ANO 5 Edição 75 - Dezembro 2018 INÍCIO contactos

Eliana Mora


Poesia IV

A vida quando vem 


É flor,
é oásis.
Tudo tem suave som de cítara.


sem data

[Baú]

 

 

 

 

 

Vida


Por vezes nela penso como algo que tem asas 
unhas 
até dentes

Deusa
a quem nos vamos ofertar
e que ao transformar-se em obra-prima
torna-nos

escravos



sem data

Baú

 

 

 

 

 

Jamais o verdadeiro passo


Uma terra estrangeira
ganha espaço no ventre do meu corpo
como se meu país
não me quisesse mais


como se hoje
eu não mais me pertencesse
como se novo julgamento já temesse
porém ainda aqui eu estivesse
quase extraditada do meu ser

desejo ainda me fortalecer
saber como se faz
para apertar de novo aquele mesmo laço
e novamente conseguir
[como fez Shiva]
dar o primeiro e verdadeiro passo
na busca do país que já conheço

que está aqui
[dentro de mim]


julho de 2011

 

 

 

 

Sensações parabólicas

 

A luz do porto
parece que me hipnotiza
fica parada
com pensamento fixo
e ali
toda minha vida
armazenada num container
se esconde da luz

E o porto
impávido
continua a deslindar

segredos

 

01/11/2018

 

 

 

 

 

 

A loucura do Maestro


teclados rubros de paixão 
dor e saudade
lua enorme a clarear o céu 

muito 
para uma mulher que faz poesias 

pouco 
para um homem que prefere notas


[ainda que sejam as musicais]


25/01/2011
[Baú]

 

 

 

 

 

 

Boneca de Cera

 

Ao derreter-me ali
sob teu corpo
a escorrer de mim qual vela a arder no fogo
vivifiquei-me em ti

pedaços meus em gotas a doar
bagaços de uma luz aleatória,
ambígua

e no entanto ainda eu:
tanto para a morte
quanto para a Vida.

 

11/11/2008
Baú 

 

 

 

 

 

 

Novamente a Vida



Clamor
estética de todos os quereres


a rasgar o semblante que espelha a alegria
entorna em si
a lágrima que não cai mais
a atropelar a dor
e a ansiedade
e
num conjunto quase imediato
de certezas
restitui a graça e a beleza
dessa alma

que sofreu



08/6/2017


 

 

 

 

O céu pousou aqui    



escancarou meus olhos.
Então vi um sonho de amor
[lindo - a vestir utopia] 



22/1/2014

 

 

 

Eliana Mora nasceu no Rio de Janeiro, e teve a infância ‘embalada’ pelas músicas e poesias que seu pai compunha. Possui grau de mestre na “Arte de Dizer”, do Curso Olavo Bilac -, e em Jornalismo. Trabalhou em revista, rádio, televisão, e faz Assessoria de Imprensa. Promove seus próprios cursos de Voz e Interpretação de textos. Está no movimento modernista internacional Poetrix [MIP], e nas listas de discussão Escritas e Amante das Leituras: de escritos em língua portuguesa [poesia e prosa] Brasil/Portugal.
“Mar e Jardim”, com 152 poemas do período 1999/2002 -- é seu livro de estréia – de 2003. Tem seu espaço de Arte, Cultura e Poesia no endereço elianamora.com e liriodeserto.blogspot.com Hoje, com as redes sociais, fica mais fácil ler a poesia [com links para os blogs]. Exemplo: Facebook, Google+, onde atende pelo nome Eliana Mora [El].

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Revista InComunidade, Edição de Dezembro de 2018


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Henrique Dória, Adán Echeverría, Adelto Gonçalves, Alexandra Vieira de Almeida, Alicia Salinas ; Rolando Revagliatti, entrev., André Caramuru Aubert, André Nigri, Beatriz H Ramos Amaral, Caio Junqueira Maciel, Casé Lontra Marques, Cecília Barreira, David Sarabia, Eduard Traste, Eliana Mora, Fernando Andrade, Francisco Orban, Geovane Monteiro, Helena Barbagelata Simões, Henrique Dória, Ivy Menon, Jandira Zanchi, Jorge Bateira, Jorge Castro Guedes, José Antonio Abreu de Oliveira, Katyuscia Carvalho, Krishnamurti Goés dos Anjos, Leila Míccolis, Leonardo Almeida Filho, Lino de Albergaria, Luiz Otávio Oliani, Luiz Roberto Guedes, Maria Emília Lino Silva, Marinho Lopes, Narlan Matos, Ramon Carlos, Ricardo Ramos Filho, Rita Faleiro, Rocío Prieto Valdivia, Salomão Sousa, Silas Correa Leite, Taise Dourado


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Paginação:

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