ANO 6 Edição 83 - Agosto 2019 INÍCIO contactos

Henrique Dória


Editorial: dois loucos que governam o mundo    

Fomos confrontados nestes últimos dias com duas “saídas” espantosas de dois dos mais poderosos senhores do mundo. A primeira foi de Jair Bolsonaro que aconselhou os brasileiros a fazer cocó dia sim dia não para combater a poluição ambiental. A segunda foi de Donald Trump  ao pretender comprar a Gronelândia à Dinamarca.

 

Estamos no reino da estupidez ou, melhor, no reino da loucura.

 

È certo que no poder, em particular no poder absoluto, sempre houve loucos, desde o imperador Calígula que fez um cavalo senador, ao imperador Heliogábalo que escolheu para seu primeiro-ministro o que tinha maior pénis entre os seus amantes, até ao portuguesíssimo rei D. Pedro I que, depois de mandar castrar o jovenzinho Afonso Madeira, fez dele seu amante, criando a dúvida de qual o verdeiro grande amor da sua vida: Inês de Castro ou Afonso Madeira.

 

Mas tratava-se de tempos em que o poder se herdava, e o povo não tinha escolha. Hoje, porém, o povo tem a possibilidade de escolher. E o povo americano e o povo brasileiro escolheram Trump e Bolsonaro para seus presidentes. Pode dizer-se que não é a primeira vez na história que o povo escolhe um louco para o dirigir, que o povo alemão escolheu o louco Hitler em eleições livres. Mas a situação da Alemanha que votou em Hitler era uma situação desesperada de um povo destroçado e humilhado pela guerra, dum povo que se encontrava em sofrimento extremo, ao qual Hitler ofereceu a possibilidade de tornar a Alemanha grande de novo.

 

Mas não era essa a situação do povo americano e do povo brasileiro quando elegeram Trump e Bolsonaro. Estes conseguiram iludir os dois povos através da mentira astuciosamente espalhada. Curiosamente com a mesma promessa de Hitler: fazer a América e o Brasil grandes de novo.

 

Pode argumentar-se: mas a América já comprou o Alasca à Rússia, então dominada pelo czar Alexandre II. E que o presidente americano Harry Truman já tinha proposto a compra da Gronelândia à Dinamarca. Mas, para a Rússia dos czares, a terra russa era património pessoal do czar que, num momento de aperto financeiro, poderia vender uma parte. E a Dinamarca saída da II Grande Mundial era um país destroçado, enquanto os EUA eram o país mais rico e poderoso do mundo que poderia dar-se ao luxo de fazer esta proposta humilhante aos dinamarqueses.

 

Mas, hoje, a Rússia já não é mais património de um senhor, e a Dinamarca um país com maior riqueza por habitante que os EUA e, sobretudo, com um índice de felicidade humana muito superior ao dos EUA. Por isso a proposta de Trump é uma estupidez de um louco, e como tal foi entendida pelo primeiro-ministro Dinamarquês.

 

Quanto ao cocó de Bolsonaro dia sim dia não isso é tão estúpido que não merece comentários- poderia ter sido piada dele, mas não foi.

 

Aliás, Bolsonaro demonstrou bem a sua loucura ( ou traição à pátria?) ao escolher o filho para embaixador nos EUA, confessando publicamente que o queria beneficiar, sendo que a única experiência americana que Eduardo Bolsonaro teve foi a de vender hamburgers na América. E, quanto à experiência diplomática, ela é inexistente.

 

Só há uma explicação: a mentira é fácil de vender aos ignorantes e aos sacanas.

 

 

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Revista InComunidade, Edição de Agosto de 2019


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MARC CHAGALL, 'Aleko and Zemphira by moonlight: study for backdrop for scene 1 of the Ballet «Aleko»', 1942


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Nuno Baptista


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