ANO 8 Edição 88 - Janeiro 2020 INÍCIO contactos

Henrique Dória


Editorial    

O conflito entre os Estados Unidos  da América de Trump e o Irão do ayatollah Khamenei pode resumir-se a uma só causa: o petróleo. Se os mais crédulos pudessem ter dúvidas disso, Trump tirou-as numa entrevista recentemente divulgada. Nessa entrevista, Trump, arrogante e desbocado, disse o seguinte: abandonámos a Síria para proteger os poços de petróleo no Iraque e que os EUA vão levar esse petróleo para eles mesmos. O petróleo iraquiano era a verdadeira arma de destruição maciça de que falava George Bush.


É certo que os EUA  dispõem de autossuficiência energética. Mas a guerra naquela região que provoca o aumento do preço do petróleo que, juntamente com a apropriação do petróleo iraquiano é um ótimo “negócio” para os EUA e para os seus aliados da Península Arábica, em particular a Arábia Saudita. Por isso a paz na região não interessa à América. E quando começa a haver a hipótese de pacificar as relações entre o Irão e a Arábia Saudita, Trump não se conforma e assassina o negociador iraniano e número dois do poder iraniano, o general Qasem Soleimani. Não contente com isso, ameaça de atacar  52 alvos iranianos.


Nesse ambiente de  assassinato, ameaças e protestos de vingança, quem acabou por ser a vítima foram os 176 ocupantes dum avião ucraniano atingido por um míssil, muitos deles iranianos. Neste caso, a tragédia seguiu-se à farsa.


È  claro que a negligência iraniana é criminosa, mas tem como atenuante a histeria coletiva que se seguiu à morte de Soleimani clamando por vingança, e o receio de um dos 52 ataques prometidos por Trump.


Por outro lado, o resultado da atuação de Trump é fortalecer o obscurantista poder iraniano de Khamenei através do ódio exaltado ao inimigo americano.


A maioria do povo iraniano pretende a democratização  do país, e a custo suporta o obscurantismo religioso. Mas os EUA persistem na política que tiveram nos anos 50 do século passado contra o Irão: em 1953, a CIA promoveu um golpe de Estado que apeou do poder o social democrata Mossadegh quando este nacionalizou o petróleo iraniano após ter negado a concessão da sua exploração à União Soviética de Estaline. A ditadura do Xá Pahlavi, suportada pelos EUA, conduziu então o Irão à miséria, e acabou por colocar o país nas mãos do fundamentalismo religioso dos ayattolahs.

 

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Revista InComunidade, Edição de Janeiro de 2019


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Foto de capa:

J. M. W. TURNER, 'Fishermen at sea', 1796. || FRANCISCO DE GOYA, 'La nevada', 1786-1787.


Paginação:

Nuno Baptista


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