ANO 4 Edição 55 - ABRIL 2017 INÍCIO contactos

Eliana Mora


Poemas

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Terceira Visão

 

Descobri
que o infinito
onde repousam todos os mistérios e oásis
tem filial.

 

Teus olhos.

 

sem data
[do Baú]

 


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Sabor Crepuscular


dessa lembrança dá-me um corpo
e um poema
suave odor colorido
uma bruma e cegueira aos meus sentidos
um cansaço e uma febre assim
no início
de aparência e sabor crepuscular
dá-me do rio a margem
onde posso ainda imaginar algumas trilhas
contenção de águas
sombras a crescer em vias soltas
frondosas úmidas
suaves 
dá-me o sabor de enlouquecer
de nada mais querer saber

[e não me acorde mais]

 

7/05/2009



____________________________________*
Uma urgência de sempre



Preciso usar as palavras
para que busquem raízes
para que se desatarrachem sentimentos
os coloquem então  na superfície
para que então 
junto com eles
brotem ou explodam os restos de guardados 
em locais obscuros
para que então possam desfazer-se
[em contato com a luz]

Uma vida inteira a cavucar e [ainda aqui] 
tesouros a descobrir
e restos de banquetes

a descartar


05/03/2017



___________________________________________*

Direito à Propriedade



Todas as terras prometidas eram teu lugar.
Protegidas pela lei dos homens 
engendradas nos tendões doídos de um amor nascente
reescritas aos pedaços em dias frios 
e noites penduradas
insistentes. 

Tu nem reparaste que estavam a te esperar_ papel passado.


[faltou tomar posse]


fevereiro/2008

 


______________________________________________*

...Meu nome é Metáfora
____*
gestos
rubores
pensamentos
acordes iniciais de um poema
que ainda vai ser soletrado
sentido
amalgamado
nas cordas dos instrumentos
pelas tuas cordilheiras
e teus rios
até alcançar os últimos horizontes
do teu céu
__*
[aí, e só aí,
teu dia ficou completo]
_________*

03/04/2016


___________________________________________*

Resposta ao Tempo
___*
O tempo pára aqui no vácuo dos meus braços
a pedir colo
.
e eu
como qualquer mulher que tenha dado à luz
respondo sim
porque aqui 
não há como negar afeto assim 
a/feto
.
E a história o adormece
.
[v o l á t i l]
.
______*

30/05/2008

 


__________________________________________*
A flor que se transforma




Do fundo da lira
nasce
como botão de flor
que anseia finalmente tomar corpo
aparecer

do fundo das ideias
plasmada em tanto sentimento 
por estreitos vãos 
passa

e se transforma 
naquela belíssima palavra
robusta
bela
forte por natureza


[amada]


20/02/2017

 
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Eliana Mora nasceu no Rio de Janeiro, e teve a infância ‘embalada’ pelas músicas e poesias que seu pai compunha. Possui grau de mestre na “Arte de Dizer”, do Curso Olavo Bilac -, e em Jornalismo. Trabalhou em revista, rádio, televisão, e faz Assessoria de Imprensa. Promove seus próprios cursos de Voz e Interpretação de textos. Está no movimento modernista internacional Poetrix [MIP], e nas listas de discussão Escritas e Amante das Leituras: de escritos em língua portuguesa [poesia e prosa] Brasil/Portugal.
“Mar e Jardim”, com 152 poemas do período 1999/2002 -- é seu livro de estréia – de 2003. Tem seu espaço de Arte, Cultura e Poesia no endereço elianamora.com e liriodeserto.blogspot.com Hoje, com as redes sociais, fica mais fácil ler a poesia [com links para os blogs]. Exemplo: Facebook, Google+, onde atende pelo nome Eliana Mora [El].

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25 de Abril por Vieira da Silva


Paginação:

Nuno Baptista


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