ANO 5 Edição 78 - Março 2019 INÍCIO contactos

I Mulherio das Letras


I Mulherio das Letras – Portugal    

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Em Lisboa, um evento literário reuniu mulheres escritoras, leitoras, investigadoras, jornalistas e activistas: o I Mulherio das Letras – Portugal, que decorreu entre 7 e 10 de Março de 2019.

 

A ideia não foi das organizadoras: nasceu a partir da experiência do I Encontro do Mulherio das Letras, realizado em 2017 em João Pessoa, no nordeste brasileiro, e que reuniu mais de 500 mulheres. Impulsionado pela escritora Maria Valéria Rezende, o Mulherio é um movimento feminista espontâneo, que tenciona tornar-se cada vez maior e poder ser reproduzido em vários contextos e realidades, tendo como objectivo principal o da criação de oportunidades e visibilidade para as mulheres em âmbito literário, promovendo a sua inclusão e a criação de espaços concretos de discussão e difusão do conhecimento por elas produzido. A própria reapropriação da palavra Mulherio, cujo significado tem historicamente uma conotação negativa, visa subverter os estereótipos e as convenções sociais associadas ao sexo feminino às suas formas de convívio, promovendo intercâmbio, discussão, até agitação.

 

Na apresentação do evento, afirmaram as organizadoras: “Compreendemos que os movimentos de mulheres são um componente crucial para qualquer projecto de transformação radical da sociedade. Este evento é, portanto, pensado como uma política de irmandade, como um lugar de retomada de vozes silenciadas e uma ferramenta de discussão e difusão da produção artístico-cultural de autoria feminina.”

 

O objectivo da versão portuguesa do evento foi, portanto, o de propor uma abordagem da literatura de autoria feminina que pudesse estabelecer um diálogo entre a academia e a sociedade civil, entre as escritoras e as leitoras. Respeitando os valores que estiveram na base do I Encontro do Mulherio das Letras em João Pessoa, o evento “visa alargar as fronteiras da literatura e da arte, bem como perceber dinâmicas identitárias. Neste sentido, abrirá espaço para ouvir e debater a produção literária e académica de escritoras, artistas, investigadoras, jornalistas, etc.”

 

Escritoras incontornáveis no panorama da cultura portuguesa - e em língua portuguesado século XX animaram um evento organizado híbrido, que se desenvolveu, em ocasião do Dia Internacional da Mulher, entre a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (com organização de Elizabeth Olegário e Noemi Alfieri) e o Palácio Baldaya, em Benfica (com organização de Adriana Mayrinck, da In-Finita).

 

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Na Universidade Nova, o evento se desenvolveu no âmbito da linha de investigação em História das Mulheres e do Género, do CHAM – Centro de Humanidades, de que Elizabeth Olegário e Noemi Alfieri fazem parte. Os dias 7 e 8 Março foram animados por escritoras do calibre de Lídia Jorge, Ana Paula Tavares, Ana Margarida de Carvalho e Rita Taborda Duarte, entre outras.

 

Ao todo, mais de 30 mulheres entre escritoras, investigadoras, activistas e artistas contribuíram para a realização do evento, com palestras, comunicações, intervenções e actuações musicais, como no caso de Maria Andon e de Camila Masiso, que abriram as actividades, respectivamente, do primeiro e do segundo dia.

 

No dia 8 Março, grande destaque foi dado ao continente africano e à produção, em língua portuguesa, de escritoras africanas ou afro-descendentes: a mesa Mulher e África viu também a participação de jovens escritoras como Gisela Casimiro e Yara Monteiro, que falaram da sua obra, de questões identitárias, de integração e de racismo. A novidade que a edição portuguesa trouxe para a iniciativa, porém, consistiu na participação de cantoras e de representantes de associações que trabalham activamente, no nosso país, para a inserção das minorias: houve intervenções de Beatriz Gomes Dias da Djass, Associação de afro-discendentes, de Shenia Karlsson, responsável de um dos nove Departamentos que compõem o InMune (Instituto da Mulher Negra em Portugal), e de Carolina Leão da Amucip (Associação de Mulheres Ciganas Portuguesas). A mesa contou também com a participação da oradora convidada Inêz Olundé da Silva, que veio de Bruxelas: artista, curadora, historiadora da arte, Embaixadora Voluntária pela embaixada do Brasil, Membro do CNAP-AIAP - UNESCO e dos grupos Fluxus e Youma Internacional de Mail Art.

 

Ao lado destas actividades, os dias 9 e 10 de Março, com organização de Adriana Mayrinck, decorreram na Biblioteca do Palácio Baldaya e se focaram especialmente na literatura e na produção cultural brasileira. As actividades de dia 9 viram a participação de Aline Cantia, presidente do Instituto Abrepalavra, Lídia Moura, com o Projecto Solidário Ser Mulher, e com a palestra de Maria João Cantinho, professora, crítica literária, escritora e directora da Revista Caliban.

 

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No dia 10, para concluir, houve o lançamento da Antologia Comemorativa Dia Internacional da Mulher - Mulherio das Letras – Portugal, com organização e selecção de Adriana Mayrinck, da In-Finita, que se ocupa de assessoria cultural, promoção e divulgação de autores e livros. O lançamento contou com a presença de escritoras que vieram do Brasil, entre as quais Beatriz Helena Ramos Amaral, Cacau Nascimento, Shirley Pinheiro e Anita Santana.

 

As organizadoras acreditam, ainda, na parceria, unicidade e integração e na força de várias vozes nas duas margens do Atlântico, unindo forças por um mesmo Movimento, o Mulherio das Letras, com um único objetivo, promover, divulgar e criar oportunidades de encontros sejam eles, tertúlias, saraus, oficinas, feiras, workshops, festivais, clube do livro/ circulo de leitura, antologias, para dinamizar e fortalecer o encontro entre autoras do Brasil e de Portugal. Afirmam, assim, as três organizadoras:
"Compreendemos que os movimentos de mulheres são um componente crucial para qualquer projecto de transformação radical da sociedade. Este evento é, portanto, pensado como uma política de irmandade, como um lugar de retomada de vozes silenciadas e uma ferramenta de discussão e difusão da produção artístico-cultural de autoria feminina."

 

Uma plataforma espontânea e colaborativa, que conseguiu trazer para a mesa a condição feminina, fomentando redes de interacção, colaboração e diálogo que prometem dar frutos no futuro. Esta a foi a ambição do I Mulherio das Letras – Portugal, esperando que muitos mais venham, visto o sucesso que a iniciativa teve, e celebrando os novos que nascerão ou que já estão a nascer, como o recém-anunciado Mulherio das Letras – Estados Unidos, que decorrerá durante a conferência da South Atlantic Modern Language Association, em Atlanta, de 8 a 10 de novembro de 2019.

 

 

No último dia de actividades - lançamento da Antologia Comemorativa Dia Internacional da Mulher. A antologia editada pela A In-Finita.

 

A antologia conta com mais de 120 autoras brasileiras e portuguesas, entre Poesia, Prosa e Conto. Organização, selecção Adriana Mayrinck. Entre as autoras, Beatriz Helena Ramos Amaral. https://tocaafalardisso.blogspot.com/2019/03/dez-perguntas-mulherio-das-letras_3.html?m=1

 

Mulherio das Letras Portugal é um grupo vinculado ao movimento Mulherio das Letras no Brasil. O grupo tem como objetivo reunir autoras, escritoras, pesquisadoras, jornalistas, editoras, produtoras, compositoras, designers e outras profissionais relacionadas à produção de literatura de autoria feminina e também leitoras. O objetivo do movimento é promover, divulgar e criar oportunidades de encontros sejam eles, tertúlias, saraus, oficinas, feiras, workshops, festivais, clube do livro/ circulo de leitura, antologias, etc, para dinamizar e fortalecer o encontro entre autoras do Brasil e de Portugal. 
O Mulherio das Letras é um coletivo de mulheres diretamente interessadas na expressão pela palavra escrita ou oral e ligadas à cadeia produtiva do livro.
O objetivo é proporcionar trocas entre mulheres escritoras e ligadas ao universo das letras, para que possam se fortalecer como pensadoras da contemporaneidade, sentirem-se acolhidas, fazerem trocas criativas e batalharem por metas a serem definidas em conjunto.
O movimento nasceu de uma conversa informal entre escritoras e já rendeu um I Encontro Nacional, em João Pessoa (PB), em 2017, que reuniu quinhentas mulheres em rodas temáticas de diálogos, saraus, lançamentos de livros, performances poéticas, durante cinco dias. Em novembro de 2018 aconteceu o II Encontro Nacional do Mulherio das Letras, no Guarujá, em São Paulo.
Discussões permanecem no grupo no Facebook, criado para livre expressão. Escritoras, mulheres envolvidas com a produção literária.

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Link do grupo: https://www.facebook.com/groups/601979220008314/

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Revista InComunidade, Edição de Março de 2019


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Colaboradores de Março de 2019:

HENRIQUE DÓRIA, Adán Echeverría, Adelto Gonçalves, André Nogueira, Artur Alonso, Augusto César, Berta Lucia Estrada, Caio Junqueira Maciel, Fabián Soberón, Fernando Maia da Motta, Gabre Valle, Gerardo Burton; Rolando Revagliatti, I Mulherio das Letras, Joel Henriques, Jorge Castro Guedes, Jorge Elias Neto, Jorge Miranda, José Ioskyn, Leila Míccolis, Luís Henriques, Luísa Demétrio Raposo, Maraíza Labanca, Maria Manuela Jardim, Marinho Lopes, Nayara Fernandes, Nuno Rau, Octavio Perelló, Ricardo Alfaya, Ricardo Ramos Filho, Rocío Prieto Valdivia, Thiago Ponce de Moraes, Zetho Cunha Gonçalves


Foto de capa:

'Frevo', Cândido Portinari, 1956


Paginação:

Nuno Baptista


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