ANO 4 Edição 66 - Março 2018 INÍCIO contactos

Caio Junqueira Maciel


Quem conhece Dantas Motta?

Ao rever a foto de Dantas Motta, com quem eu bebi num bar de Aiuruoca num inverno de 1973, deu-me, além da saudade, uma grande vontade de exibi-lo ao público português, e a todos os leitores dessa preciosa revista eletrônica InComunidade. Resgato, então, uma parte da introdução de minha dissertação sobre esse poeta sul-mineiro, intitulada “Tempo e profecia nas Elegias do País das Gerais”, ainda à espera de um editor.


José Dantas Motta nasceu em 22 de março de 1913 na Vila de Carvalhos, na época município de Aiuruoca, no sul de Minas Gerais. Seus primeiros estudos foram feitos com a mãe, D. Ana Dantas Motta, que era professora primária. Concluiu o curso primário em Aiuruoca, indo depois para Itanhandu, onde cursou o secundário no Colégio Sul Mineiro.


                   Em Itanhandu, ainda adolescente, ligou-se ao grupo modernista da Revista Eléctrica, dirigida pelo poeta Heitor Alves, que circulou pela primeira vez em maio de 1927 – quatro meses antes de Verde de Cataguases – tendo entre seus colaboradores Ribeiro Couto, Pedro Nava e Heli Menegale.


                   Foi ainda em Itanhandu, em 1932, usando apenas o sobrenome Dantas Motta que escreveu seu primeiro livro de versos: Surupango, ritmos caboclos, prefaciado por Heitor Alves.  O poeta Heitor Alves  considerava Surupango como obra telúrica, “poema do Brasil roceiro”. Eduardo Frieiro reconheceu no adolescente “pouca idade e muito talento”, observando que sua obra se inseria na “escola da brasilidade”, cujos versos eram inspirados no folclore afro-brasileiro. Frieiro acreditava que Dantas Motta ainda “seria alguém na nossa lírica nova.”


Dantas Motta cursou a Faculdade de Direito da Universidade de Minas Gerais, onde se formou em 1938. Em Belo horizonte, com seus colegas de escola, participou da Revista Surto, publicação lítero-cultural “com expressiva importância dentro da renovação das letras mineiras contemporâneas.”


         Dantas exerceu advocacia militante em todo o Sul de Minas e no Vale do Paraíba, granjeando uma fama lendária como advogado imbatível nos tribunais. Viveu sempre na cidadezinha de Aiuruoca, mas mantinha contatos com escritores no Rio, São Paulo e Belo Horizonte. Foi muito amigo de Sérgio Milliet, Mário de Andrade, Carlos Drummond de Andrade, entre outros.


                   Em 1945, pela Editora Flama de São Paulo, publicou Planície dos Mortos. No ano seguinte, pela mesma editora, vêm a lume as Elegias do País das Gerais. Em 1953, agora pela Livraria Martins Editora, publica Anjo de Capote. Pela mesma editora, em 1955 lança a Epístola do São Francisco aos que vivem sob sua jurisdição, no vale, despertando grande polêmica. Em 1961, pela José Olympio, reúne toda a sua obra (excetuando Surupango) no volume intitulado Elegias do País das Gerais, trazendo muitos poemas inéditos. Em 1967, pela Civilização Brasileira, publica o texto polêmico da Primeira epístola de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes aos ladrões ricos. Escreveu muitos poemas, contos e ensaios críticos, entre os quais um sobre a poesia de Mário de Andrade, para a coleção “Nossos Clássicos”, da Agir, em 1969. Grande parte de sua produção está nos suplementos literários do Minas Gerais e do Estado de São Paulo. Em 1988, a José Olympio Editora, junto ao INL, publicou Elegias do País das Gerais, reunindo todos os livros anteriores e poemas publicados em jornais e alguns inéditos. A introdução reúne três crônicas publicadas por Carlos Drummond de Andrade em 1979, no Jornal do Brasil.


                   Quando Dantas morreu, aos 60 anos, em 9 de fevereiro de 1974 deixando a mulher Arlete e quatro filhos, a Revista Veja noticiou: “Seu nome e obra, conhecidos e admirados por intelectuais como Afonso Ávila ou poetas como Carlos Drummond de Andrade, são quase inteiramente desconhecidos além dos limites de sua terra, onde mantinha uma biblioteca de 15.000 volumes e passava as noites, insone, lendo poemas hindus no original ou exercitando-se em inglês ou francês com livros de James Joyce e Verlaine. (...) Advogado de profissão, boêmio e místico (considerava sua terra uma região bíblica, “com cidades como as do Antigo Testamento”), Dantas Mota era considerado um poeta triste e fechado. Dizia ele: “Com perdão da má palavra, eu só escrevo bebendo. E a máquina.”


                   Vianna Moog observa que o mineiro é um tipo eminentemente municipal, e que “é difícil falar num filho de Minas, por maior que seja a repercussão nacional de seu nome, sem que nos acuda o nome do município a que pertence.” Dantas Motta refere-se ao “sentido aiuruocano da dor” em um texto, embora sua poesia não se limite a um estreito provincianismo, conforme observou Almeida Salles: “Arrancaste a tua Aiuruoca do espaço mineiro e a dilataste, por força do teu desespero de exilado, na medida das terras clássicas, em que a voz do homem configurou o drama do paraíso perdido.”


                   A “mineiridade” é um dos aspectos mais apontados na obra de Dantes Motta. Carlos Drummond de Andrade observa: “O que eu apreciava nele, acima de tudo (abstração feita de valores intelectuais e morais) era me dar a sensação de estar conversando com alguém que, sob a aparência de Dantas, se chamava Minas Gerais. Era Minas dialogando comigo, com sua fala especial, seu cigarro de palha. (...) Sua ironia e doçura misturadas. Não essa Minas convencional, submissa, concordante, cautelosa... Mas a Minas aberta, revisora, contestatória, que não se conforma com a mesmice dos princípios estabelecidos e expõe a exame nomes, situações, ideias, com infatigável espírito crítico.”


                   Paulo Mendes Campos cita Dantas como um dos nomes do poeta de Minas, “sempre a cantar os andrajos humanos”. Aliás, falando sobre Minas, Paulo Mendes Campos aponta os elementos típicos da poesia de Motta: “ Minas Gerais é terra de profetas, e os profetas anunciam as desolações. Os profetas amam as desolações, futuras e passadas. (...) O mineiro identificou-se com as imagens e símbolos das ruínas como as ervas daninhas que se familiarizam com a podridão das cafuas.”


                   A poesia de Dantas Motta está repleta de ruínas e desolamentos. O poeta enxergava a si mesmo como um ser precário, um homem “nascido no outono” e, como tal, já nascido velho.” Não obstante seu corrosivo pessimismo, o poeta recebeu críticas favoráveis sobre sua obra. Sintetizamos, a seguir, algumas das opiniões emitidas sobre seus diversos livros.


                   Martins de Oliveira chama atenção para o ritmo de Dantas Motta, considerando-o o mais livre de todos os poetas do Brasil. Waldemar Cavalcanti vê a sua poesia impregnada de um vivo sentimento patético e de grande densidade lírica, enquanto Adonias Filho considera Anjo de Capote um  livro inconfundível na moderna poesia brasileira, em que há o “pensamento como um ato poderoso, dinâmico em seu conteúdo, a reflexão estabelecendo relações que integram na desesperação do mundo.”


                   Alcântara Silveira atenta para a intromissão do processo judicial na poesia de Dantas Motta, considerando que ela não tem apenas sonho e fantasia como suporte, “mas também a realidade histórica e sociológica do país.” Salientando a “nudez” da poesia do autor de Planície dos Mortos, José Geraldo Vieira escreveu: “Assim como em pintura um Dali tirou de Dürer, de Rembrandt e até de iluminuristas góticos, figuras e paisagens hirtas e desoladas, Dantas Motta tirou da poesia vetusta e morna dos mestres um sentido de linha, de cor, de exclamação, de estética.” Osvaldo Alves e Carlos Drummond indicam a uniformidade e a coerência do todo na poesia de Dantas, enquanto Homero Silveira assinala a afinidade do poeta mineiro com os clássicos portugueses.


                   A dificuldade da poesia de Dantas Motta foi observada: Alcântara Silveira referiu-se à tristeza e ao hermetismo do poeta, em quem por vezes faltavam lógica e precisão. Cristiano Martins indica “o difícil entendimento”, opinião corroborada por Drummond, que observa a ausência do “conteúdo vanguardista” de inovação dessa poesia “ora sardônica, ora navalhante.” Oscar Mendes critica um certo partidarismo na Epístola do São Francisco enquanto Sérgio Milliet achava falho o conjunto de Planície dos Mortos, mudando depois o ponto de vista em relação a outros livros de Dantas.


                   A sua produção poética iniciou-se no final da década de vinte, com notória influência dos modernistas dos grupos Verdeamarelismo e da Anta, cujo nacionalismo era levado às últimas consequências (a filiação do poeta ao Integralismo demonstra em que resultaria o forte brasileirismo de Surupango).


                   Planície dos Mortos, considerado pelo autor como sua primeira obra madura, revela alguns contatos com a poesia pós-simbolista do grupo Festa, ala moderada do Modernismo, cuja tônica espiritualista traía a influência longínqua de Cruz e Souza e Alphonsus de Guimaraens. Aliás, Dantas poderia figurar na vasta antologia dos poetas simbolistas elaborada por Andrade Muricy, bem como integrar a lista dos poetas taciturnos citada por Raul Bopp.

                 
                   De modo geral, Dantas Motta é situado como integrante da “geração de 45”, como indicam as obras de Afrânio Coutinho, Alfredo Bosi e Wilson Martins. O próprio poeta ironiza essa rotulação: “Antigamente me colocavam entre a turma dos “novos de 45”, mas agora fui despejado e já não sei a que grupo poético pertenço”. Para Sérgio Milliet, os “novos de 45” possuem as seguintes características: temor ao pieguismo; receio da vulgaridade; procura de uma forma densa e limpa; medidas clássicas no ritmo; desapego à mensagem, a amargura dos tempos e a insolubilidade do poeta no clima de nossa época.          Sebastião Uchoa Leite critica o excesso de formalismo da geração de 1945, condenando o seu preciosismo e seu “engagé conformista”, mas ressalvando que alguns desses poetas “criaram textos de razoável legibilidade’. Entre esses poetas (Ledo Ivo, Paulo Mendes Campos, Bueno de Rivera e José Paulo Moreira da Fonseca), está o nome de Dantas Motta. “geração elefante”. Distinguirei: em São Paulo os irmãos Campos, Décio Pignatari; em Minas Gerais Dantas Motta e Alphonsus Guimaraens Filho; no Rio, Paulo Mendes Campos e Geir Campos.”


                   Uma opinião mais equilibrada foi emitida por João Cabral de Melo Neto: “Sob o ponto de vista da técnica do verso, caracteriza-se pela falta de originalidade formal, explicável porque, ao aparecer, viu já fixados padrões de verso de invenção dos chamados poetas de 1930. (...) Os poetas de 30 tiveram de inventar, pois nada restava de pé, depois do modernismo. Ao passo que os poetas de 45 não puderam inventar, nada tinham por que inventar, pois os tais padrões estão longe de gastos. Como não tiveram de inventar padrões, puderam aperfeiçoá-los. E é esse velho manejo, esse manejo mais seguro dos padrões aprendidos que leva muita gente a querer ver intenções “estéticas” precisas nos poetas de 45.”

 

                   Para Alfredo Bosi, a poesia de 45 renova-se “sob a égide da poesia existencial europeia de entre guerras, de filiação surrealista, o que lhe conferia um estatuto ambíguo de tradicionalismo e modernidade.” Dantas Motta, segundo Bosi, absorveu o clima da poesia pura anos de 40 a 50, para depois questionar aspectos telúricos e sociais.


                   A poesia de pós-guerra, de acordo com Nelly Novaes Coelho, nasceu da consciência angustiante da “falência das ideologias”, por isso “busca refúgio em algo eterno e imutável”, tem “sede de beleza e de eternidade”, procura “o Mito, a Fábula, a Alegoria”, esperando alcançar a transformação do caos em cosmos através da palavra. Dantas Motta é citado como um desses autores que, por meio de um caminho próprio, participa do mito e da História e procura “uma nova solidariedade do homem com o cosmos.”

 

BREVE ANTOLOGIA DE DANTAS MOTTA

 

NOTURNO DE BELO HORIZONTE


O chope não me traz o desejado esquecimento
Os insetos morrem de encontro à lâmpada
Ou se açoitam no sofrimento destas rosas secas.
Vem do Montanhês este ar de farra oculta,
Bem mineira, e um trombone, atravessando
A pensão "Wankie", próxima à Empresa Funerária,
Acorda os mortos desolados na Rua Varginha.
Uma lua muito calma desce do Rola-Moça
E se deita, magoada, sobre os jardins da Praça,
O telhado do Mercado Novo, o bairro da Lagoinha.
Tísicos bóiam que nem defuntos na solidão
Dos Guaicurus. O próprio noturno de Belo Horizonte
Tem lá suas virtudes: nas pensões mais imorais
Há sempre um Cristo manso falando à Samaritana.
As mulheres do Norte de Minas, uma de Guanhães,
Duas de Grão-Mogol e três da cidade do Serro
Mandam ao ar esta canção intolerável
Que aborrece até mesmo o poeta Evágrio.
Pobre Evágrio, perdido na estação de Austin.
Triste e duro como uma garrafa sobre a mesa.
Entanto nada indica haja tiros, facadas, brigas
De amantes na Rua São Paulo, calma e sem epístolas.
O Arrudas desce tranqüilo, grosso e pesado,
Carregando cervejas, fetos guardados, rótulos de
Farmácia, águas tristes refletindo estrelas.
Tudo, ao depois, continuará irremediavelmente 
Como no princípio. Somente, ao longe, 
Na solidão de um poste, num fim de rua, 
O vento agita o capote do guarda.
(Elegias do País das Gerais, 1961)

 

 

 

 

SOLAR DE JUCA DANTAS 



Tarde já. Os fruitos e as crianças possuíam,
Nas primaveras frustras que então passei a ser,
Um sabor de saudade no mendigo que hoje sou,
A despeito de transunto de velhas glórias
E humanas lidas. E da caspa em desuso
Que pontilha de grisalho meus ombros chovendo,
Dando ao título de doutor de Sião
Este ar deficitário de despesa,
Que busca, na ausência de terras e de teres,
E na paciência com que suporto outros coronéis,
O sentido de sua própria escravidão.
Deste mundo não sou. E nem lhe temo a noite.
A noite com suas lenternas e seus ladrões,
Terramotos e valhacoutos.
Temo sim o dia que dela nasce,
E com ele a burra de dinheiro, agasalhada e fiel,
Cheia dos terrores noturnos de ontem,
Contendo, ensimesmadas, as mesmas manhãs,
Plásticas e portáteis de hoje,
E em que se enfeixam, de uma só vez,
O gado, a servidão de passagem, a infância,
O luto, a vida e o direito de chorar.

               (Elegias do País das Gerais -1961)

 

 

 

 


GUARDAFUI


Agora que tudo volta a ser como no princípio
E de mim brota este sentimento muito manso de perdão,
Vou deixar enfim que este corpo bóie dentro da noite
E se desapareça no mundo como um crepúsculo.

 

Que eu, de tantas penas malsofridas,
Não consigo estancar esta tristeza,
Que tristeza tem sido de muitas vidas,
E no meu corpo esquece as suas marcas malferidas.

 

Pois na velha rocha coube-me a vez
De lamentar os anos que não vivi.
Antes em mim vividos foram os desenganos.

 

Nada fiz na vida que pudesse registrar esta passagem.
A dor como os fracassos não trazem o meu nome.
E se a morte não fosse uma necessidade, desprezo seria.
(Elegias do País das Gerais -1961)

 

 

 

 

BREVIARIUM DE FREI JEREMIAS


Está amanhecendo o dia, minha amiga!
E os nossos sentimentos tão iguais!
Tão longas as nossas dores,
Tão breves os nossos risos.
Paira em tudo uma indecisão amarga
E eu não sei o que fazer
Nesta manhã tão clara, tão branca,
Em que as névoas são inúteis,
Os passarinhos proverbiais.
O sol, que nasceu ontem,
É o mesmo de hoje e será o mesmo
De amanhã, de depois, de depois.
Só nossos corpos em nossas almas
Se mudarão e com eles o mundo
Que é tão vasto e, entanto,
Não comporta minhas tristezas,
Minhas alegrias. Está amanhecendo!
O sono da noite, que correu bravia,
Não comporta os trabalhos do dia
E este sofrimento afinal não é tão breve.
Certo, amanhã morreremos e eu não deixarei
Mais fundas lembranças que não os teus
Outonos sobre as memórias repetidos,
Nem outro bem que não a amargura
De ter vivido.
Os amigos de São Paulo, Rio,
Belo Horizonte,
Pensam que este riso é meu,
E com eles até Israel, em Irati,
No Paraná.
Mercedes, porém, apesar de estúpida,
Sabe-o apenas um disfarce 
Com que oculto esta tristeza,
Esta dor.
(Elegias do País das Gerais 1961)

 

(Dantas Motta e Caio Junqueira Maciel, 1973)

 

 

Caio Junqueira Maciel foi professor de Literatura Brasileira. Ensaista, poeta, contista e cronista.

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Revista InComunidade, Edição de Março de 2018


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Paginação:

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