ANO 6 Edição 85 - Outubro 2019 INÍCIO contactos

Beatriz H. Ramos Amaral


A voz de Eunice Arruda: poesia além do tempo    

prefácio ao livro de Eunice Arruda, Visível ao destino, editado pela Editora Patuá, em 2019.

 

 

Beatriz H. Ramos Amaral

 

“Edifiquei minha
casa sobre a
areia

 

Todo dia recomeço”
(“Erro”, Eunice Arruda)

 

    Consciente das atemporalidades, dos infinitos e de todos os riscos inerentes à arte, Eunice Arruda (1939 – 2017) sempre soube erigir sua palavra poética na eloquência de entrelinhas, pausas, intervalos e silêncios.  Nos espaços compactos em que a expressividade brota da concisão e da precisão rítmica, seu verbo construiu um raro caminho de  singularidades. Na elegância sintática, nas trilhas da polissemia, na árida estrada das reflexões, desenvolveu um percurso literário único,  reafirmando o constante processo de refinamento que a insere entre as principais vozes da poesia brasileira.

 

      A poesia de Eunice Arruda habita a densidade do silêncio, em seus desdobramentos e variantes,  faces, interfaces,  avessos e reflexos.  Entre as incontáveis estações por que passou, grafando ideias e espantos, a consagrada poeta paulista criou sutilezas para abrir o indizível  - e sempre o fez com êxito. Escolheu a condensação da linguagem e as desconcertantes elipses sintáticas para abrigar seu ato poético.   Apresentou o irremediável da vida como tema recorrente. Harmonizou seu olhar e o mundo, em consistentes confrontos com a realidade plena de decepções, manancial presente na essência de sua literatura. E, sem fazer alarde, construiu, passo a passo, obra vasta, coerente, sensível, grande legado para a nossa geração e para as gerações futuras.

 

      Ao pensar a poesia de Eunice Arruda, não há como não relembrar o célebre pensamento de J. P. Sartre: 
                       “O silêncio é um momento da linguagem".

 

         Ou a palavra de Octávio Paz:
                        “O dizer do poeta se inicia como silêncio”.

 

         A estrutura rítmica, assim como constrói a plenitude de um poema, pode ceifá-lo, ou, pelo menos, prejudicá-lo consideravelmente, se não for precisa, exata, certeira.

 

         Como ensina Octávio Paz, em sua célebre obra “O Arco e a Lira”:
         “A poesia coloca o homem fora de si e simultaneamente o faz regressar ao seu ser original: volta-o para si. O homem é sua imagem: ele mesmo é aquele outro. Através da frase que é ritmo, que é imagem, o homem -  esse perpétuo chegar a ser – é. A poesia é entrar no ser"

 

         Em Eunice Arruda, o ritmo nasce do silêncio, o poema nasce do silêncio e o tempo pensado e experimentado gera a base rítmica de toda poesia. No tempo, no ritmo e no som, o poema é.  O tempo é.

 

         Das pausas necessárias à observação da vida, das pausas inerentes ao nascimento do verbo, brotaram, sempre, instâncias estéticas e reflexivas, desertos noturnos, descontinuidades incrustadas  nas frases, geralmente curtas e, por isso mesmo,  impactantes, com que a autora teceu poemas expressivos e antológicos, como este, extraordinário:

 

“   Formas

 

presos
os pássaros
cantam

 

presos:
os pássaros
cantam  “

 

          Com engenho, concisão máxima e um hábil jogo entre sintaxe e semântica, a poeta abordou, no exemplo ora transcrito, uma das chagas sociais para a qual jamais se mostrou insensível, qual seja, a perda da liberdade, a privação da liberdade, a restrição à liberdade, quer no plano literal, quer no figurado, metafórico,  em amplo sentido. O poema fala por si e é visualmente construído com beleza, verdade e domínio técnico absoluto.

 

        Na verdade, desde a estreia, em 1960, com o livro “É tempo de noite", Eunice Arruda trouxe para o cenário da literatura brasileira seu excepcional domínio de ritmo, aliado à delicada sabedoria dos mestres. Irrigando estradas, momentos, palavras, pessoas, debaixo do sol ou em noites acesas, brindou os leitores com o poder da expressividade e da sobriedade, em paradoxos inventivos que poucos autores alcançam com tanta competência,  estilo e maestria, sempre em diálogo com a condensação de Matsuo Bashô (exímia haicaísta que ela também foi), em diálogo com os pontos luminosos de Giuseppe Ungaretti, com o “sentimento do mundo" drummondiano, alimentando o olhar com as fatias cruas de realidade. Sem anestesia,  Eunice escreveu, certeira, em “Risco", o primeiro de seus livros que tive a alegria de resenhar, em 1996:

 

“  Crianças
feitas de interrupções
nunca atingidas
desatam soluços
abrem feridas
na tarde
corrompem meu sono
e não se saciam”

 

         Cônscia de seus paradoxos, inaugurou a carreira literária com poemas de natureza e feição noturna – com a bela espessura das sombras que sempre a instigaram. E, há poucos anos, precisamente em 2012, abriu novas clareiras iluminadas de aurora, ao dar à luz “Debaixo do Sol", rico conjunto de poemas fertilizados pelo entrelaçamento de suas melhores qualidades estéticas.

 

         Numa trajetória construída com equilíbrio e lucidez, arrojo e discrição, a poeta paulista nascida em Santa Rita do Passa Quatro e radicada há décadas em São Paulo, navegou com rara desenvoltura pela cultura oriental e a ocidental. 
         Haicaísta de primeira linha, dedicou vários volumes ao gênero e ministrou, a partir de 1984 e por muitos anos, oficinas que se tornaram célebres. Ela mesma, na economia de seus gestos e na elegância dos comentários e frases, trazia em si e em seu cotidiano muito da postura zen-budista que só grandes haicaístas alcançam. Alias, muitos poetas de produção hoje reconhecida, valorizada e festejada, foram seus alunos, fruíram suas importantes lições de arte e concisão.

 

         Entre as honrarias com que Eunice foi agraciada, destacam-se o Prêmio no Concurso de Poesia Pablo Neruda, organizado pela Casa Latinoamericana, em Buenos Aires, Argentina (1974) e o Prêmio de Mérito Cultural, concedido pela UBE-RJ (União Brasileira de Escritores, Seção Rio de Janeiro), já na década de noventa.

 

         O olhar de Eunice Arruda sempre atentou para o irremediável da vida, para a costura tênue dos meses, para a nevralgia dos vulneráveis, o mosaico agudo das dores e a falibilidade humana. Sua poética incorporou à concisão todos os sentimentos do mundo e denunciou, constantemente, a indiferença e a negligência com que a sociedade, cega, insiste em responder ao sonoro movimento das crianças nas ruas. A leveza dos pássaros e o peso da solidão urbana, em alternância ou fusão, incorporaram-se com naturalidade à palavra da poeta.

 

         Em Eunice Arruda, o diálogo entre a tradição e as vanguardas floresceu com integridade e maturidade, conduzindo-se, prenhe de sutilezas, a um crescente refinamento.  Ao valorizar as pausas, os silêncios e os espaços em branco, respirou entre as estações, abrindo significativos intervalos de reflexão e estranhamento e neles construindo as marcas de uma obra diferenciada, composta por dezoito volumes de poesia,  um livro individual de contos, o volume “Poesia Reunida", que agrupou seus quinze primeiros livros de poesia, além da participação em várias dezenas de coletâneas no Brasil e no exterior. Entre suas obras, destacam-se “O Chão Batido" (1963), “Outra Dúvida” (1963), “Mudança de Lua" (1986), “Gabriel" (1990), “Risco" (1996), “À Beira" (1999), “Há estações” (2003), “Debaixo do Sol" (2010), “Tempo Comum" (2015).

 

         A poeta cursou pós-graduação em Comunicação e Semiótica,  na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, dialogou com as vanguardas, teve poemas musicados e também abriu a força de sua voz metalinguística, transitando entre bem construídas metáforas,  na linha polissêmica que inseriu, em cintilâncias bem dosadas, na sua linguagem. Este conjunto de características está presente em alguns de seus mais conhecidos poemas, como, por exemplo, em

 

“Composição  - I" :

 

“Criar impactos
com
palavras

 

Pérolas
deslizando
na correnteza

 

como barcos
me transportam
aonde nenhuma viagem chega
e eu colho frutos raros

 

Nesta ilha – entre pedras – ressuscito
com o fôlego
das palavras"

 

         Em momentos de doce ironia, sua voz poética também soube dialogar,  com precisão, com o humor oswaldiano:

 

“Sem saída
a porta da vida
não tem chave

 

Se tem
não abre"

 

         A partir de março de 2017, Eunice Arruda foi habitar outras esferas, entristecendo um pouco mais este nosso maltratado tempo.  Mas nos ensinou, sempre, que a palavra poética é profética, onipresente e infinita. E nos presenteou com a eloquência rara de silêncios e com sílabas bordadas de imensas entrelinhas e necessárias pausas.

 

         Em junho de 2013, em artigo intitulado “A poesia está em crise?”, Eunice Arruda afirmou, com sua precisão habitual:  “Suponho que a poesia seja sempre a manifestação de alguma crise.”

 

         Discorreu, neste texto, sobre a vocação da poesia para romper com a linguagem coloquial, buscando um certo “desvio" e um “ar estrangeiro”, tomando emprestado o pensamento aristotélico. E teceu interessantes considerações a respeito da manifestação poética, dos variados suportes em que habita, da mudança de formas, de lugares e das tantas viagens da expressão poética.  O lugar da poesia é o lugar da arte e do homem, a qualquer tempo, na pluralidade de camadas simultâneas ou em descontinuidades nítidas.

 

         No tempo da noite, no tempo da crise, no tempo da euforia, da nostalgia, no tempo sem começo, no hibridismo e na multiplicidade do universo. Refletindo sobre temática existencial, compôs poemas plenamente realizados, entre os quais:

 

 

 

GEOGRAFIA

 

“estar em
algum lugar

 

sempre

 

deixar o corpo
posto
em algum

 

porto
onde voltar”

 

 

 

TRANSFORMAÇÃO

 

Anjo
dá guarda

 

Eu estou atravessando
Também me empresta
de tuas asas
o vôo

 

Que eu chegue a nenhum lugar

 

 

 

PAISAGEM

 

Ser tão

nas ruas

 

Sertão

nas ruas

 

 

 

PREDIÇÃO

 

Fazer da busca
o ideal

 

Rasgar o ventre de
todas as noites
para encontrar
a aurora

 

O que não somos hoje
é o que há de nos
esmagar
          amanhã

 

      Eunice Arruda transpôs barreiras, atravessou fronteiras numa época em que pouquíssimas mulheres publicavam suas obras.  Renovou-se, refez rotas, dialogou em profundidade com outros poetas e com outras gerações, ofereceu-lhes o melhor de sua rica sensibilidade, mas também  ouviu suas vozes, depurou a sua, inconfundível e lapidada como um instrumento afinado pelo infinito.

 

         Construiu uma poesia feita de vísceras, mas com a sobriedade e a elegância de mandarins, dando às dores humanas e às suas próprias  dores nomes de pássaros, movimento de asas, cores de meninos e meninas dançando com pombos pelas crateras do universo. Numa incessante alquimia, a poeta reuniu todos os fios de sua densa teia de temas, expondo, perplexa, quadros existenciais que ela mesma analisava, a cada fragmento,  e interpretava, depois de captá-los sensorialmente, com sua engenhosa antena.

 

         Muitos poetas, críticos, ensaístas e outros artistas escreveram, comentaram, apreciaram a obra de Eunice Arruda, como Carlos Felipe Moisés,  Marcelino Freire, Caio Porfirio Carneiro, Moacir Félix,  Olga Savary, Cláudio Willer – que a ela dedicou um livro, “Eunice Arruda – poesia de mistérios e reticências", Celso de Alencar, Álvaro Alves de Faria, Valdir Rocha , com abordagens bem diferenciadas, evidentemente, porém, todos reconhecendo em sua voz estética muitas características completamente diferentes de seus companheiros de geração, a chamada “Geração 60", diferenças essas que, conforme mencionamos anteriormente, a destacam e a inserem num lugar único.

 

         Flui, no ritmo de Eunice Arruda, o conjunto de elementos estéticos de um projeto poético balizado pela leveza da linguagem, pela suavidade da dicção, pela densidade do panorama de temas abordados,  pela concisão e por elipses. O que mais se espera da verdadeira poesia?

 

         Estão claramente apresentados em sua obra – e bem realizados, porque bem pensados - todos os elementos que definem a arte desses nossos desconcertantes e polifônicos séculos XX e XXI. A solidez e coerência de sua poética se evidenciam também pelo engenhoso estranhamento que encerra muitas das ideias centrais de suas frases, no gesto aberto e por vezes atônito de suas sílabas.

 

         Impossível concluir estas reflexões em torno de Eunice Arruda sem mencionar a disponibilidade imensa que brotou de imediato e muito espontaneamente em nossa amizade.  Seria interessante narrar a cronologia desta amizade, mas o relato, por certo, geraria um outro livro. Por isso, menciono apenas que a amizade foi iniciada nos anos noventa, quando realizamos juntas um primeiro trabalho. Entre os trabalhos conjuntos que ambas realizamos, destaca-se a Coordenação do Projeto Poesia 96 / 97, que dividimos, harmoniosamente, na Secretaria Municipal de Cultura do Município de São Paulo, na gestão de Rodolfo Konder, em fértil troca de ideias e soma de esforços, sob a supervisão do amigo poeta Cláudio Willer, que dirigia as ações literária e da Secretaria.    Eunice sempre esteve perto. Sempre dialogamos com humor, com a acidez dos poetas, mas, também, com inesgotável otimismo, sem perder a efervescência das brasas da criação.

 

         Dividimos mesas de Literatura em São Paulo, no Rio de Janeiro. Dividimos almoço e, longos telefonemas, confidências e esperanças.  A seu convite  participei da mesa que a homenageou, na Casa das Rosas,  na celebração de seus 50 anos de poesia, ao lado de Marcelino Freire, Cláudio Willer , Celso de Alencar, Valdir Rocha e da própria homenageada.

 

         Debaixo do Sol, assumindo riscos e conhecendo as beiras, a poeta expande as horas.  Muito além dos contrastes,  o claro-escuro se reinventa. Em Eunice Arruda, o tempo é aberto, a noite é clara, as fronteiras dançam e as estações se irmanam na plenitude do pensamento poético.

 

                   BEATRIZ H. RAMOS AMARAL

 

 

Bibliografia

 

Obras de Eunice Arruda:

 

Arruda, Eunice. É tempo de noite, 1960 (poemas)

 

Arruda, _______.  Chão Batido, 1963 (poemas)

 

Arruda, ___________. Outra Dúvida,  1963 (poemas)

 

Arruda,  __________. As Coisas Efêmeras,  1964 (poemas)

 

Arruda, ___________. Invenções do Desespero,  1973 (poemas)

 

Arruda,___________.  As pessoas, as palavras, 1976 (poemas)

 

Arruda ____________.  Os Momentos, 1981 (poemas)

 

Arruda, ____________. Mudança de Lua, 1986 (poemas)

 

Arruda, __________.  Gabriel, 1990 (poemas)

 

Arruda, __________.  Risco, 1998 (poemas)

 

Arruda, __________.  Há estações,  2003 (poema)

 

Arruda, __________.  Dias Contados, 2009 (contos)

 

Arruda, __________.  Poesia Reunida, 2010 (contos)

 

Arruda, ___________.  Debaixo do Sol,  2012 (contos)

 

Arruda, __________.  Tempo Comum, 2015 (contos)

 

Referências Bibliográficas:

 

AMARAL, Beatriz Helena Ramos. Entre riscos e cristais: a poesia de Eunice Arruda, Revista do Clube da Poesia, 1998

 

AMARAL,  __________________  Poesia reunida celebra 59 anos de trajetória literária de Eunice Arruda, Germina – Revista de Literatura e Arte, setembro de 2012 – também publicado no Jornal Linguagem Viva,setembro 2012

 

AMARAL, __________________ Debaixo do Sol,  de Eunice Arruda: a plenitude do gesto poético,  Jornal literário Linguagem Viva, edição de Março / 2015

 

AMARAL,  _________________ Poesia Reunida: Eunice Arruda, Revista Incomunidade, Porto, Portugal , maio de 2015

 

AMARAL, __________________ Eunice Arruda :  Poesia além do Tempo, Jornal literário Linguagem Viva, Abril de 2017

 

ARRUDA, Eunice. A Poesia está em crise? Jornal da UBE-SP – União Brasileira de Escritores  Seção São Paulo,  edição de Junho / 2013

 

FREIRE, Marcelino. Prefácio ao livro Debaixo do Sol, de Eunice Arruda, Ateliê Editorial, 2012

 

MARANHÃO,  Vanessa. O Conto Brasileiro Hoje,  Letras Artes e Cia., Nossas Letras, Jornal Comércio da Franca, 2008

 

PAZ, Octavio. O Arco e a Lira, Editora Nova Fronteira, tradução de Olga Savary, 1980

 

WILLER,  Cláudio Jorge. Eunice Arruda: Poesia de mistérios e reticências, Ed. Quaisquer, São Paulo, 2017

 

 

 

BEATRIZ H. RAMOS AMARAL, escritora e poeta, Mestre em “Literatura e Crítica Literária” e autora de quinze livros, entre os quais “Planagem” , “Os Fios do Anagrama” e “Peixe Papiro”. Musicista.

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Paginação:

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