ANO 6 Edição 83 - Agosto 2019 INÍCIO contactos

Krishnamurti Goés dos Anjos


"A passagem invisível" – novo livro do escritor Chico Lopes    

 

A Editora Laranja Original dá a público nesta segunda-feira dia 12 de agosto, a obra “A passagem invisível” -  contos, de Chico Lopes. Sobre o livro escrevemos eu e o Antonio Carlos Secchin os trechos abaixo em Prefácio e texto de contracapa:
“Em A passagem invisível, nada é óbvio, na contracorrente da onda neonaturalista que parece dominar boa parte de nossa ficção. Como o protagonista do  conto que abre e  dá título à coletânea,  o autor não cultiva «as tolices e vulgaridades de cada manhã»; seu território é, antes, noturno:  o reino das sombras que toldam as certezas da natureza humana. Fala de coisas e relações inacabadas ou já destruídas, fora, portanto, de pontos de controle ou equilíbrio. Daí a eclosão da violência – física, mas sobretudo psíquica -  para os que tentam  manter o pé num mundo movediço. Violência que assola o conforto do leitor com a mesma intensidade e constância com que, no livro, os personagens invadem o domicílio alheio. Tais invasões, com frequência, culminam em passagem para a morte. As casas e os espaços invadidos são em geral solitários, por vezes sórdidos, como no admirável conto «O legado», com sua velada e sofrida carga homoerótica.   O substantivo «passagem» ata as pontas do livro, presente, na condição de elemento-chave, na primeira e na derradeira narrativa, em cada uma delas, porém, sinalizando sentidos que se diriam opostos.

 

No conto inicial, a passagem é para a morte – e assim será em quatro  dos sete  relatos subsequentes, na visada de desesperança que atravessa a obra. No fecho, porém, «Bilico, Oceano e Graveto» nos concede algum alento: a passagem/invasão derradeira é também para uma casa. Mas, em vez de ser invadida, é ela que invade a tela de um pintor. No comovente epílogo, não há um salto para a morte: a casa se torna sinônimo de vida, capaz de acolher inclusive   um personagem fugidio. A casa final, erguida não de tijolos, mas pela imaginação – metáfora da potência construtiva da arte – é «invisível sim, para quem nunca ouviu falar dela». Para nós, todavia, ela é a imagem da própria casa-livro erguida pelo também pintor Chico Lopes. Sua qualidade e solidez são  antídotos à banalização da literatura, onde o vale tudo acaba por nada valer. Aos contos, pois. É ler para crer.”  - Antônio Carlos Secchin  - escritor, poeta, crítico literário e membro da Academia Brasileira de Letras.

 

O conto praticado por Chico Lopes é o clássico. Aquele que nos legaram os precursores pois deram-lhe substância narrativa. Narrativas com início, miolo e fim bem elaborados de forma a causar o ‘singular efeito único’ a que Edgar Allan Poe se referia, ou decorrente de uma epifania (como praticou Maupassant) ou ainda o intimista e nutrido de silêncios a maneira de Tchekhov ou Graciliano Ramos. E sem deixar de lembrar ainda que ao lado dessas feições elencadas aparecem no autor desta coletânea os irresistíveis apelos à cumplicidade do leitor proporcionados pela sugestão oblíqua e dissimulada como tão bem fez Machado de Assis.”

 

“...Lopes é autor com longa estrada literária (a conferir nas orelhas da obra), dono de um estilo sóbrio e contido que não renuncia ao brilho do fraseado, esforçando-se na busca daquela unidade básica de modulação e desenvolvimento que Anton Pavlovitch Tchekhov aconselha. Vai urdindo suas ficções, aprimorando revelações (muito delicadas e tênues como propunha E H Bates) até que iluminem cada vez mais o instante crítico, unindo as pontas do leque para que a impressão inicial se revigore nas palavras do fecho. O resultado é sempre o êxito no insight escolhido, o mergulho existencial profundo. É preciso muita prática e talento para bater em portas fechadas, abrir espaços à sugestão que os relatos de quadros íntimos nos mostram através de ambiguidades, ambivalências, ou em impressões fortalecidas numa emoção muitas vezes apenas dedilhada.

 

Positivamente o leitor sentirá gratas surpresas ao observar os narradores de Lopes assumirem certa atitude irônica, onde expõem problemáticas com uma sutileza tal que acaba nos comovendo e reivindicando inevitavelmente reflexões acerca da condição humana. A ironia é força eficiente na abordagem de questões tão graves como as que vivemos atualmente. Curioso que ao escrevermos essas palavras os personagens dos contos inesquecíveis presentes nessa coletânea saltam-nos na memória.” - Krishnamurti Góes dos Anjos.

 

O lançamento foi no dia 12/08, em Sampa no Bar Balcão – Rua Dr. Melo Alves nº 150 – São Paulo – Quem não pôde ir, encontra a obra para compra e pronta entrega em: https://www.laranjaoriginal.com.br/product-page/a-passagem-invis%C3%ADvel

 

 

 

Krishnamurti Góes dos Anjos. Escritor, Pesquisador, e Crítico literário. Autor de: Il Crime dei Caminho Novo – Romance Histórico, Gato de Telhado – Contos, Um Novo Século – Contos,  Embriagado Intelecto e outros contosDoze Contos & meio Poema. Tem participação em 27 Coletâneas e antologias, algumas resultantes de Prêmios Literários. Possui textos publicados em revistas no Brasil, Argentina, Chile, Peru, Venezuela, Panamá, México e Espanha. Seu último livro publicado pela editora portuguesa Chiado, – O Touro do rebanho – Romance histórico, obteve o primeiro lugar no Concurso Internacional -  Prêmio José de Alencar, da União Brasileira de Escritores UBE/RJ em 2014, na categoria Romance. Colabora regularmente com resenhas, contos e ensaios em diversos sites e publicações, dentre os quais: Literatura BR, Homo Literatus, Mallarmargens, Diversos Afins, Jornal RelevO ,Revista Subversa, Germina Revista de Literatura e Arte, Suplemento Correio das Artes, São Paulo Review, Revista InComunidade de Portugal, Revista Laranja Original, Revista Penalux e Revista Fórum. ////

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Foto de capa:

MARC CHAGALL, 'Aleko and Zemphira by moonlight: study for backdrop for scene 1 of the Ballet «Aleko»', 1942


Paginação:

Nuno Baptista


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