ANO 4 Edição 56 - MAIO 2017 INÍCIO contactos

Henrique Prior


EDITORIAL – FÁTIMA E A SUA MÁSCARA

Impossível ignorar Fátima. Estive lá uma vez no meio da multidão, e eu, ateu convicto, não pude deixar de me comover, mesmo sabendo que é uma fraude. Mesmo sabendo que aparições sempre as houve ali, deste o tempo em que quase toda a Península Ibérica estava sob o domínio muçulmano: Fátima é a filha de Maomé, santa venerada pelos muçulmanos shiitas.  A própria Virgem Maria é considerada no Corão como uma santa, mãe do profeta Isa, isto é, Jesus Cristo. Por isso, também os muçulmanos shiitas veneram Fátima, considerando que quem ali apareceu aos pastorinhos foi a filha dileta de Maomé.

 

Num livro datado de 1707, intitulado SANTUÁRIO MARIANO, o devoto Frei Agostinho de Santa Maria contava pelo menos uma dúzia de aparições de Nossa Senhora a pobres pastorinhos naquela zona. Também a quinze kilómetros de Fátima, no lugar de Outeiro Grande, o padre Benevenuto de Sousa, que seria julgado e preso por burla, mandou construir, no ano de 1910, um santuário em honra das aparições de Nossa Senhora em Lourdes, França.

 

A somar a isto surgiu, em 1911, a lei da Separação da Igreja do Estado, o combate do jacobinismo republicano à Igreja Católica, na sequência da progressiva laicização dos Estados europeus que vinha a acontecer desde a Revolução Francesa, as tentativas de restauração monárquica, e, ainda, a tragédia da Primeira Grande Guerra, na qual os jovens camponeses analfabetos foram lançados como carne para canhão.

 

Estas circunstâncias conduziram a uma dramática cruzada da generalidade dos padres católicos em defesa da sua igreja, em particular na zona de Ourém, e nada melhor que uma grande aparição da Virgem Maria para mobilizar a população a favor da Igreja Católica e da restauração monárquica.

 

A somar a tudo isto ocorre o acaso muito particular de a mãe de Lúcia ter em sua posse o livro do padre Manuel Couto “Missão Abreviada”, publicado em 1859, no qual era descrita a “aparição de Nossa Senhora a dois pastorinhos no Monte Salette, em França, aos 19 de Setembro de 1846”, que a mãe de Lúcia lera a sua filha, e iria servir de modelo para esta descrever as aparições de Nossa Senhora a si mesma, em Fátima.

 

Surgem então as grandes figuras de cena que são o padre Formigão e o seu auxiliar Gilberto Santos, conhecido como o Bicanca.

 

Foram ambos os verdadeiros construtores do fenómeno de Fátima, sendo o padre o grande defensor das aparições contra a hierarquia católica, em particular o cardeal Belo, e o Bicanca o primeiro a receber esmolas, a mandar construir a primeira capela das aparições, a engarrafar a água milagrosa e a mandar imprimir os bem conhecidos postais dos três pastorinhos.

 

Conseguiram os seus objetivos: Fátima é, hoje, o que é; o padre Formigão está em vias de ser canonizado; e o Bicanca, que comprara os primeiros sapatos para as filhas com o dinheiro das esmolas dos fiéis, morreu rico.

 

O que aqui vai escrito são factos, e não interpretações de factos.

 

E facto é também a realidade de milhares de crentes encontrarem ali alívio para o seu sofrimento e esperança numa vida eterna.

 

Sem me debruçar sobre a canonização dos pastorinhos Jacinta e Francisco pelo papa Francisco, impossível se torna não dizer algumas palavras sobre este papa, figura central do centenário das aparições. A sua postura bondosa e humana, em tudo contrária à postura imperial dos anteriores papas, torna uma Igreja Católica em declínio crescente numa instituição que se coloca no seio do mundo e é por ele aceite.

 

O papa FRANCISCO, que aponta para uma nova igreja e confessa publicamente os seus pecados de tolerância para com os carrascos da ditadura Argentina, é o que se quer de todos os homens, um HOMEM BOM.

 

MAU, MUITO MAU, é FÁTIMA ser um escandaloso OFFSHORE gerido por essa instituição cheia de sombras que é EXÉRCITO AZUL, que não presta contas nem paga impostos. São milhões que ali entram e não se sabe para onde saem.

 

UMA MEDIDA É URGENTE: obrigar a gestão do negócio de Fátima a prestar contas e submetê-las ao fisco, com receitas dos impostos consignadas para combate à fome e à miséria no mundo, particularmente em Portugal.

 

 

Henrique Prior

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