ANO 4 Edição 58 - JULHO 2017 INÍCIO contactos

Alex Sartorelli


A Poesia de Alex Sartorelli

Poema das coisas

 
Algo
Sempre foi alguma coisa
Desde quando criaram as coisas.


Poderia ser mais
Se dessem mais valor a algo,
Se as coisas não tivessem
Nomes tão simples
E não pudessem ser esquecidas.


Sim as coisas passam
E há algo nelas
E há alguma coisa em algo.


Não consigo ser mais preciso.

 

Entrega de apartamento
 

Eu pinto o teto
E construo a gaiola
Para abrigar as codornas.


Matarei a ratazana
Que escapará do porão de minhas ideias.


Ando repleto de versos fartos
E de preceitos redimidos.
Uso mal as palavras
E as desloco do modo ímpio.


Pior que uma desconstrução,
Pior que um quadro de avisos,
Pior que um discurso mal digerido,


Pior que ser o pior dos piores
É que o pior está vindo.


Enfrento a mim mesmo
E não tenho sossego.


Ora troiano
Ora grego,
Oro e prego
E crio meus deuses,
Sou deus supremo.


Entregue a mim mesmo
Sem medo
Não sei se assumo
Ou cedo,
Não se sucinto
Ou extenso.


Se eu creio,
Se eu penso.


Tudo é inútil e imenso.

 
O instrumento vazio
Imerso na perda
Reverbera e esconde

 

Não se sabe o quê
Nem onde.


Das Büro


É possível
Ser épico em um cubículo,
Conceber uma curvatura extrema
E enquadrá-la na quadratura do círculo?


É possível,
Mas será preciso?
O tempo preso no pêndulo
Não atrasará os meus compromissos.


Nem um lance de dados
Ou o mais puro otimismo.


Sou muito bom no que faço, E
stá no quadro de avisos.

 

O tempo da espera.


A espera não explicará
O infinito,
Embora eu tenha outros motivos.


O compasso
Cria os mares onde navego:
Um marinheiro cego
Toca nas estrelas e segue.


O compromisso
Foi adiado pelas ondas
Que despedaçam o barco nas encostas.


Do jeito que tu gostas.
                   

Distribuo partículas cósmicas:


Há uma enorme possibilidade
Em todo objeto.


Elas combinam-se
E perturbam a prosa.


Há uma verdade
No acúmulo de paradoxos.


O universo procura a ordem,
O universo procura a si mesmo
Na incerteza das órbitas
E na imprecisão dos conceitos.

         
As causas ordinárias


Estão em mim presentes.
Não originam coisas,
Não consolam os doentes.


Há um universo
Que soletro
E que oscila entre pacotes.


Há uma sombra de conceitos

 

E uma caverna luminosa.

 

O poeta Alex Sartorelli é de Itapira, estado de São Paulo, mora no Rio de Janeiro e estudou Engenharia na instituição de ensino ITA - Instituto Tecnológico de Aeronáutica. Trabalha com prazer com Informática, mas sua paixão é a poesia. Se pudesse sobreviver com poesia, sua paixão seria a informática. Publicou o livro de poemas, A Vereda das Horas, 2005. Publica o blog,
http://alexsartorelli.blogspot.com.br/ .

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Revista InComunidade, Edição de JULHO de 2017


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Foto de capa:

ANTONIO DACOSTA, 'Dois limões em férias'. Ano: 1983


Paginação:

Nuno Baptista


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