ANO 4 Edição 60 - SETEMBRO 2017 INÍCIO contactos

Henrique Prior


EDITORIAL: LULA E DILMA ENTRE OS CORRUPTOS

Um dos factos mais relevantes na política e na justiça do Brasil dos últimos anos é a recente indiciação dirigida contra os ex-presidentes Lula da Silva e Dilma Roussef por alegadas organização criminosa e obstrução à justiça.


Fosse a justiça brasileira digna de qualquer crédito, estaríamos perante um caso gravíssimo em que os que se dizem representantes do povo mais humilde e das classes médias trairiam os ideais que dizem defender.


Mas a justiça brasileira não é, tragicamente para o Brasil e por regra geral, digna de qualquer crédito ressalvando, claro, casos de exceção.
As provas desta afirmação são imensas, mas referimos apenas três:
1º Caso MENSALÃO: foram condenados os corruptores ligados ao PT, em particular José Dirceu que, atendendo à sua idade, foi condenado a prisão perpétua. Mas os corruptos, os Cunha e companhia, que exigiram dinheiro para votar leis, cuja atuação é eticamente muito mais reprovável que a de Dirceu (que poderemos considerar até vítima de chantagem dos deputados e senadores corruptos), esses, salvo raríssimas exceções não sofreram qualquer condenação.


2º Caso ministros nomeados para o atual governo e antes suspeitos de corrupção, nomeadamente Moreira Franco:  neste  caso, o procurador geral Rodrigo Janot considerou que  não houve obstrução à justiça, ao contrário do que sucedeu com a nomeação de Lula por Dilma.


3º Caso Aécio e dezenas de outros figurões do PSDB e do PMDB: são apontados como reconhecidos corruptos; as provas disso são imensas; mas nada lhes acontece.


Tendo em conta estes casos, o comportamento da justiça brasileira causa-nos enorme desconfiança, e ficamos com enormes dúvidas sobre se Lula e Dilma praticaram os crimes por que estão indiciados ou, antes, são vítimas duma justiça ao serviço dos poderes político e económico que, como é sabido, assentam na corrupção que o procurador geral  Rodrigo Janot diz combater.


E fica a dúvida sobre se o que pretende Janot é ou não favorecer os corruptos e impedir que Lula vença a próxima eleição presidencial.
Em qualquer caso, com esta gente, com um sistema eleitoral que leva a que mais de 30 partidos estejam representados na Câmara dos Deputados, e com uma sociedade dominada pela imensa burla que são as seitas religiosas, o Brasil parece que não mais deixará de ser um grande país perdido.


Aqueles que amam a liberdade, a igualdade e a fraternidade, a verdade, a honra, a justiça e o progresso, têm pela frente uma terrível luta para impedir que assim seja.

Henrique Prior

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Revista InComunidade, Edição de Setembro de 2017


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EDWARD HOPPER - Noite de Verão (Summer Evening), 1947. Óleo sobre tela, 76,2 x 106,7 cm. Washington, DC, Coleção Particular


Paginação:

Nuno Baptista


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