ANO 5 Edição 82 - Julho 2019 INÍCIO contactos

Fábio Bahia


Poemas    

 

 

 

 

 

“Doce Algoz”

A este “algoz”, são bem poucos que não se submetem ao julgo. O prazer de degustar aroma e sabor do precioso líquido negro, o café, é mote e inspiração para inúmeras produções literárias e artísticas; “combustível”, dizem. A faceta da dependência à cafeína, no entanto, foi traduzida nesta produção comparativamente à Síndrome de Estocolmo.

 

“Dedos Podres”

Aos intrínsecos atos humanos de julgar, acusar e repreender, que em algumas pessoas são levados a cabo com enfático uso do dedo indicador, foram aqui, de forma reflexiva e poética transmutados em lástima acerca da / pela incapacidade dos indicadores de rebelarem-se quanto a este uso indiscriminado, por vezes até difamatório. Quereriam tais indicadores, prestar tais serviços?

 

“Leão”

Tendo por base o símbolo zodiacal alusivo ao leão, o sentido, no entanto,  busca descredenciar a ideologia do próprio signo elevando algo maior, o discurso daquele que também é conhecido como Leão da Tribo de Judá, Jesus o Mestre nazareno.

 

“Ouvido Seletivo”

A imagem, de fato, é de uma orelha, já que a do próprio órgão interno não conseguiria o efeito imagético desejado. Com a leitura, antes que se cogite a ideia de preconceito musical, é preciso esclarecer que reflete tão somente o desejo de não adquirir o gosto por novos estilos e gêneros musicais atuais, algo perfeitamente facultado ao apreciador. O “motor” deste poema foi a poluição sonora gerada por motoristas que geralmente rebocam os ostensivos “paredões”, ligados em volume costumeiramente ofensivos.

 

“Um estranho objeto que guarda a preciosa chuva”

A poesia nasceu quando o garoto tinha apenas três anos, mas somente trinta anos depois, fora concretizada:
Com uma seca que prolongou-se por dois anos, para certo garoto de apenas de três anos a ideia de água caindo do céu, “chuva”, era quase inconcebível. Quando finalmente o espetáculo da chuva veio, e de tanto ouvir sobre a importância e valor da chuva, ele percebeu que algo deveria ser feito para preservar aquele tesouro. Dentre o seu ainda parco repertorio lexical, o garoto tinha adquirido recentemente, e na prática, o significado e utilidade do guarda-roupa.

Se considerarmos a tenra idade, a logica apresentada pelo garoto é até digna de certo valor, afinal, o guarda-chuva aquele estranho objeto da mesma cor dos vestidos de luto da vovó, certamente deveria apresentar função similar à do guarda-roupas, mas, para seu total espanto, não houve qualquer êxito neste intento.

 

Graduado em Letras/Inglês, Fábio Bahia tem por hábito publicar comentários e resenhas críticas das obras que lê. Desde os períodos escolar e acadêmico produziu textos em prosa pelos quais sempre fora elogiado, com o tempo, resolvendo também aventurar-se em poesia, logrou certo êxito, teve alguns dos trabalhos premiados em concursos literários e publicados em sites, revistas e antologias no Brasil e na Espanha. Em 2014 publicou o livro de contos juvenis “Ferramentas dos deuses - Contos Fantásticos”, pela Ed. Mondrongo, em 2016 seu primeiro livro de poemas “Testemunho do Projétil que Matou Maiakovski”, também pela Mondrongo. Esta obra poética é dividida entre os poemas de versos livres e poemas concretos, estes últimos ganharam maior notoriedade na obra legando certo reconhecimento ao autor como poeta concretista, cujas obras foram tema de trabalhos acadêmicos, além de publicações e citações na área de educação.
fabbiobahiao@hotmail.com
https://www.facebook.com/fabio.bahia.167
@poema.concreto
https://www.skoob.com.br/livro/426762ED483354

TOP ∧

Revista InComunidade, Edição de Julho de 2019


FICHA TÉCNICA


Edição e propriedade: 515 - Cooperativa Cultural, ISSN 2182-7486


Rua Júlio Dinis número 947, 6º Dto. 4050-327 Porto – Portugal


Redacção: Rua Júlio Dinis, 947 – 6º Dto. 4050-327 Porto - Portugal

Email: geral@incomunidade.com


Director: Henrique Dória       Director-adjunto: Jorge Vicente


Revisão de textos: Filomena Barata e Alice Macedo Campos

Conselho Editorial:

Henrique Dória, Alice Macedo Campos, Cecília Barreira, Clara Pimenta do Vale, Filomena Barata, Jorge Vicente, Maria Estela Guedes, Maria Toscano, Myrian Naves


Colaboradores de Julho de 2019:

Henrique Prior, Conselho Editorial, A. M. Pascal Pia ; Federico Rivero Scarani, trad., Adán Echeverría, Adelto Gonçalves, Adriane Garcia, Sérgio Fantini, Tadeu Sarmento, Atanasius Prius, Caio Junqueira Maciel, Clara Baccarin, Eduardo Madeira, Fábio Bahia, Federico Rivero Scarani, Francisco Gomes, Henrique Dória, Hermínio Prates, Indirá Camotim, Jean Sartief, Jennette Priolli, José Arrabal, Leandro Rodrigues, Leila Míccolis, Leonardo de Magalhaens, Luiz Eduardo de Carvalho, Marinho Lopes, Moisés Cárdenas, Nagat Ali, Ngonguita Diogo, Nireu Cavalcanti, Osvaldo Ballina ; Rolando Revagliatti, entrevista, Ricardo Ramos Filho, Roberto Dutra Jr., Waldo Contreras López, Wanda Monteiro


Foto de capa:

PAUL GAUGUIN, 'Two Tahiti women', 1899


Paginação:

Nuno Baptista


Os artigos de opinião e correio de leitor assinados e difundidos neste órgão de comunicação social são da inteira responsabilidade dos seus autores,

não cabendo qualquer tipo de responsabilidade à direcção e à administração desta publicação.

2014 INCOMUNIDADE | LOGO BY ANXO PASTOR