ANO 5 Edição 79 - Abril 2019 INÍCIO contactos

Henrique Dória


EDITORIAL: Na tragédia de Notre-Dame, todos somos franceses    

Quem visitasse NOTRE-DAME não poderia deixar de ficar emocionado ao contemplar tanta beleza. Mas aquela leveza, aquelas esculturas atingindo o sobrehumano, exibindo o céu e o inferno, aqueles vitrais que coavam a luz do mundo foram, em pouco tempo, destruídos pelo fogo.

 

Negligência, crime, devorador acaso podem ter estado na origem da tragédia. Lamentar agora é inútil. O que importa mesmo é reconstruir porque a França, a Europa, a Humanidade, não podem deixar de continuar a maravilhar-se perante tão grande beleza, e a Europa em particular não pode perder um dos seus maiores símbolos que é Notre-Dame. Nesse desígnio, todos os europeus devem sentir-se franceses.

 

Não é a primeira vez que  aquela catedral que é o coração da França, símbolo de beleza tão humana que se tornou divina, foi vítima da tragédia. Começada a construir em 1163, foi concluída apenas cerca de 1350. Antes ainda de ser concluída, foi palco de um dos grandes crimes da humanidade: em frente de Notre-Dame, foi julgado, em 1314, Jacques de Mollay, último Grão Mestre do Templários, juntamente com outros altos dignitários da Ordem do Templo, incluindo Godofredo de Charnay, percetor da Ordem na Normandia, presos na sexta feira 13 de Outubro de 1307 por mandado dos facínoras papa Clemente V e do rei Filipe, o Belo, sendo queimados noutro lugar, perto da catedral. Lá foi sagrado rei Henrique VI de Inglaterra, e coroou-se imperador Napoleão Bonaparte. Era o monumento mais visitado de França, com 13 milhões de visitantes por ano, e um dos mais visitados do mundo.

 

Durante a Revolução Francesa e durante a Comuna de Paris, foi não só pilhada mas parcialmente destruída e transformada em armazém pelo sectarismo e a ignorância.

 

Com o seu incêndio, uma onda de comoção atravessou o mundo, em particular a Europa. É nos momentos de tragédia que se unem os Homens de boa vontade, e a tragédia de Notre-Dame serviu para unir na comoção e na solidariedade esta Europa que parece estar a desintegrar-se não só pelos ataques dos seus inimigos, mas também pela incapacidade dos senhores do poder econômico e político perceberem quanto é importante a sua união e que todos os seus cidadãos se sintam europeus para que continue a ser não só o museu do mundo mas também aquilo que lhe deu grandeza: um farol do saber e da arte, um farol da ciência e da técnica, um farol da defesa dos Direitos Humanos e do respeito pelo outro, um farol da Liberdade, da Igualdade e da Fraternidade.

 

 

Henrique Dória

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Revista InComunidade, Edição de Abril de 2019


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Paginação:

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