ANO 4 Edição 62 - NOVEMBRO 2017 INÍCIO contactos

Henrique Prior


Editorial

A primeira semana de Novembro trouxe-nos dois acontecimentos que devem ser motivo para profunda reflexão e debate pois têm enorme importância para o futuro das sociedades e se encontram profundamente ligados. O primeiro deles foi a Cimeira da Web ocorrida em Lisboa. Esta cimeira mostrou-nos até que ponto grande parte das atividades humanas podem ser substituídas por máquinas. O progresso da robótica tem comprovado que a generalidade das atividades, desde a agricultura à medicina, passando pelo próprio direito podem ser substituídas com vantagem pela inteligência artificial. E se assim é quanto a profissões exigindo elevada preparação intelectual, por maioria de razão será assim quanto às atividades que não exigem elevada qualificação. Sendo assim, os detentores de capital poderão prescindir do trabalho humano para o substituir por robots. Pela primeira vez na história das revoluções tecnológicas que se foram sucedendo ao longo da História, as novas tecnologias não serão criadoras de novas profissões. O desemprego assumirá taxas que tenderão a ultrapassar os 50%. A primeira questão que isso suscita é evidente: de que irão conseguir a sua subsistência tantos desempregados sem esperança de obter emprego? Alguns economistas e políticos de tendência liberal têm proposto um rendimento universal que retiraria ao Estado a função de garantir a subsistência, a saúde e a educação dos cidadãos deixando-lhes a responsabilidade de o conseguirem recorrendo às actividades privadas, apenas atribuindo ao Estado o dever de garantir esse rendimento universal. Mas tal solução coloca logo a seguir a questão de saber até que ponto as empresas estariam dispostas a suportar as elevadas taxas de impostos que garantisse as receitas de que o Estado então necessitaria. Surge então a segunda notícia, a do escândalo chamado de Paradise Papers: os grandes detentores da riqueza mundial, incluindo até a rainha de Inglaterra, usam os paraísos fiscais para fugirem aos impostos que os governos lançam sobre os seus rendimentos. Não se trata aqui de rendimentos ilícitos, como nos Panamá Papers, mas de rendimentos lícitos que usam esquemas para fugirem ao seu dever de solidariedade social E se o fazem em grande escala quando as taxas não ultrapassam os 50%, a que escala o farão quando as taxas tiverem de subir para os 90% para que o Estado garanta a subsistência dos seus cidadãos? É aqui que as soluções liberais entram num beco sem saída, e se torna evidente a necessidade de encontrar soluções alternativas às soluções liberais dominantes.

 

Henrique Prior

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Revista InComunidade, Edição de Novembro de 2017


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Paginação:

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