço de contas que nasci surdo, ela estará a ouvir? Berlindes de névoa tapam-me os ouvidos, oh é um avião, não, não ouço, ai! As fugazes delícias do apocalipse.

 

Coalescência- Essentia, Natura, Substancia.

 

Eu- E.N.S?

 

Coalescência- Sim.

 

Eu- Aqui só as mulheres de idade é que vão à missa?

 

Coalescência- Têm tempo.

 

Eu- Para quê?

 

Coalescência- A gente nova tem outras ocupações.

 

Eu- Fazem o quê? Piqueniques?

 

Coalescência- Comportam-se...

 

Eu- Pegam nos carros vão dar uma volta?

 

Coalescência- Emborracham-se, estampam-se.

 

Eu- Vão para a choça?

 

Coalescência- Os que têm idade!

 

Algo me avisava de que devia ir para casa, que ali o clima era pouco saudável, tanto mais que não faço a menor ideia de qual é a minha constituição orgânica. No caso de ter asas tenho que ter mais espaço para aterrar, quando falo deve-se ouvir, e quando olho nos olhos dos outros, eles devem reparar. Vejo-me à transparência. Não me caiam em cima, por graça!

 

As minhas pupilas devem ter expressão, talvez sejam negras e profundas, posso ser o tipo mais catita deste mundo com quem se gosta de passear à noite numa viela pouco iluminada e andrajosa. Se calhar tomo banho todos os dias num cubículo, e limpo o suor com um lenço de papel amodengado no bolso do colete, um lenço com três meses de bolso, cheio de cotão e cheiro a naftalina. Se calhar dispo-me e estendo-me numa cama.

 

Àquela hora eu devia ser o único amigo da Coalescência.

 

O homem curvado postou-se à minha frente com os dois cotovelos fincados no balcão. Queria fazer-me uma sondagem sobre as minhas possibilidades económicas.

 

* Compra sais de banho?

 

Se calhar tenho sede, e não quero responder a este homenzinho repelente que parece ter acabado de atravessar o Sahara de joelhos.

 

Tem mais ar de ser uma vara de marfim de tão magro e amarelo que está, ou terá acabado de estuprar as trevas?, deve ser uma coisa do camandro o estupro das trevas, quantos anos a nadar sem luz até vir à superfície? A embater no vidro invisível, a emergir da eternidade? – Yet let us try what we can do.

 

Segundo o meu calendário faltam poucos dias para o Natal. Vou oferecer à Coalescência um par de algemas, sei que ela vai adorar.

 

* Compra hortaliça fresca?

 

* Sim, fresca à moda antiga.

 

Ainda não tinha feito a sessão de hemodiálise e parecia também precisar de uma garrafa de oxigénio. Não sei se peça por este homem ao pai natal, se ao menino Jesus, se a S. Nicolau, ou se peça a mim mesmo.

 

OH, eu, permites-me que ajude este homem encurvado?

 

Pergunto a mim mesmo porque é que eu perco tempo com um parasita como eu?, um parasita que declina a responsabilidade social, um amador inábil, em suma um bom tipo, mas no entanto e sobretudo...

 

E se viessem no elevador, se o som que ouvi vindo do lado do elevador fosse o de duas velhas a tagarelarem, sobre os netos?, devolvia-as à procedência, salpicadas com essência de alfazema?, não! Antes perguntava-lhes, se compram hortaliça fresca, para saber quais são as suas possibilidades económicas.

 

A Coalescência estava à porta. Era bonita. Sei que se trata de uma palavra gasta, mas ela podia ser o ícone de qualquer cartaz de publicidade.

 

Coalescência- Publicidade a quê?

 

Eu- À beleza.

 

Coalescência- Isso existe?

 

Eu- Se não existisse, não havia publicidade.

 

Coalescência- Os teus lábios são de um vermelho bonito.

 

Eu- São, embora hoje o vermelho não queira dizer nada.

 

Coalescência- Até uma ovelha tem lábios vermelho bonito.

 

Eu- Há quem os pinte.

 

Coalescência- O homem que vinha no elevador connosco...

 

Eu- O que é que tem?

 

Coalescência- Tinha um sorriso de pasta dentífrica.

 

Eu- O que é que é isso?

 

Coalescência- Um sorriso de publicidade.

 

Eu- Os teus cabelos são acobreados?

 

Coalescência- Depende da luz.

 

Quando estava colado ao tecto da igreja inspeccionava discretamente os presentes. Um rebanho bem referenciado, gente enfadada, olhos melosamente brilhantes, vozes de cana rachada. Muitos quando cantavam corriam o risco de se auto-provocarem uma congestão pulmonar, outros não conseguiam fazer ouvir-se de boca centrifugada por hemoptises.

 

Estão cansados, andam cansados, penso eu. Era uma verdadeira Côte d’Azur rincolheira, eu ali no tecto a perscrutá-los e eles pardos e aborrecidos lá em baixo, com ar de quem está a contar minas imaginárias. Estão tão cansados que nem sequer conseguem contar cordeirinhos. Os que olham para o chão fixamente parecem querer furar as pesadas lajes de pedra com as mãos e apanharem peixes do leito sagrado desta igreja. Pelo menos fresquinhos são! Se tivesse um galho de árvore longo tocava-lhes nas cabeças para ver se saem do transe.

 

Porventura com o meu toque talvez conseguissem capturar os peixes congelados debaixo das lajes. Já dizia a minha avó: as toalhas lavam-se o que não se lava é a honra do ente.

 

Estes entes não são a maravilha fractal da nossa idade! Parecem caducos, ervilhas ressequidas, embalagens da Shiseido abandonadas num bairro de lata. Sou tropo buono nas minhas apreciações, não conseguirei sair deste pesar, é uma espécie de tusa críptica esta minha vontade de ascender sempre gorada, sempre invisível para os alarves que dormitam na igreja. E os que andam na rua não são melhores, os dias deles confundem-se com as noites, um lago de cisne é bem mais agradável de olhar que estes símios convulsos que se abespinham por tuta e meia, resmungam como os porcos refocilam e falam Hämish.

 

Coalescência- O que é um falanstério?

 

Eu- Será uma voluta de coisas?

 

Coalescência- Nah!

 

Eu- Parece-me uma fantasmagoria.

 

Coalescência- Regalia?

 

Eu- A tua avó quando morreu levou óculos no caixão?

 

Coalescência- Claro que não, os mortos não precisam de óculos para ver.

 

Eu- Certamente.

 

Quem é melancólico fica pendurado nas janelas à espera que os anjos os beijem. Quem é melancólico fica pendurado nas janelas à espera que as asas dos anjos os roçem para as beijarem. As famélicas asas, as asas predadoras, as asas semânticas, ah quem são vocês? Albergues boreais para os que tiverem o privilégio de serem esquecidos?

 

Eu fui esquecido, o céu não me vem buscar, a terra não me quer enviar. Plínio não falou de mim, se eu me afogar, e ficar a pairar sobre a água, o que é que a natureza fará de mim, deixar-me-à a pairar de costas, como as mulheres afogadas de Plínio, ou de bruços, como os homens de Plínio? O meu pudor será respeitado? No fim voltarei ao sítio de onde parti?

 

Não sou uma alma romântica, dispenso a apoteose. Uma ida, uma ida sem retorno. Quero isso. Quero lá saber dos que ficam, dessa gentalha iluminada a electricidade, desses racionais que fazem flexões de braço para se manterem sóbrios, e bebem para fazerem flexões de braço. Deus os abraçe numa sarça ardente de 1400 voltes.

 

Eu quero lá saber do meu Schwerpunkt, não me perguntem o que fazer, não me peçam conselhos sobre a forma como hão-de viver, não me digam que não sabem a razão porque estamos aqui. Julgam que têm aliados, muito bem, perguntem aos aliados, sentem-nos?, e perguntem-lhes, peçam-lhes conselhos, sintam que o vosso próprio ser é o próprio ser deles.

 

Devo ser um Peri, pensam vocês! Um dos que caiu em desgraça, nem pensem, eu nem sequer do céu caí. Basculo? Basculo pois. A situação de báscula é geralmente má? Nem por isso. Os homens têm sempre um esqueleto no armário, eu não sou um plowangel. Afastem de mim a taça de sangue tinta de vinho, os artistas não estão mais perto de mim que os outros.

 

O sitiante que eu percebi melhor até hoje foi um crocodilo do Zoo de Yung em Old’Hampsschwer, enquanto comia o pequeno almoço conseguiu olhar para mim, um réptil encarcerado conseguir olhar para qualquer coisa que não seja a comida é prova de que existe elevação, inteligência, a inteligência entendida como capacidade subtil de entender os outros. Nem a Coalescência conseguiu isso quando me beijou pela primeira vez à sombra de um diospireiro do paraíso.

 

Oh Darling Clementine onde estão os boomerangs de notre life?

 

Afastem de mim a taça tinta de sangue vinho, afastem as cabras que amamentaram filhos de deuses e os gémeos que seguram para toda a eternidade ânforas, das quais não se conhece o conteúdo, afastem de mim os gémeos que eram iguais sendo diferentes, os carneiros que se agitam à procura de cercas para derrubar, os touros enfurecidos nas várzeas poluídas, os caranguejos que gostavam de ter sido lagostas, as virgens tão imperfeitas como as capelas, as balanças das morgues, os escorpiões envenenados pelo silicone, os sagazes sagitas do adro, os peixes congelados debaixo das lages grossas das igrejas inventadas pelos preguiçosos.

 

Afastem todos esses desperdícios epistolares. Não uso cavalos nesta guerra pela conquista da planície, esta luta é ultrajosa!, não há lei!, e eu sou forte. Prefiro a montanha, eu canto enquanto te conquisto montanha, esmago-te o peito nos meus amplexos.

 

Trompetas e tambores ressoam, sou um ente vingado, o mundo chama-se a Munda. Não há maldições. Para haver maldições tinha que haver futuro, as hostes de substantivos sabem mais da existência de que todos os entes juntos e ninguém lhes vai pedir razões. As calças Levis não foram desenhadas pelos senhores Levis que há por aí. Incluo nestes senhores os Levis que viajam com um castiçal na mão e os Levis que viajam com uma cruz na mão. E também asseguro que quem desenhou as Levis não foi um Levi que viaja com um quarto crescente na mão.

 

A minha latrina privada não é whirpool, nem Sony, nem Philips.

 

Tudo o que vos posso dizer é aqui, está aqui, e aqui fica assente:


1º Os recém-bajuladores são lustrosos como melros.

 

2º As estradas são uma espécie de mascote sagrada, mil vezes usadas, mil vezes desejadas.

 

3º O silêncio não recebe visitas.

 

4º Recordo a mão fumegante da vítima venerada.

 

5º O meu cachecol com ursinhos não inspira receios.

 

6º Uma pedra de sangue atingiu-me os binóculos treinados.

 

7º O Joyce comum ter-se-ia chamado James?

 

8º Vi a alma e o peso do cidadão impetuoso que me queria bater.

 

9º Devolvo os miasmas com a língua e, tudo.

 

10º Fiquei inteligente e de pé à procura do dialecto do meu orgulho.

 

11º Recito sob reserva, se quem ouviu percebeu mal, enganei-me nos versos, se quem ouviu percebeu bem, enganei-me à mesma.

 

 

 

Notas

 

O AR AQUI NA TERRA

 

Agapetas- virgens ou viúvas que, nos primeiros tempos do cristianismo, faziam vida comum.

 

Coalescência-aglutinação.

 

Cromiagenizados (de crómio)

 

Dakhler - oásis junto a Rushdie.

 

Eurico o Presbítero- obra romântica do escritor  Alexandre Herculano (1810-1877).

 

Anjo Gabriel- o anjo que anunciou à virgem Maria que ia ser mãe de Jesus. O anjo da Anunciação.

 

Geppetto- Um carpinteiro que faz um boneco de pau, que ganha vida. Personagem do conto Pinóquio de Collodi (Carlo Lorenzini Collodi, jornalista e escritor italiano 1826-1890).

 

Hämish- Malicioso, maldoso, desejoso de fazer mal, vingativo, sonso, fingido (alemão).

 

James Joyce- (James Augustine Aloysius Joyce) poeta e romancista irlandês (1882-1941). Autor de “Ulisses” considerado um dos grandes romances modernos.

 

João Ratão e a Carochinha- história infantil em que uma carocha procura marido para casar. Encontra João Ratão. João Ratão cai no caldeirão e a carochinha volta a procurar marido.

 

Kofi Annan- Secretário das Nações Unidas.

 

Lavoratoris- Trabalhadores (italiano).

 

Levis de cruz na mão - os cristãos.
      de castiçal na mão– judeus.
      de quarto crescente na mão – islamitas.

 

Mamiferizarem- (de mamífero)

 

Neue- exploração da fonia de neue(novo,em alemão) com nóia, de paranóia.

 

Ofitas- adoradores de serpentes. Religião da Antiguidade, sustentavam que Cristo tomara a figura de serpente para tentar Eva.

 

Ortopraxis- a prática correcta, a vida direita.

 

Pericrânico  (de pericrânio-periósteo que reveste a superfície externa do crânio/anatomia)

 

Peri-anjo que vive entre os homens, por ter sido expulso do céu

 

Pistis – fé (grego)

 

Plínio- na sua história Natural escreve:“os cadáveres dos homens flutuam de costas e os das mulheres de bruços como se a natureza quisesse respeitar o pudor das mulheres mortas”. Historiador e cientista romano (Ad 23). Por causa da diversidade e extensão do material que coligiu sob o título Historia Naturalis, Plínio foi durante a idade média considerado uma autoridade em matérias científicas.

 

Plowangel-  Anjo que tem... (de Plowboy- rapaz que tem relações sexuais em troco de benesses económicas) (americano)

 

Reptilário (de réptil)

 

Reptizam  (de réptil) , rastejam

 

Rincolheira (de rincão natal)

 

Salmon Rushdie- escritor iraniano perseguido pelo govervo do Irão por ter escrito “Os Versículos Satânicos”

 

Specio-Welt- (uma espécie do mundo)

 

Schwerpunkt- “centro de gravidade, cada cultura     tem o seu, e não a podemos avaliar sem captar o seu centro de gravidade (fil. alemã).

 

Temenos- superfície consagrada(grego).

 

Trompeta (de trompa)

 

Tropo buono- demasiado bom (italiano).

 

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Revista InComunidade, Edição de Março de 2020


FICHA TÉCNICA


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Colaboradores de Março de 2020:

Adriana Versiani, Alberto Murillo, Antônio Torres, Atanasius Prius, Caio Junqueira Maciel, Camila Olmedo, Carla Carbatti, Carlos Matos Gomes, Carlos Orfeu, Cássio Amaral, Cecília Barreira, Cláudio B. Carlos, Clécio Branco, Deema Mahmood, Elisa Scarpa, Elke Lubitz, Ender Rodríguez, Fernando Andrade, Gustavo Cerqueira Guimarães, José Arrabal, Leila Míccolis, Leonardo Almeida Filho, Luciana Tonelli | Seleção de poemas: Ana Caetano Depoimentos: Adriana Versiani, Carlos Augusto Novais, Gláucia Machado, Hugo Pontes, Luciano Cortez, Marcus Vinícius de Faria, Ricardo Aleixo, Vera Casa Nova., Luiz Eduardo de Carvalho, Marinho Lopes, Moisés Cárdneas, Myrian Naves, Nagat Ali, Omar Castillo, Orlando van Bredam ; Rolando Revagliatti, entrevista, Prisca Agustoni, Ricardo Alfaya, Ricardo Ramos Filho, Taciana Oliveira, Wanda Monteiro, Wilson Alves-Bezerra


Foto de capa:

EDVARD MUNCH, 'Der Schrei der Natur', 1893 | EDVARD MUNCH, 'Det Syke Barn', 1885-1886.


Paginação:

Nuno Baptista


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