ANO 8 Edição 87 - Dezembro 2019 INÍCIO contactos

Henrique Prior


EDITORIAL: MENTIRA E DESONESTIDADE POLÍTICA    

Assistimos hoje ao triunfo da cada vez mais descarada mentira, da mais cínica desonestidade política. Os exemplos são inúmeros: de Trump a Bolsonaro, de Salvini a Boris Johnson, a mentira e a desonestidade sistemáticas foram a razão do seu triunfo.


Mas quero falar aqui de um caso recente que se passa em Portugal a ilustrar o que afirmo.


É este o  caso da Bastonária da Ordem dos Enfermeiros Portugueses, Ana Rita Cavaco. No seu discurso de tomada de posse, essa senhora não se fartou de denegrir o Serviço Nacional de Saúde a pretexto de o defender.


Mas situemos a senhora Bastonária na vida politica portuguesa para melhor a compreendermos.


Além de enfermeira e Bastonária da Ordem dos Enfermeiros, é Conselheira Nacional do PSD, foi adjunta dum Secretário de Estado da Saúde no governo de Durão Barroso. Esteve calada durante o governo de Passos Coelho, aquele Primeiro Ministro que intimou os portugueses a saírem do seu lugar de conforto e partirem para o estrageiro, cuja política levou à baixa de salário e à emigração de centenas de médicos e enfermeiros desfalcando de profissionais o Serviço Nacional de Saúde, que praticou um desinvestimento de  cerca de 2.500 milhões de euros em despesa corrente na saúde - a parte da despesa onde se incluem os pagamentos a médicos e enfermeiros. Pois  a senhora que teve postura afirma agora que o Serviço Nacional de Saúde bateu no fundo.


Mas perguntamos: bateu no fundo porquê? Porque se aumentou em 3.000 milhões de euros o investimento nessas despesas correntes de saúde desde 2014 a 2018? Porque há bastantes mais médicos e enfermeiros no SNS do que em 2014? Porque o tempo de espera pelo atendimento dos doentes melhorou substancialmente desde 2014 para cá?


As razões são outras: apostada em atacar o SNS que diz defender, a dita senhora o que pretende é denegrir de tal modo o funcionamento do SNS que leve a opinião pública a pensar que o SNS não tem condições para tratar da saúde dos cidadãos, pelo que estes estarão melhor protegidos se recorrerem aos serviços de saúde privados e aos seguros de saúde.
É esse o objetivo da Conselheira Nacional do PSD e Bastonária da Ordem dos enfermeiros, que está em sintonia com os ataques velados da comunicação social ao SNS, em particular das televisões, com a RTP desse especialista de copy/paste que se diz escritor e dá pelo nome de José Rodrigues dos Santos à cabeça, espalhando notícias alarmistas e meias verdades que são mais letais que mentiras. Senão veja-se o caso recente de notícias em catadupa nos jornais, rádios e televisões, anunciando que em 2019 já morreram 17 parturientes, escondendo que, dessas 17, 9 morreram nos hospitais públicos, 7 nos hospitais privados, e um por um parto em casa, o que entre outras razões para esses números mostra uma maior eficiência dos serviços públicos que têm uma cobertura dos cuidados de saúde muitíssimo maior que os privados.
Tudo com o objetivo, que está a ser conseguido, de aumentar o recurso dos cidadãos aos seguros de saúde e ao aos serviços de saúde privados.


É o triunfo da mentira e da desonestidade política.

 

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Revista InComunidade, Edição de Dezembro de 2019


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Paginação:

Nuno Baptista


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