ANO 8 Edição 88 - Janeiro 2020 INÍCIO contactos

Eliana Mora


Poemas V    

Prova
.
.
A terra
roubada de mim
endureceu
rachou-se toda.
E, desta forma, ali foi revelado
o que pode acontecer
com o roubo
de um sonho
de amor.
.
.
04/11/19


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AQUI JAZ

.
Meu corpo se divide em dois – e chora
toda a beleza de te amar
se veste, assim,
com retalhos de cetim
e canta
toda a beleza de te amar
porque chorar
muitas vezes não compensa
amar sim
aumenta a temperatura dos pés
arrasta a fase obscura ao fim do viés
e rasga
;
a necessidade de parar
meu corpo veste a ti
hoje [ainda]
porque assim o quer
.
.
[por que nele ainda jaz]
.
24/setembro/2019
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Dos lucros e das perdas 



A mim pertence o que sempre gostei
aquilo que sonhei
se consegui ou não tornar realidade
a mim o meu fervor
a minha flor
o meu desejo
a via de tudo
a poesia do sempre dia
a abrir-se em todos os tons
do tudo o nada da agonia
da beleza inválida
perdida nos confins da vida
da vida com alguém
ou sozinha
do tudo do nada 
do fora e do dentro
das vias de fato
dos fatos do alento
e assim
acima de tudo
da veia do amor


15/11/2017
 --
__________*

 

 

 

 

 

 

Recita-me
.

Retira-me daquele esconderijo
en-canto de um profundo mar
onde vivem irmãs de boas águas
paradas nos cálices de noites
onde borbulham faltas e ausências
- e onde não há caramujo algum
que saia do seu canto úmido
e que deslize uns dedos longos
pela pele meio fria

do meu corpo


três de outubro de 2001
In: Mar e Jardim [2003].


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Vida


por vezes nela penso como algo que tem asas 
unhas até dentes
deusa
a quem nos vamos ofertar
e que ao transformar-se em obra-prima
torna-nos


escravos


sem data
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Porque vejo e sinto
.
..
Se me arranco de mim
se desperdiço pedaços que voam para todo lado
se desenho outros no meu lugar
se a febre diminui
depois aumenta
se tudo depende de nada ao certo
e tudo precisa mudar - para que dependa
.
Só posso dizer que sou uma
apenas
no total desamparo deste mundo que vejo e sinto
uma a mais que ama poesia
e que
sem ela
.
não estaria mais aqui
.
...
17/06/2017

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Pedido


..
Escreva-me
com letras bem pequenas
(assim posso caber em ti).
.
05/5/2018.
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Allegro con Brio
.
.
Águas verdes
seivas e selvas :
mistérios, dós e fugas.
.
.
26/12/2010
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Recado a Da Vinci


O meu desejo
é que um par de mãos em concha
venha pousar em cada andar
desse meu corpo
como se fosse teto
ou afresco de capela
no mesmo tom de argamassa
e aquarela
E se não pode ser Da Vinci
a me tocar
que venha artista, aventureiro
um deus [um anjo]
retire o véu
que fecha e cobre cada andar
e faça Luz o que restou
do meu altar
Sorriso, réquiem
solo, missa
um áureo manto
que pousa, vibra
entorna
eterno e belo
.
c a n t o


18 de junho de 1999

 

 

Eliana Mora nasceu no Rio de Janeiro, e teve a infância ‘embalada’ pelas músicas e poesias que seu pai compunha. Possui grau de mestre na “Arte de Dizer”, do Curso Olavo Bilac -, e em Jornalismo. Trabalhou em revista, rádio, televisão, e faz Assessoria de Imprensa. Promove seus próprios cursos de Voz e Interpretação de textos. Está no movimento modernista internacional Poetrix [MIP], e nas listas de discussão Escritas e Amante das Leituras: de escritos em língua portuguesa [poesia e prosa] Brasil/Portugal.
“Mar e Jardim”, com 152 poemas do período 1999/2002 -- é seu livro de estréia – de 2003. Tem seu espaço de Arte, Cultura e Poesia no endereço elianamora.com e liriodeserto.blogspot.com Hoje, com as redes sociais, fica mais fácil ler a poesia [com links para os blogs]. Exemplo: Facebook, Google+, onde atende pelo nome Eliana Mora [El].

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Revista InComunidade, Edição de Janeiro de 2019


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Foto de capa:

J. M. W. TURNER, 'Fishermen at sea', 1796. || FRANCISCO DE GOYA, 'La nevada', 1786-1787.


Paginação:

Nuno Baptista


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