ANO 6 Edição 85 - Outubro 2019 INÍCIO contactos

José Carlos Dinardo


Poemas    

DEMOLIÇÃO

 

Tijolos que não se romperam esperam
Nova argamassa que os reintegrem.
Telhas que o tempo poupou, protegem-se.
Portas que muitas passagens permitiram
Fecham-se tímidas, ante o espaço aberto.
Caibros curvos pelo tempo perfilam-se
E, em tudo, saudade e esperança.

 

 

 

 

 

 

APRENDIZADO

 

De todos os fragmentos farei o todo
E talvez reconstrua a realidade,
Que não será céu estrelado, mas brilhará,
Qual lua cheia pousada em meus sonhos.

 

De todas as ilusões chegarei ao concreto,
Com suas cores mortas, mas indeléveis.
Serei equilibrista a andar em calçadas.
Olharei o céu, como o que brota da terra.

 

De todos os erros construirei meu perdão,
Que será flor vermelha a nascer das pedras.
Rasgando véus d’alma, libertarei meu eu.
Deixando casulos ocos, voarei borboleta.

 

 

 

 

 

 

 

MATRICIAL

 

 

MULHER

 

POEMA

 

VIVO

 

VIVO

 

POEMA

 

MULHER

 

POEMA

 

VIVO

 

MULHER

 

MULHER

 

VIVO

 

POEMA

 

POEMA

 

MULHER

 

VIVO

 

VIVO

 

MULHER

 

POEMA

 

 

 

 

 

 

 

NOTURNO

 

Lua, pálida navegante
Nua, do negro firmamento.
Ventos perdidos, chorosos, frios.
Beija a noite a tristeza da terra.
Acalma seus soluços graves, com afagos.
Estende seus braços longos de fiel escrava.

 

Trégua...

 

Tudo se estrela ao anoitecer:
Os corações, as pedras... o espaço.

 

Cego pelo Sol, um cão uiva por nós.

 

 

 

 

 

 

 

ANO

 

Passei a amamentar
Um Janeiro,
Que, quando ainda era Abril,
Exigiu mesada.
Ao se tornar Junho,
Pediu um tempo
E quando virou Setembro,
Disse que assim não era possível!
Conformado,
Esperei que atendesse por Dezembro
E o abandonei.

 

 

 

 

 

 

POEMA INTERATIVO

Para Paulo Leminski

Se você não gosta de poemas Vá direto para o Final. Se você gosta de poemas Também vá direto para o Final, Pois afinal, sou poeta menor. Se você tolera os poemas Então continue a ler E deixe a sua avaliação, Após o término da sua leitura. A vida é apenas um casulo, No qual Permanecemos lagartas. Nem sempre Conseguimos voar borboletas. Às vezes, Tentamos voar lagartas E, para sempre, Continuamos tentando até o Final.

Espaço para a avaliação do leitor:

 

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HORIZONTES

 

Despir

De todas as verdades

Destruir

Todos os oásis

Partir

Viagem sem volta

Sem âncoras

Para sempre

 

 

 

 

 

 

LÁPIS-LAZÚLIS

 

Azuis delicadezas
Voam.
Vagam efêmeras,
Volúveis.
Pairam, por instantes
Mágicos...
Sutis borboletas.

 

 

 

 

 

 

CATA-VENTO


O cata-vento
Agarrou o vento
E bailou:
Uma valsa
Ou um frevo,
Mas do vento não soltou.

 

O vento
Ia passando,
E o cata-vento
O agarrou:
Foi por paixão
Ou diversão,
Mas dele
O vento se aprisionou.

 

 

José Carlos Dinardo: Nasci no início da década de 50 em Rio Claro, no interior do Estado de São Paulo, passei minha infância à beira de uma floresta de eucaliptos, onde brincava e sonhava. Meu fascínio pela natureza e meu amor pelos animais decorrem deste cenário. Neste clima de sonhos, busquei meu caminho me especializando em Engenharia na área de telecomunicações. Fã incondicional do Beatles e de música erudita, faço da poesia meu meio natural de expressão artística. Creio sempre ter sido poeta, mas comecei a escrever poemas no início da década de 80 e não pretendo parar. Publico meus poemas regularmente na Internet, mas no final do ano passado fui convidado a integrar uma antologia poética com 8 outros autores, pela Editora “A palavra é arte’, onde fizeram parte 13 poemas de minha autoria. Em Abril deste ano, publiquei meu primeiro livro “CAOS ESTRELADO” pela Editora Viseu.

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Revista InComunidade, Edição de Outubro de 2019


FICHA TÉCNICA


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Conselho Editorial:

Henrique Dória, Alice Macedo Campos, Cecília Barreira, Clara Pimenta do Vale, Filomena Barata, Jorge Vicente, Maria Estela Guedes, Maria Toscano, Myrian Naves


Colaboradores de Outubro de 2019:

Henrique Prior, Adán Echeverría, Adelto Gonçalves, André Balaio, André Luís Câmara, Beatriz H. Ramos Amaral, Caio Junqueira Maciel, Carlos Matos Gomes, Cecília Piscarreta, Cláudio Parreira, Elizabeth Olegário, Fabrício Marques ; Libério Neves, Fernando Andrade, Flávio Sant’Anna Xavier, Henrique Dória, Henrique Wagner, Hermínio Prates, Jalmelice Luz, José Arrabal, José Carlos Dinardo, Katyuscia Carvalho, Leila Míccolis, Luís Nogueira, Marinho Lopes, Niels Hav, Paulo José Cunha, Ricardo Alfaya, Ricardo Ramos Filho, Vera Lúcia de Oliveira, Waldo Contreras López


Foto de capa:

PAUL DELVAUX, 'Les ombres', 1965.


Paginação:

Nuno Baptista


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