ANO 5 Edição 70 - Julho 2018 INÍCIO contactos

Cássio Amaral ; Rafael Nolli


Rafael Nolli: um poeta armado

Rafael Nolli é um poeta armado, equipado e bem articulado na sua construção verbal. Em seus poemas há forma e conteúdo  que se aliam à estética da boa poesia.
Nascido em Araxá no ano de 1980 é um leitor voraz, tem muita leitura e parte dessa leitura para a sua escrita. Professor formado em Letras e Geografia publicou  “Memórias à Beira de um Estopim” (2005, JAR Editora), “Elefante” (2013, Coletivo Anfisbena), “Gertrude Sabe Tudo” (2016, Gulliver) e “Ao Pé da Letra” (Independente, 2017).

 

Seus versos batem fundo, há um impacto ao lê-los, muita construção verbal, um pleno fazer poético. Leitor de Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira  e Fernando Pessoa tem no poema uma arma que dá origem ao seu primeiro livro “Memórias à beira de um estopim”. Há nele uma escatalogia, onde o homem revê sua condição e analisa a degeneração, por sua falsa “verdade absoluta”, pelo seu egoísmo e seu afã de propagar-se melhor que os demais.


Do livro “Memórias à beira de um estopim”


IX (22/12/03)

 

“O homem que fugiu de casa ontem passou pelo meu verso numa correria desatada – os cabelos desgrenhados, a roupa esfarrapada. Em seu ouvido, ainda ecoava a fome de seus filhos esquecidos em dois cômodos e um banheirinho fedendo urina, fezes e vômito. 

 

O homem que fugiu ontem de casa resvalou um olho cansado ao passar pelo meu poema – sua dor o levará a São Paulo, ou a outra grande cidade que fede a gás carbônico e vagina; o levará aonde disseram ser o dinheiro mais verde e o bolso menos fundo.

 

Ao homem que fugiu ontem de casa e que, por um momento, estacou-se diante desse poema, eu tenho apenas o meu respeito, nada mais; mas saiba que aqui também estou eu, escondido desde o momento em que fugi e resvalei com a fome dos que plantam, pescam e colhem a mesa que enfeita nosso jantar e produzem com suor e lágrimas o sono tranqüilo de nosso vizinho...”

 

Em seu segundo livro de poemas “Elefante” lançado em 2013 de forma artesanal (cartonaria), feito pelo próprio autor pelo seu Coletivo Anfisbena há uma riqueza  de imagens fortes, também que nos impressionam pela sua rica observação do mundo, com inferências e referências à geografia, à história, a autores e vários artistas. As imagens são muito fortes onde o corpo do poema é sutil, apolíneo, mas a sua essência se torna dionisíaca por natureza, como no poema 1- Criogenia:

 

b) Ötzi, o Homem do Gelo 

 

Resta o corpo imolado
guardado nas entranhas
dos Alpes Ötzal                                 

 

Oferecido em hecatombe
a montanha –
que tem os seus caprichos –
guarda intacta a oferenda

 

A dieta de raízes
& os ossos de um mamífero               [Ochotonidæ] 
revelam seu cardápio final

 

O imenso freezer preservando
as tatuagens, a cor dos olhos  [primeira cor na escala de Martin Schultz]
a artrite                                                 [Borreliose de Lyme]

 

para que o Aquecimento Global
ou um alpinista o resgate
– Lázaro –                                [אלעזר]
de volta à luz dos holofotes

 

* do livro Elefante, Editora Anfisbena, 2012

 

Seus versos são de um artesão da palavra, de um poeta pronto, como disse Fabiano Calixto na apresentação do livro: “Pois Nolli não é um calígrafo, mas sim um poeta & um poeta está sempre afim de outras coisas, de outros caminhos”.

 

Seus outros livros são infanto-juvenis. Em 2016 publicou “Gertrude Sabe Tudo” (Editora Gulliver), uma história de uma menina (Gertrude)  que é incomum por ser muito  inteligente e gostar de livros, de aprender e de estudar e é rejeitada pela sociedade.  Em 2017 publicou “Ao pé da Letra” (Independente). Uma menina (Dorothy)  com síndrome de Asperger que enfrenta uma série de dificuldades na escola, devido à sua condição.


Rafael Nolli tem textos e poemas publicados em vários sites e blogs.


Contatos:
http://rafaelnolli.blogspot.com/
E-mail: nolli@bol.com.br
Twitter: @nollirafael

 

 

 

 

ENTREVISTA


1- Por que se faz literatura?


Por mais simples que possa parecer, essa questão é dificílima de ser respondida! Realmente não saberia respondê-la. Não há algo programado, ou um motivo explícito, fácil de ser apresentado. Creio que seja o mesmo que perguntar para um jogador por que ele joga futebol – certamente ele responderá que o faz por que gosta. Mas será que a resposta é tão simples e direta assim? Se for, ótimo, há algo de bonito nisso: “faço literatura por que gosto”. Como o jogador gosta de jogar e de assistir campeonatos, comprar álbuns de figurinhas, usar camiseta oficial do time do coração, etc, eu gosto de escrever. Porém, como disse, duvido muito que a resposta seja essa. Há muita coisa envolvida, que move o garoto a gostar de futebol e sonhar em ser jogador profissional; há muita coisa envolvida que move alguém a se tornar escritor. Poderíamos até pensar mais profundamente na questão e ampliá-la: por que fazer literatura em um país onde o fazer literário tem pouco espaço na mídia em geral? Por que fazer literatura em um país onde o número de leitores é escasso? Há pesquisas apontando que 74% da população nunca comprou um livro. Estariam eles lendo na internet, esse meio revolucionário de acesso à informação? Mais de um terço de todo o conteúdo na internet é pornografia, 35% de todos os downloads são materiais pornográficos. Em 2017 um levantamento apontou que entre os gostos dos brasileiros em usar a internet, baixar um livro ficou em último lugar (com 7% do total). Nem vamos entrar no mérito e analisar quais livros são os mais baixados no país, pois seria deprimente. Com certeza, posso afirmar, diante desse cenário, que não escrevo para ser lido, pois isso, infelizmente, é uma enorme utopia. Creio que poderia responder dizendo o porquê não faço literatura. Na dificuldade de encontrar uma resposta satisfatória, fico com a resposta mais simples possível: escrevo, faço literatura, por que gosto.


2- Seu último livro “Ao pé da Letra” é diferente do “Gertrude Sabe Tudo”? Como pode defini-los?


Meus dois livros voltados para o público infanto-juvenil mantêm uma relação de proximidade. O plano desde o início era construir uma trilogia, com três personagens femininas no centro das ações. Os livros se passam num mesmo universo, onde personagens se misturam, mostrando que toda a trama está interligada. No terceiro volume, que espero publicar no próximo ano, fecho a trilogia promovendo o encontro das duas protagonistas das obras anteriores: Gertrude (do livro “Gertrude Sabe Tudo”) e Dorothy (do livro “Ao Pé da Letra”). Então posso dizer que a diferença entre as duas primeiras obras existem no sentido que contam histórias diferentes, porém, se interligam havendo pontos de conexão. A primeira história conta a saga de uma leitora apaixonada que tem o seu direito à leitura negado pela família e pela escola, sendo uma metáfora para esse momento em que vivemos onde se dá mínima importância aos livros. A segunda história narra a vida de uma menina especial, portadora da Síndrome de Asperger, que enfrenta uma série de dificuldades na escola, devido à sua condição. São livros muito próximos, com diversos pontos de afinidade, mas que se sustentam independentemente, por tratarem, cada qual, de assuntos específicos, mas no plano geral se complementam e se interligam de várias formas.


3- Qual na sua visão é o lugar da prosa e da poesia hoje em dia? Por que as pessoas dizem que adoram poesia, mas não compram livros de Poesia?


A prosa tem muito mais espaço para publicação, tem um público maior, maior aceitação da mídia. É um estilo mais rentável, logo as editoras demonstram muito mais interesse em publicar (ou talvez por isso seja um estilo mais rentável...). A poesia sobrevive fora do grande circuito comercial, com pouco espaço em editoras, jornais e revistas – e muito poucos leitores. Creio que isso se dê, em partes, por a prosa ser no geral mais fácil e palatável. A poesia é exigente, pede do leitor mais do que algumas horas de leitura, pois pressupõe uma escrita mais elaborada, onde há camadas de significados que precisam ser decodificados através da reflexão; a poesia quase sempre trabalha com algo que não está na superfície mais visível, seja através das metáforas, das comparações, etc. A poesia, quase sempre, apresenta significados que só são perceptíveis quando relidos, ou quando analisados mais profundamente (e essa análise se dá com uma nova leitura, ou com diversas leituras; essa análise se dá com estudo). Dessa forma, a poesia fica relegada a um público mais restrito: vivemos em um mundo apressado, onde tudo deve ser rápido, mastigado, pronto para o consumo. Nessa linha, gosto da prosa que foge do básico e é exigente. E é bom frisar bem, a prosa mais ousada, mais inventiva, tem o mesmo lugar da poesia, ou pelo menos um lugar muito próximo a ela, com poucos leitores e poucas possibilidades de publicação. Claro, posso estar generalizando, o que nunca é bom, mas se for parar para pensar, lê-se muito pouco no Brasil, como já falamos anteriormente, mas lê-se muito menos – nessa situação desoladora – poesia e prosa inventiva. 


4- O que lhe chama a atenção na produção literária hoje do Brasil e do mundo? Cite os autores, se quiser que você gosta.


O que mais me atrai na produção literária hoje é a variedade de estilos, a quantidade enorme de autores. Citar alguns nomes seria algo impensável agora, diante da quantidade de pessoas produzindo obras que me agradam! Seria injusto com os que ficariam de fora, por presa ou esquecimento! Nesse sentido, posso afirmar que o que mais me chama a atenção, como leitor, na atual produção, é a grande gama de autores buscando um lugar ao sol, se esmerando para fazer o melhor, rompendo barreiras entre a prosa e a poesia, criando novos caminhos na forma de contar histórias.


5- Quais os livros recentes que leu que mais te chamaram a atenção?


Tenho sido um leitor cada vez mais exigente, sem, no entanto me fechar em um único estilo. Estou de olho em todas as vertentes, da poesia às histórias em quadrinhos. Assim, tem me chamado a atenção gente demais, em mundos diversos! Há ainda um problema sério: com a facilidade de acesso – advinda com a internet – criou-se uma possibilidade de leitura muito ampla de coisas novas, mas há ainda milhares de clássicos a serem lidos!  Por exemplo, no mundo dos quadrinhos, cada vez mais se produz obras voltadas para leitores maduros, que foram crianças interessadas em gibis nos anos 80 – muita coisa ótima sendo publicada nessa praia (inclusive no universo dos super-heróis); no mundo da poesia, as redes sociais possibilitaram um contado direto entre leitor e escritor, havendo diariamente dezenas de poemas novos para serem lidos na timeline (tenho quase cinco mil amigos no facebook, creio que 1/3, poetas); e assim por diante. No sentido mais clássico, posso dizer que o último livro que me chamou muito a atenção foi “O Filho de Muitos Homens”, do Valter Hugo Mãe. Mas tenho uma lista enorme de livros preferidos, uma lista para romances, outra para contos, outra para poesia, outra para quadrinhos adultos, outras para quadrinhos de super-heróis, outra para ensaios, etc...


6- Fale das cenas de literatura que são interessantes no atual momento para você.


Vejo uma cena dispersa, pulverizada em centenas de pequenos grupos, quase sempre orbitando em torno de sites, revistas, jornais, saraus,  editoras. Com o advento da Internet, as correntes literárias são quase as mesmas – o que podemos chamar de poesia contemporânea – mas espalhadas em pequenos nichos que sobrevivem em uma espécie de retroalimentação.  No meio dessa centena de pequenos grupos há muita coisa boa sendo feita, muitas iniciativas louváveis de produção e divulgação. A cena atual não tem ainda uma cara muito definida, ou se tem ainda não a percebi. O número de poetas é assombroso: uma parte faz parte da cena que me parece mais atrativa, a cena underground. Creio que nunca tenha existido um número tão grande de poetas e escritores no país. A evolução digital favoreceu esse boom. No meio dessa multidão muitos grupos interessantes, orbitando em torno de um ou dois poetas de real valor. É uma cena enorme, sem igual e creio que sem precedentes no país. 


7- Sua experiência de professor ajuda na construção de sua literatura? Como?


Para um escritor, tudo é experiência. A história da literatura nos mostra que não há uma profissão ou ocupação melhor para um escritor. Com certeza, no meu caso, o contato diário com os alunos me ajuda muito, sobretudo por me manter ligado ao que tem de novo acontecendo. Ajuda também por ser uma profissão que exige estudo da realidade imediata, da atualidade, o que é enriquecedor. Por outro lado, ser professor toma um tempo muito grande, pois além dos períodos em sala de aula, há muita burocracia envolvida, muito trabalho a ser feito em casa – elaborar e corrigir provas, lançar notas, manter portal atualizado, etc. Se o salário fosse bom, seria possível ter menos aulas por semana, o que diminuiria significativamente o volume de trabalho extra, “sobrando” um tempo para se dedicar à escrita. Dessa forma, ser professor muitas vezes é um problema para o escritor, pois o tempo para a escrita se torna cada vez menor, o que é um problema!


8 - O livro papel vai extinguir com a internet? Como vê a relação do mercado editorial e os autores independentes hoje?


Não. Nesse ponto, hoje sou categórico. Quando os primeiros pdfs surgiram, ficou no ar a certeza de que o livro físico seria suplantado por essa nova plataforma. No entanto, os leitores digitais nunca conseguiram convencer parte significativa dos aficionados por leitura. Os dispositivos de leitura feitos exclusivamente para essa finalidade solucionavam o principal problema, que é a luz emitida pela tela – do celular, do noteboock do PC. Essa luz cansa as vistas e torna a leitura pouco dinâmica. Mas os dispositivos não emplacaram por diversos motivos, por exemplo, não leem quadrinhos e são limitados quanto a imagens – e ainda são caros. Como contrapartida, a cada dia temos livros impressos mais bonitos e bem feitos enquanto objeto.
Dessa forma, acredito que as duas formas de leitura conviverão pacificamente: a ideia inicial de que os livros estavam com os seus dias contados já não assusta mais ninguém, as duas modalidades de leitura seguirão existindo, sendo os dispositivos eletrônicos uma nova forma de leitura que ainda tem muito que melhorar para não desaparecer. Os números mostram que muitos poucos leem e-books apenas. Muitos escritores apostam no meio digital com muitas ressalvas, pois os leitores são poucos e as facilidades de piratear o material é ampla e de fácil acesso. Os e-books são ótimos como forma de divulgação para escritores que não conseguiram uma editora ou não conseguem bancar uma impressão – que é caríssima, diga-se de passagem. Poderíamos até mesmo refletir sobre o pouco interesse do público em geral e sobretudo da mídia por livros que foram publicados somente de forma digital, havendo um desprestígio que ainda não foi superado, relegando o livro digital a um segundo plano de importância.
Pessoalmente, tenho mais livros no meu celular do que nas prateleiras da minha casa, e olha que minha biblioteca hoje tem 2000 volumes, ocupando um quarto inteiro. Sou um entusiasta dessa forma de leitura nova – para livros e quadrinhos – mas não abro mão de ter o livro físico comigo, por uma questão de costume, de estética e, por que não, de colecionismo.


9 - Qual sua relação com o poeta Ricardo Wagner?

 

Conheci o poeta Ricardo Wagner na adolescência, nos anos 90. Conversávamos muito sobre arte, pois tínhamos muitos interesses em comum – música clássica e heavy metal, pintores surrealistas e dadaístas, etc. Chegamos a montar uma banda na metade dos anos 2000, que infelizmente não sobreviveu a dois ou três ensaios – uma banda de Death Metal. Sempre mostrávamos um para o outro o que estávamos escrevendo, havendo uma troca interessante de conhecimento que me ajudou muito a fortalecer meus conceitos sobre poesia. Numa primeira fase ele tinha interesse quase exclusivo por poetas clássicos, românticos e sobretudo simbolistas. Num primeiro momento essa era a sua inspiração primordial; posteriormente ele deu uma guinada para o concretismo, lendo e estudando muito a respeito. Acompanhei Ricardo por essas fases, o que me favoreceu muito – sendo um período de muito aprendizado, sobretudo por eu estar quase sempre ligado ao modernismo – Drummond e Bandeira, poetas que ele não dava muita bola. Esse contato me ajudou a ver outras tendências, compreender melhor outras nuances. Em todo nosso contato, Augusto dos Anjos foi uma forte presença em nossas conversas. A morte do poeta, de forma prematura, com apenas 3 livros publicados, foi uma perda de valor inestimável para mim e para a literatura, com certeza.

Cássio Amaral.
Nasceu em Araxá-MG em 1973. Professor de História.  Autor dos livros  de poesia: “Lua Insana Sol Demente”-2001, “Estrelas Cadentes”- 2003, “Sonnen”-2008,  “Enten Katsudatsu”- Haikais  E-book (Germina Literatura) - 2010 “Faísca”- 2014 e “Milenar” – 2016.

Rafael Nolli, poeta. É autor de Memórias à Beira de um Estopim (2005) & Elefante (2013) e os infantojuvenis Gertrude Sabe Tudo (2016) e Ao Pé da Letra (2017).

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Revista InComunidade, Edição de Julho de 2018


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Colaboradores de Julho de 2018:

Adán Echeverría, Adelto Gonçalves, Alexandre Brandão, Alice Macedo Campos, André Balaio, Caio Junqueira Maciel, Carlos Juárez Aldazábal ; Rolando Revagliatti, Carlos Matos Gomes, Carlos Pessoa Rosa, Cássio Amaral ; Rafael Nolli, Cinthia Kriemler, Cláudia Cassoma, Cruzeiro Seixas ; Rui Sousa, Denise Bottmann, Diliamny Hernandez, Eliane Potiguara, Fabián Soberón, Fernando Aguiar, Fernando Rocha, Fiori Esaú Ferrari, Gociante Patissa, Henrique Dória, Hermínio Prates, Jennette Priolli, José Pascoal, Jussára C. Godinho, Leila Míccolis, Leonardo Almeida Filho, Leonardo Bachiega, Luís Pedroso, Lysley Nascimento, Marcus Groza, Marinho Lopes, Moisés Cárdenas, Paulo Kauim, Ricardo Ramos Filho, Rosângela Vieira Rocha, Sofia Freire d’Andrade


Foto de capa:

Cruzeiro Seixas | 'Longa viagem ao mundo das palavras azuis'


Paginação:

Nuno Baptista


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