ANO 5 Edição 74 - Novembro 2018 INÍCIO contactos

Jorge Castro Guedes


Testemunhos na primeira pessoa: um tear tecendo fios de luta e dor

Aqui procurarei deixar alguns testemunhos, cuja forma pessoal é um estilo e também verificação da substância encerrada neles, a única coisa que interessa verdadeiramente. Nem tanto para um hoje insensível a eles, mas para memória futura, caso a Humanidade ultrapasse a curva da auto-destruição.

 

EPISÓDIO 3: UM TEAR TECENDO FIOS DE LUTA E DOR

 

Obviamente que para muitos é preciso começar por dizer o que foi o TEAR e como ele se enquadrou na realidade do teatro português em geral e em especial no Porto e Norte nos idos de 1977 e nos 10 anos que se lhe seguiram.

 

Depois do Porto ter sido local de ‘passagem obrigatória’ das grandes Óperas Italianas e Operetas de produção nacional, no dobrar do século XIX para o século XX, após a passagem dessa Belle Époque, o Porto ficou um pequeno deserto, sem produção própria – apesar de o teatro lisboeta continuar a fazer o exame no Porto: assim o diziam os próprios actores dada a exigência do público. Só na década de 50 do século XX surge o Teatro Experimental do Porto, cujo êxito e reconhecimento nacional se ficou a dever à mão de António Pedro. António Pedro que foi depois banido por aqueles mesmos (ou melhor: uma boa parte deles) que o acolheram em triunfo antes e dele fizeram depois uma espécie de ‘auto-avejão’ (como se retirado do seu próprio quadro) numa tentativa de monopolizar o teatro no Porto, fantasmagorizando tudo que aparecia de novo. E foi o Teatro Moderno de Lisboa (o principal rival do TEP) quem o convidou para fazer aquela que seria a sua última encenação, com um texto de Shakespeare que, por mero acaso, o nome se tornou apropriado “Medida por Medida” (que em tradução livre bem podia ser “Olho por olho, dente por dente”).

 

Entre essas tentativas estiveram o Grupo de Teatro Moderno do Porto, inspirado em modelos alternativos aos realismo, a quem Redondo Júnior fora voz isolada a atribuir os méritos a essas estéticas vanguardistas, quase todas esquecidas ou relegadas para segundo plano em Portugal, como Appia ou Craig. Grupo de curta durabilidade, que actuou no Grupo dos Fenianos. Do qual me chegou aos ouvidos por terceiros que o viram, ter apresentado um extraordinário “Arlequim, Servidor de Dois Amos” de Goldoni; e que, isso sei-o eu directamente, era dirigido por Luís de Lima, que viria a ser um nome importante no teatro brasileiro, aqui desperdiçado. Bastante mais tarde, uma outra tentativa que cedo abortou foi o Grupo de Teatro Independente, dirigido por Angel Facio. Só a Seiva Trupe vingou, nascida nos finais de 1973, beneficiando não só da tenacidade dos seus fundadores, mas sobretudo da circunstância de surgir o 25 de Abril, mostrando pujança perante um TEP que declinara e murchara, ao mesmo tempo que, por via do seu engagement político não permitia ao TEP um combate feroz.

 

A partir daí, o ‘monopólio’ teatral no Porto (e mesmo Norte) teve como consequência, implicitamente uma espécie de ‘aceitação’ da Seiva Trupe na divisão de espaços da esfera pública entre as duas formações. Embora com atritos, o TEP apresentava-se, em declínio ainda maior, mas, beneficiando do seu passado de pergaminhos e antiguidade, com o maior apoio estatal de entre os grupos financiados. E lá ia prosseguindo um trabalho de raros altos, baixos frequentes e às vezes baixos profundos, para um público decrescente, mas mantendo, de facto, a única estrutura de companhia e com actuação regular no Porto. A Seiva Trupe começou por apostar na digressão, obtendo grandes êxitos de público e cada vez mais acentuando o seu lado político conforme os ventos que então sopravam. E, a partir do primeiro Fitei, passou a protagonizar essa espécie de ‘liderança bicéfala’, dada a inércia do TEP e de uma direcção do Círculo de Cultura Teatral (a formulação jurídica que enquadrava a companhia) que saberia tanto de bananas quanto de teatro, mormente na pessoa do seu omnipotente presidente: um ourives de nome Rigor!

 

A procura e luta por um espaço na cidade – outros espaços na cidade – eram prontamente desarticulados, sem olhar a grandes pruridos, independentemente dos seus posicionamentos, muitas vezes nada concorrenciais. É o caso flagrante do Teatro Laboratório do Porto, dirigido por João Coimbra, um discípulo grotowskiano, se assim se pode dizer, que não faria mossa aos caminhos pelos outros trilhados. A não ser na medida do ‘pavor’ da não absorção da totalidade dos subsídios reclamados para a “descentralização”, onde a Norte, pretendiam resumir ao Porto e no Porto aos dois grupos citados. É o caso, mais tarde, do Realejo, que acabaria por não durar muito tempo, mas, enquanto durou trouxe uma marca impressiva e diferenciada, dirigido por Victor Valente e agrupando não só o que tinha vindo do TUP, mas dos ex-esquerdistas da cidade. Mais tarde também representado por uma tentativa teatral-musical, onde preponderaram Isabel Alves Costa e João Lóio, mas que em verdade se quedou por uma experiência pontual – e mesmo assim não escapou aos ataques, com base em argumentação política rasteira… Aliás, tarefa de constituir novos grupos esbarrava em tantos escolhos, que momentos houve de quase desistência. Até o Colectivo Pé de Vento, dirigido por João Luiz, vocacionado geneticamente para a infância e juventude, sofreu de escárnio e marginalização.

 

A guerra sem quartel era tanta que, já depois do TEAR ter nascido e ter ido para o Porto (onde nasceu, mas de onde se ausentou para Viana do Castelo, constituindo-se simultaneamente como a primeira cooperativa de produção artística e de teatro profissional a Norte de Portugal), nunca descansaram aqueles que imaginaram que a cisão do TEAR com a criação de “Os Comediantes”, dirigidos por Isabel Alves e João Paulo Costa – que aplaudiram e incentivaram, embora nada tendo a ver nem com as causas da própria cisão, nem com o caminho trilhado pelo novo grupo surgido – poderia ser mais um trunfo. Obviamente que, mais tarde, também deles fizeram alvo, como já haviam feito com o Grupo Cena, que foi para Braga, passando a adoptar o nome de Companhia de Teatro de Braga, dirigida por Rui Madeira. Mais tarde o TEAR viria a decair, no seguimento dessa cisão também, mas sobretudo por outras razões a seguir explicadas, mas a semente lançada tornou irreversível a extinção da política de terra queimada, cujo aparecimento das Escolas de Teatro fez proliferar tantos grupos (em minha opinião até em excesso) que não mais era possível controlar tudo e todos…

 

Dito isto – e pelo que representou de ruptura definitiva com a política só nós dois é que sabemos, reconhecido artisticamente mesmo ainda em Viana e depois por pessoas que não só nele se não reviam e representavam entre si diferentes posicionamentos estéticos - o TEAR é um marco de um Porto teatral que com ele germinou na diversidade e cosmopolitismo. É por isso e pela importância disso que vale a pena ilustrar o de quão difícil foi fazê-lo nascer e sobreviver a primeira semana, o primeiro mês, o primeiro ano e assim sucessivamente. 

 

Comece-se por registar, de uma vez por todas quem foram os fundadores do TEAR num cartório notarial em Vila Nova de Gaia a 23 de Novembro de 1977: eu mesmo (director artístico e impulsionador da coisa), Isabel Alves (cuja importância não pode ser escamoteada no contributo que deu e mais tarde ela-mesma impulsionadora de “Os Comediantes” já referidos e, mais tarde, no lançamento da Academia Contemporânea do Espectáculo), João Guedes (um actor extraordinário dos seus 50’s no meio daqueles jovens rebeldes, que fizera furor nos gloriosos tempos do TEP de António Pedro e em Lisboa), João Paulo Costa (um dos jovens actores que dera nas vistas e que faria parelha na cisão), Laurinda Ferreira (que publicou, há não muito tempo, um estudo académico muito interessante sobre o TEAR, apesar de algumas pequenas imprecisões), Fernando Filipe (cenógrafo, que depois migrou logo de seguida para Lisboa), Luis Duarte e Mário Timóteo (dois actores vindos do Teatro de Amadores), José Moreira (técnico) e uma espectadora de teatro (Isabel Strecht), numa panóplia propositadamente representativa dos vários sectores do Teatro. Mais tarde vieram Moura Pinheiro (cenógrafo e figurinista) e José Prata (músico), a quem se junta também Deniz-Jacinto (chamando-me a mim e a eles, por graça, “a Santíssima Trindade do Teatro Portuense”!), homem de um saber imenso; e actores que, pelo seu empenho, continuidade e talento, muito contribuíram para fazer do TEAR um dos momentos de maior arrojo estético, e não só, nesses tempos, que ali começaram, como Clara Nogueira e Jorge Mota, além de técnicos e praticamente toda uma geração de actores e técnicos do Porto que acabou por passar pelo TEAR. E, infelizmente muito de passagem e numa altura em que o TEAR começara a perder gás, mas com interpretações soberbas, alguém que só porque a morte fez a traquinice de levar aos 30 e poucos anos, não fica como um dos maiores actores que Portugal teve: António Cruz.

 

O TEAR, porém, começou por anunciar que ia (e foi) radicar-se em Viana do Castelo. Mesmo assim o seu aparecimento foi uma terramotozinho. Porém, o cabo dos trabalhos foi quando, ainda em Viana, uma cidade então com 20.000 habitantes, conseguiu ter mais espectadores que os que habitualmente iam, nessa época, ao teatro no Porto, praticando os preços de bilhetes mais altos e uma política muito apertada em matéria de convites e mais ainda de borlas. E de cada vez que ia ele mesmo ao Porto, ultrapassava records, preços de bilhetes, êxitos consagrados, polémicas e, claro, ataques nos tais jornais. O que, entre outras coisas, permitiu que o correspondente de um jornal nacional do espectáculo fosse encarregado de me entrevistar para chamada de primeira página e me ter substituído em nome da grosseiríssima mentira que eu lhe recuara a entrevista! Facto que soube, tempos mais tarde, pela voz do Chefe de Redacção, em Lisboa, dessa publicação. Mas o momento mais tensor concluiu-se com estrondo quando a Delegação Regional da Secretaria de Estado da Cultura o convidou a instalar-se como companhia residente no Auditório Nacional de Carlos Alberto, onde (ainda radicado em Viana) conseguira a proeza de atingir um record ainda hoje por bater no teatro de reportório no Porto com a “Inês Pereira”: 20.063 espectadores; e que foi “Prémio Especial pela Renovação de um Clássico”. Logo ali alguns dos seus cr´ticos declarados viram (e hoje pode dizer-se: não estavam tão mal informados quanto isso) o perigo de se formar o embrião para a constituição de um Teatro Nacional no Porto (na altura o conceito de Teatro Nacional era mesmo de Teatro Nacional: quer dizer com uma Companhia estruturada e permanente). Nunca o confirmámos, mas também nunca o infirmámos inequivocamente!

 

Mas tantas eram as pressões que, uns tempos depois, Rui Feijó (então o responsável da Delegação Norte da Cultura) chama-me a dizer que “não aguentava mais essas pressões” porque lhe exigiam “os outros grupos terem igual acesso ao Carlos Alberto”. Propôs-me que as três companhias (também ainda havia algumas companhias) rodassem anualmente, o que declinei argumentando que era impossível estar a captar, fixar e formar públicos de 3 em 3 anos. Isso, a par da cisão de que já se falou, com a saída de duas pedras basilares naquele projecto, mais um ano a deambular sem espaço próprio e por fim a instalação numa sala-estúdio periférica que construiu a partir de uma garagem (o TEARTO, mais tarde re-baptizado como Estúdio Zero com “As Boas Raparigas”), anunciava o princípio do fim. Fim cuja última machadada foi dada pela Secretária de Estado da Cultura Teresa Patrício Gouveia, aconselhada por Mário Barradas, para “exigir” que TEP, Comediantes e TEAR se fundissem, o que o próprio sabia ser missão impossível por muitas e variadas razões que aqui não vêm ao caso, mas que., à distância, é curioso cotejar entre as partes o que dizia a uns e outros… Embora desse falhanço previsto, também o próprio não colhesse os frutos de que estava à espera: nomearem-no a ele como director do futuro Teatro Nacional de São João.

 

Eu saí nessa altura, chegado de um estágio no Théâtre National de La Colline, cansado, desgostado e descrente. E o TEAR ainda se arrastou ano e meio e acabou, como acabaram Os Comediantes. Mas a semente ficou e valeu a pena tudo quanto se passou e que vale a pena contar para ficar memória da coragem e vontade inabalável com que nasceu com Sangue, Suor e… Aos gritos! Desde logo porque, sendo, então, a maioria dos seus sócios-fundadores membros do PCP foi necessário criar na clandestinidade dentro do próprio Partido a companhia… A luta era tão tremenda que até houve quem comparasse o TEP a uma Unidade Colectiva de Produção (da Reforma Agrária) e os actores que de lá saíram para o TEAR seriam os tractores que faziam falta àquela UCP teatral! Foram reuniões tão turbulentas, em que até um cinzeiro de barro eu mesmo escaquei no chão para não perder a cabeça e o atirar à cabeça de um camarada. Que, mais tarde, ainda acabou por deixar o TEP e chegar a trabalhar no TEAR…

 

Mas o episódio mais ilustrativo da dureza disto tudo aconteceu no Restaurante Solar da Conga, onde um director do TEP me comunicou que a Costureira de Cena que tinham fora proibida de fazer o nosso Guarda-Roupa, argumentando que assim fora decidido porque a Mestra fazia, na altura, fora das instalações do TEP, vários fatos de cena para tudo quanto era Teatro e Dança no Porto. E esse facto diminuía a valorização do TEP na própria corrida aos subsídios (então vistos a jeito de uma Volta a Portugal na Roda dos Subsídios). Mas havia um contrassenso que punha o gato escondido com o rabo de fora. Argumentei que não compreendia porque não dava autorização ao nosso pedido, quando este era anterior a outro da Seiva, que fora autorizado. E me veio de resposta: “Isso é outra questão! Já sabes, o Júlio – director da Seiva – é meio-maluco e muito violento”. Ao que me vi na necessidade de, ali mesmo, partir um copo de fino na mesa, encostar-lho literalmente às carótidas (perante a imobilidade aterrada de todos os demais presentes, que também me achavam maluco). E acrescento: “Se a reunião da Direcção do TEP [dali a umas horas) não der a autorização, traço-te a garganta”.

 

Paguei jantar e copo, saí e fui esperar dentro das instalações do CCT-TEP. Bem me quiseram impedir de entrar, mas eu era associado e fui de Estatutos na mão, muito claros sobre o meu direito de entrada por estarem lá directores… No fim da reunião, comigo com outro copo de fino na mão, do alto da escadaria do gabinete onde a direcção reunia, foi-me dito, logo à saída, pelo mesmo poltrão: “Está autorizado, está autorizado”. Acreditem ou não, aquilo foi contra a minha própria maneira de ser até então (depois habituei-me e algumas vezes excedi-me), mas não nos deixavam outras alternativas porque não entendiam outra linguagem, nem eram capazes de ceder senão por medo.

 

Outro episódio ‘heróico’ dessa altura é quando, internamente no TEP, repetem a proibição ao carpinteiro da casa (o José Moreira, nosso sócio-fundador, como se disse) de fazer o cenário para o primeiro espectáculo do TEAR, inventando uma cláusula de exclusividade inexistente no contrato. E ele, calmamente, levanta o martelo para pregar uma ripa, engana-se e parte o seu próprio dedo indicador direito e diz: “Agora fico de baixa e faço o que quiser”. Saiu, teve obviamente baixa e, de dedo partido e engessado, fez o primeiro cenário do TEAR para as bandas de um armazém (semi-oculto) na Rua Justino Teixeira, onde entrava água quando chovia muito. Armazém onde, de resto, se fizeram grande parte dos ensaios do primeiro espectáculo do TEAR. A estreia foi no anfiteatro da Escola Superior de Belas-Artes, cuja direcção não cedeu a várias pressões que sofreu, diga-se ainda. Era a noite de 28 de Novembro de 1977.

 

Mas isto são coisas do passado. O TEP é hoje uma realidade completamente diferente e tomáramos nós que a Seiva Trupe-Teatro Vivo, nome com que se fundou, tivesse meios para dar seguimento a 45 anos de momentos melhores e momentos piores, mas um emblema que, de facto, conseguiu sobreviver entre tantas outras adversidades.

 

(foto: Fernanda Carvalho)

Jorge Castro Guedes é encenador

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