ANO 4 Edição 62 - NOVEMBRO 2017 INÍCIO contactos

Carla Andrade


Poemas e contos

Artesanato de perguntas 

 

A colonização dos maribondos 
nos meus pensamentos
começou em sânscrito.
Meditação das palavras. 

 

Um mantra de curiosidade de luz
arregalava meus olhos répteis de criança. 
Às vezes, levava uma ferroada da ignorância.
Mas passava logo, com sopro em margaridas.
A infância cuidou da urbanização das ideias. 

 

Conjunções interrogativas fizeram 
prédios no horizonte, 
mas os adultos não entendiam 
a essência das janelas. 
Depois, a rebeldia dos porquês escravizados. 
O desejo devorava séculos sem respostas
em pés religiosos atolados. 
A independência da colônia veio depois 
de um jejum de palavras. 

 

Não quis mais saber o porquê do universo
e da minha travessia cambaleante. 
Como um coral no fundo do mar 
deixei que peixes me acolhessem 
e segui o movimento das algas. 

 

XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX

 

Antes do chuveiro

 

Artesãs são minhas mãos
na cama no espelho seu corpo.
Meus dedos, teares febris 
a fiar a incógnita do seu gozo.
Minha boca vapor
de um trem sem destino.
Afasto meus dentes
como persianas abertas
para todo o sol entrar.
Concentro o que gruda 
e molha na minha língua
ávida pelo seus poros
encravados 
de indulgência.
Sou toda parábola para 
folhear páginas 
de um livro pagão.
O suor do cio. 
Espasmos rebelados.
Trêmula, 
terei que reinventar o chão...


XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX

 

Meias de porcelana

 

Escrevo deitada.
Caneta em pé.
Pensamentos em nuvens.
Tinta preta no papel e travesseiro.
Palavra lá fora: ao relento.
Não quer entrar, nem como prece.
Até o amanhecer, só escuto minha pele
na seda e minhas meias de porcelana.
Depois que você foi embora, só sinto frio.

 

XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX

 

Anatomia das cores 


A primeira vez que vi um 
sapato velho na fiação
entendi o abandono
de se ter alma.

 

Preferia ter só asas,
assobio de pássaros. 
Folhagem pisada.
Mas me colocaram uma alma 
num buraco,
bem na hora que o mundo deu um soluço. 

 

Depois do sapato velho na fiação, 
não adiantou mais ver 
as cores gentis das quitandas.
Nem mão de moço no rosto de moça.
Tudo parecia chuva 
corroendo carroça
na contramão.

 

Vento de través.
Telhas encardidas
sem promessa de
aventura de criança. 

 

Tentei adestrar as gotas das lágrimas.
Enlouqueci cada palavra do silêncio 
até que se curassem.
Não adiantou.

 

A alma e sua falta de carne 
continuaram enterradas
em caverna 
de mãos vazias... 

 

Como uma canção 
sem sintonia
de um rádio 
prestes a ser desligado
antes de dormir.

 

XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX

 

Lisboa


Esses azulejos 
dispostos
a me viajar em cores
azuis do mar
de caravelas. 

 

Fico assim
com essas palavras que
não existem
enchendo 
meu pensamento.

 

Essa palavra
sem nome
que me devora
em gomos, caroços.

 

E no meu corpo
sem sombra
tudo é pouco
perto
dessa palavra que 
a civilização não deu nome.

 

Os barcos partiram.
Deixaram...

 

XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX

 

Barra grande


Levei um ano para ver estrelas de novo.
Olhei muito para cima nesse intervalo,
mas elas se escondiam entre prédios com sobrenomes.

 

Tinha que voltar...
colecionar as conchas que o mar
não nos trouxe,
como uma antologia
de tudo
que não se pode repetir.

 

Nossos tanques

 

Na mesa de raios-X, a mulher de jaleco branco pedia para a paciente não se mover. Antes das fotos do fêmur ficarem prontas, uma abelha rainha prendia o testículo de um zangão no canto da sala, que não havia sido varrida pela faxineira Marilda. Outras operárias da mesma colmeia da abelha rainha haviam picado, minutos antes de a paciente se deitar na mesa de raios-X, um cabeleireiro que estava na maca no corredor do hospital. A alergia a picadas de abelhas foi constatada no mesmo prédio de paredes azuis para onde agora ele olhava com desespero. Os ferrões ainda cravados. Seus glóbulos brancos ainda mais pálidos. O seu coração batia bem menos descompassado que o do casal que transava na sala de próteses, entre parafusos. Feromônios, endorfinas e estamina. Um espermatozoide quase chegou, mas ficou cansado. O seu adversário, no entanto, conseguiu fecundar o óvulo, que viraria um feto e, mais tarde, um bebê, que teria seu cordão umbilical cortado com as tesouras esterilizadas daquele mesmo hospital. O recém-nascido virou menino.
O menino cresceu olhando o aquário marinho montado no hall de entrada da ortopedia. Imaginava uma orquestra sinfônica, onde as conchas eram os amplificadores e os gramofones. Os peixes dançando... Alguns tímidos perdendo ternos listrados ou vestidos de bolinhas... Sua imaginação fugia sem equilíbrio. Naquele tanque de água cabia mundo. Queria ser seu peixe favorito. Bem longe do hospital, do cheiro de gaze, planejava ser feliz...       

 

A conquista

 

E se ele souber que não estou sendo o que sou? E se sorrir meio maroto, como quem tem mais dúvidas que certezas, e ele perceber que faço gênero? Bom, deixa para lá. É melhor procurar meus documentos na carteira: carteira de identidade, carteira de estudante (mas não sou mais estudante), CPF, cartão de crédito. Ufa! Ufa! Acho que ainda resta um pouquinho de mim nesta mesa. E se ele perceber que não sou tão segura quanto pareço? Ai, meu Deus! Vou sorrir novamente. Ele gostou muito quando joguei a cabeça para trás, soltando um sorriso curto, mas gostoso, enquanto ele abria a porta do carro. Será que vai perceber que menti descaradamente. Eu não vi o filme comentado por ele. Não conhecia os atores, muito menos aquele diretor de nome esquisito – acho que era russo, pelo menos terminava em “evisk”. Balancei a cabeça lentamente com aquele sinal de positivo, ele teceu comentários da vanguarda do cinema. Deixa eu colocar a máscara no lugar novamente. Upsss! Derramei o molho shoyu. O que faço? Banco a mulher desastrada ou a fresca? É melhor a despojada, que não liga para o molho preto, escorregadio, em sua roupa branca. Piadinha de molho shoyu, vem à minha cabeça, por favor! — ÔOO, garçom, me vê uma porção de guioza. Escapei por pouco! Mais um teste.

 

Ofereço-me para pagar a conta? Mas se ela quiser dividir? Ela é bem feminista, melhor bancar o moderno. Ah! Quando ela sorriu com aqueles dentes enormes, tive que mentir. Falava tão gostoso do mar, do cilindro de oxigênio. Ai que falta de ar. Preciso parar de fumar, meus dentes estão amarelos. Falava das viagens. Não pude resistir. Falei daquele bendito curso de mergulho que jamais fiz. Na verdade, nado mal pacas! E agora??!!! Ela gostou do assunto de mergulho. Vou ter que decorar o nome daqueles instrumentos pesados. Vou falar do meu doutorado ou da minha primeira viagem à Itália? Não, é melhor pedir um copo de saquê quente. Assim, podemos ficar em silêncio por um bom tempo. Ontem, ao telefone, ela me disse que o silêncio é bem confortável. Lembrou até de uma cena do filme Pulp Fiction quando Uma Thurman falou do tal silêncio. Ela é gostosa. A Uma também. Ela é charmosa, deve ter muito homem na parada. Mas eu posso, afinal, estou fazendo doutorado. Ela gosta de literatura, eu já li alguns clássicos. Temos muito em comum, talvez. Ás vezes, ela parece inteligente, mas tão insegura. Ishhhhhhhhh! Estou concordando muito com ela. Melhor ser mais intransigente, mulher gosta de opiniões fortes e difusas. Acho que estou sendo taxativo. Ela é tão única, sem comparações. A mão dela é tão pequena, frágil – vontade de encaçapá-la entre meus dedos. Ela é estranha: enigmática e transparente ao mesmo tempo. Seus lábios brincam devagar, como se estivessem soprando o ar. Que brincadeira!
Ai, minha voz! Ela tem que ser forte e doce simultaneamente. Efeitos de voz rouca e sexy saindo, é para já!!! Ai que vontade de comer uma sobremesa. Não, é melhor não, engorda — Garçom, por favor, um sorvete com calda de chocolate. Vou mostrar que não estou nem aí, que não saio por aí contando caloria.

 

Ah! Como eu queria ir para cama com essa mulher. Ela deve se entregar de verdade. Será que ela está gostando do meu papo? Não quero bancar o historiador, cheio de datas e fronteiras.

 

Tenho que fazer esse sorvete parecer mais gostoso, misturar mais devagar a saliva da minha língua no creme branco. Ele vai olhar! Pronto. Olhou! Será que ele me deseja? Eu quero transar com ele, mas tenho medo dele não me ligar mais. Eu o quero agora, mas vou fingir que não quero o corpo dele dentro do meu. Ele é legal, culto, não é bonito. Tem umas manchas nas mãos, os olhos são arregalados demais, e a boca muito pálida. Ele fala meio fanho, mas até que é bonitinho.

 

Às vezes ela me parece individualista, quase egoísta. E que resposta foi aquela? Perguntei por que ela não tinha namorado dia dos namorados. Ela respondeu que não consegue gostar de ninguém. Aposto que ela está com medo de se entregar com vontade. Também teria. Ela é meio convencida, na verdade, nem gostei tanto dela assim. Ela é muito convencida, mas que boca ela tem!

 

Vou falar que quero ir embora, que está tarde e tal. Que vontade de beijá-lo.

 

Chegamos ao prédio dela. Que beijo gostoso. Ela suspira durante os amassos, será que não vai me chamar para entrar?

 

Parece que ele está se despedindo de mim, tão rápido o beijo dele, mas quente. Olhar estranho, não sei o que é. Ele quer o mesmo que eu? Não quero ir embora, mas não quero adiantar as coisas. Ai, essa mão na minha coxa, bem que ele podia subir os  dedos um pouco mais.

 

Plaft, Plaft (barulho forte de portas do carro se fechando).

 

XXXXXXXXXXXXXXX

 

A síndrome do salvamento

 

O ônibus despejou aquelas miniaturas de gente na entrada do colégio. No mesmo momento a gorda Janira, para limpar as vidraças sujas, equilibrava-se em um dos pedestais antigos do prédio da escola. Elvira, uma menina de oito anos, ficava imaginando coisas. Fazia perguntas que ninguém gosta de responder. Depois do silêncio e do eco dos seus questionamentos, desfazia alguns cachos presos por presilhas coloridas e, sozinha, solucionava seus enigmas infantis.

 

— E se a Janira cair, tem chance dela não morrer?
— Ah, já sei, anjos vão descer dos céus, eles já fizeram isso antes. Eu vi.

 

Os meninos espalhados no pátio riam.

 

Elvira continuava a olhar Janira enquanto o sininho da diretora Cici tocava. Aquele era o aviso de que todo mundo do mesmo tamanho tinha que fazer uma fila antes de entrar na sala de aula. Enquanto meninos e meninas atropelavam-se para pegar os melhores lugares, Elvira não ligava em ficar na última posição.

 

Na sua cadeira, na sala de aula, enquanto os outros alunos desenhavam aviões, dragões e fábricas com chaminés e fumaças, Elvira gostava de debruçar a cabeça no colo e ficar criando estórias. Mergulhada em sua imaginação, afirmava que podia escutar árvores pedindo socorro dentro da madeira maciça em que o corpo se apoiava. Os professores, o vigia da escola, seus colegas de classe, todos a olhavam como se ela não se encaixasse naquele mundo. Elvira era mesmo diferente. Tinha um pescoço grande como o da avó.  Seus cabelos, às vezes acordavam lisos, outrora, cacheados. Sardas apinhadas no rosto, mais concentradas em uma bochecha que na outra. na outra. Mas os olhos eram como os das crianças na sua idade: querem ver tudo, as pupilas dilatavam-se para observar as coisas que os adultos acham saber.

 

Em casa, Elvira preocupava os pais. Não sabiam o que havia de errado na educação da filha. Elvira tinha a síndrome do salvamento. Mas, infelizmente, a psiquiatria ainda não sabia disso. Enquanto a empregada Maria José varria os cômodos, a garota sardenta a seguia.
Conformada com as maluquices da menina, achava que a coitada só queria um pouco de atenção ou gostava de ouvir as músicas que trouxe consigo lá daquela cidade enterrada no meio do mapa.

 

Após a limpeza, Elvira abria o latão de lixo e catava tudo que achava triste ali dentro. Palitos quebrados, pacotes amassados. Em seu armário, o entulho ganhava lugar de destaque na prateleira, debaixo de suas roupas quentinhas. Tinha pena daquelas coisas serem descartadas assim sem mais nem menos. Precisava salvá-las.

 

Ela se lembrou, em uma das suas inúmeras noites de insônia, que um anjo sem asas havia lhe dito que tudo tem alma no mundo: as plantas e os animais, por menores que sejam. Até os parasitas e o lodo que fica na cachoeira da fazenda da roça têm seu encanto de eternidade. Enquanto isso, seus brinquedos novos continuavam intocáveis em dois baús grandes, em uma estante de mogno claro embutido. Nem seu pequeno piano ganhava sua atenção. Elvira só gostava daquilo que dava dó.

 

Na rua olhava bem fixa para o chão, não queria pisar bruscamente em nenhuma flor vertical, em nenhum inseto piedoso fazendo o árduo caminho ou nas formigas suportando pedaços de folhas dez vezes maiores que seu peso. Os seus pés andavam delicados no caminho do dia-a-dia. Elvira cresceu e as esquisitices de querer salvar o mundo também.

 

Primeiro foi o lixo, agora era a vez dos pobres animais receberem seu socorro. Aos 13 anos, quase não conversava com ninguém. E quando o fazia era apenas para fazer perguntas incômodas. Passava a maior parte do tempo com os cães e gatos que havia recolhido na rua – muitas vezes esses apareceram do nada em sua casa, em caixas de papelão. A sua mãe não gostava de contrariar as caridades da filha única. Pobrezinha. A fama de Elvira havia se espalhado pelo bairro. Sempre tinha mais um lugar no canil para um belo vira-lata. As aves feridas pareciam reconhecer o caminho e voavam sempre para o pátio cinzento que Elvira cobria com grãos de arroz.

 

A analista de Elvira, uma tal de Márcia, não conseguia responder as interrogações da garota, que mais tarde acabaram virando suas próprias indagações. Tantas questões: os famintos na rua, os palestinos sem pátria, os brasileiros sem pátria, os moleques que rodeavam as montanhas de lixo, a camada de ozônio, os peixes atolados em manchas de óleo... os...

 

Aos 16 anos, virou ativista do Green Peace; salvou baleias. Mas não bastava... O mundo todo precisava ser curado e ela era só Elvira, a esquisita. Não dava para salvar formigas. O próprio ecossistema necessitava de aniquilamentos mútuos para a própria existência, a tal da cadeia alimentar, os hipopótamos que matavam seus filhotes, a própria seleção natural de Darwin: tudo fazia tanto sentido.

 

O mundo todo estava doente, mas não era sua culpa. No seu armário, ela só conseguia guardar papéis velhos e sonhos. Não podia salvar o mundo. E um belo dia descobriu isso. Não se revoltou contra Deus e o mundo imperfeito, as injustiças. Passou a ser que nem todo mundo. Acordava, planejava ter uma profissão e à noite frequentava a mesma igreja da mãe. Escutava atenta as palavras do pastor. Não era mais esquisita; tornou-se mundana.

Com a bíblia debaixo do braço, não pensava em salvar mais nada, apenas a sua alma.

 

Autora do livro de poemas Caligrafia das nuvens(Patuá, 2017), Carla Andrade é mineirinha de Belzonte. Tem outros três livros publicados: Conjugação de Pingos de Chuva (LGE), Artesanato de Perguntas (7Letras) e Voltagem (7letras). Participou de diversas antologias poéticas como na Escriptonita: pop-esia, mitologia-remix & super-heróis de gibi (Patuá), FincapéContemporâneas(Vida Secreta), além de ter poemas publicados em várias revistas de poesia contemporânea: Mallarmargens, Germina, a portuguesa InComunidade, entre outras.Está em Brasília desde 2000, e atua como jornalista e poeta.

TOP ∧

Revista InComunidade, Edição de Novembro de 2017


FICHA TÉCNICA


Edição e propriedade: 515 - Cooperativa Cultural, ISSN 2182-7486


Rua Júlio Dinis número 947, 6º Dto. 4050-327 Porto – Portugal


Redacção: Rua Júlio Dinis, 947 – 6º Dto. 4050-327 Porto - Portugal

Email: geral@incomunidade.com


Director: Henrique Prior       Director-adjunto: Jorge Vicente


Revisão de textos: Filomena Barata e Alice Macedo Campos

Conselho Editorial:

Henrique Prior, Alice Macedo Campos, Cecília Barreira, Clara Pimenta do Vale, Filomena Barata, Jorge Vicente, Maria Estela Guedes, Maria Toscano, Myrian Naves


Colaboradores de Novembro de 2017:

Henrique Prior, Ades Nascimento, Almandrade, Caio Junqueira Maciel, Carla Andrade, Cecília Barreira, Christina Montenegro, Cláudio B. Carlos, Denise Bottmann, Henrique Dória, Hermínio Prates, Joel Henriques, Katia Bandeira de Mello Gerlach, Krishnamurti Goés dos Anjos, Lenita Estrela de Sá, Leonora Rosado, Lisa Alves, M. de Almeida e Sousa, Marinho Lopes, Moisés Cárdenas, Myrian Naves, Ricardo Ramos Filho, Rodrigo Diniz Sousa, Rodrigo Novaes de Almeida, Ronald Cláver, Sandra Poulson, Sandra Santos, trad., Silas Correa Leite, Vanessa Dourado


Foto de capa:

Pinturas de Bosch


Paginação:

Nuno Baptista


Os artigos de opinião e correio de leitor assinados e difundidos neste órgão de comunicação social são da inteira responsabilidade dos seus autores,

não cabendo qualquer tipo de responsabilidade à direcção e à administração desta publicação.

2014 INCOMUNIDADE | LOGO BY ANXO PASTOR