ANO 6 Edição 85 - Outubro 2019 INÍCIO contactos

Luís Nogueira


Horse Racing Festival in Kham Tibetan    

Estamos em Kham, no planalto tibetano, a cerca de 4.000 metros de altitude. A região de Kham, que antes pertencia ao Tibete, pertence à província chinesa de Sichuan.

 

A grande maioria da população é tibetana e tenta manter todas as suas tradições. Uma delas são as corridas de cavalos, durante as quais os cavaleiros mostram a sua perícia e a arte de cavalgar, aliada à rapidez dos seus cavalos. O único prémio é o prestígio e a honra de se ser o mais ágil e de se possuir o melhor cavalo.

 

Quando chegamos à planície onde vai decorrer a festa, já estão montadas tendas de tibetanos que vêm de vários pontos da região: uns para participar, outros para assistir. No solo, estão esticadas duas cordas para marcar o espaço onde os cavalos irão correr. A assistência distribui-se por ambos os lados das cordas sem as pisar; algumas pessoas sentam-se no chão e outras permanecem de pé. De um dos lados, é estendido um tapete vermelho onde se sentam os monges. Entretanto, os cavaleiros preparam os seus cavalos.

 

A corrida começa: os cavalos correm a grande velocidade e os cavaleiros mostram a sua técnica e agilidade através de várias acrobacias. Com um pé preso numa corda que serve de estribo, deitam-se para o lado contrário, arrastando o braço no solo e, numa mistura de força e de equilíbrio, voltam a erguer-se: algumas vezes apanham as fitas que são espalhadas no solo pelos monges, exibindo-as de braço levantado quando voltam a erguer-se; outras vezes mostram a sua pontaria, disparando uma arma ou uma flecha para acertarem num alvo que está no solo, enquanto continuam a cavalgar a grande velocidade.

 

A assistência entusiasma-se e grita, incitando-os a serem mais rápidos e a fazerem cada vez melhor. Familiares e amigos orgulham-se do seu cavaleiro.

 

No final da manhã, terminam as corridas. Os cavaleiros juntam-se à família e aos amigos. Chegou a hora da refeição e do convívio.

 

Eles são o centro da festa, que é feita por eles e para eles, ignorando a nossa presença.

 

anapaulaoliveira

 

 

 

O olhar do fotógrafo incidiu nas cores quentes e fortes das vestes em festa, no verde da imensidão do Planalto Tibetano a contrastar a dança das nuvens no céu azul. Acompanhou o movimento dos cavaleiros, numa ferocidade em campo de batalha, em superação dos seus limites.

 

Muito à sua maneira, Luís Nogueira, penetra a sua câmara nos rostos ásperos de corações enormes, tímidos e de olhos expressivos, registando a vibração de olhares, como que a querer despir-lhes a alma.

 

Luís Nogueira “rouba” momentos, de forma nobre, com a sensibilidade que só um viajante do mundo sabe captar.

 

Fátima Santos

 

 

Há muitos anos que a fotografia é uma paixão para Luís Nogueira. Autodidata, as suas primeiras experiências foram, no início dos anos 70, com uma câmara Fujica ST605 50mm. Posteriormente, experimentou o médio formato, convertendo-se à fotografia digital no princípio deste século.
 Influenciado pela obra do grande mestre Ansel Adams, que contribuiu para parte da sua formação, realizou diversos trabalhos a preto e branco no seu pequeno laboratório analógico. Após a passagem para a fotografia digital, o preto e branco continua a ser a sua preferência, mantendo-se a influência de Ansel Adams na procura do “sistema de zonas” perfeito. Outros fotógrafos, como Henri-Cartier Bresson, Sebastião Salgado e Steve McCurry têm sido, também, uma referência.
À paixão pela fotografia juntou-se o gosto de viajar, pelo que o tema de muitas das suas fotografias são imagens registadas durante as diversas viagens que tem realizado. Gosta de registar diferentes culturas, sobretudo de pessoas no seu quotidiano.
Paralelamente à fotografia, por vezes realiza vídeos dos seus projetos, com os quais pretende complementar a partilha das experiências vividas.
O seu trabalho encontra-se representado em coleções públicas e particulares.

Exposições individuais
Jul 2019 - Galeria Arte Graça, Lisboa - Horse Racing Festival in Kham Tibetan
Set 2018 - C.M.L.- Edif. C. do Município, Centro Doc. C. Grande - HIMBAS: beleza e tradição (Namibia)
Jul 2018 - Atlas Hostel - Leiria - Retratos do Irão~
Abr 2018 - UCC Cruz Vermelha - Estremoz - Retratos do Irão
Jan 2018 - Quarteirão das Artes - Almada - Retratos do Irão
Dez 2017 - LxFactory, Livraria Ler Devagar, Espaço Manchas de Tinta - Faces and Colors (Kutch, India)
 
Jun 2017 - Centro de Cultura e Desporto do Crédito Agrícola Mútuo - Lisboa - Retratos do Irão
Mar 2017 - Biblioteca Municipal de Sesimbra - A Magia das Máscaras (Veneza)
Set 2016 - Galeria Beltrão Coelho - Lisboa - Uma outra Índia (Ladahk)
Abr 2016 - Fábrica Braço Prata - Um olhar sobre Yunnan (China)
Fev 2016 - Galeria Parede de Arte, Birraria - Cacilhas - Máscaras em Veneza
Mar 2014 - Galeria Parede de Arte, Birraria - Cacilhas - Pequeno Tibete (Índia)
Jun 2013 - Galeria Parede de Arte, Birraria - Cacilhas - Encontros (Bares da Irlanda)

Exposições coletivas
 Jun 2017 - Biblioteca Municipal de Sesimbra - Barbeiros de Rua (Varanasi, Índia)
Jan 2015 - Galeria Parede de Arte, Birraria - Cacilhas - Gioconda (Tema sugerido galeria)
Nov 2013 - Galeria Parede de Arte, Birraria - Cacilhas - Cor de burro quando foge (Tema sugerido galeria)

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Revista InComunidade, Edição de Outubro de 2019


FICHA TÉCNICA


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Revisão de textos: Filomena Barata e Alice Macedo Campos

Conselho Editorial:

Henrique Dória, Alice Macedo Campos, Cecília Barreira, Clara Pimenta do Vale, Filomena Barata, Jorge Vicente, Maria Estela Guedes, Maria Toscano, Myrian Naves


Colaboradores de Outubro de 2019:

Henrique Prior, Adán Echeverría, Adelto Gonçalves, André Balaio, André Luís Câmara, Beatriz H. Ramos Amaral, Caio Junqueira Maciel, Carlos Matos Gomes, Cecília Piscarreta, Cláudio Parreira, Elizabeth Olegário, Fabrício Marques ; Libério Neves, Fernando Andrade, Flávio Sant’Anna Xavier, Henrique Dória, Henrique Wagner, Hermínio Prates, Jalmelice Luz, José Arrabal, José Carlos Dinardo, Katyuscia Carvalho, Leila Míccolis, Luís Nogueira, Marinho Lopes, Niels Hav, Paulo José Cunha, Ricardo Alfaya, Ricardo Ramos Filho, Vera Lúcia de Oliveira, Waldo Contreras López


Foto de capa:

PAUL DELVAUX, 'Les ombres', 1965.


Paginação:

Nuno Baptista


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