ANO 4 Edição 68 - Maio 2018 INÍCIO contactos

Fabián Soberón ; Will Moritz, trad.


O instante

MANSILLA E PROUST

 

   Mansilla conversa com Proust. Estão sentados num café de Paris. Marcel estende a mão e tira uma moeda plana, imarcescível. O argentino observa-o, segue cada um dos gestos e fala em um francês invejado por todos. Cita uma conversa no clube das quintas-feiras e lembra-se de uma história à beira do rio Paraná. Mansilla dialoga com Proust. Estão sentados um diante do outro. E os dois sabem que ocuparão um lugar na memória dos outros.


   Sobre a cama, Lúcio Mansilla recorda o encontro com Proust. Agora está sentado ao lado da pequena janela de um barco que o leva, por enésima vez, da Argentina à Europa. É a última viagem e não sabe, mas já decidiu que vai deixar a política nas cinzas do esquecimento.


   Em sua memória brilham os anos e os amores de Paris. Soam, pletóricas, as estantes douradas das bibliotecas e o barro vermelho do rio Paraná.


   Agora está sozinho. A cor inapagável da água infiltra-se pela janela. E Lúcio sente que sua vida está perto do fim. Lembra-se, talvez como ecos difusos de uma marcha infinita, do tom de diálogo do general Juan Manuel de Rosas. O país é outro e seu tio é o velho farmer entregue à neve da Inglaterra. Atrás ficaram os anos entre os índios da nação Ranquel e a invasão temível e os passeios intermináveis ao pó do campo.


   Antes de descer do barco, Mansilla pensa que não conseguiu transcender entre os políticos. E isso lhe dói. Sente o aço nos pulmões. E não sabe que os novos séculos lhe darão outro prazer, menos público e menos malandro. Proust tomou o tom íntimo e conversacional de seus escritos e essa herança salva-o da máquina mesquinha do esquecimento.


 

 

 

O ENCONTRO

 

   O capitão Fitz Roy e o jovem naturalista desembarcam juntos no porto de Buenos Aires. Charles Darwin tem vinte e dois anos. Espera-lhe uma reunião com o general da cidade. Disseram-lhe que o governador é um homem rude e pontual. O jovem inglês não quer contrariar o humor irascível do governador. Despede-se do capitão, entra no quarto da pousada e acomoda, rapidamente, os seus pertences. Quer agilizar sua partida.


   Às oito sai da pousada e atravessa as ruas que o separam de Rosas. O general espera-o receoso. Disseram-lhe que um jovem explorador inglês deseja conhecê-lo. Disseram-lhe que esse jovem percorreu as misteriosas águas da Terra do Fogo. Disseram-lhe que não há na Argentina um naturalista que tenha viajado pelas distintas regiões do mundo como esse inglês.


   Desconhecem as feições um do outro. A reunião é às nove. Darwin chega pontualmente. Rosas recebe-o com prazer.


   O governador estende a mão e cumprimenta-o com seu inglês perfeito. Darwin, que ainda não sabe que escreverá A origem das espécies, cumprimenta-o com timidez. Sentam-se. Conversam, sem tradutor, durante pouco mais de uma hora. Darwin confessa a ele suas impressões sobre os índios do sul. Rosas fala de sua paixão pelos cavalos e de suas terras na Patagônia. Ambos supõem que este encontro não se repetirá. Ambos acreditam que este encontro não será útil para ninguém.


    Enganam-se.


    Rosas conta, dias depois, a seus amigos, o acontecido nessa hora. E o jovem da Inglaterra comenta, em seu diário, o aspecto e os modos do governador. Mas nem Rosas nem o inexperiente inglês sabem que o homem com maior poder na Argentina será o esquecido farmer. Ninguém suspeita que o jovem Charles Darwin mudará a história da ciência poucos anos depois.

 


 

 

AÑATUYA

 

   O deserto de sal cobre o horizonte. Os animais dispersos arquejam no vazio. O sol queima as caras esquálidas dos touros e amontoa as crianças nas raras sombras das árvores raquíticas.


   O trem chega lentamente à estação de Añatuya. Não é pontual o trem. Descem poucos homens. Um deles é Roberto Arlt. Está com roupas soltas, um cigarro na mão e o caderno de notas desalinhado. Ainda não sabe que vai escrever para El mundo. Mas já sente o ardor nítido da pobreza nas pupilas celestes. Atravessa as escadas e pisa, em silêncio, a terra branca. O calor abraça-o aos bofetões e a fome é um grito enorme nos cantos da estação. Arlt observa o deserto e lembra-se, impensadamente, dos solos áridos da África.


   Ao percorrer as roças, percebe que a água é uma débil miragem. As vacas, as crianças, os olhares das crianças, as árvores: tudo é um reflexo arredio da seca.


   As pessoas que esperavam por ele levam-no ao hotel. Já na primeira noite Arlt não dorme tranquilo. Um punhal acorda-o: o desespero do povo desnutrido.


   No dia seguinte, um carro transporta-o pela mata rala de Santiago. Os espinhos e a dor nos olhos achatam seu olhar. O sol, teimosamente, queima a felicidade das gentes. Arlt desce, incansavelmente, do carro. Conversa com as professoras, com os velhos, com os políticos, com os doentes.


   Quando o crepúsculo ameaça com suas armadilhas, oferecem-lhe retornar ao hotel. E Arlt não aceita. Quer dormir perto da fome e das estrelas. Essa noite ele dormirá numa choça, ao lado do excremento dos cavalos, sobre o sal espinhoso da mata.

 

 


 

HUGO FOGUET

 

   O homem está sentado e vira as páginas sépias do grande diário de bordo. Apanha um cachimbo e lança a primeira baforada da tarde. O imenso azul do mar murmura entre as engrenagens precisas das máquinas. Pensa nos relógios diminutos da sala. Controla, paciente e só, as réguas antigas. Há dias um pensamento tem atravessado sua memória. Está obcecado com um capítulo do romance. Em Tucumán, a milhares de quilômetros, descansa o poeta da ficção e da realidade.


   Levanta-se da cadeira. Para ao lado da janela. Observa o azul pela enésima vez. Percorre, em sua mente, as ondas brancas e as ruas de todas as cidades do mundo. Mas há uma que não o deixa dormir. E não sabe que as páginas de seu livro serão as ruas de um jardim tropical.

 

 

 


 O FLÂNEUR  

 

   O escritor viaja em um barco a vapor. As ondas e as nuvens cobrem a linha tênue do horizonte. Iracundo, deixou no ar do Chile palavras vorazes sobre o déspota do pampa.


   Após meses entre a água salgada e a careca incipiente, desembarca na terra vermelha do velho mundo. Não sabe o que o espera. Que viajante conhece os milímetros do mapa do futuro? Orgulhoso, passa dias anotando o que observa. Seus olhos transformaram-se em uma lupa branca que capta a fragilidade do instante. E a ansiedade obriga-o a ver a cor das coisas como um cristal que participa da fugacidade.

 

   Em Paris, caminha, ansioso, desmontando as vitrines e as vielas. É o flâneur antecipado do trópico sul. É o Walter Benjamin da América do Sul. Uma ponte, logo outra e as luzes do Sena indicam-lhe que tudo escurece. O cansaço avermelha seu rosto e uma dor aguda penetra em seus ossos.


   Está nervoso. Carrega um livro debaixo do braço e sabe que seu destino depende dessa noite e da letra do outro. O maduro Sarmiento carrega o novíssimo Facundo debaixo do braço. E dentro de poucos minutos se encontrará com um leitor francês. Por isso percorre as calçadas como um maníaco e seu rastro grava um círculo de ferro no barro das ruas.

 

   Já está na entrada da casa. Ficaram para trás a escuridão gelada, a água turva do rio e o brilho das estrelas. O senhor Charles Mazade convida-o a entrar. Sarmiento cumprimenta-o e entrega-se, sem mais delongas, ao olhar cego do futuro.

 

 

 


CÁNDIDO LÓPEZ
 

   Pelas manhãs, no pequeno cômodo, pinta uma imagem de naturezas mortas violetas e xícaras brancas.  Pelas tardes, escreve, nos cadernos trapaceiros, a descrição minuciosa da paisagem. Todos os dias, durante o crepúsculo, pinta um pedaço de tela próximo das exigências da guerra. Como um obsessivo, como um psicopata, como um miniaturista holandês do século XVI, desenha o mapa minúsculo da batalha.


   Apesar dos muitos anos de ofício, acredita que é um soldado. Sente que sua tarefa mais profunda é servir à pátria.


   Num dos dias da guerra, sob a ordem irrenunciável de seu general, caminha em direção à tropa inimiga. Uma granada corta-lhe a mão. Dolorosamente, cai no chão. Sangra-lhe o braço enquanto olha, involuntariamente, para o braço e para o céu. Vê que os galhos fugidios formam a paisagem negra da dor. Do jeito que pode, faz força e fica em pé.


  Dá uns passos curtos. Poucos metros depois a tontura o envolve e ele torna a cair. Um soldado ajuda-o, mas uma outra granada mata o soldado. López, entre a névoa e o cheiro da pólvora, vê ao longe o general Bartolomé Mitre, sereno, sobre seu cavalo branco. E essa imagem tranquiliza-o. Essa imagem é a última que vê.

 

 
    

 

JOHN WILLIAM COOKE

 

   Não consegue deter a compulsão. Uma noite, sozinho, com a barriga enorme, caminha com dificuldade, olha para todos os lados e cumprimenta o garçom. Aproxima-se do balcão circular e tira um charuto preto. Com a graça de um dandy sul-americano, pede um whisky. Bebe até o final o líquido dourado. Joga um pouco e logo desaparece


   A visita ao cassino repete-se. Alguns finais de semana depois, todos já o conhecem, até o esperam.


   Uma semana depois ele entra com os amigos. Com muito dinheiro. Esses dias recebeu o salário. Joga a noite toda e perde até o último centavo. Pede fiado. Só porque é você, diz o gerente. E fazem fiado. O gordo começa a suar e perde tudo de novo. Depois se esconde no quarto interno. É o quarto preparado para os arranjos, arranca-rabos e propinas. Todos os cassinos têm um. O gordo cheira pó. Depois sai tonto, com os olhos perdidos, como um elefante com sono. Nessa noite ele é procurado por gente do governo. Aparecem dois brutamontes às seis da manhã. O gordo está jogado num sofá, drogado e dormindo. Eles o carregam nos braços. Ele diz frases desconexas e mexe os braços no ar com os olhos fechados: não se entende nada. Os homens o colocam em um Ford Falcon preto e o levam. 

          
   Antes do fim, John William Cooke viaja a um hotel de Pocitos, no Uruguai. Pede o quarto. O hotel, decrépito, está vazio. O gordo entra no quarto e cheira pó. No meio do êxtase e da doideira, senta-se ao lado da mesa retangular e escreve umas linhas. A mesa vermelha, a cocaína espalhada na mesa, o silêncio enlouquecedor da manhã, o gordo, triste, no ar, e o câncer já lhe queima os ossos. Cheira pó e endoidece. Escreve as linhas: o peronismo é um gigante invertebrado e míope. Só, como um elefante, escreve com as linhas de cocaína na pança e no cérebro. Cooke escreve suas últimas linhas para o peronismo.

 

 


 

O COLHEDOR DE FLORES

 

   A mulher, curvada, levanta um caule fino e comprido. Estica o braço magro e entrega-o, num gesto que acompanha o sentido do vento, ao marido. O homem o recebe e olha para a mulher. Depois poda, ritmicamente, com a tesoura enferrujada, as folhas estéreis. Uma lancha esquálida e pobre, encalhada, move minimamente as águas turvas do lago. Essas são as ferramentas do homem: a lancha esquálida e as tesouras enferrujadas. Longe, o horizonte esplendoroso acende as poucas casas de Ituzaingó.


   O homem se aproxima da italiana e diz a ela umas poucas palavras. Estas, molhadas pelo suave acento itálico, acariciam-lhe os olhos. Afastam-se. Nas duas horas seguintes, recolhem os caules. Os dois trabalham o dia todo desde que o raquítico barco Sofia os deixou no porto de Buenos Aires. E ainda ouvem, à noite, o rugir dos motores.


   A mulher, jovem, lânguida, devassa, levanta a mão e seca a transpiração.  Levanta o último caule e conta as pétalas. Sente que, nesse ato diário, começa a mostrar-se sua salvação. Ele olha para as nuvens rosadas e põe a mão na testa. A bomba já está em sua mente, incólume. Suspira e põe suas mãos na cintura, talvez qual vingança contra o calor.


   Alguns minutos depois, com o crepúsculo vermelho nas costas, Severino amontoa as pétalas e os caules: conta-os, arruma-os, coloca-os em uma bolsa gigante. No dia seguinte os venderá na feira.


   Despede-se da esposa. Ela entra em casa com o beijo que voa pelo ar e lhe roça os lábios frágeis.


   Severino monta no cavalo e chega, tranquilo, à cidade. Esperam-no lá as máquinas e as letras. Há três dias aprende o ofício de tipógrafo. Está convencido de que a fadiga com os tipos lhe permitirá abandonar a coleta de flores. Acha que o ofício milenar o ajudará a sair da pobreza.


   Mas um propósito oculto o devora.


   Na porta da oficina, olha para o céu. As luzes da rua queimam-lhe os olhos. Exausto, cruza a porta e o alvoroço trepidante das máquinas interrompe a breve distração. Deixa sua jaqueta em um móvel metálico e cumprimenta o chefe. Este, absorto nos alardes do dia, mudo, nem sequer responde. Severino, mais uma vez, sente o peso inconfundível do trabalho. Mas repete para si mesmo: “tudo o que fizer é um meio para um fim posterior.” E reconforta-se.


   Ao acomodar a primeira letra, pensa, feroz: “tenho de preparar a bomba com cautela”.


   Coloca o tipo e o pensamento o fuzila. Localiza, no espaço imaginário, os cabos, o detonador e o dispositivo. Esta será a primeira, pensa. E seus lábios ficam úmidos enquanto saboreia sua ardileza, exultante. Alegra-se ao comprovar que somente ele conhece seu segredo. Orgulhoso, repete para si mesmo: “amanhã, nos jornais vende-pátria de Buenos Aires, aparecerá o meu nome completo: Severino Di Giovanni.”


 

 

 

GOMBROWICZ E SANTUCHO

 

    Gombrowicz está sentado em um bar. Pede uma dose de vodca. O garçom traz uma taça negra e úmida. O polonês levanta a taça e toma. Escreve com uma letra minúscula as impressões do dia. O calor absoluto de Santiago del Estero queima-lhe os ossos e Gombrowicz sente que a única forma de combater o calor é escrever um diário. O diário é a vingança contra o calor.

 

   Numa dessas noites Gombrowicz conhece Roberto Santucho. Roby senta-se à mesa do conde e fala-lhe sobre a essência da Argentina. Diz a ele que Santiago del Estero é a Argentina, que Buenos Aires representa a imigração europeia. Diz a ele que os argentinos deveriam olhar mais para dentro. E Gombrowicz pensa em sua teoria da imaturidade enquanto Santucho ainda lhe fala sobre a essência do país. Gombrowicz toma um copo de vodca. Desfruta o suor do copo. Paciente, olha para Roby. Roby é jovem. E o conde tem “afeição” pelos jovens. Roby fala com voz alta, grita: os argentinos devem recuperar a herança indígena. Entre os copos transparentes e as palavras embaralhadas, estreitam, em Santiago, uma escassa amizade.


   Depois o polonês anota em seu diário que Santucho é o mais novo da família. O polonês usa o “S” para designar o sobrenome. Diz que Roby é o mais novo dos S. E que tem as ideias da revolução argentina.


   O conde quer vê-lo de novo. Roby propõe um bar decrépito perto da praça. Gombrowicz aceita e sente, no bar, as chicotadas do calor e o cheiro da morte iminente.


   Alguns meses depois, quando o polonês já retornou a Buenos Aires, Santucho pede a ele o Ferdydurke. Sentado à mesa do “Tortoni”, Gombrowicz responde com uma letra histérica: o romance foi confiscado pelos americanos e não o posso mandar. Santucho deitado em uma rede, com as moscas entre as pernas, lê a carta. Roby percebe a mentira e zomba do falso conde polonês. É assim que começa a guerrilha. A zombaria de Santucho dispara a fúria da guerra contra o império.

 

 


 

TEATRO ODEÓN, 1913

 

   A luz libertina do sol inclina-se e umedece os ladrilhos do teatro. Na calçada os seguranças da comitiva oficial estão fazendo tempo. Um deles controla os ponteiros de seu relógio. Já está na hora. Após um sinal, o tapete vermelho torna-se um labirinto. Abre-se a passarela. O presidente do país, Roque Sáenz Peña, atravessa o tapete e entra no teatro Odeón. Lá dentro uma multidão, silenciosa, atordoada, contempla, nas escadarias receosas, a entrada do presidente.


   Sáenz Peña dirige o olhar para o amplo teto e comprova, mais uma vez, a alegria inconfundível da plebe. Então, com o júbilo na garganta como um xarope doce, acomoda-se na poltrona luxuosa.


   O dissertante está em um dos camarins. Um empregado do teatro acomoda-lhe a lapela do paletó e penteia-lhe o robusto bigode preto. O orador agita-se, nervoso, e repassa as folhas que seguram seus dedos. Sente o tremor dos tempos nas folhas. Sabe que está prestes a emitir uma mensagem para a história. Em sua voz e em sua memória desenha-se o destino da nação.


   O presidente, ansioso, levanta-se da poltrona e observa a disposição caótica da plebe e a ordem simétrica dos ministros. Sente-se triunfante. Cada vez que vê o povo em um ato político, contenta-se. E essa corroboração engrandece-lhe o peito. De um lado, sua esposa. Ela observa, de soslaio, as mulheres melosas e logo toca de leve suas jóias. O frágil tilintar a distrai somente por um instante. Com um gesto austero, sente o cheiro fétido da classe baixa e não pode evitar o desprezo.


   Leopoldo Lugones entra no salão. Os aplausos não tardam. Uma ovação perfura a grossa cortina do teatro. Fervorosos, os espectadores erguem os braços. Lugones dá alguns passos curtos e coloca-se no centro do palco. Levanta a mão e acomoda os óculos pretos. Esses óculos não só veem os rostos repetidos, rítmicos, mas também o futuro.


   O orador pigarreia. Olha para a frente. Enceguecido pelas luzes estridentes, vê ao longe, fora do teatro, o passado helênico atado ao argentino. Vê, na mata e nas ruas da urbe impossível, a figura esplendorosa do gaucho. E essa imagem dispara o seu discurso. Lugones fala do gaucho Martín Fierro.


   O presidente ouve, atento, as palavras acaloradas. Não sabe que nesse instante, imponderável, Lugones está convencido de que está fundando, de novo, a pátria. Lugones não é um qualquer. É um poeta. E escolhe o gaucho como emblema da argentinidade.


   O poeta Lugones escolhe um outro poeta. A escolha não é casual. E tampouco é casual o cenário. No camarote, os olhos aristocráticos de Roque Sáenz Peña justificam-no.


   O poeta escolheu o presidente como testemunha privilegiada de sua alocução sobre o gaucho. Por isso ele é o payador. Sente-se, de alguma forma, José Hernández. Nesse dia, no teatro Odeón, entre a plebe e o presidente Roque Sáenz Peña, ele é, Hernández. Ele é o Martín Fierro.

 

Leopoldo Lugones olha-se no espelho de Hernández e encontra, na figura do gaucho, o arquétipo da Argentina.

 

Fabián Soberón nasceu em J. B. Alberdi, Província de Tucumán, Argentina, em 1973. É escritor, docente universitário e jornalista cultural. Publicou o romance La conferencia de Einstein, o livro de relatos Vidas brevese ensaios sobre literatura, música, arte, filosofia e cinema em revistas nacionais e internacionais. Foi finalista do Prêmio Clarín de Contos 2008. Obteve o 2º Prêmio do Salão do Bicentenário 2010. Foi diretor da revista cultural Mil trescientos kilómetros. Colabora atualmente com La Gaceta Literaria (Tucumán), La Capital (Rosário), Boca de sapo (Buenos Aires), El pulso argentino (Tucumán), entre outras publicações culturais.

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Revista InComunidade, Edição de Maio de 2018


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CÂNDIDO PORTINARI, 'o lavrador de café', 1934.


Paginação:

Nuno Baptista


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