ANO 5 Edição 77 - Fevereiro 2019 INÍCIO contactos

Paulo Nilson


O dia em que fiz Paulo Freire choirar    

No início dos anos 80 conheci o professor Paulo Freire.

 

Já tinha colaborado com desenhos e montagem de páginas para cadernos de alfabetização de adultos para a Universidade Federal de São Carlos, onde minha mulher iniciou pós-graduação em educação. Descobriram que vários funcionários eram analfabetos. Pessoas humildes, trabalhadores e trabalhadoras braçais que labutavam na lavoura, pois lá tinha também curso de agronomia. Era uma enorme contradição, e foi iniciado um curso de alfabetização, usando o método Paulo Freire. ("Paulo Freire desenvolveu um método de alfabetização baseado nas experiências de vida das pessoas. Em vez de buscar a alfabetização por meio de cartilhas e ensinar, por exemplo, “o boi baba” e “vovó viu a uva”, ele trabalhava as chamadas “palavras geradoras” a partir da realidade do cidadão. Por exemplo, um trabalhador de fábrica podia aprender “tijolo”, “cimento”, um agricultor aprenderia “cana”, “enxada”, “terra”, “colheita” etc. A partir da decodificação fonética dessas palavras, ia se construindo novas palavras e ampliando o repertório. O método Paulo Freire estimula a alfabetização dos adultos mediante a discussão de suas experiências de vida entre si, através de palavras presentes na realidade dos alunos, que são decodificadas para a aquisição da palavra escrita e da compreensão do mundo." https://www.geledes.org.br/metodo-paulo-freire-de-alfabetizacao-as-lembrancas-emocionadas-da-1-turma/?gclid=EAIaIQobChMI-86-6vOw4AIVhxCRCh2uSAl1EAAYAiAAEgK5PPD_BwE)

 

Uma frase dita por um aluno do curso era, foi esta constatação: “O lápis é mais pesado que a enxada”.

 

Em São Paulo, onde morava, fiz o logotipo do Vereda (ONG que ele orientava, coordenada com Vera Barreto), que levei para o apartamento de Paulo Freire. Mostrei o desenho e expliquei minha motivação para desenvolver a forma. Ele se emocionou.

 

Também colaborei na arte das publicações dos Cadernos de Alfabetização Popular, publicados pela ONG. Na inauguração do Vereda fui encarregado de cuidar da churrasqueira. Levei carne à mesinha onde o professor estava, ao lado de Paul Singer, a quem fui apresentado por ele. Foi a última vez em que o encontrei. Esses desenhos são dessa época.

 

Trabalhei em jornalismo, como ilustrador na Veja, depois ilustrador e capista da IstoÉ. Ilustrei por bastante tempo na Superinteressante, como colaborador, onde conversei com André Singer, que era o editor. André foi porta-voz de Lula, no primeiro mandato, de 2003 a 2007.

 

Tenho ilustrado muitos livros didáticos, para várias editoras do Brasil e Portugal.

 

Mais sobre minha vida e trabalhos no meu site: http://paulonilson.com.

 

Atualmente estou empenhado em desenvolver minha carreira artística. Ilustro há 40 anos, mas pinto há mais de 50, desde os 11 anos. Apresentarei trabalhos que fiz durante e após o Caminho de Santiago, numa exposição chamada "De Santago a Toledo - Abrindo os Caminhos", em que reflito sobre a convivência pacífica e altamente criativa entre culturas diferentes mas não necessariamente antagônicas. Fui inspirado pela visão de Roger Garaudy, a quem encontrei em Campinas, São Paulo, na época em que estudava Arquitetura e Urbanismo. Os trabalhos que apresentarei estão no meu Instagram: https://www.instagram.com/paulonilson/.

 

Recentemente conheci Sônia Bone Gajajara, uma grande líder, e desde então, estou empenhado na luta de apoio aos povos indígenas.

 

Tenho, ao longo da vida encontrado, de forma inesperada, grandes heróis a quem tenho a honra de servir e colaborar.

 

"Muitos se orgulham dos livros que escreveram. Eu me orgulho dos livros que li."

 

Jorge Luis Borges)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Paulo Nilson: Artista plástico

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Revista InComunidade, Edição de Fevereiro de 2019


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Foto de capa:

Quadro de Ismael Nery, 'O encontro', de 1928


Paginação:

Nuno Baptista


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