ANO 4 Edição 63 - DEZEMBRO 2017 INÍCIO contactos

Henrique Prior


EDITORIAL

Em 1993, foram assinados em Oslo, na Noruega, acordos entre israelitas tendo a liderá-los o primeiro-ministro Yitzhak Rabin e palestinianos liderados pelo histórico Yasser Arafat, mediados pelo presidente americano Bill Clinton. Esses acordos previam a retirada israelita de parte dos territórios árabes ocupados na Guerra dos Seis Dias, e a criação de um governo palestiniano na Cisjordânia e na faixa de Gaza que evoluiria para um estado palestiniano.

 

A paz definitiva não foi alcançada porquanto subsistiram três obstáculos definitivos: em primeiro lugar o regresso de todos os refugiados palestinianos  expulsos de Israel desde a constituição do estado judaico em 1948; em segundo lugar o regresso de Israel aos limites reconhecidos pelas Nações Unidas em 1947, nomeadamente os Montes Golã na Síria e no Líbano, com as suas fontes de água importantíssimas para a região.

 

A ONU decidira, em 1947, a divisão da Palestina, até então sob administração britânica, em dois estados, um  israelita e outro palestiniano, ficando os judeus com a maior parte, e a melhor, das terras da Palestina. Jerusalém, reivindicada como capital por ambas as partes, palestiniana e judia, ficaria como território autónomo, uma cidade livre sob administração da ONU.

 

Mas nunca qualquer das partes abdicou de considerar Jerusalém como sua capital, por motivos religiosos.

 

A anexação de toda a cidade por Israel, foi uma das causas, senão a principal, da Intifada, a chamada guerra das pedras, com as quais os palestinianos lutavam contra soldados e polícias judeus fortemente armados.

 

Os acordos de Oslo vieram na sequência dessa primeira Intifada.

 

Porém, o assassinato de Yitzhak Rabin e a sua sucessão por Benjamin Natanyhau, vieram liquidar a paz alcançada e inviabilizar o prosseguimento de uma paz definitiva porquanto este líder da direita judaica iniciou uma política de construção de colonatos e expulsão de palestinianos que viviam dentro do Estado de Israel das suas terras e das suas casas.

 

Embora aceitando Jerusalém como capital de Israel, os Estados Unidos da América foram adiando a decisão para transferir para estada cidade a sua embaixada, na esperança de uma solução negociada entre os dois estados. Agora, Trump decidiu transferir a embaixada dos EUA para Jerusalém, reconhecendo que  toda a cidade de Jerusalém seria a capital de Israel contra as decisões das Nações Unidas e contra a posição de quase toda a comunidade internacional.

 

Fê-lo depois da preparação desta decisão pela destruição do Egito, da Líbia e da Síria como potenciais perigos. Fê-lo para desviar a atenção dos seus enormes fracassos em política interna, a começar pelo fracasso da economia. Bem sabe Trump que tal resolução irá criar uma nova guerra, que começou já com uma nova Intifada. Mas para Trump, esta nova guerra, além de distrair o povo americano do fracasso da sua política interna, permitirá relançar a economia através do complexo militar-industrial.

 

A morte e o sofrimento que daí resultarem são, para o ignorante e cínico Trump, o cimento do poder americano.

 

 

HENRIQUE PRIOR

TOP ∧

Revista InComunidade, Edição de Dezembro de 2017


FICHA TÉCNICA


Edição e propriedade: 515 - Cooperativa Cultural, ISSN 2182-7486


Rua Júlio Dinis número 947, 6º Dto. 4050-327 Porto – Portugal


Redacção: Rua Júlio Dinis, 947 – 6º Dto. 4050-327 Porto - Portugal

Email: geral@incomunidade.com


Director: Henrique Prior       Director-adjunto: Jorge Vicente


Revisão de textos: Filomena Barata e Alice Macedo Campos

Conselho Editorial:

Henrique Prior, Alice Macedo Campos, Cecília Barreira, Clara Pimenta do Vale, Filomena Barata, Jorge Vicente, Maria Estela Guedes, Maria Toscano, Myrian Naves


Colaboradores de Dezembro de 2017:

Henrique Prior, Beatriz Leal, Bruna Mitrano ; Natasha Felix, Caio Junqueira Maciel, Carlos Orfeu, Carol Piva, Cecília Barreira, Cinthia Kriemler, Cláudia Cassoma, Eduardo Waack, Flávia Fernanda Cunha, Gil Cleber, Henrique Dória, Hermínio Prates, Jean Narciso Bispo Moura, José Ángel Valente ; Sandra Santos, trad. e org., José Gil, Laís Barros Martins, Laura Szwarc ; Rolando Revagliatti, Maria Amélia Elói, Maria Estela Guedes, Marinho Lopes, Moisés Cárdenas, Ricardo Ramos Filho, Rosângela Vieira Rocha, Saulo Henrique Nunes


Foto de capa:

'Natividade', de PAULA REGO (2002)


Paginação:

Nuno Baptista


Os artigos de opinião e correio de leitor assinados e difundidos neste órgão de comunicação social são da inteira responsabilidade dos seus autores,

não cabendo qualquer tipo de responsabilidade à direcção e à administração desta publicação.

2014 INCOMUNIDADE | LOGO BY ANXO PASTOR